domingo, 17 de maio de 2009

ASSOCIAÇÃO DE PESQUISADORES NEGROS DA BAHIA – APNB

A ASSOCIAÇÃO DE PESQUISADORES NEGROS DA BAHIA – APNB, seção baiana da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, fundada em 06 de novembro de 2004, é uma associação civil, sem fins lucrativos e que se destina à defesa e divulgação de pesquisas realizadas, prioritariamente por pesquisadores negros, sobre temas de interesse direto das populações negras e todos os demais temas pertinentes à construção e ampliação do conhecimento humano. Possui como principais objetivos:
a) Congregar os Pesquisadores Negros Baianos, acadêmicos ou não, que trabalham com temas de interesse direto das populações negras no Brasil;
b) Assistir e defender os interesses da APNB e dos sócios perante os poderes públicos em geral;
c) Promover conferências, reuniões, cursos e debates sobre temas e questões diretamente ligadas a populações negras no Brasil;
d) Possibilitar publicações de teses, dissertações, artigos, revistas sobre assuntos relativos às culturas negras no Brasil e em toda diáspora;
e) Manter intercâmbio com associações congêneres do país e do exterior;
g) Defender e zelar pela manutenção da pesquisa com financiamento público e dos institutos de pesquisa em geral, propondo medidas para seu aprimoramento, fortalecimento e consolidação;
h) Propor medidas para as políticas públicas no estado e no país.
A APNB é resultado da trajetória histórica traçada por pesquisadores negros na Bahia e no Brasil, nos diversos espaços institucionais de pesquisa e nos Movimentos Negros de forma geral. Desde 2004, a APNB tem envidado esforços para promover a congregação e o diálogo com pesquisadores e instituições de pesquisas da Bahia, intensificando e ampliando o campo de debate sobre as relações étnico-raciais, com vistas a interferir ativamente nos vários setores da vida pública do estado e do país, bem como fortalecer uma rede de solidariedade entre populações negras.
Em 2006, a APNB organizou juntamente com a Associação de Pesquisadores Negros do Brasil - ABPN, o IV Congresso Nacional de Pesquisadores Negros, na UNEB, no período de 13 a 16 de setembro, com a participação de mais de 600 pesquisadores das mais diversas regiões do país e de estrangeiros. Em 2007, com o intuito de estabelecer e/ou aprofundar o debate entre pesquisador@s da Bahia e de sugerir políticas públicas direcionadas para a democratização da educação e a pesquisa em todos os níveis no Estado, organizou o I Congresso de Pesquisador@s Negr@s da Bahia, I CBPN, com o objetivo, entre outros, de:
promover intercâmbios de experiências de pesquisa;
tomar posição e implementar ações de participação efetiva nos debates sobre temas significativos para a sociedade brasileira, com ênfase nas africanidades, relações étnico-raciais e questões de afrodescendência;
inventariar as áreas e temas de interesse dos pesquisador@s negros; criar estratégias com vistas a buscar apoio e convênio com as instituições de fomento nacionais e internacionais;
propor mecanismos de divulgação de resultados das pesquisas concluídas e em andamento; apresentar e participar de projetos e atividades de Programas de Graduação e de Pós-Graduação que visem a contribuir para a implementação da Lei 10. 639 e fomentar o intercâmbio com instituições que estão discutindo temas diretamente ligados aos interesses das populações negras.
O I Congresso se realizou nas dependências da Universidade Federal da Bahia e da Faculdade 2 de Julho e consolidou a APNB como um espaço de produção de conhecimento crítico e divulgação de pesquisa; entre os participantes que apresentaram trabalhos e os que se inscreveram como ouvintes, este evento contou com a presença de mais de quatrocentas pessoas. Também nele foi eleita a diretoria para o biênio 2008/2009 que foi assim composta:
Diretoria Executiva
Dr. Nilo Rosa dos Santos – Presidente – UEFS;
Ms. Marluce de Lima Macedo - 1º Vice-presidente- UNEB;
Dra. Maria de Lourdes Siqueira - 2ª Vice-presidente – UFBA;
Ms. Juvenal de Carvalho Conceição - 1 Secretário – FTC – UEFS;
Ms. Marcos Aurélio dos Santos Souza - 2ª Secretário – UESB;
Ms. Romilson da Silva Souza - 1º Tesoureiro- UNEB;
Dra. Lívia Natália de Souza Santos - 2º Tesoureira – UESB;
Conselho Fiscal
Ms. Valdélio Santos Silva - UNEB;
Ms. Rosângela Souza da Silva - UEFS e FACE;
Prof. Guacira Cavalcante Oliveira;
Suplente: Dr.José Henrique Freitas Santos UNEB;
Conselho Consultivo
Dr. Wilson Roberto de Matos - UNEB;
Dra. Florentina da Silva Souza - UFBA;
Dr. Sílvio Humberto dos Passos Cunha - UEFS;
Dr. Jocélio Telles dos Santos - UFBA;
Dr. Cloves Luis Pereira Oliveira - UEFS;
Dra. Ana Célia da Silva - UNEB;
Dra. Célia Oliveira - UEFS;
Ms. Maria Durvalina Cerqueira Santos - FAC. 2 de Julho. .
O II Congresso Baiano de Pesquisador@s Negr@s a realizar-se de 24 a 26 de setembro de 2009, nas dependências da Universidade Estadual de Feira de Santana, com o apoio das universidades e de faculdades da Bahia e de entidades do movimento social, será uma oportunidade de ampliar a participação de pesquisadores e pesquisadoras do estado na APNB e ainda espera constituir-se em espaço para discussão das diversas dimensões e expressões da cultura negra na Bahia.

CONSULTA RELIGIOSA DO RIO DE JANEIRO

A Secretaria de Estado de Assistência Social e DireitosHumanos-SEASDH, por intermédio da Superintendência de IgualdadeRacial-SUPIR, juntamente com as organizações da sociedade civil:Coletivo de Entidades Negras-CEN; Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileiro e o Centro de Tradições Afro-brasileiras,convoca para a Consulta Religiosa do Rio de Janeiro, com aparticipação de representante da Secretaria Especial de Políticas dePromoção da Igualdade Racial-SEPPIR, para tratar da representação –delegados – do Estado do Rio de Janeiro à Plenária Nacional dossegmentos de Comunidades Tradicionais.
Local: CEDIMEnd.: Rua Camerino, 51 – CentroDia: 19 de maio de 2009, terça-feiraHorário: às 15h

I Seminário Internacional Áfricas:

historiografia africana e ensino de história
28,29 e 30 de maio de 2009
Salvador - Bahia

O I Seminário Internacional Áfricas: historiografia africana e ensino de história é uma iniciativa da PPG/UNEB, CECAFRO/PUC/SP, Casa das Áfricas e NEAB/UDESC, com o apoio do CNPq, cujo objetivo é promover debates que problematizem a discussão sobre história da África na produção historiográfica contemporânea, o ensino da história do continente, e da diáspora.

sábado, 16 de maio de 2009

IMIGRAÇÃO: PORTUGAL FAZ REDUÇÃO DRÁSTICA DE VISTOS DE TRABALHO



IMIGRAÇÃO: PORTUGAL FAZ REDUÇÃO DRÁSTICA DE VISTOS DE TRABALHO
O governo de Portugal anunciou que reduzirá em mais da metade o número de vistos de trabalho concedidos a imigrantes de fora da UE neste ano devido à crise econômica, diz a rede britânica BBC. Segundo o Ministério da Solidariedade Social, serão 3,8 mil estrangeiros admitidos no país neste ano, contra 8,6 mil em 20
08.
São Paulo, sábado, 16 de maio de 2009 . Folha de São Paulo. mundo

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Conferência tumultuada em Manaus

Fonte: Afropress - 10/5/2009
Manaus – Por volta da meia noite deste sábado (09/05) e com quase doze horas de atraso, foi declarada encerrada a tumultuada II Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Amazonas (II CEPPIR), segundo o professor e ativista do Movimento Negro, Juarez da Silva Jr. à Afropress.
A Conferência marcada por entreveros e problemas de organização desde a fase preparatória, teve como ponto culminante da tensão, o ataque promovido contra o Ministro interino da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Elói Ferreira, após sua fala na abertura, na sexta-feira (08/05). Ferreira foi agredido verbalmente, cercado e quase atingido fisicamente por lideranças do grupo Nação Mestiça – Forafro e Movimento dos Dependentes Químicos-MDQ e menores arregimentados por essas entidades que chegaram a iniciar a depredação do auditório e saguão e a destruir sofás das dependências.
Segundo Juarez, militantes de entidades do Movimento Negro do Amazonas tiveram de proteger o ministro até a chegada da Polícia, que não se encontrava no interior do prédio da Reitoria da Universidade Estadual do Amazonas, aonde se realizava a Conferência. Com a chegada dos policiais, o ministro interino foi escoltado para local seguro e a Conferência suspensa até o dia seguinte.Os agressores não foram identificados pela organização da Conferência, a cargo da Secretaria Estadual de Justiça do Amazonas. Também não foi feito registro de Boletim de Ocorrência para apurar o caso.
Horas depois da paralisação e após reunião da cúpula da Secretaria de Justiça, Ferreira se reuniu com lideranças do Movimento Negro, indígenas e quilombolas para a reunião de trabalho que havia sido agendada.Em seguida aconteceu outra reunião entre lideranças e a Comissão Organizadora, que prometeu adotar medidas para garantir a continuidade dos trabalhos, porém, sem punições aos responsáveis pelos tumultos. A Comissão, de acordo com Juarez, ignorou os vários requerimentos protocolados pelos movimentos sociais, indignados com as atitudes de provocação do grupo que protagonizou as agressões contra o ministro da Seppir.Indignados, algumas dessas lideranças ameaçaram abandonar a Conferência, porém, foram convencidas a permanecer em respeito aos quilombolas e indígenas e ativistas que se deslocaram do interior durante horas viajando de barco.Afropress não conseguiu localizar as lideranças dos grupos Nação Mestiça – Forafro, e Movimento dos Dependentes Químicos – MDQ para falar sobre o caso.Esquema policial Sempre de acordo com o depoimento de Juarez, sob forte esquema policial, a Conferência seguiu tensa e com tumultos, com nítido prejuízo para os trabalhos.
Os delegados dos grupos dos Movimentos de Negritude, Indígenas e Sociais presentes, porém, segundo Juarez, “conseguiram em plenária impedir praticamente todas as proposições dos grupos desestabilizadores já citados, bem como a eleição de qualquer delegado dos mesmos para a Conferência Nacional”.“Foram aprovadas ainda duas Moções de Repúdio, uma exclusivamente aos movimentos desestabilizadores e outra mais ampla incluindo a organização do evento e solicitando providências às autoridades, como instauração de investigação, procedimentos administrativos e criminais, bem como, a revogação de duas leis (estadual e municipal) que inconstitucionalmente fazem "reconhecimento" de mestiços e "cabocos" (nos termos) como grupo étnico, legislação que afeta o sistema estatístico e de competência exclusiva da união, e que também estipula para os referidos "movimentos" representação garantida em eventos, conferências, conselhos e orgãos públicos e apoio estatal, o que não é garantido a nenhum outro grupo de movimentos sociais”, concluiu Juarez.
Confira a Moção aprovadaMOÇÃO DE REPÚDIOAs entidades dos movimentos sociais locais e individuais imbuídos e solidárias com a promoção da igualdade étnico-racial e combate à todas formas de discriminação, presentes à II CEPPIR-AM, em conjunto, repudiam publicamente o comportamento agressivo e atos praticados durante o primeiro dia da citada conferência, com o tratamento desrespeitoso para com um Ministro de estado convidado, bem como com todo o público presente e por justaposição a sociedade amazonense, praticados pelos ditos Movimentos “Nação Mestiça” ,“FORAFRO”, Movimento dos Dependentes Químicos-MDQ e outros grupos de sua esfera ideológica. Da mesma forma repudiamos outras ações anti-éticas e deliberadamente desestabilizadoras perpetradas por seus grupos durante a II Conferência Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.Destacamos que a participação democrática de movimentos sociais não envolvidos prioritariamente com a questão étnico-racial é bem-vinda nos debates sobre a temática, porém com representantes qualificados para tal ou dispostos a se inteirar sobre a questão e sempre com intenção de agregação, refinamento, avanço na discussão e implementação de soluções e políticas de igualdade, nunca como fator de desestabilização e retrocesso.

Manaus-AM, 09 de maio de 2009 .


http://www.afropress.com/noticiasLer.asp?id=1849

II Encontro de Negros e Negras - Salvador - BA

II Encontro de Negros e Negras - Salvador - BA
O II ENUNE acontecerá dos dias 5 ao dia 7 de junho em Salvador e já estão abertas as inscrições para o encontro. Preencha a ficha e garanta sua vaga.
Se tiver problemas para visualizar este formulário, você poderá preenchê-lo on-line: http://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=cmxRRElTN1NaRDVVZDl1M19pcGtFV0E6MA

quinta-feira, 14 de maio de 2009

IGUALDADE RACIAL


São Paulo, quinta-feira, 14 de maio de 2009 FOLHA DE SÃO PAULO

Ministro ironiza críticas de general sobre cotas raciais
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em evento de lançamento de ações afirmativas para negros, o ministro Edson Santos (Igualdade Racial) reagiu ontem às declarações do general de exército Paulo César de Castro, que, na última segunda-feira, exaltou o golpe militar de 1964 e ironizou as políticas de cotas raciais na educação.
Ao citar a reportagem da Folha que trouxe as declarações do militar, Santos disse, em discurso de improviso: "Esse discurso grosseiro, vindo de uma figura da mais alta patente de nosso Exército, me leva a crer que ainda existe muita gente despreparada ocupando posição de alta responsabilidade com o nosso país".
Na última segunda, o general, principal responsável pelo ensino no Exército nos últimos dois anos, disse que entrou no colégio militar sem a necessidade de cotas.
"[Foi] em concurso, sem que jamais me tivesse sido exigida a cor da pele dos meus pais, avós e demais ascendentes ou me tivessem acenado para integrar qualquer tipo de cotas fossem elas quais fossem", afirmou o general, um dos 14 quatro estrelas (posto máximo) do Alto Comando do Exército.Ontem o militar foi ironizado pelo ministro. "Ele [general Castro], um cidadão branco, disse que entrou no colégio militar sem precisar de cota. É evidente", disse, interrompido por aplausos e risos dos presentes."Ele [o militar] é a própria cota", gritou um integrante do movimento negro presente ao evento.
Santos anunciou ontem, entre outras ações, o plano de implementação de uma lei que obriga a inclusão no currículo escolar da cultura e da história afro-brasileira.


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1405200905.htm

Obama tenta proibir acesso a fotos de abusos

Presidente diz que divulgação de imagens de militares maltratando prisioneiros poderia desencadear reação hostil às tropas dos EUA Democrata garante que militares retratados em atos condenáveis já são alvo de investigação; ONG critica "falta de transparência"
DO "NEW YORK TIMES"
O presidente Barack Obama quer bloquear a divulgação de fotos que mostram militares americanos maltratando prisioneiros no Iraque e Afeganistão, por temer que as imagens possam desencadear uma reação hostil a tropas dos EUA. A decisão representa uma inversão em relação à decisão tomada no mês passado pelo Pentágono, que concordou em processo movido pela União Americana pelas Liberdades Civis (Aclu) em divulgar fotos que mostram incidentes em Abu Ghraib e outras prisões. Na época, o presidente subscreveu a decisão, dizendo que concordava com a divulgação -que tinha até data prevista para acontecer: 28 deste mês. Obama informou seus altos comandantes militares sobre sua decisão em reunião na Casa Branca anteontem. Várias autoridades militares haviam se posicionado contra a divulgação imediata das fotos, dizendo que isso poderia prejudicar soldados americanos em campo. Ontem, em pronunciamento convocado para tratar da crise no Sri Lanka (leia à pág. A15), o presidente repetiu essa tese. Ele disse também que as fotos são menos dramáticas "especialmente quando comparadas às dolorosas imagens de Abu Ghraib", em alusão às fotografias divulgadas em 2004, que registram militares americanos torturando detentos na prisão iraquiana. O presidente fez questão de enfatizar que os casos retratados nas imagens estavam sob investigação "bem antes de eu assumir o cargo" (em janeiro). E que foram aplicadas punições "quando apropriado". Obama encerrou suas declarações acrescentando que deixou "bem claro a todos na cadeia de comando das Forças Armadas dos EUA que o abuso de detentos mantidos sob custódia americana é proibido e não será tolerado". No mês passado, o governo Obama divulgou memorandos da gestão George W. Bush autorizando o uso de técnicas de tortura em interrogatórios de suspeitos de terrorismo. Desde então, cresceu a pressão para que funcionários do último governo sejam responsabilizados na Justiça pelas práticas. CríticasA Aclu, autora do pedido de acesso às fotos, criticou a medida do presidente. "A decisão de suprimir as fotos é profundamente incoerente com a promessa de transparência que o presidente Obama fez inúmeras vezes", disse um advogado da organização, Jameel Jaffer. À Justiça a entidade argumentara que revelar as imagens seria "crucial para ajudar o público a compreender a amplitude e escala dos abusos cometidos contra prisioneiros e também para responsabilizar altos funcionários por autorizarem ou permitirem tais abusos", disse Amrit Singh, que advogou pela Aclu no caso. Um alto funcionário do governo revelou que o presidente se reuniu com sua equipe jurídica na semana passada e concluiu que os interesses dos militares e do governo americanos não seriam atendidos com a divulgação das fotos. Ele relatou que, como Obama seria o último a se desculpar pelas ações retratadas nas fotos, o Departamento da Defesa investigou os casos para apurar se os indivíduos foram punidos com prisão, expulsão das Forças Armadas ou outras penas. Funcionários da Casa Branca disseram que ontem seriam entregues documentos ao tribunal onde tramita o processo, apresentando a abordagem legal anunciada por Obama. Em juízo, funcionários da Defesa se manifestaram contra a divulgação das imagens, ligadas a investigações feitas entre 2003 e 2006. Alegaram que a divulgação colocaria em perigo militares americanos no exterior e que a privacidade dos prisioneiros seria violada. Mas, ao confirmar a decisão de um tribunal inferior, a instância superior disse que o interesse público envolvido na divulgação das imagens pesava mais que um receio vago e especulativo de perigo para militares americanos ou violação de privacidade de detentos. Um funcionário do Pentágono envolvido na discussão disse que as fotos mostram detentos em posições humilhantes, mas -a exemplo do que afirmou Obama- ressaltou que não são tão chocantes quanto fotos de abuso em Abu Ghraib.
Tradução de CLARA ALLAIN
São Paulo, quinta-feira, 14 de maio de 2009 . Folha de São Paulo, Mundo

II CONAPIR ganha portal na internet


Desde o início desta semana está disponível na internet o portal da II CONAPIR (www.conapir2009.com.br), que a partir de agora passará a disponibilizar todas as informações sobre a Conferência. Serão organizados bate-papos e fóruns de debate que contribuirão para ampliar a comunicação e a participação da sociedade. As sugestões de aperfeiçoamento serão bem-vindas.

Etapas estaduais - Os órgãos de promoção da igualdade racial de todas regiões do país estão realizando conferências municipais e estaduais a fim de se prepararem para participar da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR) - que acontecerá entre os dias 25 e 28 de junho, em Brasília. As Conferências Estaduais são responsáveis pela eleição de delegados à Conferência Nacional. Nesta semana realizam suas etapas os estados do Acre, Pará, Santa Catarina, Roraima, Goiás, Maranhão e Espírito Santo.

O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, participa das solenidades de abertura no Pará (14/05, às 19h, no Centro de Convenções da Amazônia, em Belém), em Santa Catarina (15/05, às 14h, no Hotel Cambirela, em Florianópolis), e profere conferência magna no Espírito Santo, cuja conferência será realizada no próximo sábado (16/05) no município de Nova Almeida.

Confira as próximas etapas:

Alagoas 21/05
Amapá 27 a 30/04
Bahia 24 a 26/05
Ceará 26 e 27/05
Distrito Federal 19 e 20/05
Minhas Gerais 23 e 24/05
Mato Grosso do Sul 29 e 30/04
Paraná 23/05
Paraíba 23 e 24/05
Pernambuco 25 a 27/05
Piauí 21 e 22/05
Rio de Janeiro 22 e 23/05
Rio Grande do Norte 28 e 29/04
Rondônia 20 a 22/05
Rio Grande do Sul 22 e 23/05
São Paulo 10 a 12/06
Sergipe 19/05

Mais informações:
Coordenação de Comunicação SocialSecretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade RacialPresidência da RepúblicaEsplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º andar - 70.054-906 - Brasília (DF)Telefone: (61) 3411-3659 / 4977

Biografia de Cruz e Souza

Cruz e Sousa: Dante negro do Brasil
Uelinton Farias Alves
. 1a edição - 14x21cm ISBN 9788534704243
416 páginas - cód. 2321
Cruz e Sousa é singular em termos étnicos e existenciais. Isto é deixado bem claro por Uelinton Farias desde o começo do texto, ao caracterizá-lo como “negro retinto”, de origem banta, sem qualquer mescla de sangue europeu, logo “diverso em origem de muitos homens negros que lhe seriam contemporâneos, entre os quais Machado de Assis, José do Patrocínio, Luiz Gama, Ferreira de Araújo, Olavo Bilac, Alcindo Guanabara, Capistrano de Abreu, Barão de Cotegipe, André Rebouças e muitos outros”.
E ao contrário de outros biógrafos, ele não hesita em afirmar que Cruz e Souza, “o menino João da Cruz”, se não nasceu escravo, foi ao menos meio-escravo: embora tivesse mãe alforriada, a escravidão pesava sobre o corpo de seu pai.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Bolsistas do ProUni que têm carro de luxo perdem benefício

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Ministério da Educação cancelou a bolsa de 143 bolsistas do ProUni que não se enquadravam nos critérios socioeconômicos do programa.
Desses, 30 possuíam carros de luxo, 10 tinham rendimentos superiores a R$ 100 mil por ano e 103 estavam matriculados em alguma universidade federal.Para entrar no programa, os estudantes precisam ter renda familiar mensal de até três salários mínimos (R$ 1.395).
O cancelamento das bolsas ocorre após auditoria do Tribunal de Contas da União, revelada pela Folha, que apontou indícios de irregularidades em 30,6 mil bolsas do programa (do total de 385 mil) após fazer cruzamento entre a lista de alunos e os cadastros do Renavam (registro nacional de veículos), da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho e do sistema que lista alunos de federais.A partir dos registros, da documentação dos alunos passada pelas instituições de ensino e, em alguns casos,
Entre os 39 donos de carros de luxo, 9 tiveram as justificativas aceitas -segundo o MEC, havia casos como o de um aluno que usava o automóvel como táxi, ou do deficiente físico que comprara o veículo adaptado com benefícios fiscais.Apurou-se que, dos 956 alunos que estavam no cadastro do ProUni e das universidades federais, 71 já tinham se formado nas instituições públicas e estavam em situação regular. Os outros casos ainda estão sendo analisados.Em relação aos 17 estudantes que, segundo o Ministério do Trabalho, tinham renda anual acima de R$ 100 mil, o MEC aceitou as justificativas de 7.
Nesta semana, a pasta começa a analisar os casos de 315 estudantes com renda anual entre R$ 50 mil e R$ 100 mil.A legislação não fixa limite de renda para permanência no programa, só para ingresso. Mas, segundo a secretária de Educação Superior Maria Paula Bucci, o MEC desligará o aluno sempre que for constatada alta "substancial" da renda.
São Paulo, quarta-feira, 13 de maio de 2009. Folha de São Paulo, Cotidiano.

COTAS PARA PESQUISA CIENTÍFICA

O QUE É?

Uma bolsa de iniciação científica de R$ 300 mensais para alunos beneficiários de cotas raciais ou sociais

QUEM POD. E PEDIR? Cotistas de universidades públicas inscritas no Pibic, programa de bolsas de iniciação científica do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

COMO SABER SE A MINHA UNIVERSIDADE ESTÁ NA LISTA? A relação das universidades públicas inscritas no Pibic está em http://www.cnpq.br/programas/pibic/relacao.htm

600 é a quantidade de bolsas de pesquisa disponíveis para o programa -que será lançado oficialmente pelo governo federal hoje


São Paulo, quarta-feira, 13 de maio de 2009. Folha de São Paulo, Cotidiano
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1305200912.htm

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1305200912.htm

TRABALHO ESCRAVO

PAÍS CONDENA POUCOS FAZENDEIROS, DIZ OIT
Apesar de atribuir ao Brasil papel de destaque por sua atuação no combate ao trabalho forçado, relatório global divulgado ontem pela Organização Internacional do Trabalho criticou o baixo índice de condenações de proprietários rurais pela Justiça. Segundo a OIT, até maio de 2008 havia só uma condenação com privação de liberdade.
O Ministério do Trabalho, que participou do lançamento do documento no Brasil, explicou que em 2008 houve três decisões nesse sentido e, neste ano, há 27 condenações.
São Paulo, quarta-feira, 13 de maio de 2009. Folha de São Paulo. brasil

terça-feira, 12 de maio de 2009

Políticas de Ação Afirmativa em Benefício da População Negra

Políticas de Ação Afirmativa em Benefício da População Negra
no Brasil – Um Ponto de Vista em Defesa de Cotas

Por KABENGELE MUNANGA

Professor Titular do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo. Autor de
vários trabalhos na área de antropologia da população negra africana e afro-brasileira, entre
outros, Os Basanga de Shaba (1986); Negritude (1988), Estratégias e políticas de combate à
discriminação racial (1996) e Rediscutindo a mestiçagem no Brasil (1999)

VIDE O INTEIRO TEOR DO ARTIGO NO LINK:
http://lpp-uerj.net/olped/documentos/ppcor/0121.pdf

Cientistas desvendam história genética dos africanos

12 de maio de 2009
Nature

Ker Than
Uma ampla análise de DNA dos africanos revelou um quadro detalhado sobre a rica diversidade genética da África, bem como traços de sua história evolutiva e das migrações dos diferentes grupos. O trabalho pode ajudar cientistas a identificar as populações mais diversificadas, para novos estudos, e melhorar suas chances de localizar variações genéticas associadas a doenças.
Executado por uma equipe internacional de cientistas ao longo de quase uma década, o estudo sugere que os africanos se tenham originado de 14 grupos ancestrais que se misturaram livremente para resultar nas populações hoje existentes. Os pesquisadores também constataram que os negros dos Estados Unidos tendem a ter ancestrais do oeste da África, como seria de esperar tendo em vista a história do comércio de escravos.
Os pesquisadores baseiam seus resultados em amostras de DNA de mais de 100 negros norte-americanos e de 2,4 mil africanos de todo o continente. "O escopo dos dados é realmente extraordinário", diz Molly Przeworski, geneticista populacional da Universidade de Chicago, em Illinois, que não participou do trabalho. "Não sabíamos tanto quanto deveríamos sobre a genética populacional africana, e agora demos um passo importante nesse sentido".
Genes e idiomasOs seres humanos modernos evoluíram inicialmente na África cerca de 200 mil anos atrás, antes de migrar para outras partes do mundo. Hoje, a África apresenta mais de dois mil grupos étnicos e idiomáticos diferentes. Mas os estudos genéticos sobre os africanos estavam limitados a pequenos números ou a áreas restritas do genoma. Ainda que os geneticistas soubessem que os africanos demonstram mais diversidade genética dentro de seus grupos do que é comum entre não africanos, os detalhes das variações internas do genoma em muitas populações eram incertos.
Uma equipe comandada pela geneticista Sarah Tishkoff, da Universidade da Pensilvânia em Filadélfia, agora publicou um estudo que inclui amostras de DNA de 2.432 africanos, de 113 populações, entre as quais grupos na Nigéria, Camarões, Tanzânia, Quênia e Sudão, e mais amostras não asiáticas do Iêmen. Eles observaram as diferenças em 1.327 pontos do genoma e combinaram os resultados a dados genéticos existes sobre oito grupos africanos e 59 não africanos. Depois, conduziram análises estatísticas para combinar os indivíduos por semelhança genética e determinar seus antecedentes.
Os resultados confirmam que os africanos têm a maior diversidade dentro de uma mesma população, e sugere que se tenham originado de 14 grupos de ancestrais. A maioria das populações africanas parece mostrar traços genéticos de múltiplos grupos, o que sustenta indícios linguísticos e arqueológicos encontrados sobre migrações continentais que teriam resultado nessas misturas.
A análise também sugere que os nômades de diferentes regiões e culturas podem ser descendentes de uma mesma população ancestral. As pistas genéticas em geral são compatíveis com os dados de etnia e idioma, se bem existam exceções em casos de grupos que perderam ou substituíram seus idiomas. A revista Science publicou o estudo.
Mapa da diversidadeEmbora os resultados gerais não surpreendam, o estudo oferece visão detalhada da variação genética em grande número de populações africanas, diz Noah Rosenberg, geneticista da Universidade do Michigan em Ann Arbor, que pretende colaborar com Tishkoff. "Eles demonstram a grande diversidade que existe na África", diz.
A equipe também estudou o DNA de quatro populações de negros norte-americanos e descobriu entre 69% e 74% de antecedentes identificados com uma família linguística do oeste da África. A maioria dos indivíduos provavelmente apresenta antecedentes combinados de diversos grupos oeste-africanos, sugere a análise. Porque as diferenças são sutis, a equipe diz que sem mais dados genéticos pode ser difícil identificar as tribos específicas de origem dos norte-americanos negros.
David Reich, geneticista da escola de medicina da Universidade Harvard, em Boston, Massachusetts, diz que a pesquisa poderia ajudar cientistas a determinar que grupos africanos deveriam ser estudados mais a fundo posteriormente, a fim de capturar um panorama preciso sobre a profunda diversidade do continente.
"O estudo servirá como um mapa para viagens", disse Reich, que colaborou com Tishkoff. Ao tomar por objeto de estudo os grupos africanos mais divergentes, ele diz, os cientistas podem identificar um maior número de variantes genéticas conectadas a doenças.
12 de maio de 2009 • 16h35 • atualizado às 17h22

Decisão sobre cotas em universidades fica para próxima semana

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) transferiu para a reunião da próxima semana a votação do projeto que define cotas para ingresso nas universidades e escolas técnicas (PLC 180/08). A decisão foi tomada nesta quarta-feira (6) pelo presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), para que o colegiado tenha tempo de examinar proposta aprovada recentemente na Câmara dos Deputados, que reserva 10% das vagas das universidades federais para deficientes físicos.
O projeto (PLC 180/08) direciona 50% das vagas das universidades públicas e das escolas federais de ensino técnico para alunos egressos da escola pública. No caso das universidades, os alunos deverão ter cursado o ensino médio integralmente nas escolas públicas. No caso das escolas técnicas, precisam ter cursado o ensino fundamental integralmente nas escolas públicas. A proposta também determina que metade dessa cota seja reservada para alunos oriundos de famílias com renda de até um salário mínimo e meio per capita.
A matéria estabelece ainda que as vagas reservadas aos alunos egressos da escola pública sejam preenchidas por estudantes negros, pardos e indígenas na proporção de cada segmento na população do estado - e Distrito Federal- onde está localizada a instituição de ensino. Para esse cálculo, será levado em consideração o último censo populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Prevê também a matéria que, no prazo de dez anos, a contar da publicação da lei, o Executivo promoverá a revisão do programa. E determina ainda que as instituições de ensino superior terão o prazo de quatro anos para o cumprimento integral do disposto na lei, devendo implementar ao menos 25% da reserva de vagas a cada ano.
Ainda segundo o projeto, todos os estudantes que ingressarem nas universidades federais e nas escolas federais de ensino técnico de nível médio, mesmo aqueles que ocuparão as vagas reservadas, serão submetidos ao vestibular.
Para instruir a matéria, foram realizadas três audiências públicas - nos dias 18 de dezembro de 2008, 18 de março e 1º de abril de 2009. No Senado, a proposta também será examinada pelas comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Educação, Cultura e Esporte (CE), tendo decisão final em Plenário.
Valéria Castanho e Iara Altafin, repórteres da Agência Senado
COMISSÕES / Constituição e Justiça06/05/2009 - 13h43. Agencia Senado

Uefa permitirá que árbitro interrompa jogos por ofensas racistas

terça-feira, 12 de maio de 2009, 16:02 Online

MIKE COLLETT - REUTERS

BUCARESTE - Árbitros receberão o poder de interromper o jogo e retirar os jogadores de campo por quanto tempo acharem necessário caso haja algum comportamento racista em partidas internacionais ou entre clubes organizadas pela Uefa. O Comitê Executivo do órgão controlador do futebol europeu decidiu nesta terça-feira permitir que os árbitros tomem "ações decisivas e fortes" se os jogos forem marcados por insultos racistas de torcedores. O projeto será agora analisado detalhadamente e novas diretrizes serão dadas aos árbitros após o próximo encontro do Comitê Executivo em Vilnius no início de julho. O secretário-geral da Uefa, David Taylor, disse à Reuters: "Temos trabalhado nesta ideia por um longo tempo e a hora chegou para permitir que árbitros parem, suspendam, ou abandonem o jogo por interferência externa de qualquer tipo". "Isto pode ser por 10 minutos, pode ser por mais tempo, dependendo das circunstâncias".

Ele acrescentou: "Queremos mandar um alerta claro que comportamento racista de qualquer tipo não será tolerado nos jogos da Uefa". Vários incidentes racistas, na maioria envolvendo coros de torcedores locais, têm manchado os jogos nos últimos dias e a Uefa tem sido criticada por impor penas relativamente pequenas".

Estadão.com.br. Esportes. Futebolhttp://www.estadao.com.br/noticias/esportes,uefa-permitira-que-arbitro-interrompa-jogos-por-ofensas-racistas,369664,0.htm

ACOMPANHE O Estatuto da Igualdade Racial". NA CAMARA DOS DEPUTADOS

Proposição: PL-6264/2005

Autor: Senado Federal - Paulo Paim - PT /RSData de Apresentação: 25/11/2005 Apreciação:

Proposição Sujeita à Apreciação Conclusiva pelas Comissões - Art. 24 II Regime de tramitação:

PrioridadeProposição Originária: PLS-213/2003 Situação: PL626405: Pronta para Pauta.


Ementa: Institui o Estatuto da Igualdade Racial.


Explicação da Ementa: Estabelecendo critérios para o combate à discrimição racial de afro-brasileiros; altera a Lei nº 6.015, de 1973.


ACOMPANHE ANDAMENTO DA LEI E O TEOR DO ESTATUTO NO SEGUINGTE LINK:


http://www2.camara.gov.br/proposicoes

POVO DE SANTO EXIGE REGULARIZAÇÃO TERREIROS E PROTESTA CONTRA MUDANÇAS

O plenário Cosme de Farias se vestiu de branco para exigir a regularização fundiária dos terreiros de Candomblé, na sessão especial, nesta segunda (11), na Câmara Municipal. O povo de Santo foi representado pelo integrante do Terreiro Nzo Mpa Anzu, Raimundo Caommamannjy, que criticou duramente alterações do projeto de Lei enviadas à Câmara que visa a regularização fundiária dos terreiros.
Para o povo do axé, o prefeito João Henrique discriminou as religiões de matrizes africanas e beneficiou as outras. "Ele derrubou um terreiro, foi acuado e depois prometeu fazer uma lei só para amenizar a situação. Está fazendo da religião um negócio e, para isso, mentiu e nos enganou. O prefeito não foi eleito apenas pelos evangélicos, mas por toda sociedade que engloba todas as religiões. Por isso, não tem o direito de governar apenas para uma religião e discriminar outras", contestou Caommamannjy.
As alterações do projeto de Lei foram consideradas ilegais pela vereadora líder da oposição, Aladilce Souza (PCdoB). Segundo a comunista, de acordo com o artigo 19 da Constituição Federal, é proibida a concessão do direito real de uso aos templos religiosos, mas , por outro lado, permite a doação para comunidades de tradição como são os terreiros de candomblé.
DISCRIMINAÇÃO Para a vereadora Olívia Santana (PCdoB), a generalização que a prefeitura fez ao englobar todas as religiões no novo projeto que foi enviado à Câmara e a obrigatoriedade da religião africana de ter que cumprir exigências para conseguir a regularização, não passam de discriminação ao povo de santo. "A prefeitura usou de má fé para modificar o projeto".
O líder do governo, Sandoval Guimarães (PMDB), negou que o projeto seja diferente do que foi enviado em 2008 pelo Executivo Municipal. "Não se trata de uma matéria diferente. É o mesmo projeto com algumas modificações pontuais", afirmou o peemedebista.
A secretária da Reparação Social, Maria Alice da Pereira da Silva, se eximiu de responder as questões sobre a legalidade do projeto feitas pela vereadora Aladilce, mas foi incisiva ao negar que a proposta de emenda do artigo 14 impõe restrições às religiões de matrizes africanas. Ela ainda criticou a gestão do ex-secretário e atual vereador Gilmar Santiago (PT) que não fez o cadastro dos terreiros quando estava à frente da secretaria.
O vereador petista não deixou por menos e rebateu. "A minha gestão fez tanta coisa quando que não vou pedir desculpas por não ter feito o cadastro dos terreiros". Santiago ainda afirmou que espera um entendimento entre a situação e a oposição para que o projeto tramite em regime de urgência na Câmara Municipal de Salvador. (Marivaldo Filho, repórter)
11/05/2009 - 22:18

domingo, 10 de maio de 2009

SEMINÁRIO SAMBA E LIBERDADE


Participação de personalidades do samba carioca.
O samba como veículo dos processos de autodeterminação das comunidades afro-descedentes da cidade do Rio de Janeiro.
Com a participação de proeminentes figuras do mundo do samba carioca.
Horário: 13 maio 2009, o dia inteiro.
Rua: Barão de Mesquita, 539. Cidade: Rio de Janeiro. Info de contato: (21) 3238-2100.
Organizado por: Helena Theodoro e a Omo Arô Cia Cultural.

MAIORES INFORMAÇÕES:helenath43@globo.com

Bento 16 visita mesquita e critica "manipulação" da fé


Em 2º dia da viagem à Jordânia, papa causa polêmica ao entrar de sapatos no templo,
Pontífice refaz caminho de patriarca bíblico Moisés até o monte Nebo e destaca vínculo "inseparável" entre Igreja Católica e povo judeu
DA REDAÇÃO
No segundo dia de uma visita ao Oriente Médio que tem entre seus objetivos reaproximar catolicismo e islã, o papa Bento 16 causou polêmica ao entrar de sapatos numa mesquita da Jordânia, contrariando a tradição pela qual calçados, por carregarem impurezas, devem ser deixados na porta.O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, negou que tenha havido desrespeito na visita à mesquita Rei Hussein bin Talal, em Amã, a maior do país."Bento 16 estava preparado para tirar os sapatos, mas seus acompanhantes o fizeram passar por um percurso especial e não pediram que ele se descalçasse", disse Lombardi.O papa também não rezou na mesquita, como havia feito em uma visita à Turquia, em 2006. O gesto, que fora uma forma de diminuir as tensões por uma polêmica que o papa criara ao vincular islã e violência, havia irritado alas mais conservadoras da Igreja Católica.Fora da mesquita, o pontífice alemão expressou ontem sua "preocupação" com o fato de que muitos considerem hoje a religião "causa de divisão do mundo e defendam que, quanto menos atenção se dê a ela na vida pública, melhor"."É claro que não se pode negar as tensões e divisões entre os seguidores de diferentes religiões, mas o que acontece muitas vezes é que a manipulação ideológica da religião, talvez por motivos políticos, é o catalisador real das tensões e das divisões, e, às vezes, da violência na sociedade", disse.Horas antes de visitar a mesquita, o pontífice subiu o monte Nebo, a sudoeste da capital jordaniana, onde lançou um apelo conciliador aos judeus, revoltados com a decisão do Vaticano de cancelar, no início deste ano, a excomunhão do bispo ultraconservador Richard Williamson, que negava o Holocausto.Recebido por cerca de 300 pessoas, Bento 16 percorreu o caminho feito segundo a Bíblia por Moisés -até avistar a Terra Prometida- e afirmou que sua viagem ao Oriente Médio é uma lembrança do "vínculo inseparável" entre a Igreja Católica e o povo judeu."Que o nosso encontro hoje nos inspire a renovar o amor pela Sagrada Escritura e o desejo de superar todos os obstáculos de reconciliação entre cristãos e judeus em respeito mútuo e cooperação", disse.Na véspera, o papa se propusera a mediar conversas de paz entre os judeus de Israel e os muçulmanos dos territórios palestinos, próximas escalas de sua viagem pela região, que vai até a próxima sexta.
Com agências internacionais
São Paulo, domingo, 10 de maio de 2009. Folha de São Paulo. Mundo

Vencida a violência, pobreza mina o Haiti

Às vésperas do quinto aniversário de sua intervenção, ONU começa a planejar a retirada de suas tropas a partir de 2011
"Resolvemos a segurança e no dia seguinte os haitianos nos perguntaram: E agora? Como isso vai afetar minha família?", narra brasileiro
Facções rebeldes controladas, índices de criminalidade inferiores aos de cidades como Rio e São Paulo, desemprego e escassez de ajuda financeira internacional. Esse é o retrato do Haiti quase cinco anos após a chegada de militares a serviço da ONU, que hoje estudam a retirada a partir de 2011.A Folha esteve no Haiti e constatou que as gangues chimères foram desbaratadas, e os combates entre militares brasileiros das Nações Unidas e rebeldes -que ocorriam a cada três dias em meados de 2005- são parte do passado do país.De acordo com a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti), a taxa de homicídios no país em 2008 foi de 5,09 para cada 100 mil habitantes. A taxa de São Paulo referente ao mesmo ano foi de 10,7 casos, e a do Rio, 35.Para a Organização Mundial da Saúde, a partir de 10 casos por 100 mil habitantes, há "nível epidêmico de assassinatos".Mais de 70% dos 2.848 crimes reportados à Minustah e à PNH (Polícia Nacional do Haiti) no ano passado tiveram motivação patrimonial. As extorsões mediante sequestro, por exemplo, que atingiram 160 casos só no mês de dezembro de 2005 -no auge dos confrontos- caíram para dez no mesmo período de 2008.A ONU admite que há subnotificação de crimes, mas diz que a violência já não tem a motivação política do período posterior à queda do ex-presidente Jean Bertrand Aristide.Mas, apesar da paz atual, parte dos rebeldes continua solta, e o armamento apreendido foi irrisório -o que indica que armas ainda podem estar escondidas."Temos de manter um patrulhamento forte e um bom sistema de inteligência para que os [rebeldes] remanescentes não tentem se reorganizar", diz o general brasileiro Alberto dos Santos Cruz, ex-comandante das forças de paz.Hora da viradaCom mais de 20 anos de carreira na ONU, o também brasileiro Luiz Carlos da Costa ocupa hoje o segundo mais importante cargo civil da Minustah (representante adjunto do secretário-geral Ban Ki-moon).Ele aponta que o Haiti vive hoje um período decisivo, no qual a capacidade de geração de empregos será decisiva para determinar a salvação do país ou o fracasso da missão."Nós resolvemos o problema da segurança e no dia seguinte os haitianos nos perguntaram: E agora? Como isso vai mudar o dia a dia da minha família?"A taxa de desemprego ultrapassa 60%, e metade da população tem menos de 18 anos de idade. Além disso, uma crise de alimentos e furacões causaram prejuízos de US$ 1 bilhão.Para tirar o país desse caos, o governo haitiano elaborou um plano de resgate de saúde, educação e infraestrutura ao custo de US$ 900 milhões em ajuda financeira internacional no período de dois anos. Os 20 países doadores, porém, devem enviar apenas US$ 324 milhões.A esperança de gerar empregos recai agora sobre uma iniciativa norte-americana de abolir pelos próximos nove anos as taxas sobre todos os produtos têxteis do Haiti que entrarem nos Estados Unidos.Plano de retiradaNesse contexto, segundo Costa, a ONU quer iniciar uma retirada gradual dos 7.000 militares (1.200 deles brasileiros) do país a partir do fim de 2011.A expectativa é que, até lá, o efetivo da polícia nacional cresça de 9.200 para 14 mil homens -a quantidade mínima para substituir as tropas internacionais. "Pelo menos 15% das funções de segurança do país já estão sendo desempenhadas hoje pela polícia haitiana", diz.O treinamento desse contingente é responsabilidade de 2.000 policiais da ONU, que já cortaram cerca de mil integrantes corruptos dos quadros iniciais da PNH.O armamento e os equipamentos da polícia são doações provenientes dos Estados Unidos e do Canadá.Até 2011, os capacetes azuis ainda farão a segurança das próximas eleições presidenciais (novembro de 2010) e permanecerão no país por mais 12 meses, para garantir que o presidente eleito fique no poder."A partir de 2011 haverá uma presença das Nações Unidas no Haiti, mas com uma mudança de perfil. Haverá uma redução no número de tropas e talvez seja mantido o número de policiais [da ONU]", diz Costa.A retirada gradual, que não tem prazo final, dependerá de decisões conjuntas do governo haitiano e do Conselho de Segurança da ONU. E ela só será possível se a situação econômica do país melhorar.Sheila Laplage, a porta-voz da premiê Michele Pierre-Louis, disse à Folha que, por enquanto, o governo do Haiti não se manifestará sobre os planos de retirada de tropas.
São Paulo, domingo, 10 de maio de 2009
LUIS KAWAGUTI. EM PORTO PRÍNCIPE

Multilateralismo e ações afirmativas

uma questão de reparação histórica. Deve ser política de Estado até que tenhamos uma sociedade com relações étnicas mais equilibradas

O BRASIL está honrado por sua participação na Conferência de Revisão da 3ª Conferência das Nações Unidas contra o Racismo, realizada em Genebra, na Suíça. Nossa delegação, formada por representantes governamentais e da sociedade civil, ficou satisfeita por ter contribuído na redação de um documento forte, porém equilibrado, que trouxe avanços em relação à terceira conferência, realizada em Durban, na África do Sul, em 2001.O documento de Genebra não singulariza qualquer país, trata de forma adequada as tragédias do passado, condena a islamofobia, o antissemitismo e outras formas de intolerância e coloca no centro do debate as vítimas do racismo e da discriminação.Entre as conquistas, tivemos o destaque conferido à aplicação de políticas de ação afirmativa, a abertura para a discussão de temas ligados à orientação sexual e a importância do combate à intolerância religiosa.Mais do que qualquer nação, o multilateralismo foi o verdadeiro vencedor da conferência. E o Brasil, com base no consenso alcançado, poderá aprofundar e diversificar as políticas públicas de promoção da igualdade racial, inclusive no campo externo.Ganhou impulso, por exemplo, o Plano de Ação Conjunta Brasil-Estados Unidos de Combate ao Racismo.Em reunião realizada na última semana, em Washington (EUA), foram aprofundados os eixos centrais da cooperação entre os dois países, entre os quais estão educação multirracial, preservação da memória e acesso à justiça e ao crédito.No plano interno, vamos seguir em nossa luta cotidiana pela construção do Plano Nacional de Igualdade Racial, que se traduz em diretrizes para a aprovação da Lei Orçamentária. No Congresso, vamos continuar o diálogo sobre os projetos de lei que criam o Estatuto da Igualdade Racial e o sistema de cotas raciais para o acesso às universidades públicas.Temos consciência de que a aplicação das ações afirmativas no Brasil é uma questão ainda distante do consenso. A garantia dos direitos das comunidades quilombolas e a política de cotas raciais nas universidades, para ficar em dois exemplos, afetam diretamente setores que não querem dividir com mais ninguém o acesso à terra, ao saber e às benesses de nosso desenvolvimento.As ações impetradas na Justiça pelo partido Democratas contra o sistema de cotas e a titulação das terras quilombolas são uma prova disso.Curiosamente, os membros desse mesmo partido, que fez parte da coalizão que sustentava o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso, nunca se pronunciaram contra o decreto que, no apagar das luzes daquela administração, criou cotas de 20% para negros no serviço público federal.Hoje, esse segmento político, com aliados em outros partidos e na mídia, desconsidera a enorme dívida do Estado e da sociedade brasileira em relação ao segmento negro da população. Preveem, em exercícios de futurologia, que as cotas vão acirrar o conflito racial em nosso país.No entanto, o projeto de lei que estabelece a política de cotas atende a uma realidade já consagrada, a partir da autonomia universitária, em 23 universidades federais, 25 universidades estaduais e três centros federais de educação tecnológica.A aprovação do sistema de forma espontânea a partir dos conselhos universitários comprova a aceitação da medida no seio da sociedade.Nenhum incidente envolvendo ódio racial foi registrado nessas instituições. Pelo contrário, seis anos após a adoção pioneira dessa política na Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e na UnB (Universidade de Brasília), podemos afirmar que a medida foi bem recebida no ambiente acadêmico, principalmente graças à abertura e à generosidade da juventude brasileira.As políticas de ação afirmativa devem passar ao largo da discussão político-ideológica, ao contrário do que quis fazer crer um pré-candidato à Presidência da República, em artigo publicado recentemente nesta Folha.É, na verdade, uma questão de reparação histórica, que deve ser consolidada enquanto política permanente do Estado brasileiro até que tenhamos uma sociedade com relações étnicas mais equilibradas. O que significa igualdade de oportunidades para todos.Para tanto, é preciso tratar os desiguais de forma desigual, elevando os desfavorecidos ao mesmo patamar de partida dos demais.
EDSON SANTOS , 54, deputado federal pelo PT-RJ (licenciado), é o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República.Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
debates@uol.com.br
São Paulo, domingo, 10 de maio de 2009

Edson Santos: Multilateralismo e ações afirmativas
TENDÊNCIAS/DEBATES. Folha de São Paulo.

Dificuldades dos migrantes europeus são retratadas em "Import Export"

09/05/2009 - 17h01

Dificuldades dos migrantes europeus são retratadas em "Import Export"; veja trailer

da Folha Online


A enfermeira ucraniana Olga (Ekateryna Rak), mãe de uma criança cuidada pela avó, procura uma vida melhor na Áustria. Enquanto isso, o segurança austríaco desempregado Paul (Paul Hofmann), que vive com a mãe e o padrasto, tem o mesmo objetivo na Ucrânia. Os personagens não conseguem romper os laços familiares e precisam da ajuda de seus parentes para conseguir tocar a vida.

O longa "Import Export", que disputou a mostra competitiva em Cannes neste ano, estreia neste fim de semana. O diretor e roteirista é austríaco Ulrich Seidl, responsável pelo documentário sobre os bastidores da indústria da moda "Models". Veja o trailer.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u560932.shtml

sábado, 9 de maio de 2009

ESQUECEMOS DE ANISTIAR O WILSON SIMONAL

O brasileiro adora esquecer e/ou perdoar. O Collor, por exemplo, fez o que fez e acho que já foi perdoado. Eleições futuras, em Alagoas e no Brasil, irão comprovar isso. O próprio PC já está sendo visto com certa simpatia pelos coleguinhas da imprensa. Os Sete Anões, vocês se lembram deles? Não deu em nada. E nem vai dar.
O Jânio que, com a sua renúncia, em 61, levou o Brasil a mais de trinta anos de incertezas e atrasos, foi depois perdoado e os paulistanos o colocaram na cadeira de prefeito que deveria ter sido de FHC. O Paiacã, que fez aquela sacanagem toda, já foi perdoado e esquecido. O Zico, que perdeu aquele pênalti contra a França na Copa de 86 já foi perdoado. Até mesmo o Joaquim Silvério dos Reis, hoje em dia é apenas mero tema para vestibulandos.
O que há de comum entre o Collor, o PC, os Sete Anões, o Jânio, o Paiacã, o Zico e o Joaquim Silvério? São todos brancos. Uns, bandidos. Outros, como o Zico, brasileiros da maior dignidade. Mas todos, brasileiros brancos.
Toda essa introdução acima é para falar do Wilson Simonal. Você sabe quem foi (ou quem é) Wilson Simonal? Um dos mais queridos e requisitados cantores dos anos sessenta. Bonachão, cheio de swing, uma voz afinadíssima, com uma inteligência rápida e rara no programa Essa Noite se Improvisa, brilhava ao lado de Chico, Caetano, Carlos Imperial, Gil, Roberto Carlos, Jair Rodrigues, Ellis. Um dia ele fez o Maracanãzinho cantar com ele, durante mais de meia hora, o Meu Limão, Meu Limoeiro. Quem não se lembra dele cantando Sá Marina? Naquele tempo o Brasil, na voz do Simona era mesmo Um País Tropical.
Pois um dia o falecido jornal O Pasquim (onde tive a honra de trabalhar em 72 e 73), há já distantes vinte e cinco anos, disse, em letras garrafais, na primeira página, que o Simonal era dedo-duro. Que ele teria entregue um ex-funcionário para "os homens". Pudera: um crioulinho daquele, com um dos maiores contratos publicitários da época - com a Shell, multinacional do imperialismo! - andando pra cima e pra baixo numa Mercedes branca com estofamento vermelho, boa coisa não podia ser. A esquerda caiu de pau, chicotes e archotes em cima do "malandro". Nunca ficou clara a acusação. Nem pretendo discutir isso aqui. O Simonal sumiu. Sumiu o homem e a carreira, a voz e a alegria do "champinhon". Soube, através do filho dele, o também músico Simoninha (de quem tenho o prazer de ser amigo) que ele quase morreu no ano passado. Não há fígado que resista a uma acusação de 25 anos. Todos os fígados do Brasil já foram anistiados. Menos o do Simonal.
Semana passada vi o Simonal num memorável programa da deliciosa Hebe Camargo. Está magro, abatido, mas a voz é firme, gostosa como sempre. De vez em quando, a imprensa entrevista o Simonal. Mas sempre, sempre, sempre, da primeira à última pergunta, o tema é o mesmo, e ele, quase desesperado, diz que aquilo já passou. Não passou não, Simonal. Você foi marcado para sofrer, por todos nós da esquerda, daquela e naquela época. Acho que o buraco é mais embaixo.
E foi pensando no Simonal que eu me lembrei do Barbosa, goleiro da seleção de 50. Barbosa, tão preto quanto o Simonal, levou um gol do Gighia no segundo tempo e o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai. De quem foi a culpa? Daquele crioulo safado. Desde então (e lá se vão 45 anos) nunca outro negro foi goleiro da seleção canarinha. Pelo contrário, são sempre jovens bonitos, que não falam nem menas nem qüestã, altos, alguns até loiros: Ado (mais bonito do que goleiro), Leão (que sempre pintou o cabelo), Carlos (o elegante), Waldir Perez (o careca sensual), Taffarel (o ariano puro), Zetti (o bom menino), Felix (baixo, mas branco), Castilho (um lord), Gilmar (a elegância em pessoa). Barbosa (negro) jamais foi perdoado. A culpa foi dele, já que deveria ser de alguém.
Simonal é o nosso Barbosa, levando petardos de todos os gighias brasileiros. Uma bola (ou uma bala) perdida passou por baixo dele e atingiu a sua alma negra. Um pai que tem um filho como o Simoninha, não pode ser ou ter sido tão perigoso e fdp assim. Num momento que o Brasil oferece exemplo de democracia e dignidade interna e externamente, é hora de se anistiar o Simonal. Que ele volte com sua voz gostosa e seu jeito de malandro aos palcos do Brasil. Deixemos que ele entre novamente em nossas casas, pela porta da frente. Ou pela gaveta de um CD.
Vamos anistiar o homem enquanto ele está vivo. Ele e nós.
O ESTADO DE SÃO PAULO. 16-01-1995

Filme investiga relação de Wilson Simonal com a ditadura militar

Em 2002, quando começou a buscar patrocínio para um documentário sobre Wilson Simonal (1939-2000), o humorista Cláudio Manoel encontrou dois tipos de pessoas: as que não se interessavam, por desconhecer quem tinha sido Simonal, e as que diziam coisas como "não quero me meter nisso", "para que mexer nessa história?".
"Ninguém Sabe o Duro que Dei", filme de Manoel, Micael Langer e Calvito Leal que será lançado no festival É Tudo Verdade (no próximo sábado, no Rio, e nos dias 4 e 5 de abril no CineSesc, em São Paulo), é o primeiro olhar do cinema sobre esse homem que, como diz Nelson Motta no documentário, "virou um tabu, um leproso, um pária" na música brasileira.
O degredo começou em agosto de 1971, quando sua popularidade como cantor só era superada (e não por muitos pontos) por Roberto Carlos. Suspeitando de que seu contador o roubava, ele mandou dar-lhe uma surra.
O problema é que a surra foi dada por dois agentes do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), serviço público cuja especialidade era torturar adversários da ditadura militar --e falsos adversários também. Um inspetor, Mário Borges, disse à imprensa que Simonal era informante do Dops, e a pecha de dedo-duro nunca mais se descolou dele, jogando-o num longo ostracismo.
"Ele pagou uma pena dura demais, desproporcional para uma surra, porque sua condenação foi até o fim da vida. Para ele, não teve anistia", afirma Manoel, da trupe Casseta & Planeta.
Mas o documentário não é uma defesa de Simonal. Por um lado, até piora sua situação, pois os três diretores, empenhados em saber o máximo sobre o que aconteceu, contrataram um detetive para localizar Raphael Viviani, o contador que foi o pivô da história.
Viviani diz no filme que foi torturado com choques elétricos no Dops e só aceitou assinar uma confissão do roubo --que ele nega ter cometido-- quando ameaçaram pegar sua família.
Talvez a história tivesse terminado aí, não fosse sua mulher ter dado queixa do seu desaparecimento. O delegado resolveu investigar o caso, viu Viviani todo machucado e chegou ao nome de Simonal.
Ingenuidade
O cantor alegou ter recorrido ao Dops porque vinha recebendo ameaças terroristas e disse, talvez para impressionar, que tinha conhecidos na polícia política. Quando, mesmo sem provas, foi classificado como informante, ele se enrascou.
"Ele foi infeliz no caminho que seguiu", afirma Viviani no filme. Por esse lado, o contador até ajuda a imagem de Simonal, pois reforça a idéia predominante no documentário: o cantor era um boquirroto ingênuo, sem consciência da gravidade da situação política de então, e morreu pela boca.
Pela surra que mandou dar, Simonal foi condenado em 1972 a cinco anos e quatro meses, que pôde cumprir em liberdade. Pela fama de dedo-duro, pagou enquanto esteve vivo --e depois também.
Em 2003, após a família pedir uma investigação sobre o caso e diante do documento de 1999 da Secretaria Nacional de Direitos Humanos informando que não havia nenhuma prova de que Simonal tivesse servido à ditadura, a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) o reabilitou simbolicamente.
"Ele dizia para mim: "Eu não existo na história da música brasileira'", conta, no filme, Sandra Cerqueira, a segunda mulher de Simonal, que acompanhou sua amargura, seu alcoolismo e sua grande raiva --o documentário tem imagens dele em programas de TV clamando inocência.
"Ele tinha uma atitude provocativa que não o ajudava a fazer amizades. Era metido a besta, um crioulo de sucesso que andava de carrão e comia as filhas dos brancos. Era um negro liberto", diz Manoel, tocando na questão racial, muito presente no longa.
Boa parte do filme cobre o "antes da queda". Aí se vê Simonal ao lado de Pelé --possivelmente o único negro mais famoso do que ele no Brasil da época--, fazendo comercial da Shell, cantando "The Shadow of Your Smile" com Sarah Vaughan, regendo o Maracanãzinho lotado e esbanjando malícia (ou pilantragem, como se dizia). "Pilantragem é o não-enchimento, o descompromisso com a inteligência", diz ele no filme, sem saber que a frase seria premonitória.
24/03/2008 - 09h08 . LUIZ FERNANDO VIANNA, da Folha de S.Paulo

Zuma assume presidência da África do Sul e promete seguir passos de Mandela

Ele se tornou o quarto chefe de Estado desde o fim do apartheid.Quase 30 chefes de Estado e de governo estiveram presentes.
Da France Presse
Jacob Zuma prestou juramento neste sábado )9) como presidente da África do Sul em Pretória e se tornou o quarto chefe de Estado do país desde o fim do apartheid, em uma cerimônia que teve a presença de Nelson Mandela, o primeiro presidente negro do país, cujos passos ele prometeu seguir.
Zuma, eleito na quarta-feira pelo Parlamento depois da vitória de seu partido, o Congresso Nacional Africano (CNA), nas eleições gerais de 22 de abril, prometeu "proteger todos os sul-africanos e incentivar o respeito de seus direitos".
Após a posse, o novo presidente disse que irá seguir os passos do Prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela, que assistiu à cerimônia, apesar da saúde frágil aos 90 anos.
"Mandela transformou a reconciliação no tema central de seu mandato (1994-1999). Não nos afastaremos desta tarefa de construção da nação", afirmou Zuma em seu discurso. "Obrigado Madiba por ter nos mostrado o caminho", acrescentou, utilizando o nome de clã de Mandela.
O presidente sul-africano, de 67 anos, prometeu ainda uma "associação para a reconstrução, o desenvolvimento e o progresso", que inclua "todos os sul-africanos, negros e brancos".
Depois da cerimônia de posse, 21 salvas de canhão foram disparadas diante do edifício da União, sede do governo sul-africano. A Força Aérea da África do Sul sobrevoou os 5 mil convidados para uma exibição.
Entre os quase de 30 chefes de Estado e de governo presentes, a maioria africanos, estava o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe. Segundo as autoridades, 30.000 pessoas assistiram à posse, apesar da chuva.
Zuma deve revelar no domingo a composição do gabinete, que terá duas prioridades: a luta contra a pobreza (43% da população vive com menos de dois dólares por dia) e a melhoria dos serviços públicos, muito criticados pela ineficiência.
09/05/09 - 11h42 - Atualizado em 09/05/09 - 11h42. G1 mundo / África do Sul.

Obama recriará tribunais de Guantánamo com novas normas

Regras vão impedir confissões obtidas após maus-tratos e darão mais liberdade para a escolha de advogados

Efe

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, restabelecerá os tribunais antiterroristas de Guantánamo com novas normas que darão mais direitos aos acusados, informa na sexta-feira, 8, The Washington Post.

Em artigo baseado em fontes governamentais anônimas, o jornal assinala que as novas regras impedirão a apresentação de confissões obtidas após maus-tratos, limitarão o uso de declarações ouvidas de terceiras pessoas e darão mais liberdade aos detidos para escolher seus advogados.

Os juízos serão reatados em território americano em vez de Guantánamo (Cuba), provavelmente em alguma base militar.

As organizações de direitos humanos americanos pediram que os tribunais especiais de Guantánamo sejam eliminados totalmente e que os detidos sejam julgados em cortes civis ou militares normais.

Segundo o jornal, o plano de manter os tribunais, embora com algumas regras novas, reflete o temor de que o governo possa perder alguns casos se julgar os prisioneiros em cortes comuns.

O governo de Obama pediu em janeiro uma suspensão dos processos em Guantánamo durante 120 dias que vence em 20 de maio e solicitará outra de 90 dias adicionais, de acordo com o jornal.

Depois desse prazo serão retomados os procedimentos paralisados, segundo o jornal.

O líder americano assinou no mesmo dia de sua posse uma ordem executiva para encerrar em um prazo de um ano a prisão de Guantánamo, na qual permanecem cerca de 241 detidos e para os quais o governo tem que buscar agora uma solução.
sábado, 9 de maio de 2009, 00:56 Estadão Online. Internacional

Justiça dispensa aluna vegetariana de dissecar animal

Decisão de juiz foi em caráter provisório;
UFRJ ainda não informou se recorrerá ou se adaptará grade curricular Estudante argumentou que há métodos alternativos de aprendizagem, que não exigem o sacrifício de animais, diz advogado
DA SUCURSAL DO RIO
Alegando objeção de consciência, a estudante do curso de biologia da UFRJ Juliana Xavier obteve liminar na Justiça Federal que a dispensa de aulas práticas que façam uso de animais vivos para fins didáticos.
Juliana já havia tentado a dispensa por meio de processo administrativo interno, mas teve seu pedido negado pela procuradoria da universidade.Segundo seu advogado, Daniel Lourenço, a estudante é vegetariana e, incomodada com a prática, argumentou que existem métodos alternativos de aprendizagem, sem necessidade de sacrifício dos animais, como a utilização de vídeos ou programas de computador.Em sua ação, Lourenço tentou também que a UFRJ fosse proibida de usar animais vivos em aulas apenas com fins didáticos, mas a decisão do juiz Adriano Gomes de Oliveira se limitou a garantir apenas que Juliana não fosse obrigada a frequentar essas aulas.
A decisão do juiz foi em caráter liminar, ou seja, ainda é provisória. A universidade não informou se recorrerá ou se adaptará sua grade curricular para cumprir a decisão.O caso será debatido pelo Conselho de Ensino e Graduação que, posteriormente, consultará a procuradoria jurídica.No processo administrativo interno, a resposta da procuradoria da UFRJ a Juliana foi de que não seria razoável adaptar o currículo de um curso devido a um aluno apenas, que alega razões de consciência.A universidade sustentou também que a estudante poderia ter escolhido outro curso, pois há várias carreiras em que não é preciso praticar a dissecação ou vivissecção (operação feita em animais vivos).PrecedenteEsta não foi a primeira decisão da Justiça favorável a um aluno que se negava a participar dessas aulas.
Em 2007, Róber Bachinski, estudante de biologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), também obteve liminar semelhante à de Juliana.A universidade recorreu, alegando que não havia notícias de abuso na utilização de animais para uso acadêmico e que não podia ser obrigada a adaptar o currículo de um curso apenas por convicções pessoais de um de seus alunos.Ainda não houve decisão definitiva em relação ao caso.


São Paulo, sábado, 09 de maio de 2009. Folha de São Paulo, Cotidiano
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0905200906.htm

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Especialidade do Estado

"O governador José Serra fez detalhado e importante relato sobre o absurdo extermínio dos armênios pelos turcos ("Nenhum genocídio deve ser esquecido", "Tendências/ Debates", 24/4).
Porém suscita algumas ponderações a sua afirmação de que devem ser contidos os que "insistem em ressuscitar o conceito de raça e criar legislações baseadas na premissa de que elas merecem tratamento diferenciado pelo Estado". Dar "tratamento diferenciado" a grupos étnicos é uma especialidade antiga do Estado brasileiro. Assim se deu na escravidão e em todo o processo de imigração. Sabe-se hoje que os esquadrões da morte mataram mais negros no Brasil do que a polícia da África do Sul em pleno regime de apartheid. O governador está preocupado com o futuro, mas é fundamental não esquecer o presente. Há mais de 20 anos a Fundação Seade revela o tratamento discriminatório dado aos negros no mercado de trabalho em São Paulo. Os que insistem na invisibilidade da questão étnico-racial desconhecem que ela está inercializada no DNA da nossa cultura de desenvolvimento, ocasionando o mais grave problema do país: a desigualdade, esta, sim, geradora permanente de ressentimentos e violência."
HÉLIO SANTOS, presidente-fundador do Conselho do Negro do Estado de São Paulo (governo Montoro) e coordenador do Grupo de Trabalho Interministerial da População Negra (governo FHC) (Salvador, BA)

Nenhum genocídio deve ser esquecido


JOSÉ SERRA

Aqueles que insistem em ressuscitar o conceito de raça devem ser contidos, sob pena de incitarem processos odiosos
O DIA de hoje, 24 de abril, lembra a campanha de extermínio movida pelo governo turco contra a população armênia em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial. Nesse dia começaram a ser executadas ordens expressas de extermínio.
Em dezenas de cidades do Império Turco-Otomano, onde conviviam pacificamente famílias de diferentes etnias, toda a população armênia masculina foi reunida à força, executada e empilhada em vales e cursos d'água. Famílias inteiras foram amarradas e jogadas vivas nos rios, com um de seus membros morto a tiros, levando todos os demais ao afogamento. Estima-se que pelo menos 1,5 milhão de armênios tenham sido assassinados. Pelo menos em um caso, homens foram concentrados em uma caverna e asfixiados com o gás carbônico produzido por imensas fogueiras. Mulheres e crianças foram deportadas de todo o império para os arredores de Alepo, na Síria (que integrava o Império Otomano), e reunidas em campos de concentração.Parte da deportação se fez em trens de carga destinados ao transporte de gado. Nas centenas de quilômetros percorridos pela população feminina, a maioria a pé, grande parte das deportadas morreu de inanição ou de doença e as demais foram executadas. As razões invocadas para o massacre -uma vez que a política de extermínio é até hoje negada- foram principalmente a alegada traição dos armênios, que teriam colaborado com o exército russo no início da guerra, a necessidade de limpeza racial para converter a Turquia, então multirracial, em uma nação uniformemente turca, e o fato de os armênios serem geralmente mais educados e mais ricos do que o restante da população. Os assassinatos foram em grande número, houve deportações em massa, para dificultar a identificação dos perseguidos e limitar sua capacidade de reação ou de contar com ajuda externa. Recorreu-se à asfixia por gases, à inculpação das vítimas e, mais importante ainda, à denegação sistemática e à pressão e intimidação contra os que tentaram reconstituir os acontecimentos históricos. Nisso tudo o genocídio dos armênios foi exemplar. Os fatos foram amplamente registrados, na época, pela imprensa americana e europeia, com destaque aos jornais britânicos. Documentos diplomáticos de diversos países relatam os massacres sistemáticos da população armênia masculina e a deportação em massa das mulheres com tudo o que isso implicava de estupros e mortes por doença e inanição, sem excluir o massacre final. Líderes daquele tempo referiram-se ao extermínio -como Winston Churchill, em seu livro "The Aftermath"- e ninguém menos do que o controverso Kemal Ataturk, que viria a ser considerado o pai do moderno Estado turco, reconheceu em 1920 a existência do massacre, considerando-o "um ato vergonhoso". Não obstante suas diferenças relevantes, não há dúvida de que o extermínio dos armênios foi precursor no século 20 do genocídio judaico. O próprio Hitler, que concebeu e executou o Holocausto dos judeus, teria feito a comparação com a política nazista de deportação e extermínio em massa de poloneses: "Afinal, quem ainda fala sobre os armênios?". Mas ainda se fala, sim. Há relatos detalhados das atrocidades, um volume impressionante de resultados de pesquisas arqueológicas e, principalmente, depoimentos de vítimas que escaparam dos massacres. Uma versão romantizada, mas não menos realista do massacre e das deportações iniciadas em 24 de abril, é o extraordinário filme dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani, "La Masseria delle Allodele" ("A Casa das Cotovias"). Com sua conhecida sensibilidade e sofisticação de narrativa, os Taviani mostram o terrível emaranhado de sentimentos que uma situação de extermínio provoca dentro de uma família e de uma comunidade, com suas renúncias e cobiças, seus pequenos heroísmos e traições, e sua dor sem medida, que tanto desumanizam algozes e vítimas. A noção de crime contra a humanidade pressupõe a ideia de negar às vítimas de uma campanha deliberada de extinção a própria condição de seres humanos, com seu direito inerente à existência. Esse é, aliás, o passo mais extremado de uma atitude que começa com o preconceito, estende-se à discriminação e culmina com o racismo. De fato, todos os processos conhecidos de extermínio em massa têm como pressuposto a superioridade de um credo ou de uma raça e a consequente inferioridade de outra. Aqueles que, em pleno século 21, insistem em ressuscitar o conceito de raça e em criar legislações baseadas na premissa de que elas merecem tratamento diferenciado pelo Estado devem ser contidos em suas ações e pretensões, sob pena de incitarem, em algum momento do futuro, processos odiosos que não podem ser aceitos pela humanidade. Por isso, nenhum genocídio deve ser esquecido, todos devem ser lembrados, seus responsáveis execrados, suas causas e motivações sempre pesquisadas e analisadas, suas brutalidades reconstituídas, suas vítimas homenageadas. Nunca esquecer para que não volte a acontecer.
JOSÉ SERRA, 67, economista, é o governador de São Paulo. Foi senador pelo PSDB-SP (1995-2002) e ministro do Planejamento e da Saúde (governo Fernando Henrique Cardoso) e prefeito de São Paulo (2005-2006
TENDÊNCIAS/DEBATES. São Paulo, sexta-feira, 24 de abril de 2009 . Folha de São Paulo, Opinião.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0705200918.htm

Fazenda alvo de operação integra grupo de Cabrera, que comandou Agricultura no governo Collor
PABLO SOLANODA AGÊNCIA FOLHA
Uma operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério Público do Trabalho localizou 184 pessoas em situação análoga à de escravo em uma usina de cana, em Limeira do Oeste (834 km de Belo Horizonte, em Minas).
A propriedade pertence ao Grupo Cabrera, de Antonio Cabrera, ministro da Agricultura do governo Collor (1990-1992) e secretário de Estado da Agricultura do governo paulista de Mário Covas (1995-2001).A fiscalização, realizada em abril com o apoio da Polícia Federal e divulgada ontem, encontrou trabalhadores com jornadas consideradas excessivas e com equipamentos de proteção inadequados, de acordo com o procurador do Trabalho Eliaquim Queiroz.
Os alojamentos também foram classificados como irregulares.Após a operação, foi feito um acordo judicial, que permitiu a 86 trabalhadores a possibilidade de retornarem ao trabalho na usina após adequações.Cabrera solicitou que constasse de ata "sua discordância quanto à existência de condições de trabalho degradantes ou análogas à de escravo na fazenda Bela Vista [local da lavoura de cana]", conforme aponta o termo da audiência.Aos finais de semana, afirma o procurador, a jornada de trabalho poderia chegar a quase 18 horas para operadores do plantio mecanizado, técnicos agrícolas e auxiliares. Segundo ele, os funcionários do plantio e corte manuais foram submetidos a jornadas de 10 e 12 horas. Esse cálculo considera também o tempo gasto no transporte.
A fiscalização interditou equipamentos usados na lavoura e dois ônibus que transportavam trabalhadores. Todas as atividades de corte e plantio também estão impedidas, de acordo com o Ministério Público do Trabalho.O acordo judicial prevê que todos os trabalhadores recebam entre R$ 500 e R$ 1.800 de indenização por danos morais. Os 98 que optaram pela rescisão do contrato poderão solicitar seguro-desemprego.A fazenda também pagará R$ 120 mil por danos morais coletivos. O dinheiro será aplicado em ações sociais.O site do Grupo Cabrera afirma que a usina está sendo implantada com um investimento de R$ 143 milhões. A primeira moagem de cana está prevista para este ano.
São Paulo, quinta-feira, 07 de maio de 2009. Folha de São Paulo, brasil

FESTA de JONGO no QUILOMBO SÃO JOSÉ VALENÇA - RJ

Dia 16 de maio de 2009 - Sábado - a partir das 10h da manhã
Festa de Jongo em Homenagem aos Pretos - Velhos O Quilombo São José é uma comunidade centenária onde moram cerca de 200 negros de uma mesma família ancestral, que, durante a escravidão, trouxe de Angola para as fazendas de café da região Sudeste do Brasil-Colônia a dança do Jongo.
O jongo é uma dança de roda considerada uma das origens do samba e é reconhecida pelo Governo Federal como Patrimônio Histórico Nacional. O Quilombo São José é o berço do jongo, e fica no Município de Valença, Rio de Janeiro, terra da lendária jongueira e sambista Clementina de Jesus.
Essa família permanece unida há 150 anos na mesma terra e mantêm ricas tradições como o jongo, a umbanda, o calango, o terço de São Gonçalo, a medicina natural, rezas e benzeduras, a agricultura familiar entre outras. A comunidade até hoje é composta inclusive por diversos idosos com mais de 90 anos e até 4 anos atrás não possuía luz elétrica. A floresta, as casas de barro com telhados de palha, o candeeiro, o ferro à brasa e o fogão de lenha ainda fazem parte do cotidiano.
No último dia 02 de fevereiro de 2009 o Presidente do INCRA ( Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA ) assinou a portaria de titulação das terras Quilombo São José em prol de seus moradores ancestrais e encaminhou o processo para a assinatura final do Presidente Lula, última etapa para a desapropriação dessas terras, que até hoje não pertencem a comunidade, num processo que já dura dez anos.
Programação da Festa 10 horas - Missa afro ao ar livre 12:30 horas - Feijoada 13hs - Folia de Reis de Valença 13: 30 hs - Ciranda de Tarituba - Parati 14:00 hs - Capoeira, Maculele e Samba de Roda 15:00 hs - Boi Pintadinho e Mineiro Pau de Miracema 15:30 hs - Jongo do Quilombo São José 16:00 hs - Jongo de Barra do Piraí 16:30 hs - Jongo de Pinheiral e Arrozal 17:00 hs - Jongo de Quissamã 18 hs - Confraternizaçã o entre os grupos 19 hs - Benção da fogueira pela matriarca da comunidade, Mãe Tetê 19:30 hs - Homenagem aos Pretos-Velhos e Início da Roda de Jongo na beira da fogueira com a participação de todos os presentes. 21 hs às 7 hs da manhã - Baile de Calango intercalado com Roda de Jongo na fogueira até o sol raiar. Durante toda à noite e madrugada barraquinhas venderão comidas típicas e artesanatos do local e serão assadas batatas na fogueira. Domingo 8:00 hs - Café da manhã 9:00 hs - Jogo de futebol da comunidade e visitantes 12:00 hs - Encerramento da festa Entrada franca
Como chegar: Dois ônibus levarão os visitantes interessados e saem às 8 hs da manhã em ponto de sábado (16 de maio) da Fundição Progresso, Lapa. Um dos ônibus retorna do Quilombo no mesmo dia às 20 hs e o outro na manhã de domingo. Reserve seu lugar pelos tels: (21) 2222.3458 ou 9724.9449 ( falar com Rodrigo ) no horário comercial ( 10 às 18 horas ) de segunda a sexta feira. ou entre em contato por esse email jongo@quilombosaojo se.com.br .
VAGAS LIMITADAS !!! Reserve imediatamente a sua vaga nos ônibus que saem do Rio !!! As vagas esse ano são super limitadas !!!O preço de ônibus comum da rodoviária é bem mais alto e as vagas nos ônibus fretados já estão acabando. Não deixe para depois, pois esse ano a festa está muito procurada.
Pra chegar de carro: O Quilombo fica há duas horas e meia de carro do centro do Rio. 1º OPÇÃO - Pegar a RJ-SP ( Dutra ) subir a Serra das Araras ( para quem sai do Rio ) entrar a direita para VOLTA REDONDA. Cruzar a cidade de Volta Redonda em direção ao bairro VOLDAC. Nesse bairro pegar a estrada nova de asfalto ( RJ 153 ) em direção à cidade de AMPARO - SANTA ISABEL do RIO PRETO . Ao chegar em SANTA ISABEL cruzar a cidadezinha em direção a Serra da Beleza (estrada de barro) que vai para Conservatória. Você está há 15 minutos do Quilombo São JoséPegar a serra em direção a Conservatória e em dentro de 10 minutos verá uma placa QUILOMBO SÃO JÓSÉ . É só pegar a direita mais 10 minutos de estrada de terra e você chegou !!!!! 2º OPÇÃO: Pegar a estrada Rio-SP entrar na saída para Piraí - Barra do Piraí e atravessar Barra do Piraí em direção a Valença. Após o trevo seguir em direção a cidade de Conservatória ( entrar a esquerda para Conservatória e não à direita para Valença, ). Atravessar a cidade de Conservatória (Cidade das Serestas) e subir a Serra da Beleza (estrada de barro). Após a 4º ponte, no 18º Km ( aprox. ) da estrada de barro virar a esquerda na entrada da Fazenda São José ( seguir mais 6 km ) por essa estrada de barro secundária Hospedagem: Existe uma área para CAMPING dentro do Quilombo bem ao lado da festa. É bom levar barraca para quem quiser descansar um pouco. Existem também pousadas próximas nas cidades vizinhas de Conservatória e Santa Isabel.
Reservas e informações ligar para: tels. 21 2222.3458 ou 9209.7096( falar com Leco ) no horário comercial ( 10 às 18 horas ) de segunda a sexta-feira. ou entre em contato por esse email jongo@quilombosaojo se.com.br .
Realização: Associação de Moradores do Quilombo São José Parceria:
SESC Rio de Janeiro