quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Liverpool ganha Museu da Escravidão; veja fotos

Atualizado às: 28 de agosto, 2007 - 09h20 GMT (06h20 Brasília)


Liverpool ganha Museu da Escravidão; veja fotos

http://www.liverpoolmuseums.org.uk/ism/



O racismo da Ku Klux Klan é um dos flagelos dos afro-descendentes
A cidade de Liverpool, mais conhecida como berço dos Beatles, abriu nesta semana o Museu da Escravidão Internacional, totalmente dedicado ao comércio negreiro e suas conseqüências no mundo.
A coleção exibe fotos, objetos e vídeos que não só abrangem a época da escravidão, mas cobrem os sucessos e problemas enfrentados por ex-escravos e descendentes dos séculos posteriores até hoje.


Clique aqui para ver fotos de objetos em exposição no museu

A intenção da mostra, no entanto, não é apenas traçar uma história de flagelos, mas destacar também a sobrevivência e promoção da cultura africana em todo o mundo, como conseqüência da escravidão.

O museu é dividido em três áreas:

Na seção "Vida na África Ocidental" são apresentados os diferentes povos e culturas que foram vítimas dos navios negreiros.

Brasileiros

Na área batizada de "Passagem Média", o museu revela a brutalidade e o trauma vividos pelos africanos escravizados e embarcados para serem vendidos nas Américas.

A terceira seção chama-se "Legados da Escravidão", que tenta sintetizar o racismo e a discriminação enfrentados pela população negra, após a abolição da escravatura.

Nesta seção, foi construído um painel com 76 personalidades afrodescendentes, que de alguma forma contribuíram para a divulgação e ampliação da cultura africana ou para o combate ao racismo e à discriminação.

Entre essas figuras históricas, que incluem o boxeador Muhammed Ali e a apresentadora Oprah Winfrey, estão os brasileiros Pelé, a política Benedita da Silva e o capoeirista mestre Pastinha.

Há também uma vasta seleção da música criada por afrodescendentes, da qual vários fazem parte.

A cidade portuária de Liverpool foi um dos centros do comércio escravagista no século 18, e a abertura do museu coincide com o Dia Mundial de Lembrança da Escravidão, que marca o dia de uma rebelião de africanos escravizados na ilha de Santo Domingo (que hoje abria o Haiti e a República Dominicana) em 1791.

A comemoração, no dia 23 de agosto, foi criada pela Unesco para lembrar que os próprios escravos foram os principais responsáveis pela própria libertação



http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/070824_museuescravosebc.shtml

The Atlantic Slave Trade and Slave Life in the Americas: A Visual Record

The Atlantic Slave Trade and
Slave Life in the Americas:
A Visual Record


Jerome S. Handler and Michael L. Tuite Jr.

The approximately 1,235 images in this collection have been selected from a wide range of sources, most of them dating from the period of slavery. This collection is envisioned as a tool and a resource that can be used by teachers, researchers, students, and the general public - in brief, anyone interested in the experiences of Africans who were enslaved and transported to the Americas and the lives of their descendants in the slave societies of the New World.

We would like to emphasize that little effort is made to interpret the images and establish the historical authenticity or accuracy of what they display. To accomplish this would constitute a major and different research effort. Individual users of this collection must decide such issues for themselves. However, we have made every effort to ensure bibliographic accuracy and the correct identification of both primary and secondary sources from which the images have been obtained, as well as correct identification of the area, country, or region to which the image refers. The dates we assign may refer to the date an image was published, at other times to when an author visited an area; in other cases, we could only assign a general time period. Despite our efforts at bibliographical and chronological accuracy, errors remain, and we welcome any comments, suggestions, or corrections.

The Atlantic Slave Trade and
Slave Life in the Americas:
A Visual Record

Os cerca de 1.235 imagens desta coleção foram selecionados a partir de uma ampla variedade de fontes, a maioria deles datando do período da escravidão. Esta colecção é vista como uma ferramenta e um recurso que pode ser usado por professores, pesquisadores, estudantes eo público em geral - em suma, qualquer pessoa interessada em experiências de africanos que foram escravizados e transportados para as Américas e as vidas de seus descendentes nas sociedades escravistas do Novo Mundo.

Gostaríamos de enfatizar que pouco esforço é feito para interpretar as imagens e estabelecer a autenticidade histórica ou a exatidão do que mostrar. Para conseguir isso constituiria um grande esforço de investigação e diferentes. Os usuários desta coleção deve decidir essas questões por si mesmos. No entanto, temos feito um grande esforço para assegurar a exatidão bibliográfica ea correta identificação das fontes primárias e secundárias a partir do qual as imagens foram obtidas, bem como a correta identificação da área, país ou região para a qual a imagem se refere. As datas que atribuímos pode referir-se a data de uma imagem foi publicada, em outros momentos para quando um autor visitou uma área, em outros casos, só podemos atribuir um período de tempo em geral. Apesar dos nossos esforços na exatidão bibliográfica e cronológica, os erros continuam, e congratulamo-nos com quaisquer comentários, sugestões ou correções


http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery/index.php

Editora do 'Guardian' acusa 'Vanity Fair' de racismo

Polémica
Editora do 'Guardian' acusa 'Vanity Fair' de racismo
por DN.ptOntem


A revista norte-americana 'Vanity Fair' lançou uma edição especial dedicada às novas estrelas de cinema de Hollywood. No entanto, actrizes negras, asiáticas e latinas ficaram de fora. A polémica está instalada e a revista é acusada de racismo.


A mais recente edição da 'Vanity Fair', dedicada às actrizes que irão dominar Hollywood nos próximos tempos, está a causar polémica depois da editora de moda do 'The Guardian', Hannah Pool, ter estranhado a ausência de actrizes negras, asiáticas ou latinas nas fotografias.

As nove actrizes fotografadas (Abbie Cornish, Kristen Stewart, Carey Mulligan, Amanda Seyfried, Rebecca Hall, Mia Wasikowska, Emma Stone, Evan Rachel Wood e Anna Kendrick) são todas brancas, facto que fez com que Hannah Pool escrevesse um artigo onde pergunta: "Não acham que se passa alguma coisa estranha na capa da 'Vanity Fair'?". "Sim, garantidamente não há nenhum actor masculino na capa, mas vamos assumir que isso é intencional, o que eu estou a falar é da total ausência de melanina", disse.

A editora de moda do jornal britânico chega mesmo a estranhar a ausência na capa de pelo menos três jovens actrizes negras que estão a ter carreiras de sucesso em Hollywood como Zoë Saldana, Gabourey Sidibe ou Anika Noni Rose, ironizando que "A Vanity Fair olhou para a sua bola de cristal e decidiu que, no que toca a actrizes em ascensão e com honras de capa para a próxima década, o futuro é todo branco".

Para Hannah Pool, esta capa da 'Vanity Fair' pode levar a duas conclusões: ou a revista considera que "não há no planeta nenhuma actriz negra em ascenção merecedora de arruinar a estética de alabastro do alinhamento da capa, ou então repararam nisso e nem quiseram saber. Não sei qual das duas é pior", acrescentou.

Até ao momento, a 'Vanity Fair' não comentou as acusações de que é alvo.

Um frenesi chamado Avatar O filme de James Cameron mal começou a ser desconstruído e já provoca uma primeira baixa: o consenso

domingo, 7 de fevereiro de 2010, 07:19 | Versão Impressa

Avalie esta Notícia

Um frenesi chamado Avatar
O filme de James Cameron mal começou a ser desconstruído e já provoca uma primeira baixa: o consenso

Mac Margolis* - O Estado de S.Paulo


Li recentemente que trombadinhas do Rio de Janeiro estão se escondendo nas árvores em volta da Lagoa Rodrigo de Freitas, esperando a hora de dar o bote em pedestres como se fossem guerreiros voadores de Avatar. Duvido que os meliantes do Rio tenham se inspirado no Cineplex, onde o ingresso para a sessão 3D do blockbuster da hora chega a R$ 25. Mas não me surpreenderia se alguém acusasse James Cameron de plagiar os cariocas.

Ninguém discute que o badalado diretor americano tenha criado um genuíno frenesi global com seu épico, que acaba de colher nove indicações ao Oscar (inclusive de melhor filme e melhor direção) e teria demolido todos os recordes da história do cinema. Até o início deste mês a bilheteria de Avatar já ultrapassara a barreira de US$ 2 bilhões, faturando em 45 dias o que a economia de, digamos, Cabo Verde produziu durante todo o ano passado (existem controvérsias sobre o recordista, pois há quem garanta que o campeão de todos os tempos é ...E o Vento Levou, de 1937, cuja bilheteria, corrigida pela inflação, beira os US$ 1,5 bilhão apenas nos Estados Unidos, para US$ 602 milhões de Avatar nesse mercado). Mas, segundo a patrulha, é tudo pilhagem. Cameron e sua máquina de Hollywood teriam afanado enredos, personagens e até a ideia-mãe de Avatar de obras as mais diversas. Entre os surrupiados, um romance de ficção científica de 1957 (Call me Joe), uma revista em quadrinhos da década de 80 (Timespirits) e o filme Pocahontas, da Disney. Mas as maiores vítimas da cleptofilmografia são os irmãos russos Strugatsky, autores de Noon Universe, um seriado de ficção científica dos anos 90 ambientado num universo chamado Pandora, que, como o Pandora de Avatar, é coberto por florestas tropicais e habitado pelos humanoides Naves, suspeitamente parecidos com os superdotados Na"Vis de Cameron.

Até aí, nenhuma surpresa. Em tempos de ciberdemocracia, você é o que você cata pelo Google e que se dane o direito autoral. Porém, o mais marcante de Avatar não é quanto dos seus 163 minutos se deve à criatividade alheia, senão o que ele conseguiu provocar quando as luzes do cinema acendem. Por que tanto barulho sobre uma fantasia em celuloide e qual a explicação para essa fita ter mexido tanto e com todos?

Pela inveja, sem dúvida. O enredo de Avatar pode ser dos mais simplórios, mas, de frente para o telão, com óculos 3D e imersão em Dolby Surround Sound, toda sensação se multiplica. Se a marca do cinema é sua capacidade de transportar o espectador para outra realidade, Avatar é uma nave espacial. "É o filme mais lindo que vi em muitos anos", suspirou o veterano crítico David Denby, de The New Yorker.

Pode ser o mais polêmico, também. Estudiosos de antropologia, cientistas políticos e os polemistas de plantão travam debates acalorados na imprensa e na web sobre o conteúdo político do filme e sua "mensagem". A extrema direita dos Estados Unidos detestou-o pelo seu suposto ranço antiamericano. Por essa versão, o ataque do sinistro Povo dos Céus a Pandora seria uma mal dissimulada invasão norte-americana ao Iraque. Pela mesma razão, o filme mereceu aplausos dos ambientalistas, ONGs e dos bolivarianos da vizinhança. Ainda outros reconhecem a força "imperialista" de Cameron como uma alegoria da Blackwater, a empresa de soldados de aluguel que ganhou manchetes e processos pela barbárie no Iraque. Evo Morales não é exatamente cinéfilo, mas após assistir a Avatar - dizem que foi apenas a terceira vez que entrara num cinema na vida - o presidente cocalero boliviano elogiou-o como "o modelo perfeito da luta contra o capitalismo e pela proteção à natureza". Logo mais, quem sabe, teremos teses, seminários e teorias para desconstruir cada tomada do efeito Avatar.

Os chineses são mais pragmáticos. Não chegaram a mudar o nome da paisagem nacional, como inicialmente foi noticiado. Mas bem que aproveitaram a onda do cinema imperialista para turbinar o turismo, tacando um apelido chamativo numa das suas montanhas mais vistosas. Assim a bela Coluna do Céu Austral também passou a ser chamada Montanha da Aleluia, em homenagem ao penhasco flutuante de Avatar. "É o orgulho da Zhangjiajie", disse Ding Yunyong, secretário de turismo da cidade , à agência Xinua.

Preocupados, talvez, com o sucesso do filme ocidental, a maior bilheteria da história da China (mais de US$ 127 milhões, segundo o website Box Office Mojo), os dirigentes culturais decidiram retirar das salas todas as versões em duas dimensões de Avatar e abrir espaço para um novo documentário nacional sobre Confúcio. A fita nacional, diferentemente do rival de Hollywood, é um hino à hierarquia que agradou à cúpula comunista e afugentou o público. Já que na China globalizada quem não tem cachorro caça telespectador com gato, as autoridades culturais se apressaram em trazer de volta ao grande público a versão light de Avatar.

Na guerra das versões sobre Avatar, ninguém ouve ninguém. Seria um alerta perspicaz sobre o perigo da ruína ecológica, ainda mais pertinente depois do fracasso da cúpula de Copenhague? Ou é apenas mais uma fábula do bom selvagem, com purpurina digital? (Se bem que Robinson Crusoe, de pele azul montando dragões alados, enobrece até o mais batido dos clichês.) As feministas se dividem. Algumas elogiam as mulheres de Avatar como as personagens mais fortes do filme, enquanto outras criticam a quase nudez das guerreiras, truque confessado pelo diretor para fisgar o público masculino (humanoide-objeto, nunca mais!). Kim Masters, comentarista da televisão pública americana, engrossou o caldo: "Cameron faz filmes para as mulheres disfarçados de filmes para homens." Avatar é racista? Os defensores de minorias afirmam que sim, já que o salvador da pátria da história é um gringo branco. Esquecem-se de que o protagonista Jake Sully também é paraplégico e vítima da guerra, outra categoria atualíssima de "exclusão social". O universo do filme é Pandora, mas aqui de fora o mundo mais parece Babel.

Que o consenso seja a primeira baixa de Avatar, tanto melhor. Há tempos que passar algumas horinhas no escuro não consegue levantar tantos brios e filosofia de botequim. "Não é o lucro nem a crítica que definem a qualidade de um filme, senão o impacto dele na vida real", declara o site de cinema MovieViral. Talvez seja esse o real sucesso de Avatar. Como diria seu criador, é o simulacro, estúpido!"

*Correspondente da revista Newsweek no Brasil

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,um-frenesi-chamado-avatar,507604,0.htm

França desiste de legislar sobre estatísticas étnicas

França desiste de legislar sobre estatísticas étnicas
Polémica
2010-02-07
O comité de especialistas que há dez meses deliberava sobre a hipótese de uma nova lei para elaborar estatísticas étnicas em França tornou finalmente pública a sua decisão: não é necessária mais legislação, a França já está dotada de ferramentas susceptíveis de causar racismo na sociedade.

Tudo começou há dois anos, quando o presidente Sarkosy pediu ao Comissário da Diversidade, Yazid Sabeg, para determinar quais as ferramentas estatísticas necessárias para radiografar a sociedade. E Sabeg prometeu um projecto de lei. O assunto cresceu quando o partido de direita União por um Movimento Popular (UMP) lançou o debate sobre a identidade nacional, abrindo uma polémica que dividiu a sociedade.

Essencialmente, o comité de especialistas entende que a França não pode ignorar uma das suas regras de ouro: nunca permitir estatísticas ou inquéritos em que os dados relevantes fossem a cor da pele, a origem ou outro sinal possível de discriminação. Os defensores da estatística argumentam que seria útil para corrigir a sociedade; os críticos viam na medida uma solução puramente racista.

O embaixador português em Paris, Seixas da Costa, considerou entretanto que o assunto não tem impacto na comunidade portuguesa ali residente. "As razões desta discussão estão muito longe do modelo de integração que foi seguido pelos portugueses que permaneceram em França e que, muito consensualmente, representa aqui um indiscutível sucesso", disse o diplomata à Lusa.


http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1488603

Justiça dá liminar a estudantes acusados de racismo

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010, 16:19 | Online

Avalie esta Notícia

Justiça dá liminar a estudantes acusados de racismo

BRÁS HENRIQUE - Agencia Estado


RIBEIRÃO PRETO - A Justiça de Ribeirão Preto concedeu liminar, na sexta-feira, para que os três estudantes, acusados de racismo contra um trabalhador, em dezembro passado, retornem às aulas e concluam o curso. Os jovens foram expulsos pelo Centro Universitário Barão de Mauá, no dia 1º deste mês, após sindicância feita por uma Comissão Administrativa de Inquérito, formada por professores e funcionários da instituição.



Hoje, a direção da universidade, por meio de nota à imprensa, disse que respeitará e cumprirá a decisão judicial, mas que também irá recorrer ao Judiciário para que sua decisão seja aplicada.



"A Justiça entendeu que a aplicação da pena de expulsão é desproporcional à atitude dos alunos e deferiu o pedido de liminar", informa a nota, divulgada após uma reunião da direção, já que a liminar chegou à instituição na noite de sexta-feira.



"O Centro Universitário Barão de Mauá reitera que a decisão da Faculdade de Medicina se baseia em razões éticas e não de natureza criminal. A formação de um médico extrapola a mera técnica para invadir os preceitos de moral e comportamento ilibado. O que procuramos ensinar e educar aos nossos alunos é agir de acordo com respeito ao humanismo e a ética e vamos continuar a preservar tais valores", encerra a nota da universidade.



A liminar judicial em favor dos estudantes Abraão Afiune Júnior, Emílio Pechulo Ederson e Felipe Giron Trevisani, quem têm entre 19 e 21 anos, ocorreu após recurso impetrado por e seus advogados. Os três alunos são acusados de racismo e agressão.



Na manhã de 12 de dezembro de 2009, os três agrediram o auxiliar de serviços gerais Geraldo Garcia, de 55 anos, com um tapete enrolado, e um deles gritou "negro", numa das principais avenidas da cidade. Eles foram detidos em flagrante pela Polícia Militar e liberados no mesmo dia pelo juiz de plantão Ricardo Braga Monte Serrat, sob pagamento de fiança de R$ 5.580,00 cada.



O juiz baseou-se num caso semelhante, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que não considerou o fato como racismo, mas como injúria por conotação racista. O caso gerou protestos na cidade e até moção de repúdio pela Câmara local.


http://www.estadao.com.br/noticias/geral,justica-da-liminar-a-estudantes-acusados-de-racismo,508145,0.htm

Cid Teixeira: "O certo seria o Dia da Consciência Mulata"

Terça, 9 de fevereiro de 2010, 07h52 Atualizada às 12h21

Cid Teixeira: "O certo seria o Dia da Consciência Mulata"

Claudio Leal/Terra Magazine

Cid Teixeira, 85 anos, o historiador mais popular da Bahia, é o "único mulato baiano" assumido, ao lado de Caetano Veloso: "A mulatice é rejeitada pelo branco e pelo negro"
Claudio Leal e Roberto Albergaria
De Salvador (BA)


Um homem avista o casarão arruinado, no Centro de Salvador, e decide parar o carro, para contemplar os adornos. Ao lado, um mestre de obras. Malemolente, encostado no tapume, ele vê o estranho sondar os desvãos do prédio em caquinhos.

- O que era isso aí?

E o operário responde:

- Não sei. Por que o senhor não pergunta ao professor Cid Teixeira?

Oitenta e cinco anos, a picardia dos séculos nos olhos em losango, o historiador Cid Teixeira ganhou o reconhecimento dos anônimos no programa radiofônico "Pergunte ao José", no qual respondia a dúvidas sobre a história de Salvador e da Bahia. A simplicidade de seus relatos, sem espezinhar o vernáculo, revelava um humanista, um leitor de crônicas históricas e da literatura universal.


Veja também:
» Cid Teixeira: "Ficar viúvo é uma tragédia. A sociedade não deixa"
» Siga Bob Fernandes no twitter

O folclorista Câmara Cascudo se definia como "erudito de província". E talvez Cid José Teixeira Cavalcante, nascido em 11 de novembro de 1924, seja também uma ave dessa espécie, pela despretensão da conversa e pela autoridade de intelectual à margem das vaidades acadêmicas. O romancista Jorge Amado o descreveu em "Bahia de Todos os Santos" com essa roupagem de historiador a serviço do povo, da divulgação da história ao homem comum:

"Os programas de Cid Teixeira implicam sempre a análise e a extensão cultural de um problema, um fato, uma figura, um aspecto da vida da Bahia, levam ao ouvinte a erudição e a pesquisa realizada por um intelectual da melhor estirpe para quem a cultura é um bem provindo do povo e que a ele deve ser restituído".

Afastado das salas de aula, das rádios e dos jornais (chegou a ser editor-chefe da Tribuna da Bahia), Cid Teixeira mantém suas leituras e a memória do cotidiano minúsculo, porém essencial para compreender a formação do povo baiano - e, claro, o brasileiro, já que as desordens nacionais nasceram na cidade do poeta Gregório de Mattos.

Em entrevista a Terra Magazine - com a participação especial do antropólogo Roberto Albergaria, doutor pela Universidade de Paris III -, Teixeira aborda a história da negritude na Bahia e avança sobre as privacidades da Província, das técnicas de "branqueamento" aos ardis do matrimônio. Ele folga em definir-se, sem palavrinhas de meio caminho, como um mulato baiano.

- A mulatice é rejeitada pelo branco e pelo negro... Havia aquele negócio de barriga suja, barriga limpa. Quando o menino nascia mulato, se saía dominantemente mulato, a mãe tinha barriga suja. Se o menino nascia dominantemente branco, a mãe tinha a barriga limpa. Tinha essa conversa...

Em vez de segregar, afirma Cid, o melhor seria assumir a mestiçagem sem recalques. Na contramão do discurso de linhagem norte-americana, ele provoca:

- Já pensou o que seria da Bahia se os brancos baianos resolvessem fazer o Dia da Consciência Branca? Já pensou? Teria tumulto na rua. O certo e verdadeiro seria o Dia da Consciência Mulata (risos) Aí estaríamos falando a verdade, mesmo.

Autor de "Bahia em tempo de Província" e "Histórias: Minhas e Alheias", entre outros livros, ele relata, certamente pela primeira vez, o vestibular étnico prestado para entrar na Academia de Letras da Bahia. Em conferências, ele fazia questão de assumir-se um mulato nato, no sentido lato, mulato democrático do litoral - com a licença poética do autodeclarado mestiço Caetano Veloso. Diz o professor:

- Os piores são os mulatos metidos a branco... Quando eu entrei pra Academia de Letras, na história da Academia de Letras de 1917 até hoje quem entrou com menor número de votos fui eu. Eu entrei com um voto só que decidiu o ingresso. Houve uma campanha contra mim patrocinada, não vou dizer o nome aqui, por um cidadão mulatíssimo. Médico baiano mulatíssimo que patrocinou o veto.

Neste depoimento, em sua casa no bairro da Pituba, na capital baiana, ele descreve minúcias do familismo provinciano. Se quer saber, relata como é difícil permanecer viúvo ante inúmeras investidas de conselheiros e pretendentes.

- Ah, ficar viúvo... É uma tragédia. Porque o que existe de gente querendo arranjar noiva, namorada e casamento pra viúvo... Sou viúvo hoje. É um negócio terrível... "Ah, você está sozinho, tem que casar, arrumar alguém..." E esse alguém já está programado pra tomar o lugar da finada.

Prosa gentil, doce e maledicente, como o bom baiano deve ser, Cid Teixeira identifica a vocação regional para o vira-casaquismo, uma arte derivada do chaleirismo, hoje disseminada de Brasília à Cidade da Bahia, com ganhos para todos os lados.

- Não havia revolucionários em 1930. Quando a Revolução ganhou, acabou-se o estoque de pano vermelho nas lojas. Porque todo mundo estava de lenço vermelho nos pescoços, todos viraram revolucionários.

Seguimos o conselho do mestre de obras e perguntamos ao José. Leia a conversa no jardim da casa de Cid Teixeira, o gênio da raça.

Terra Magazine - O senhor é um grande entendedor do mulatismo. Quais eram as astúcias simbólicas que as famílias tradicionais baianas utilizavam para o seu branqueamento? Como as pessoas se faziam crer brancas, antigamente, numa cidade parda, onde o único branco puro, como você dizia, era o cônsul da Suécia?
Cid Teixeira - O único branco puro que eu conheço aqui na Bahia é o cônsul da Suécia. Alguns são, digamos assim, ostensivamente mulatos, outros disfarçadamente mulatos, mas a maioria é composta de pardos. Pardos mais evidentes, pardos menos evidentes. Agora, o negro baiano existiu em grande relevo, em grande importância, em grande repercussão. Qual é o engenheiro branco hoje que equivale a Teodoro Sampaio? Você conhece algum? E ele era um negro. Américo Simas era um negro. Arlindo Fragoso era um negro. Manoel Querino (escritor e fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia) era um negro. Nomes do século 19 que alcançaram relevo, importância social. Vidal da Cunha era médico e negro. Todo mundo procurava Vidal da Cunha para operar. Era um privilégio fazer uma cirurgia com dr. Vidal da Cunha, "o" cirurgião que a cidade possuía. Assim como esses que citei de exemplo, tem uma porção deles. Na construção civil, o mestre de obras era negro, seu Menininho, Oldegário Ludgério dos Santos, que eu conheci demais. Negro, negro, negro. E estava vigente socialmente.

Os brancos moravam na Graça e eram, em geral, decadentes. Donald Pierson (sociólogo americano) inventou a expressão "os brancos da Bahia". "Brancos e pretos na Bahia", de Donald Pierson, continua sendo o livro fundamental para entender isso. Porque ele veio dos Estados Unidos, onde só havia preto e branco. Quando ele viu na Bahia uma porção de mulatos, pardos, serem tidos e havidos, inclusive sinceramente, honestamente, se acreditando brancos, ele se espantou e criou a expressão "branco da Bahia". Um branco específico, que se considera branco mas não é. A Bahia é uma cidade parda, uma cidade de uma gradação - quase eu diria degradação - de pardos variados. Eu que estou aqui falando, tenho guardado comigo o ferro com o qual minha bisavó foi ferrada. Tenho guardado, está em minha mão. Minha bisavó, escrava, foi ferrada a fogo porque era negra. E daí entraram brancos pelo meio, coisas variadas aconteceram, duas famílias, três famílias com o mesmo pai, tudo vai se resolvendo. Eu estou aqui, pardo, mulato baiano, conversando com você.

Mas você é considerado "branco".
Branco da Bahia!

Qual era a ascensão social do negro no final do século 19 e início do 20?
Valia por si. Valia por si. Gosto de usar o exemplo de Teodoro Sampaio (1855-1937) porque tem retrato conhecido e difundido aí pela cidade. Teodoro Sampaio era negro. Filho de pardo com escrava preta. Foi pra São Paulo, o pai mandou pra lá, formou-se em Engenharia. Ruas de São Paulo, o sistema de esgoto da Bahia que ainda hoje está vigorando no Centro da cidade é de autoria dele. O plano original de 1917 é dele. Essas ruas todas, o plano central da Pituba, foi feito por ele em 1917. Era um homem capaz de fazer isso. Se ainda tinha uma doença mais grave, e precisava de um médico mais especializado, convidava Caio Moura, convidava Vidal da Cunha. Eram os dois médicos. E cada bairro tinha o seu. Perceval Vasconcelos, negro, foi médico do Rio Vermelho. Ir à cidade do Salvador já era uma violência (ri) Não tinha avenida oceânica e o bonde 14 matava quando Deus era servido... Então, doutor Perceval, negro, foi o médico do Rio Vermelho inteiro. Doutor Júlio David...

Do bairro da Ribeira.
Da Ribeira e de Itapagipe inteiro. Luiz Anselmo, autor do "Escravidão, o clero e o abolicionismo", negro. Virgílio de Lima, negro. Todos eles estavam aqui com ascensão social e respeitados porque necessários à comunidade tida por branca.

A forma de ascensão era individual ou por apadrinhamento?
Não! Era sempre individual.

Teodoro Sampaio, por exemplo, era filho de quem?
Do vigário de Santo Amaro. Mandou o filho pra São Paulo.

Onde Teodoro se ligou à família Prado.
Se ligou, por mérito, a dona Veridiana Prado, mãe de Eduardo Prado. Dona Veridiana era uma espécie de grande matriarca da comunidade paulista. E adotou-o. Lá em São Paulo ele se firmou. Já chegou à Bahia engenheiro famoso, respeitável. Veio pra cá trabalhar, morava na Ladeira de São Bento. Ele morreu em 1937, era amigo de meu pai. Me lembro vagamente dele. Eu tinha 11 anos. Tenho dele uma memória diluída, mas tenho. Teodoro Fernandes Sampaio.

Essa expressão "branco da Bahia" não é mais antiga, não é também referente aos líderes políticos baianos que iam para o Rio de Janeiro?
Não conheço. Conheci essa expressão forjada por Donald Pierson. Pode ser. Mas, você quer um mulato mais mulato do que J.J. Seabra (ex-governador da Bahia, professor de Direito)? Esse já era quase negro: Severino Vieira. Essa expressão "deixa que eu chuto" vem do tempo de Severino. (risos)

E quais eram as astúcias de branqueamento? Casamento?
Casamento, estruturas familiares detentoras do alto comércio baiano, ser Manoel Joaquim de Carvalho, ser Bernardo Martins Catharino, ser seu fulano de tal Cruz, que não me lembro agora... Esses eram tidos e havidos por brancos. Costa Pinto. E os estrangeiros que vieram pra Bahia. A colônia suíça com Wildberger e outros. A colônia inglesa. Havia um bairro chamado Banco dos Ingleses. Dos ingleses que moravam lá. O cemitério dos ingleses. Esses foram fazendo filhos por aí. Foram criando os brancos da Bahia.

Como era a relação dessas famílias com os empregados?
Não há notícia de (maus tratos)... Ao contrário, até de uma boa convivência.

Os pais de família branca ou brancarrona não resistiam?
Ah, resistiam. Uma moça brancarrona, como você está dizendo, namorar e casar com um mulato escuro, preto, era tido como... Sei lá. Eu digo isso pela minha estrutura familiar. Meu pai casou com minha mãe, não direi contra, mas com restrições, com pequenas referências, mas depois casou e nascemos nós, está tudo bem.

Nas famílias havia fuxico com relação ao cabelo de ondinha...
Cabelo de ondinha...

No fundo, o grande fator de miscigenação era o fato de as mulheres feias, encalhadas, terem nos mulatos uma possibilidade de sair do barricão?
Não, não acho que seja isso. As mulheres feias e as mulheres bonitas sempre existiram. Umas se casaram com brancos, outras se casaram com negros, algumas não se casaram simplesmente. Mas não creio que a beleza em si tenha influído.

Na hora da negociação familiar, entrava o quê? Cor, dinheiro e beleza?
Sim, beleza.

E tinha a formosas sem dote, que negociavam seu dote físico no mercado matrimonial.
Exatamente. Em geral, o noivo, embora negro ou pardo, tinha uma condição econômica melhor do que o sogro.

Se fala muito da contribuição da geração de Jorge Amado, de Caymmi, do jornalista Odorico Tavares, para a assimilação do negro, da cultura negra. Como o senhor entende?
Vou dizer uma coisa aqui que vai chocar muita gente: a Bahia foi um assunto pra Jorge Amado. Nunca o vi baiano no sentido integrante do processo social baiano. A Bahia foi um assunto muito bem tratado por Jorge Amado. Mas foi assunto. Caymmi é outro. Caymmi tocou violão na Bahia, foi pro Rio de Janeiro e lá continuou usando a Bahia como assunto, mas, quando lhe deram uma casa aqui, a primeira coisa que ele fez foi vender a casa.




A gente pode dizer que, desde meados do século 20, essa Bahia que foi romanceada por Jorge Amado, fotografada por Pierre Verger, pintada por Carybé, cantada por Caymmi, editada por Odorico Tavares, que botou o candomblé na revista O Cruzeiro, já era imaginária, era ficção, somente assunto, ou existia como uma realidade?
Existia. Ela era uma realidade. Mas esses nomes que você usou aí utilizaram essa realidade com um comprometimento pessoal muito relativo. Verger nunca acreditou em um orixá na vida dele. E Verger foi Obá, que é o que pode haver de mais hierarquicamente importante no Candomblé. Mas você não pode comparar a crença, a integração de Verger com a de Miguel Santana (Ojé Orepê do Culto aos Egungun). Era um negro baiano integrado no processo do Candomblé, totalmente. Verger era um francês integrado no processo do Candomblé sem, em nenhum momento, assumir o compromisso de crença que você quer dos negros.

Quais eram as características predominantes da Bahia, nos anos 20 e 30? Como ela era representada nacionalmente?
A Bahia não era representada nacionalmente. Era um corpo estranho dentro do processo paulista e carioca.

Não tinha aquela ideia da velha mulata, o lugar onde o Brasil nasceu? Ruy Barbosa...
Não, não, não. Não tinha, não. Ruy Barbosa, bom mulato baiano, morou no Rio, veio à Bahia fazer campanha civilista. A Bahia era um assunto, não era uma integração. Bahia é boa terra, ela lá e eu aqui. Era o grande ditado da época! (risos) A Bahia é boa terra, ela lá e eu aqui!

Há a epígrafe de um livro, o professor Ruy Simões que falava, não sei se de Afrânio Peixoto ou de Afrânio Coutinho. Na época existiam vários breviários, guias da Bahia, e tinha essa epígrafe: "A Bahia é o melhor lugar do mundo para nascer e lembrar-se depois".
Não me lembro de ter lido, mas é verdadeiro.

A elite baiana migrava pro Rio?
Migrava. A elite letrada. Oscar Freire fundou, na Bahia, a medicina legal no Brasil. Foi pra São Paulo, ficou em São Paulo, morreu em São Paulo. A Rua Oscar Freire é refinada, de primeiro plano, o nome veio de um médico baiano que migrou pra São Paulo. O "Nina Rodrigues" de lá é o Instituto Oscar Freire.

A turma de Jorge - e aí entra Verger, Caymmi - não inova na medida em que incorporam as coisas da Bahia, a tradição populista?
Ah, sim! A Bahia foi um grande assunto. Jubiabá não seria mais lembrado se não fosse o romance de Jorge Amado. Os capitães da areia seriam esquecidos. Aquilo tudo era uma verdade sociológica. Na verdade, Jorge Amado foi muito mais um sociólogo do que um romancista.

E o resto da elite que acreditava naquelas coisas francesas, essa gente tinha resistência a esse grupo?
Não, considerava um segundo time. Eu ainda alcancei pessoas do meu conhecimento importando, pagando o "Bon Marché", que era o figurino francês por excelência, à moda do que estava vigente em Paris.

Em casa, Jorge Amado era leitura proibida para as moças?
É, verdade, não podia ler Jorge Amado.

O reconhecimento dessa turma não vem mais do olhar de fora, do Rio, de São Paulo, do que da própria elite baiana?
Exatamente. Ele (Jorge Amado) descobriu a Bahia. A elite baiana passou a perder a cerimônia. Por exemplo, eu morava na Federação quando era garoto, numa roça vizinha à roça de Dona Escolástica - ninguém dizia Mãe Menininha (1894-1986), não. "Mãe" era privativo de quem era filho de santo. Dona Escolástica, como minha mãe a chamava. Em minha casa tinha uma geladeira e na casa de Dona Escolástica não tinha. Quando chegava tempo de Candomblé, de festa lá, a geladeira de nossa casa era usada pra guardar os ingredientes das festas de dona Escolástica. E compareciam à casa dela pessoas que iam jogar búzios, fazer consultas. Pessoas da branquitude baiana, mas que eram altamente reservadas, chegavam meio escondidas, não eram pra ser vistas. Da minha casa se via porque dava pra ver. Minha mãe comentava: "Ó praí, quando acabar diz que é branco baiano. Não tem nada disso, vai lá consultar, vai ver se casa".

O Candomblé era restrito, ainda, aos negros?
Aos que acreditavam. Ninguém ia "ver" o Candomblé. Só ia ao Candomblé quem era filho de santo, quem acreditava no Candomblé. Ver no sentido turístico da expressão, não havia isso. Nem com Dona Menininha, nem com Dona Senhora (1900-1967). Conheci bem Dona Senhora. Nem Joãozinho da Goméia (1914-1971) nem com os candomblés da cidade.

E os grandes jornais?
Falavam mal. Você não encontra nenhuma louvação ao Candomblé. "Os atabaques não deixam a vizinhança dormir e tal..." Os jornais eram maledicentes em relação ao Candomblé. "A cidade cheia de ebós, cheia de feitiços..." Os jornais não aceitavam.

A gente está aqui falando das heranças africanas, mas me lembro que uma vez, no Instituto Histórico, o senhor falou que as heranças portuguesas, no Brasil e na Bahia, estavam sendo desprezadas...
Deixe eu lhe fazer uma pergunta. Vamos inverter agora. Você nunca foi rezado de olhado, não?

Já fui.
E eu também (faz uma reza com as maõs).

Vinha uma senhora com o galho de arruda...
Era o lado B da branquitude religiosa. Era a fronteira entre a ortodoxia religiosa e o Candomblé. Rezar de olhado. Nunca incensaram sua casa aos sábados, não?


http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4253618-EI6581,00.html

Combate à Intolerância Religiosa é tema de entrevista no Portal da Cidadania

Combate à Intolerância Religiosa é tema de entrevista no Portal da Cidadania
fevereiro 3, 2010 por SEDIHC
Categoria: Entrevista
No dia 21 de janeiro foi comemorado o Dia Mundial da Religião. No Brasil, na mesma data, é celebrado o Dia de Combate à Intolerância Religiosa. Em uma entrevista especial para o Portal da Cidadania, Vondusi-He Pai Neto de Azile abordou o preconceito às religiões de matrizes africanas como uma das chagas sociais mais enraizadas no país.

Confira:

Portal da Cidadania: Quando você pensa em Dia de Combate à Intolerância Religiosa, o que vêm à cabeça?

Vondusi-He Pai Neto de Azile: É importante para se discutir aquilo que é diferente. A maioria das pessoas acha que culto afro é sinônimo de algo ligado a demônios. Nossa tradição celebra divindades africanas, um processo surgido nos quilombos. Foi uma revolução para a época, mas que hoje serve para o fortalecimento e preservação das nossas raízes.

Portal da Cidadania: As pessoas não entendem direito o sentimento e a religiosidade do tambor de mina, que é a sua crença, como foi fazer essa opção?

Vondusi-He Pai Neto de Azile: Não foi uma escolha, nem uma imposição familiar. Em todas as religiões, existe um deus único, mas Deus se manifesta de várias formas. Hoje em dia, percebo que os jovens são resistentes em assumir sua identidade religiosa. Comigo não foi assim.

Portal da Cidadania: Na sua opinião, como nasce a discriminação religiosa?

Vondusi-He Pai Neto de Azile: A idéia da existência do diabo é um dogma oriundo do mito da criação. A fé cristã é um grande entrave porque é imposta até em colégios. Nossa religião busca o contato com os ancestrais, com o sagrado. A sociedade brasileira é pluralista etnicamente, mas a cor da pele ainda é um estigma. Por exemplo, o branco chama de fitoterapia o que a benzedeira faz com ervas para curar doenças. O que existe, essencialmente, é um desrespeito e o maior deles é a expressão “macumbeiro” que remete à rituais satânicos.

Portal da Cidadania: Essa confusão teve repercussão, recentemente, com o caso do menino de São Vicente de Férrer que tinha agulhas pelo corpo…

Vondusi-He Pai Neto de Azile: Esse é um exemplo da ignorância. Fomos à imprensa pois não temos relação alguma com esse caso. Para nós, a criança é divina. É a forma mais pura do ser humano. Nós respeitamos o próximo, a natureza, os mais velhos. Somos a favor da vida.

Portal da Cidadania: Existe uma concepção de que as religiões de matriz africana são condescendentes com a homossexualidade, fato repudiado pelas religiões com base na fé cristã. Há verdade nisso?

Vondusi-He Pai Neto de Azile: Não existe erro em manifestar o amor. Em nosso terreiro todos são bem vindos, principalmente as minorias. Para nós, cada pessoa é um indivíduo especial, independente de suas escolhas ou orientação sexual.

Portal da Cidadania: Falamos muito de diferenças mas, na sua opinião, há algum ponto em comum entre as religiões?

Vondusi-He Pai Neto de Azile: Todo tipo de fé busca dar algum tipo de conforto para a alma humana. Acredito que aí está a solução para as mazelas humanas. Um terreiro, uma missa ou um culto pode servir como terapia ou apoio psicológico. O ponto comum é a conexão, o elo com Deus. Aliás, fazemos muitos rituais ecumênicos com a Igreja Católica. Alguns santos da Igreja personificam nossas divindades. Só mudam os nomes.

*Vondusi-He Pai Neto de Azile é Coordenador de articulação Política do Fórum Estadual de Religiões de Matrizes Africanas, Coordenador Regional do CARMA e Coordenador de religiosidade do CEN-MA.



Vodunsi-hê Neto de Azile (Sakpatasi)
Coordenador Regional da CARMAA - Nordeste
Fórum Estadual de Religiões de Matrizes Africanas do Maranhão -FERMA
0*98 8852 6598

QUAND LE CINEMA FRANCAIS BLANCHIT ALEXANDRE DUMAS QUANDO O CINEMA FRANCÊS BRANCO ALEXANDRE DUMAS

QUAND LE CINEMA FRANCAIS BLANCHIT ALEXANDRE DUMAS

source : Emmanuel Goujon et Serge Bilé / Journalistes et écrivains


On ne peut qu’être admiratif devant le talent de Gérard Depardieu qui a, dans sa longue et riche carrière, incarné, avec une facilité déconcertante, de grands personnages historiques à la perfection : de Danton à Vatel, de Christophe Colomb à Vidocq.

Un côté caméléon et une aisance prodigieuse qui pourraient, à eux seuls, expliquer le choix du réalisateur Safy Nebbou de lui confier le rôle de l’écrivain Alexandre Dumas dans son film "L’Autre Dumas", sorti ces jours-ci. Un choix néanmoins étonnant, au moment où la France se gargarise de diversité et de promotion des minorités visibles.

Que personne n’ait trouvé à redire à ce tour de passe passe est encore plus surprenant. Que n’aurait-on pas dit, à l’inverse, si, pour les besoins d’un film, Denzel Washington avait incarné Jean Moulin, si Pascal Legitimus avait donné son visage à Molière, et si Sonia Rolland s’était prise pour Jeanne D’arc ?
Peu de gens le savent aujourd'hui, mais le célèbre écrivain avait un père métis: Thomas Alexandre Davy-Dumas de la Pailleterie, fils d'une esclave et d'un petit propriétaire de Saint-Domingue. Grâce à son courage au combat, il devint général sous la révolution et fut même considéré un moment comme un rival potentiel du général Bonaparte.
Alexandre Dumas se décrivait, d’ailleurs, lui-même, dans ses "Mémoires", comme un "nègre", avec des "cheveux crépus", et un "accent légèrement créole". Tout l’inverse, à l’évidence, de… Gérard Depardieu.

En gommant ces traits, le film de Safy Nebbou occulte un aspect essentiel de la vie de l’auteur du Comte de Monte Cristo : le racisme. En 2002, lors du transfert des cendres de Dumas au Panthéon, Jacques Chirac, avait rappelé que ce "fils de mulâtre, sang mêlé de bleu et de noir" avait dû "affronter les regards d’une société française" qui "lui fera grief de tout : son teint bistre, ses cheveux crépus, à quoi trop de caricaturistes de l’époque voudront le réduire".

Le cinéma a pris, par le passé, la liberté de confier des rôles de Noirs à des acteurs blancs qu’on prenait soin de grimer. "L’Autre Dumas" s’inscrit dans cette veine négationniste qui, quand elle ne blanchit pas, occulte, de la mémoire collective, les grands hommes issus de l’Outre-Mer : le Chevalier de Saint Georges, Gaston Monnerville, Félix Eboué. Sans parler de ces grands oubliés que sont les Tirailleurs Sénégalais qui ont pourtant "sauvé" la France.

En blanchissant Dumas, le film de Safy Nebbou rate une occasion de combler une lacune chez ceux qui le verront et qui ignorent, pour la plupart, que l’auteur des "Trois Mousquetaires" était un "nègre". Ce "détail" risquait-il de troubler les spectateurs voire d’affecter la commercialisation de l’œuvre quand on sait que, pour le cinéma tricolore, un acteur français, métis ou noir, n’est pas "bankable" ?

Safy Nebbou avait, avec ce film, l’opportunité également de donner un signal fort, à l’heure où ce pays s’embourbe dans un débat sur l'identité nationale, faisant sournoisement la part belle à tout ce qui est "blanc et catholique". Une insulte à Dumas, dont le génie, tout français qu’il était, plongeait, profondément, ses racines Outre-Mer et en Afrique.

Là, où il repose, et où la couleur de la peau n'a, fort heureusement, plus beaucoup d'importance, Alexandre Dumas ne doit pas pour autant se retourner dans sa tombe. Il en a vu d'autres. Mais, il est regrettable, qu’aujourd’hui, sur cette terre de France, la couleur soit encore un problème au point qu'on préfère la… gommer.

Emmanuel Goujon et Serge Bilé / Journalistes et écrivains

www.sergebile.com



QUANDO O CINEMA FRANCÊS BRANCO ALEXANDRE DUMAS

Fonte: Emmanuel Goujon e Serge Bile / Jornalistas e Escritores


Só se pode admirar o talento de Gérard Depardieu, que em sua longa e variada carreira, tocou com a facilidade de tirar o fôlego, grandes figuras históricas à perfeição de Danton Vatel, Christopher Columbus Vidocq.

Um camaleão e uma riqueza prodigiosa, que só poderia explicar a escolha do diretor nebbou confiar o papel do escritor Alexandre Dumas em seu filme "The Other Dumas", lançado nestes dias. A escolha surpreendente, no entanto, quando a França gargles diversidade e promoção das minorias visíveis.

Essa pessoa encontrou a falha com este acontecimento Hocus é ainda mais surpreendente. O que devemos dizer não, pelo contrário, se, para fins de um filme, Denzel Washington havia jogado Jean Moulin, Pascal Légitimus se dera cara a Molière, e se Sonia Rolland tinha tomado a Jeanne D'arc?
Poucas pessoas sabem isso hoje, mas o escritor famoso era um pai mestiço: Thomas-Alexandre Dumas Davy de la Pailleterie, filho de um escravo e um pequeno agricultor de Saint-Domingue. Graças à sua coragem em batalha, tornou-se geral na revolução e foi mesmo considerado por um momento como uma potencial rival da General Bonaparte.
Alexandre Dumas descreve-se, aliás, ele próprio, em suas "memórias" como um "negro" com "cabelo crespo" e um "pouco sotaque crioulo". Muito pelo contrário, é claro, de ..., Gérard Depardieu.

Ao apagar estas linhas, o filme nebbou obscurece um aspecto essencial da vida do autor de O Conde de Monte Cristo: o racismo. Em 2002, durante a transferência de cinzas Dumas para o Panteão, Jacques Chirac, lembrou que "filho de mulato de sangue misturado com azul e preto" tinha a "cara dos olhos de uma sociedade francesa", que "ele vai reivindicar de todos: a sua tez morena de cabelo, crespo, o que muitos cartunistas da época quer reduzi-lo.

O filme teve no passado, a liberdade de atribuir o papel de atores negros para brancos, que teve o cuidado de grime. "A parte Dumas Outro 'neste sentido que a negação, quando não Blanch, oculta, a memória colectiva dos grandes homens de Ultramar: Chevalier de Saint George, Tennessee Ernie Ford, Felix Eboue . Sem mencionar os grandes esquecidos que os escoteiros são senegaleses que ainda "salva" a França.

No branqueamento de Dumas, o filme nebbou perde uma oportunidade de preencher uma lacuna para aqueles que vêem e sabem, em sua maior parte, o autor de "Três Mosqueteiros" foi um "negro". Este "detalhe" que pode perturbar os espectadores ou de afetar a comercialização do trabalho, quando sabemos que, para as luzes do cinema, um ator francês, raça preta ou parda, não é "negociáveis"?

Nebbou teve com este filme, também a oportunidade de dar um sinal forte num momento em que este país está atolado em um debate sobre a identidade nacional, que maliciosamente parte bonita de tudo que é branco e Católica. Um insulto à Dumas, cujo gênio, enquanto ele era francês, mergulhou profundamente enraizado no exterior e em África.

Aqui ele é, e onde a cor da pele tem, felizmente, muito mais importante, Alexandre Dumas não significa de viragem na sua sepultura. Ele viu os outros. Mas é lamentável que hoje, nesta terra de França, a cor ainda é um problema desenvolvido ... nós preferimos apagar.

Emmanuel Goujon e Serge Bile / Jornalistas e Escritores

www.sergebile.com

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

RECONHECIENTO, JUSTO… AINDA QUE TARDIO

RECONHECIENTO, JUSTO… AINDA QUE TARDIO


Por: Juliano Gonçalves Pereira - via e-mail

É inegável reconhecermos que a cultura da história brasileira possui certa paixão e tendência para mártires. Ficamos empolgados quando temos acesso às biografias dos tidos heróis brasileiros que dedicaram suas vidas em favor da liberdade e da democracia, da consolidação de nossa identidade múltipla e da construção de um cenário brasileiro que respeitasse as características de Estado nacional. Aprendemos na escola a valorizar estes brasileiros e os reconhecemos facilmente nos livros por seus exemplos de luta resistência, perseverança e claro, vitória.



Tudo isso pode ser atribuído a Abdias do Nascimento, o único problema é que esse ícone é contemporâneo e Negro, o que torna entendível porque esse grande homem ainda não teve reconhecimento que merece no Brasil. Carlos Alberto Medeiros descreve no livro “”25 Anos do Movimento Negro”, que poucos brasileiros podem ostentar uma biografia tão equivalente como a de Abdias do Nascimento. Aos 92 anos temos no Brasil um arquivo vivo de incomparável valor. Natural de Franca/SP, carioca por adoção Abdias lutou na revolução constitucionalista de 1932; participou da fundação da Frente Negra Brasileira, instituição de imensurável importância para o povo negro brasileiro e sintomaticamente esquecida pela historiografia oficial; lutou contra a ditadura do estado novo, sendo preso em 1937 quando panfletava contra o regime autoritário do Estado Novo; fundou o Teatro Experimental do Negro em 1944 depois de se indignar com a peça O Imperador Jones que tinha como protagonista um homem branco pintado de negro, o movimento do teatro mudou o imaginário latino americano fazendo críticas e enfrentamento intelectual da forma como a sociedade mundial naquele período tratava os negros; diaspórico por militância e opção político existencial foi responsável por influenciar reflexões para o fim lutas importantíssimas para o mundo como o fim do aparthait na África do Sul e da segregação racial nos Estados Unidos. Inteligente, versátil, crítico e contestador entendeu que é movimentando que estruturamos as melhores ferramentas para acabar com o racismo, a discriminação e o preconceito racial no Brasil.



Pela arte quer seja na forma pictórica, ou pelo teatro, Abdias do Nascimento denunciou o racismo inseriu poder ao negro no imaginário brasileiro ainda na primeira metade do século XX, momento complicado para essa pauta na história, pois vivíamos o calor da expansão ideologia de democracia racial de Gilberto Freyre. Participou diretamente da luta O Petróleo é Nosso que resultou na criação da Petrobrás; foi perseguido pelo regime militar em 1964 tendo que se exilar nos Estados unidos e na África. Sua trajetória na carreira na política, como deputado federal, senador e secretário de estado também nos ensina de forma direta que democracia se faz com presença e participação. As iniciativas brasileiras de combate ao racismo e de promoção da igualdade racial tem certamente influências concisas de Abdias do Nascimento.



A indicação do prêmio Nobel da Paz a Abdias do Nascimento certamente pegará muitos brasileiros e brasileiras de surpresa, negros e não negros, que provavelmente nunca ouviram falar desse homem. Mas bastarão buscar saber um pouco mais sobre a vida de Abdias e descobrirão seu legado de luta, vitória, inclusão sócio/racial, justiça e inteligência, que nos faz entender que a luta por um país justo e igualitário necessariamente precisa passar pela luta de combate ao racismo, ao preconceito e a discriminação racial, e que ainda podemos democratizar os espaços de discussão, quer seja político, educacional, religioso ou social para um debate horizontal e intelectual e assim consolidarmos a paz no Brasil na América, na África e no mundo.
POSTADO POR BLOG DU BLACK


http://blogdublack.blogspot.com/2010/02/e-inegavel-reconhecermos-que-cultura-da.html

"Ele nem é tão negro", diz Fernanda sobre Uilliam

08/02/2010 - 00h41
"Ele nem é tão negro", diz Fernanda sobre Uilliam
MAURICIO STYCER
Crítico do UOL

O BBB não é novela de Gloria Perez para exibir “merchandising social” em prol de uma ou outra causa positiva, mas essa décima edição, com a entrada em cena de dois gays e uma lésbica assumidos, além de alguns simpatizantes, acabou sendo útil na discussão franca de um tabu sobre sexualidade.

Fica a sugestão para, no futuro, tentar tratar, com o mesmo impacto, de outro tabu – o racismo. O tema costuma pairar sobre o BBB como uma nuvem, mas raramente chove. Parece haver uma cota fixa para negros na casa, sempre preenchida. Mas talvez por conta do perfil dos escolhidos e do zelo da edição ainda não ocorreu a faísca que leve os confinados a enfrentar o problema abertamente.

Nesta décima edição, a cota dedicada aos negros coube a Uilliam – barman, ator e professor de dança, baiano radicado em São Paulo. Ao escolher Michel e Fernanda para um castigo logo no início do programa, ele deu uma dica que o assunto o incomoda, mas sua frase não mereceu a devida atenção. Questionado por Tessália por que elegeu o ruivo e a loira para vestir uma fantasia de sapo por vários dias, Uilliam disse que queria ver dois “sapos albinos”.

Neste sábado, durante a festa, Uilliam foi o assunto principal numa roda com a participação de Lia, Fernanda, Cadu e Dourado. Lia disse considerar Uilliam do mesmo time de Tessália, o grupo dos “falsos”. Dourado o chamou de “fake”. Fernanda falou, com tédio, do discurso de sabor humanista que o professor de dança tem defendido na casa.

Ainda na festa, num outro tititi sobre o mesmo Uilliam, Fernanda e Anamara também criticaram o candidato. A baiana disse que se decepcionou com o rapaz. A conversa evoluiu para a questão racial, levando as duas a refletir se Uilliam poderia estar usando a seu favor no jogo o fato de ser negro. Depois de Maroca falar isso explicitamente, Fernanda disse algo que, curiosamente, Mr. Edição não exibiu para o público no programa de domingo: “E ele nem é tão negro”.

Em ambas as conversas, os antagonistas lembraram, suspeitando das intenções do candidato, que Uiliam já deu a entender que foi vítima de racismo, que já falou da infância pobre e das muitas dificuldades que passou.

Um dia antes de ser indicado ao paredão com seis votos – o maior número até agora neste BBB – Uilliam já havia sentido o golpe. Ao menos, parte dele. Em conversa com Michel e Alex, no sábado, ele falou sobre Cadu: “Ele é um burro. Só tem músculos, não tem cérebro”. Alex foi atrás: “Ele (Cadu) é o pescoço, não é a cabeça. Eu cortaria a cabeça”. E Michel completou: Lia é a “cabeça”.

Em conversa com Angélica, na festa, Uilliam deu outro sinal que já notou o clima quente. Angélica observou que muitas pessoas mudaram o jeito de se relacionar com ela. Uilliam disse que sempre foi o mesmo e observou que as pessoas não mudam, mas interpretam. “Tem muita gente aqui que é mais ator que eu”. Também comentou que algumas pessoas na casa não conseguem tocá-lo. Não foi além disso.

Surpreso com os seis votos, Uilliam foi convidado por Bial a comentar a votação. “Acho que em tempos de Carnaval, as máscaras caem”, disse, sem avançar muito.

Em tempo: Para terminar com algo mais leve, foi imperdível ver Michel na festa em momento Woody Allen: “Tenho medo que me achem um canalha ou que meus pais se sintam decepcionados com as minhas atitudes aqui dentro”.



Mauricio Stycer é repórter especial e crítico do UOL. Jornalista desde 1986,
já trabalhou no "Jornal do Brasil", "Estadão", "Folha de S.Paulo", "Lance!",
"Época" e "CartaCapital", entre outros.
Fórum UOL Televisão - Mauricio Stycer
Blog do Mauricio Stycer

Competidor negro é uma atração nos jogos do Canadá

Competidor negro é uma atração nos jogos do Canadá
Publicação: 07 de Fevereiro de 2010 às 00:00
imprimircomentarenviar por e-emailcompartilhartamanho do texto A+ A-
São Paulo (AE) - Um dos poucos competidores negros em Vancouver, no Canadá, Kwame Nkrumah-Acheampong faz questão de realçar que é diferente. Usa nas provas um traje tigrado, que justifica o apelido de “Leopardo da Neve”. Primeiro atleta na história de Gana a disputar os Jogos Olímpicos de Inverno, o ex-guia de safári na África obteve a vaga sem o apoio do governo de seu país.

Aos 35 anos, Kwame surpreende por seu pouco tempo no esqui. Conheceu a neve há 10 anos e começou no esporte há apenas cinco, quando foi trabalhar como recepcionista em uma estação em Milton Keynes, na Inglaterra. Começou a treinar em pistas indoor e logo ingressou no circuito mundial, especializando-se no slalom.

Nascido na Escócia, quando o pai fazia um mestrado na Universidade de Glasgow, ainda pequeno foi morar em Gana, terra de seus pais. Logo cedo, começou a trabalhar como guia de safáris e foi para a Inglaterra terminar os estudos em turismo. Hoje, quando não está competindo, vive na cidade de Mamfe Akwapim, em Gana, com a mulher e os dois filhos. Lá, a temperatura média anual é de 30 graus e pode superar os 50 durante o verão.

Com patrocínio mínimo de pequenas empresas, Kwame depende da boa vontade alheia para disputar os Jogos. Sua preparação será de apenas um mês, e graças à ajuda do departamento de turismo de Vancouver, que forneceu acomodações, transporte e auxílio de logística. Ele estreia no dia 21. “Até agora nós não recebemos um centavo, das autoridades de Gana, o que tornou a vida quase impossível”, declarou Richard Harpham.

Em seu site , o time de esqui de Gana lançou um SOS para achar pessoas dispostas dar abrigo a alguns membros da equipe.


http://tribunadonorte.com.br/noticia/competidor-negro-e-uma-atracao-nos-jogos-do-canada/139808

Audiência Pública sobre Políticas de Ação Afirmativa de Reserva de Vagas no Ensino Superior

Ação Afirmativa
Audiência Pública sobre Políticas de Ação Afirmativa de Reserva de Vagas no Ensino Superior

Audiência Pública sobre a Constitucionalidade de Políticas de Ação Afirmativa de Acesso ao Ensino Superior

Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental 186 e
Recurso Extraordinário 597.285/RS

Cronograma


3/3 Quarta-feira

8h30 - Abertura – Excelentíssimo Senhor Ministro Enrique Ricardo Lewandowski

9h - Procurador-Geral da República Roberto Monteiro Gurgel Santos

9h15 - Presidente Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil Ophir Cavalcante

9h30 - Advogado-Geral da União Luís Inácio Lucena Adams

9h45 - Ministro Edson Santos de Souza - Secretaria Especial de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (SEPPIR)

10h - Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) – Erasto Fortes de Mendonça - Doutor em Educação pela UNICAMP e Coordenador Geral de Educação em Direitos Humanos da SEDH

10h15 - Ministério da Educação (MEC); – Secretária Maria Paula Dallari Bucci - Doutora em Políticas Públicas pela Universidade de São Paulo (USP). Professora da Fundação Getúlio Vargas. Secretária de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC)

10h30 - Fundação Nacional do Índio (FUNAI) – Carlos Frederico de Souza Mares - Professor Titular da Pontifícia Universidade Católica do Paraná/PR

10h45 - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) –Mário Lisboa Theodoro - Diretor de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)

11h – Arguente - Democratas (DEM) - ADPF 186 – Procuradora/Advogada Roberta Fragoso Menezes Kaufman; (15 minutos)

11h15 – Arguido - Universidade de Brasília (UnB) – Antônio Sergio Alfredo Guimarães (Sociólogo e Professor Titular da Universidade de São Paulo) ou José Jorge de Carvalho (Professor da Universidade de Brasília - UnB. Pesquisador 1-A do CNPq. Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa - INCT) - Universidade de Brasília (UnB); (15 minutos)

11h30 - Recorrente do Recurso Extraordinário 597.285/RS – Procurador/Advogado de Giovane Pasqualito Fialho; (15 minutos)

11h45 – Recorrido - Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) – Professora Denise Fagundes Jardim - Professora do Departamento de Antropologia e Programa de Pós-graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); (15 minutos)



4/3 Quinta-feira

8h30 - “A construção do mito da democracia racial na sociedade brasileira. Aspectos positivos. Sobre as conseqüências sociais da imposição de uma ideologia importada que objetiva entronizar a idéia de ‘raça’, tanto no que tange a distribuição da justiça, quanto na formação de jovens e crianças nas escolas brasileiras”. Yvone Maggie – Antropóloga, Mestre e Doutora em Antropologia Social pela UFRJ - Professora de Antropologia da UFRJ; (15 minutos)

8h45 - Sérgio Danilo Junho Pena – Médico Geneticista formado pela Universidade de Manitoba, Canadá. Professor da UFMG e ex-professor da Universidade McGill de Montreal, Canadá; (15 minutos)

9h - George de Cerqueira Leite Zahur – Antropólogo e Professor da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais; (15 minutos)

9h15 - Eunice Ribeiro Durham – Antropóloga. Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Professora Titular do Departamento de Antropologia da USP e atualmente Professora Emérita da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP; (15 minutos)

9h30 - “Problemas jurídico-históricos relativos à escravidão. Miscigenação em terras brasileiras”. Ibsen Noronha – Professor de História do Direito do Instituto de Ensino Superior Brasília - IESB – Associação de Procuradores de Estado (ANAPE); (15 minutos)
_____________________________________________

10h - “As vicissitudes do racismo na formação da população brasileira e as desvantagens sociais para a população negra alvo de discriminação racial no acesso aos bens materiais e imateriais produzidos em nossa sociedade. Inclusão Racial no Ensino Superior”.Fundação Cultural Palmares - Luiz Felipe de Alencastro - Professor Titular da Cátedra de História do Brasil da Universidade de Paris-Sorbonne; (15 minutos)

10h15 - “Constitucionalidade das políticas de ação afirmativa nas Universidades Públicas brasileiras na modalidade de cotas”.Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo – Kabengele Munanga - Professor da Universidade de São Paulo (USP); (15 minutos)

10h30 - “A obrigação do Estado em eliminar as desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidade e tratamento, bem como compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização por motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e outros”. Conectas Direitos Humanos (CDH) – Oscar Vilhena Vieira - Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestre em Direito pela Universidade de Columbia. Pós-doutor pela Oxford University. Professor de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV/SP) - Conectas Direitos Humanos (CDH); (15 minutos)

10h45 - “Compatibilidade entre excelência acadêmica e ação afirmativa”. Leonardo Avritzer – Foi Pesquisador Visitante no Massachusetts Institute of Technology; (15 minutos)(MIT). Participou como amicus curiae do caso Grutter v. Bollinger – Professor de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

11h - “Papel das ações afirmativas”. Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sócio Cultural (AFROBRAS) – Representante a ser definido pela entidade; (15 minutos)



5/3 Sexta-feira

Manhã

8h30 - Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (EDUCAFRO) – Fábio Konder Comparato – Professor Titular da Universidade de São Paulo - USP; (15 minutos)

8h45 - “A Compatibilidade das cotas com o sistema constitucional brasileiro”.Fundação Cultural Palmares –Flávia Piovesan - Professora Doutora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR); (15 minutos)

9h - “Resultados parciais da missão sobre Racismo na Educação brasileira, em desenvolvimento pela Relatoria Nacional, da qual resultará relatório a ser encaminhado às instâncias da ONU em 2010”. Ação Educativa – Sérgio Haddad - Mestre e Doutor em História e Sociologia da Educação pela Universidade de São Paulo. Diretor Presidente do Fundo Brasil de Direitos Humanos – Coordenador da Ação Educativa (15 minutos)

9h15 - “Defesa das Políticas de Ação Afirmativa”.Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) – Marcos Antonio Cardoso - Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN); (15 minutos)

9h30 - “Políticas de cotas como um dos instrumentos de construção da igualdade mediante o reconhecimento da desigualdade historicamente acumulada pelos afrodescendentes em função das práticas discricionárias de base racial vigentes em nossa sociedade”. Geledés Instituto da Mulher Negra de São Paulo – Sueli Carneiro - Doutora em Filosofia da Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais. Foi Conselheira e Secretária Geral do Conselho Estadual da Condição Feminina de São Paulo; (15 minutos)
_________________________________________________________

10h - “Proporcionalidade e razoabilidade do fator de ‘discrimen’. Impossibilidade de identificação do negro”. Juiz Federal da 2ª Vara Federal de Florianópolis Carlos Alberto da Costa Dias; (15 minutos)

10h15 - “A ‘raça estatal’ e o racismo”. José Roberto Ferreira Militão – Conselheiro do Conselho Estadual de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Governo do Estado de São Paulo (1987-1995); (15 minutos)

10h30 - Serge Goulart - autor do livro “Racismo e Luta de Classes”, Coordenador da Esquerda Marxista – Corrente do PT, editor do jornal Luta de Classes e da Revista teórica América Socialista; (15 minutos)

10h45 – “A racialização das relações sociais no âmbito das periferias das grandes cidades”.Movimento Negro Socialista – José Carlos Miranda; (15 minutos)

11h – “Políticas públicas de eliminação da identidade mestiça e sistemas classificatórios de cor, raça e etnia”. Movimento Pardo-Mestiço Brasileiro (MPMB) e Associação dos Caboclos e Ribeirinhos da Amazônia (ACRA) – Helderli Fideliz Castro de Sá Leão Alves; (15 minutos)


Tarde

Experiências de aplicação de políticas de ação afirmativa

14h - Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) – Professor Alan Kardec Martins Barbiero; (15 minutos)

14h15 - União Nacional dos Estudantes (UNE) - Cledisson Geraldo dos Santos Junior – Diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE); (15 minutos)

14h30 - Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) – João Feres - Mestre em Filosofia Política pela UNICAMP. Mestre e Doutor em ciência política pela City University of New York (CUNY) – Professor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ); (15 minutos)

14h45 - Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) –Professores Renato Hyuda de Luna Pedrosa ou Professor Leandro Tessler - Coordenadores da Comissão de Vestibulares da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (15 minutos)

15h - Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF); – Pró-reitor de Graduação Professor Eduardo Magrone; (15 minutos)

15h15 - Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – Pró-Reitor de Graduação Professor Jorge Luiz da Cunha; (15 minutos)

15h30 - Universidade do Estado do Amazonas (UEA) – Vice-Reitor Professor Carlos Eduardo de Souza Gonçalves; (15 minutos)

15h45 - Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Professor Marcelo Tragtenberg; (15 minutos)



Encerramento – Excelentíssimo Senhor Ministro Enrique Ricardo Lewandowski


http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=processoAudienciaPublicaAcaoAfirmativa

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Mito jamaicano, Bob Marley faria 65 anos neste sábado

Não tem para ninguém: quando se pensa na Jamaica, em reggae e em filosofia rastafári, a primeira imagem que vem à cabeça, mesmo das que não ostentam estilosos dreadlocks, é a de Bob Marley. Morto em 1981, o cantor faria 65 anos hoje e o aniversário deve ser comemorado bem ao seu estilo em muitas partes do planeta.
Bob Marley morreu aos 36 anos,em Miami, vítima de um câncer de pele, e foi enterrado com uma guitarra Gibson Les Paul, uma Bíblia, uma bola de futebol e, é claro, um pote de maconha. Como herança cultural, deixou dezenas de canções inesquecíveis como No woman, no cry (composta por Vicent Ford), Stir it up, Rebel music, Three little birds, Is this love e Concrete jungle.
Graças a ele, as cores da bandeira da Jamaica se tornaram conhecidas em todo o planeta, sem falar que o seu rosto virou estampa para toda sorte de objetos. Coisas de mito pop. O legado foi além: desde então, o mundo assiste ao surgimento de uma grande quantidade de artistas influenciados pela sua música.

Ídolo e um ícone da música mundial, Bob continua influenciando gerações


O Rei do Reggae deixou uma vasta herança musical a ser ouvida
DOCUMENTÁRIO Para celebrar o aniversário de Bob Marley, o canal pago Multishow (Net/Sky) exibe hoje, às 16h, o documentário inédito Bob Marley - freedom road. O filme reúne trechos de shows memoráveis e depoimentos de amigos, familiares e profissionais da indústria da música.
Nos Estados Unidos, a família do artista comemorará a data com um ato de solidariedade: um evento beneficente numagaleriadearte vaiangariar fundos para ajudar as vítimas do terremoto que atingiu o Haiti no último dia 12.
ORIGEM Robert Nesta Marley nasceu em Saint Ann, interior da Jamaica, em 6 de fevereiro de 1945, filho de Norval Sinclair Marley - um militar branco, capitão do Exército inglês - e Cedella Booker, uma adolescente negra.
Cedella e Norval se casaram um ano antes, mas no dia seguinte à união, Norval abandonou a companheira,embora tenha continuado a dar apoio financeiro para sua mulher e o pequeno Bob. Após a morte de Norval, em 1955, Marley e a mãe se mudaram para Trenchtown, uma favela de Kingston, onde ele era constantemente provocado pelos negros por ser mulato e ser baixinho.


Na adolescência, ele conviveu com outros jovens também insatisfeitos com a condição social em que viviam, mas foi com Neville O'Riley Livingstone, o Bunny, que Bob Marley se iniciou na música. Os dois passavam horas
ouvindo a soul music de Curtis Mayfield e Ray Charles.
Os primeiros passos musicais do artista foram dados no ska, que surgiu no final dos anos 50 e combinava ritmos caribenhos com o R&B americano. As letras eram de denúncia da exploração sofrida pelas classe pobre. Era o início
do reggae na vida daquele que se tornaria a lenda nº 1 do ritmo e o maior ídolo pop nascido fora dos EUA e da Europa. Por tudo isso, vida longa à memória de Bob Marley.

Fonte: Correio da Bahia

Tommie Smith, ex-atleta e símbolo do "black power" "Tive medo a vida inteira"

05/12/2008
Tommie Smith, ex-atleta e símbolo do "black power"
"Tive medo a vida inteira"

Por Juan Morenilla
Em Madri (Espanha)

Poucos gestos significaram tanto no esporte. O protesto feito pelos norte-americanos Tommie Smith e John Carlos nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, simbolizou a luta contra a segregação racial.
Ainda que, como recorda 40 anos depois do ouro olímpico, ele tenha destruído algo mais que sua carreira.

Tommie Smith olha fixamente ao falar. Em seus olhos não há ódio. Mas sim uma mescla de tristeza e orgulho pelo que foi sua vida. Seu gesto no alto do pódio depois de ganhar o ouro nos 200 metros (19,83
segundos) nos Jogos Olímpicos do México em 1968, com uma mão envolvida por uma luva negra em defesa da igualdade entre as raças, é um dos símbolos universais do esporte. Aquela mão direita fechada (assim como a esquerda de John Carlos) representava a luta contra a segregação racial que sempre sofreu nos Estados Unidos. Era o black power [o poder negro].

Mas também foi uma condenação para o resto de sua vida.
Este texano de 64 anos, que na quarta-feira recebeu em Madri o primeiro prêmio dedicado aos valores universais do esporte do jornal "As", ainda se emociona ao ver aquela imagem.

Pergunta: O que o senhor se lembra da sua infância?

Resposta: Sou o sétimo de 12 irmãos. Crescemos no campo. Meus pais eram sitiantes. Cultivávamos a terra de uns brancos no sítio deles e parte da colheita ficava para nós. Quando eu tinha seis anos, mudamos para a Califórnia e continuamos trabalhando no campo, mas já cobrando.
Lembro de uma boa ética de trabalho. Era uma vida muito religiosa.
Íamos muito à missa. Os meninos brancos, é claro, zombavam de mim no colégio porque eu usava roupas de pobre.

P. Que tipo de marginalização sofriam?

R. Não podíamos fazer quase nada porque nos viam como pessoas de segunda categoria. Não podíamos andar na mesma calçada que os brancos.
Se víssemos um branco, tínhamos que sair imediatamente da calçada.
Também não podíamos compartilhar os mesmos serviços públicos. Havia banheiros para brancos, muito limpos, e para negros, mais sujos. Não havia igualdade em nenhum sentido.

P. O esporte era uma válvula de escape?

R. Era a única forma de diversão no colégio: correr, jogar beisebol...
E se transformou em parte da minha vida. Eu não cresci aspirando ser um atleta olímpico. Mais tarde usei o esporte, a partir dos 15 anos, para nos fazer ouvir. Meus pais me disseram: "Enquanto você ganhar corridas, não precisará trabalhar aos sábados". Era fantástico para mim.

Comecei a ganhar e faltar ao trabalho. Claro que não tínhamos dinheiro nem para sapatos. Nós ganhávamos. Havia uma organização beneficente que nos dava roupas e sapatilhas. Eu não tinha nem agasalho, só uma calça curta e uma camiseta.

P. E assim o senhor se tornou, no México, o primeiro a fazer 200 metros em menos de 20 segundos, e seu recorde de 19,83 segundos se manteve durante 11 anos. Como o senhor se transformou em um dos melhores do mundo?

R. Com muito trabalho. Tinha a bênção de Deus para me dedicar ao
atletismo: a estatura, o corpo, a velocidade. Fiquei forte assim, brigando com meus irmãos, trabalhando todas as horas no campo. Foi assim que pude me transformar em alguém. Não tínhamos nada, dessa forma não tive outra possibilidade na vida a não ser lutar. Não tinha nem sequer tempo para treinar. Eu não fui treinado como um atleta.

Minha preparação foi unicamente o trabalho no campo. Quando eu voltava para a escola no outono, os rapazes me perguntavam: 'Como você é tão rápido? Fez musculação?' Eu não entendia o que eles diziam. Eu só havia estado no campo. Usava umas botas muito pesadas e carregava todas as ferramentas, como pás, que pesavam muito. Até ir para o instituto não havia começado a trabalhar seriamente como atleta.

P. Ali o senhor uniu o esporte com a luta contra a segregação racial.

R. Vi tantas injustiças que não podia ficar sem fazer nada. Não fiz aquele gesto de 68 por moda, mas para transformar alguma coisa. Nós, atletas afro-americanos, organizamos o OPHR [Projeto Olímpico para os Direitos Humanos]. Nossa idéia era boicotar os Jogos, mas não foi assim, e decidimos que cada um organizaria seu protesto como quisesse.
Minha vez chegou nos 200 metros. A corrida foi incrível. Eu me resguardei para a última reta, mas não tinha nem idéia do que poderia acontecer na cerimônia, como eu me sentiria no pódio, o que faria...
Não soube até o último momento, até que John Carlos [bronze] me disse no túnel de saída.

P. Sua mulher já havia comprado umas luvas negras.

R. Sim, havia algo previsto, ainda que não soubéssemos muito bem o quê. Foi um gesto de um impacto mundial. Não era só o grito de dois negros pela cor de sua pele, mas fizemos isso pelos direitos da humanidade.

P. Convenceram o australiano Peter Norman [prata] a usar o adesivo da OPHR.

R. Sim, mas eu não queria que um homem branco o usasse. O Projeto era para todas as pessoas do mundo, negras ou brancas, e eu não queria que ninguém tivesse problemas por causa disso. A idéia de que Norman usasse o adesivo foi de John Carlos e ele também quis usá-lo sobre o escudo do comitê australiano. Eu conhecia a história da Austrália sobre como eles haviam tratado os aborígenes. Sabia que isso podia ser um problema para ele porque seria interpretado como se ele estivesse do lado dos negros dos Estados Unidos. E foi isso que aconteceu. Assim como nós, ele foi expulso da Vila Olímpica, maltratado em seu país, segregado socialmente.

P. O senhor teve medo quando fechou e ergueu o punho?

R. Tive medo minha vida inteira. Não é uma coisa que se supera em dois ou três anos. Os jovens afro-americanos, ainda hoje, são alvo nos Estados Unidos, simples assim.

P. Nada mudou?

R. Claro que sim, muitas coisas. Nosso presidente-eleito, Barack Obama, é afro-americano. E isso não foi uma coisa que aconteceu em um dia. Lutamos por uma melhora e, como conseqüência dessa luta, agora há um presidente negro. Foi um processo muito lento. Isso não quer dizer que tudo vai bem. Mas, graças à forma que Obama pensa sobre a mudança social, a luta não terminou. Apenas acabou de começar.

P. Como sua vida mudou depois do gesto?

R. Tudo mudou para sempre. Recebemos ameaças de morte, cartas, telefonemas... Depois dos Jogos Olímpicos, todos os meus amigos desapareceram. Tinham medo de perder suas amizades brancas e seus empregos. Eu tinha 11 recordes mundiais, mais do que qualquer pessoa no mundo, e o único trabalho que encontrei foi lavando carros num estacionamento. E me mandaram embora porque meu chefe disse que não queria que ninguém trabalhasse comigo. Não queria que alguém que defendesse a igualdade de direitos estivesse em sua equipe.

P. Ninguém o ajudou?

R. Todo mundo tinha muito medo. Meus irmãos foram expulsos do colégio.
Outros, que estavam na equipe de futebol da universidade, foram proibidos de competir por causa do que eu fiz.

P. Você chamou os membros do COI [Comitê Olímpico Internacional] de estúpidos. Ninguém lhe pediu desculpas?

R. Não, nunca. Em particular me dizem: "Sinto muito pelo que lhe fizeram, foi uma pena...". Mentira. Destruíram minha vida, a de John, a de Norman... A esposa de John se suicidou, eu me divorciei... Tudo por pedir que as pessoas sejam iguais. O COI permitiu tudo isso e o comitê norte-americano não fez nada para impedi-lo.

P. O senhor ainda vê racismo no esporte?

R. Enquanto o homem existir, haverá racismo. Temos um presidente negro e já avançamos muito, mas isso não quer dizer que tudo o que é negativo tenha sido eliminado.

P. Quando olha para trás, sente orgulho de sua vida?

R. Tenho muito orgulho. Meus pais lutaram muito para que fossemos adiante trabalhando. Minha força vem da minha origem. Minha força nasce da minha base pessoal e familiar. Nada pode destruir como eu me sinto.

P. O senhor ainda corre?

R. Sim, tenho uma academia na minha casa. Saio para correr no parque da Geórgia. Há muitos caminhos que antes eram locais de reunião da Ku Klux Klan. Os negros não podiam pisar nesses parques do sul dos Estados Unidos e hoje eu moro lá. Agora vivemos onde queremos e não onde nos colocam. E viajo pelo mundo inteiro para contar a minha vida.

P. O que significa a eleição de Obama?

R. Precisamos de uma mudança assim. Não porque ele seja negro, mas sim pelo que representa, a luta de toda a minha vida.

Tradução: Eloise De Vylder

Visite o site do El País

Cooperação internacional e sociedade civil discutem mídia e relações raciais no Brasil

Comunicação
Encontro abordou cobertura da grande mídia à questão racial e crescimento do debate sobre políticas de igualdade racial na sociedade brasileira
A presença dos negros na mídia e o noticiário da questão racial no Brasil estiveram em discussão na última terça-feira (19/1), no Rio de Janeiro, em reunião organizada pela Fundação Ford. O encontro reuniu cerca de 30 pessoas, entre representantes do movimento negro, jornalistas, pesquisadores, organizações de mídia e advocacy, governo brasileiro, agências de cooperação internacional e Nações Unidas.
Com mediação do jornalista Geraldinho Vieira, consultor da Fundação Ford e vice-presidente da ANDI (Agência de Notícias de Direitos da Infância), a discussão abordou a cobertura da grande mídia à temática da igualdade racial e a intensidade do debate público sobre as políticas públicas e de ação afirmativa voltadas aos afro-brasileiros.
Para a representante da Fundação Ford no Brasil, Ana Toni, a conjuntura apresenta a oportunidade de "investimentos em ações pedagógicas e mais próximas da mídia" em favor da temática etnicorracial a partir de projetos como observatórios e agências de notícias, produção de conhecimento e fortalecimento de projetos de mídia etnicorracial.
A reunião deu sequência a encontro realizado, em setembro de 2009, entre a cooperação internacional e o movimento negro.
No encontro, foram apresentadas três pesquisas sobre a cobertura da grande imprensa sobre a questão negra. Cida Bento, uma das coordenadoras do CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), apresentou uma pesquisa com os principais jornais brasileiros e revistas semanais no período de 2001 a 2008. O estudo verificou prevalência do discurso anticotas e políticas de ações afirmativas, abordagem da problemática do racismo pelas equipes de reportagem durante a divulgação das pesquisas com recorte etnicorracial pelo IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). "Há concentração na divulgação das pesquisas e depois o tema praticamente some. Existe pouco proveito do tema em colunas, artigos e editoriais", destacou Cida Bento.
Rachel Mello, diretora do Instituto de Pesquisa da FSB Comunicação, apresentou os resultados da sua dissertação de mestrado em Comunicação na Universidade de Brasília sobre a análise de discurso dos editoriais do jornal O Globo sobre a questão negra.
A jornalista Carolina Trevisan, consultora da W.K. Kellogg Foundation, revelou a análise das coberturas da grande imprensa, em 2009, sobre o Estatuto da Igualdade Racial. Segundo ela, a marca mais presente é o desequilíbrio em desvantagem aos negros no que se refere às possibilidades de exposição de ideias, embora tenha observado coberturas que se diferenciaram. "A melhor cobertura da aprovação do Estatuto foi feita pelo jornal Correio Braziliense, sobretudo pelo espaço equilibrado que dedicou ao tema e por um artigo que se diferenciou de todos os outros, que contextualiza a criação do Estatuto e, portanto, dá ao leitor a dimensão real do que significa a sua aprovação", ressaltou ela.
Mobilização social e mídia
A reunião destacou alguns momentos em que a agenda pela igualdade racial estará em evidência durante o ano, como as audiências públicas no STF (Supremo Tribunal Federal) para apreciação da constitucionalidade da reserva de vagas para negros nas universidades, a rodada do censo em que a autodeclaração etnicorracial estará no questionário base e a preparação das cidades brasileiras para os Jogos Olímpicos, como lembrou Rebecca Tavares, representante do UNIFEM Brasil e Cone Sul.
Para Sueli Carneiro, diretora de Geledés Instituto da Mulher Negra, "as ações devem ser articuladas com a dita mídia alternativa e encontrar caminhos coletivos de contra-discurso ao discurso hegemônico, que reconfigura a democracia racial no Brasil". De acordo com Veet Vivarta, presidente da ANDI, a agência pode contribuir a partir de sua experiência, embora a questão racial apresente outros desafios.
Com atuação em mídia e advocacy, Jacira Melo, coordenadora da Agência de Notícias Patrícia Galvão, apontou a necessidade de avançar no Brasil a discussão sobre novo marco regulatório dos meios de comunicação e que os projetos de comunicação devem considerar a potencialidade da convergência digital. "Precisamos estar mais equipados e com melhores ferramentas para garantir o tema na mídia", disse Jacira Melo. Novo marco regulatório e distribuição de recursos para diferentes grupos de mídia foram os pontos defendidos por Martvs das Chagas, subsecretário de Ações Afirmativas da Seppir.
Conhecimento: melhores produções
Entre os pesquisadores negros, a aposta é a produção de conhecimento para compreensão da relação mídia e racismo. Raquel de Souza, da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, já apresentou projeto da ABPN para a realização de pesquisas sobre mídia e racismo e incentivou as parcerias. "Temos que fazer um esforço coletivo para ir além dos esforços isolados", pontuou.
O professor universitário Júlio Tavares, da Universidade Federal Fluminense, citou o projeto A Cor da Cultura - série de documentários sobre a história dos afro-brasileiros produzidos pelo Canal Futura - como experiência bem-sucedida. Para o professor Fernando Conceição, da Universidade Federal da Bahia, a formação profissional do jornalista e o trabalho com a categoria são fatores importantes para melhorar a cobertura da temática negra na imprensa e o debate sobre racismo no Brasil. Representante da mídia negra, o Instituto de Mídia Étnica apresentou sua parceria com o jornal A Tarde, de Salvador, para formação de jornalistas negros e de disponibilizar o Instituto para o aperfeiçoamento de novos jornalistas, além do trabalho do Instituto junto às faculdades de Comunicação da Bahia.
A reunião teve as presenças da Cojira-Rio (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), Inesc (Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos), Geledés, CEERT, Andi, Instituto Patrícia Galvão, CEPIR-RJ (Coordenadoria Estadual de Promoção da Igualdade Racial do Rio de Janeiro), Fundação Ford, W.K. Kellog, Oxfam, Fundação Avina, Action Aid, IUPERJ (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), UFRJ, UFBA, Instituto FSB Pesquisa, UNICEF e UNIFEM Brasil e Cone Sul.
__
* Isabel Clavelin

Canal de TV busca integração entre os afro-americanos e brasileiros 02/03/2010 08:31:56 AM Projeto de organização americana troca experiências com o

Canal de TV busca integração entre os afro-americanos e brasileiros
02/03/2010 08:31:56 AM

Projeto de organização americana troca experiências com o Brasil.
Um canal de TV de Detroit, em Michigan, trabalha num projeto para estreitar a comunicação entre os afro-americanos e os afro-brasileiros. Os responsáveis são membros da Black Awareness in Public Television (BAIT, em inglês), traduzido como Consciência Negra na Televisão.

O programa da BAIT se chama “For My People” e vai ao ar todos os sábados, pelo canal 50, às 6h30am. A transmissão também acontece através de canais a cabo em Indiana, Illinois, Ohio e Ontário (Canadá), e por vídeos do Google e YouTube. A BAIT tem David Rambeau como diretor executivo e o projeto com o Brasil é liderado por Mark Wells, americano que fala português e é casado com uma brasileira.

Por e-mail ao Comunidade News, Mark falou sobre o ABA (AfroBrasilAmerica). Segundo ele, o objetivo é construir uma ponte entre os afro-descendentes americanos e brasileiros. O foco é mostrar trabalhos de organizações e textos de autores afro-brasileiros sobre os problemas que afetam as comunidades no Brasil. “Haverá também textos escritos por autores afro-americanos como eu, que tem larga experiência com o Brasil, seu povo, cultura e história”, explicou Wells.

As onze vezes em que esteve no Brasil levaram Mark a elaborar o projeto. Segundo ele, a cultura afro-americana é muito forte no Brasil, seja em aspectos positivos ou negativos. Apesar das influências positivas da cultura afro-americana sobre a afro-brasileira, Mark admite que há influências negativas que não deveriam ser seguidas. Alguns aspectos da cultura afro-americana desagradam Mark, seja nos EUA ou no Brasil.

“É onde acredito que o diálogo beneficiaria americanos e brasileiros, particularmente os de descendência africana”. Para isto acontecer, o projeto vai mostrar aos brasileiros um pouco mais do contexto histórico do desenvolvimento cultural dos afro-americanos. Estes últimos também conhecerão mais a cultura afro-brasileira. O foco são todos os brasileiros que se consideram negros, mulatos, morenos ou pardos. Os principais contatos da BAIT estão localizados em Salvador, Bahia, e na região do ABC paulista.

Identidade negra em evidência
O primeiro programa da BAIT surgiu numa época de profundas mudanças da identidade negra nos Estados Unidos. Depois de afro-americanos famosos como Martin Luther King Jr. e Rosa Parks, o país presenciou o movimento “Black Power”, associado a Malcom X, assassinado em 1965. A primeira transmissão aconteceu em dezembro de 1970.

Voluntário da organização e apresentador do For My People há dois anos, Mark notou que as mídias americana e brasileira possuem pouca representação de afro-descendentes. “O que queremos é construir um intercâmbio continental através das artes e da mídia”. Contatos com organizações, estudantes e cineastas já foram feitos para alavancar o projeto que vai mostrar as similaridades e diferenças. Segundo Mark, os Estados Unidos e o Brasil são detentores das maiores populações afro das Américas.

A primeira parte do projeto consiste em conectar os afro-brasileiros que estudam ou trabalham nos EUA com os afro-americanos, bem como os afro-brasileiros que estão no Brasil. Toda esta conexão será feita através de uma série de documentários. De acordo com Wells, alguns afro-brasileiros já estão nos EUA. A BAIT também volta ao Brasil ainda este ano, a fim de explorar o maior número possível de projetos. O primeiro deles é um anuário.

Mais informações sobre a BAIT e o programa For My People no website www.projectbait.blakgold.net.
Por: Angela Schreiber - Comunidade News

http://www.comunidadenews.com/local/canal-de-tv-busca-integracao-entre-os-afro-americanos-e-brasileiros-5804

MEC divulga notas, resultados e lista de aprovados do Sisu

MEC divulga notas, resultados e lista de aprovados do Sisu
05 de fevereiro de 2010 • 06h01 • atualizado às 12h59

O MEC divulgou na manhã desta sexta as notas e as classificações dos candidatos na primeira etapa das inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). No final da noite de quinta-feira foram divulgados os resultados e as listas de aprovados. Ao todo foram 793,9 mil inscritos, que puderam se candidatar até 23h59 da última quarta-feira, 3. Veja aqui as listas de aprovados, os resultados e as notas.
A consulta aos dados pode ser feita também no portal do MEC, nas instituições participantes e na Central de Atendimento do MEC, no telefone 0800.616161.
O Sisu foi desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC) para selecionar os candidatos às vagas das instituições federais que utilizarão a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009 como única fase de seu processo seletivo. Nesta primeira edição, 51 instituições oferecem 47.913 vagas em bacharelados, licenciaturas e cursos superiores de tecnologia.
Veja as respostas para as principais dúvidas dos candidatos sobre o Sistema de Seleção Unificada:
Quais as datas para efetuar a matrícula dos aprovados na primeira etapa?
Os estudantes que forem aprovados terão de 8 a 12 de fevereiro para fazer a matrícula nas instituições para as quais foram selecionados.
O candidato que não realizou a inscrição da primeira etapa terá outra oportunidade?
Sim, haverá ainda mais duas etapas para preencher as vagas remanescentes. A segunda etapa de inscrições para o Sistema de Seleção Unificada (SiSU) terá as inscrições abertas entre às 6h do dia 15 de fevereiro até as 23h59 do dia 20 de fevereiro. O resultado será divulgado no dia 22 de fevereiro. Entre 1° de março e 3 de março ocorrerá a terceira e última etapa, o resultado: será divulgado no dia 5 de março e as matrículas nas universidades deverá ser realizadas de 9 a 12 de março.
Como é feita a inscrição no Sisu?
As inscrições dos candidatos são feitas exclusivamente pela internet (sisu.mec.gov.br). Para se inscrever, o candidato deverá acessar o sistema (no campo "Acesse o Sistema de Seleção Unificada", no alto da página principal) e informar seu número de inscrição e a senha cadastrada no Enem 2009. Após estas informações, o sistema solicitará que o candidato crie uma nova senha, específica para o Sisu.
O candidato que se inscreveu na primeira etapa, pode se inscrever nas etapas posteriores?
Sim, é permitido ao candidato que se inscreveu na primeira etapa se inscrever novamente nas etapas posteriores.
Como será feito o processo de desempate?
Conforme o artigo 18 da portaria do Sisu, ficam mantidos os cinco primeiros critérios de desempate: notas obtidas na Redação, Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas. O sexto critério, que mantém a vaga ao candidato com inscrição anterior, foi abolido para não deixar ninguém prejudicado após os problemas na banda larga, de acordo com o MEC.

Vanity Fair acusada de racismo por Nelma Viana, Publicado em 04 de Fevereiro de 2010

Vanity Fair acusada de racismo
por Nelma Viana, Publicado em 04 de Fevereiro de 2010

“Uma nova década, um novo Hollywood”. À primeira vista é um título inofensivo que não ofende ninguém. Mas ao que parece, ofendeu. No banco dos réus, senta-se a Vanity Fair, acusada de racismo.
A capa da edição de Março da revista está ilustrada com uma fotografia primaveril com as protagonistas Kirsten Stweart (Crepúsculo), Carey Mullingan (Brothers) e Evan Rachel Wood (True Blood). O artigo que completa a ilustração destaca a carreira das três actrizes e de outras colegas profissão que, segundo a revista, vão estar em destaque na próxima temporada. Mia Wasikowska, a próxima protagonista de Tim Burton no filme “Alice no país das maravilhas” é uma delas, a par com Amanda Seyfried, do êxito “Mamma Mia” e Rebecca Hall, de “Vicky Cristina Barcelona”.
A publicação foi acusada de racismo por não contemplar no artigo nenhuma mulher latina, afro-americana ou asiática. Na linha da frente da acusação está o diário The Guardian, que satirizou a revista numa notícia intitulada de “O futuro é todo branco”, “incluindo a roupa”. O artigo faz questão de lembrar o público da afro-americana Gabourei Sidibe, candidata ao Oscar de Melhor Actriz, pelo papel em “Precious”, e que foi totalmente esquecida pela lista de talentos promissores da Vanity Fair

PROF.DOUTOR CARLOS MOORE ESTARÁ EM SÃO CARLOS DIA 30 DE NOVEMBRO LANÇANDO SEU LIVRO " RACISMO E SOCIEDADE "

SÁBADO, 24 DE NOVEMBRO DE 2007

PROF.DOUTOR CARLOS MOORE ESTARÁ EM SÃO CARLOS DIA 30 DE NOVEMBRO LANÇANDO SEU LIVRO " RACISMO E SOCIEDADE "

CONFIRA ENTREVISTA DO PROF.DOUTOR CARLOS MOORE CEDIDA A GAZETA MERCANTIL


16 de Novembro de 2007 - O principal objetivo de "Racismo e Sociedade", novo livro de Carlos Moore, doutor pela Universidade Paris VII, é desmontar a estrutura simbólica do racismo. "O racismo é algo que permeia toda a sociedade. As relações interpessoais são o reflexo do racismo, elas refletem o que é dominante na sociedade", defende o autor, na entrevista a seguir, concedida com exclusividade a este jornal: Gazeta Mercantil - O senhor diz que "o racismo é prejuízo para o racista". O Brasil vive hoje uma realidade repleta de desigualdade. O senhor alia essas desigualdades ao racismo? Sim. O racismo é algo que permeia toda a sociedade. As relações interpessoais são o reflexo do racismo, elas refletem o que é dominante na sociedade. São as relações interpessoais, elas por si, que são o refúgio exclusivo do racismo. É uma, metaconsciência que permeia toda a sociedade. Gazeta Mercantil - A idéia de um mundo "democraticamente racial" é mito? É claro que é mito. A mestiçagem é um fator dominante na sociedade. Quando se está cantando todos os hinos à mestiçagem, é um hino à violência, ao estupro massivo das índias e das africanas. Você está falando de mestiçagem, mas você esquece como o mestiço surge nas sociedades violentadas e complexadas. Ou seja, é a inseminação violenta das fêmeas do grupo dominado pelo macho do grupo dominante e a eliminação física dos machos do grupo dominado-conquistad o. O hino à mestiçagem está dizendo "nós não conseguimos conviver com o negro como negro, temos que diluí-lo para aceitá-lo, temos que mudar o seu fenótipo". A mestiçagem é isso e toda a ideologia da "democracia racial" é essa: "Vamos mudar o fenótipo do negro, não mudar o fenótipo do branco. Vamos aproximar o fenótipo do negro ao fenótipo ariano". Gazeta Mercantil - Entre preconceito e racismo o senhor faz uma diferenciação clara. Qual é? Racismo é algo histórico, uma forma de consciência. Preconceito é qualquer coisa. Eu posso ter preconceitos contra as pessoas que eu considero como feias e essas pessoas não têm que ser brancas ou negras. Podem ser de qualquer cor porque se eu tenho um padrão fenotípico na cabeça, este é o padrão que eu considero bom. Por exemplo, Gisele Bündchen, eu posso considerar que seja o padrão e geralmente esse é o padrão para o mundo ocidental. Ele padronizou e estabeleceu a imagem normativa, que é ariana. Eu posso discriminar e ter preconceito com qualquer pessoa que se afaste dessa imagem normativa dominante. O racismo é uma questão de querer exterminar o outro. Aqui neste País, depois de 1888, a decisão foi mestiçar os negros. Inundaram o País de branco, de "sangue branco" como eles diziam e acabavam com eles assim. Não se podia matar 70% da população. Isso também foi feito em outros países da América Latina. Na Republica Dominicana, em 1935, milhares de negros foram exterminados, o que evidencia essa decisão de não compartilhar recursos. É muito importante saber que racismo se elabora em torno da partilha de recursos. Os negros sempre têm que ser os vetados. Veja, por exemplo, a discussão sobre a cota para negros nas universidades públicas. Porque se eles entram, a classe média negra vai surgir, vai se expandir. Se a classe média se expande vão surgir novas demandas pela repartição dos recursos neste País. Gazeta Mercantil - E quando o senhor fala em "desracializaçã o", o que o senhor quer dizer com isso? Desracializar quer dizer, em primeiro lugar, tirar o fenótipo do lugar onde ele está. O fenótipo está normatizando as relações. Entre os negros se pratica esta maneira de eugenismo, de se casar com as pessoas de pele mais clara, de escolher pessoas com o cabelo mais liso, de escolher um tipo de nariz que seja leptorino, com um septo alto. Os narizes que eles chama de "chato" não são privilegiados nesta sociedade. Os lábios carnosos não são privilegiados e os cabelos crespos não são privilegiados e a pele bem preta não é privilegiada. Há uma espécie de eugenismo individual em que as pessoas já foram programadas para escolherem parceiros cujo fenótipo se aproxima ao fenótipo do padrão estabelecido que é um padrão ariano, nórdico, de loiros, cabelos lisos, loiros e olhos verdes. Desracializar é destruir esta imagem normativa. O fenótipo dita quem vai ser o seu parceiro. Os próprios pais negros ensinam que seus filhos precisam "adiantar a raça". A sociedade é a grande professora. Gazeta Mercantil - Como o senhor pensa que vai ser a recepção de seu novo livro no Brasil e no mundo?Os racistas vão receber um golpe duro. Eles se aproveitam da ignorância para fazer avançar as redes deles. Quanto mais ignorância há na sociedade, mais os racistas ficam contentes. O Brasil é contrário as correntes progressistas que estão aí no mundo. Então, podem existir monstruosidades como essa idéia da "democracia racial". O branco brasileiro normal está convencido de que vive no melhor País do mundo e que os negros estão contentes. Tudo aqui está feito para que aconteça uma catástrofe. É por isso que felizmente uma parte dessa elite tem chegado a compreender que eles vão ter que mexer no sistema porque se eles não mexerem no sistema vão perder o País. E ninguém quer, ninguém que seja sensato quer que o Brasil se desintegre, que termine no caos como terminou a União Soviética. Gazeta Mercantil - O senhor afirma que a história da humanidade é uma história de imperialismos, de massacres, de genocídio, de opressão e de ódio. Conseguiremos reverter tudo isso? Constantemente, a sociedade está sendo atravessada por duas correntes diferentes e opostas. Uma corrente de barbárie, regressão e animalização e, outra corrente, que está constantemente chamando a atenção para outra maneira de viver, na busca de uma sociedade ideal. É uma luta. Mas, há outro caminho para o ser humano, não para negros ou para brancos. Não há caminhos separados. Esta bifurcação racial foi criada historicamente, mas se você olhar de maneira bem objetiva e concreta a História, a finalidade da espécie é única. Não há outro caminho.
POSTADO POR FORUM PAULISTA DE JUVENTUDE NEGRA ÀS 05:31

http://forumpaulistajuventudenegra.blogspot.com/2007/11/profdoutor-carlos-moore-estar-em-so.html