quinta-feira, 7 de maio de 2009

Plano de Ação Brasil-EUA contra o Racismo tem rodada de debates em Washington

Washington – Reunidos na sede do Departamento de Estado dos EUA, representantes dos governos, do setor privado e da sociedade civil brasileira e norte-americana realizaram na última quarta e quinta-feira (28 e 29/04) uma nova rodada de debates do Plano Brasil-Estados Unidos de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial.O Plano de Ação, assinado em março do ano passado pelo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e pela então secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, tem o objetivo de estimular a colaboração para eliminar a discriminação étnica e racial e promover a equidade de oportunidades em ambos os países. Entre os eixos de cooperação estão: preservação da memória, trabalho e renda, habitação, e acesso à justiça e ao crédito, com foco na educação.
As atividades tiveram início com apresentações do ministro Edson Santos, do embaixador brasileiro em Washington, Antonio Patriota, e do secretário assistente para o Hemisfério Ocidental dos EUA, Thomas Shannon. Além do grupo de trabalho formado pelo tripé governo-empresariado-sociedade civil, estavam presentes à abertura congressistas americanos, e estudantes negros da Bahia e do Rio de Janeiro que participam nos Estados Unidos do programa de intercâmbio LEVANTAMOS – iniciativa integrante do Plano, com ênfase em relações empresariais.Na sequencia foram realizados painéis sobre Preservação da Memória da Diáspora Africana, Comunicação, Acesso à Justiça, Educação Multicultural e Responsabilidade Social do Setor Produtivo. Após dois dias de discussão e a apresentação de diversas propostas, a reunião do Plano de Ação foi encerrada por encontros setoriais entre os representantes de governo e da sociedade civil. No encontro governamental a SEPPIR cobrou do Departamento de Estado dos EUA um posicionamento quanto ao projeto de sensibilização de policiais sobre questões étnicas. A iniciativa, idealizada no âmbito do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça, está pronta e definida pelo lado brasileiro.Foi definido ainda que Salvador (BA), a capital brasileira com o maior percentual de população negra, será a sede da próxima rodada de debates do Plano de Ação, programada para acontecer em outubro deste ano.
7 a 14 de Maio de 2009 Edição nº 185 - ano 05. Destaque Seppir.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DIREITOS HUMANOS

ONGs acusam Brasil na ONU de tortura e violência contra pobres
DA REPORTAGEM LOCAL
O governo do Brasil passou pelo constrangimento de ouvir, nos últimos dois dias, na 42ª sessão do Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU, em Genebra, denúncias que o responsabilizam pela violência praticada contra a população, em especial a mais pobre.O país foi denunciado em relatórios apresentados pelas ONGs Justiça Global, Movimento Nacional de Meninos, Meninas de Rua, a Organização Mundial Contra a Tortura e o Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher. São citados casos de mortes e torturas em presídios, de violência policial em favelas e de ação de milícias.O encontro avalia o cumprimento do Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais pelos países. O governo do Brasil apresentará hoje um relatório positivo sobre isso.O texto das ONGs é um documento alternativo. Um dos casos citados foi o de maus-tratos, tortura e superlotação do presídio Urso Branco, em Rondônia. "Há uma clara criminalização da pobreza. A maior parte das vítimas é pobre, moradora de favelas e negra", diz Tamara Melo, da Justiça Global.A advogada cita os "autos de resistência" -documento policial criado com a finalidade de registrar mortes causadas por resistência à prisão. Segundo ela, o registro é usado no Rio para encobrir homicídios resultantes da violência policial: "Não é só uma política do poder público, há parcelas da sociedade que aceitam e aplaudem essas ações". (ANA FLOR)
São Paulo, quarta-feira, 06 de maio de 2009. Folha de São Paulo. brasil
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0605200918.htm

terça-feira, 5 de maio de 2009

Postagem, a pedido, envolvendo a postagem do dia 01-05-09 intitulada: Professor da UFRGS é condenado por racismo

A pedido do Senhor Cleyton Gerhardt estou postando o texto abaixo, relacionado com a postagem do dia 01-05-09 intitulada: Professor da UFRGS é condenado por racismo



Caros, perdão pela nova invasão de seus respectivos emails, mas, como o caso teve consequências um tanto imprevistas relacionadas às implicações negativas resultantes da notícia vinculada pelo “portal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região” e da manobra jornalística protagonizada pelo jornal Zero Hora por conta da publicação de uma "nota" em sua página online sobre o caso em questão (ver links ao final do texto), tomo a liberdade de importuná-los mais uma vez com algumas reflexões sobre o modo como foi divulgado a notícia de que um professor da faculdade de agronomia da UFRGS foi condenado pela justiça do estado do Rio Grande do Sul por racismo (aos que não receberam minha mensagem anterior reproduzindo a matéria da Zero Hora, ela está no final do email).

Para pensar criticamente a vinculação da matéria ”Professor da UFRGS é condenado por racismo”

Primeiro ponto básico:

O texto virtual do jornal Zero Hora diz ao final: “a Justiça do RS preferiu não revelar o nome do professor”. Esta é uma interpretação possível e coerente, sem dúvida, do teor da nota do “portal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região” (origem primeira do fato relatado), visto que aí não consta, em nenhum momento, o nome do misterioso professor, José Antônio Costa. Contudo, a idéia que passa, pela matéria, é que a responsabilidade de ZH não ter publicado seu nome seria da justiça e não do jornal, o que não corresponde, visto que não há qualquer menção na nota do portal do tribunal em relação à proibição da divulgação das pessoas envolvidas, de parte a parte (ou seja, réu e vítima). O portal simplesmente não menciona o nome de José Antônio Costa.
Este efeito, produzido por ZH, de jogar a responsabilidade pela não divulgação do acusado para o judiciário pode ser comprovado através dos próprios comentários feitos pelos leitores. Assim, uma pessoa que se identificou como Ricardo, por exemplo, disse então: “a imprensa não tem o poder de ir contra o judiciário! Se o nome foi mantido em sigilo, seria falta de ética do jornalista divulgá-lo”. Ora, ao contrário do que foi dito pelo Ricardo, o que ocorreu foi que o jornal se negou (e se nega até agora) a divulgar a identidade de José Antônio Costa por razões internas e não por algum tipo de impedimento externo. Fato este que pudemos comprovar, eu e pelo menos mais 4 pessoas, pois mandamos, no espaço dos “comentários”, mensagens em que citávamos a identidade do acusado e elas não foram parar na página da ZH, ou seja, foram censuradas, sendo que, mais grave, nenhuma explicação (a não ser o silêncio) foi dada a quem as escreveu.
Todavia, ZH poderia alegar então que tal procedimento feriria os “termos e condições para publicação de comentários” do próprio jornal (ou seja, princípios internos), aos quais temos de aceitar para postar mensagens. Neste caso, ao menos dois pontos dos “termos” (que podem ser lidos antes de enviarmos mensagens) se prestam a isso: publicar comentários que “sejam falsos ou infundados” ou que “invadam a privacidade de terceiros ou manifestamente os prejudique”. Sobre o primeiro ponto, é óbvio que jornalistas e responsáveis pela editoração de matérias possuem autonomia para buscar saber mais sobre as informações relatadas, sendo facílimo a comprovação da identidade do indiscreto agrônomo José Antônio Costa através de uma simples pesquisa via Google, onde há sites de blogs e jornais com divulgação nacional que, ao contrário de ZH, publicaram sua alcunha (ver lista ao final). Quanto ao segundo ponto, não se trata de invadir “a privacidade de terceiros”, visto que estamos falando de um processo jurídico que, além de não correr em sigilo de justiça, refere-se diretamente a alguém que está sendo acusado pela procuradoria de justiça do estado do Rio Grande do Sul. Disso, só posso pensar que, no presente caso, há uma espécie de “solidariedade de classe” (ou seria de cor?) entre um veículo de comunicação de massa e um professor universitário (agora já aposentado).
Segundo ponto
Todos aqueles (incluindo o descuidado José Antônio Costa) que participaram ou que possuem conhecidos que participaram da cena em questão sabem que houve um "erro" de reportagem por parte do portal do tribunal de justiça, visto que a comparação feita pelo então professor não foi "negro é que nem soja", mas, sim, "negro é que nem inço, uma vez que nasce é difícil de matar". Como diz a mensagem de uma amiga (enviada a mim imediatamente após ela ler a nota da ZH) que estava presente no dia, “a comparação nem foi com a soja, foi com 'inço', o que naquele contexto foi infinitamente pior”.
Ora, tal "equívoco" faz toda a diferença. A começar pelo fato da soja ser uma planta comestível (ou seja, é, entre outras coisas, alimento, portanto, se não é algo sagrado, ao menos isso lhe dá uma conotação positiva). É também vista como economicamente importante para o país (o que seria do nosso PIB sem ela?) e produtivamente estratégica (visto que faz parte de várias cadeias produtivas). Em suma, a palavra "soja" tende, quando numa circunstância descontextualizada, a ser vista como algo, se não bom, no mínimo, como um substantivo um tanto neutro. Isso, por sua vez, tem como efeito suavizar a frase dita pelo auspicioso José Antônio Costa, afinal, ele estaria comparando negros com uma planta que alimenta nossa população ou, então, com algo que traz benefícios econômicos para o país. Já “inço”, como sabemos, é uma “praga”, um estorvo, algo que incomoda, que precisa ser extirpado, morto, envenenado para que, justamente, a soja possa florescer.
E aqui há outro aspecto problemático, que se refere ao fato de não haver nenhuma informação sobre o contexto da afirmação em questão. Até onde sei, pelos relatos das testemunhas envolvidas que pude ter acesso por fazer agronomia na época, o especialista em plantas oleaginosas José Antônio Costa estava, no momento em que disse “inço é que nem negro”, apresentando plantas daninhas (também ditas, pragas e invasoras) que tendem a infestar as lavouras de soja. Sobre isso, não deixo de pensar no simbolismo da associação. Pela comparação do metafórico José Antônio Costa, se atentarmos para a proximidade da cor da semente de soja a minha própria cor (branca), vemos que os inços (ao serem associados aos negros) estariam atrapalhando o pleno desenvolvimento da soja (ou seja, de nós brancos).
Mas há mais sobre este ponto. Do jeito que foi publicada a matéria, a ambigüidade presente tem como efeito suavizar os comentários de José Antônio Costa tanto para os que vêem a soja como algo intrinsecamente positivo para o país como para aqueles que possuem uma visão crítica sobre a expansão do cultivo de tal planta. Do modo como foi escrita e colocada a frase ("soja é que nem negro, uma vez que nasce é difícil de matar"), levando-se em conta o contexto ideológico que cerca a agricultura brasileira, é de se imaginar que, para um leitor minimamente informado ou iniciado nos "assuntos agrários", nosso ingênuo e brincalhão José Antônio Costa estaria, naquele momento, tecendo algum tipo de crítica em relação ao cultivo da referida oleaginosa (por exemplo, no sentido da expansão da área ocupada por esta planta ser responsável pela monoculturalização de grandes extensões de terra, concentração fundiária ou, ainda, pelo desmatamento na Amazônia e no Cerrado). Assim, por mais que se pudesse condenar a associação feita, muitas pessoas concordariam que, de fato, considerando a importância e o poder político e econômico do agronegócio brasileiro, poderíamos dizer, ainda que metaforicamente: "soja é difícil de matar".
Ora, como é sabido por todos que conviveram com este senhor, seu pensamento vai na direção exatamente contrária. Lembro, por exemplo, como aluno de agronomia da referida universidade, de uma aula, lá por 1996, em que ele apresentou um quadro numa lâmina (para os não familiarizados, nosso power point da época) com o "zoneamento" agronômico da soja no Brasil, sendo que a cor amarela indicaria áreas para "potencial cultivo". Pasmem, TODA a Amazônia estava amarela. Neste particular, torço apenas para que o profético José Antônio Costa esteja equivocado e o tal “potencial” nunca se realize cineticamente.
Terceiro ponto:
Há também a dificuldade de se aceitar a troca involuntária da pessoa que redigiu a nota do termo "inço" por "soja". Mais adiante, o autor do texto que consta no portal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, reproduzida pelo jornal ZH, ao apresentar a defesa do espirituoso José Antônio Costa, escreve que este "valera-se de ditado corrente na zona rural, costumeiro em agricultores de origem italiana, que teria um conteúdo positivo, relativo ao vigor da raça negra" (ué, cientistas não gostam de dizer que “raça” não existe?). Para começar, seria ao menos controverso, entre agrônomos e agricultores, este suposto caráter "vigoroso" e "difícil de matar" da soja. Mas, além disso (e principalmente), amigos da serra garibaldina e de Dois Lajeados, me ajudem, é comum por lá se dizer que "soja é que nem negro"? Bom, se for, como dizem, vivendo e aprendendo. Em todo caso, creio que, por tabela, meu suposto bem intencionado colega José Antônio Costa acabou, mais do que agredir negros, acusando “agricultores de origem italiana” de serem racistas (seja a associação feita com soja ou com inços).
Mesmo assim, se tomarmos a frase acima como verdadeira (o que, repito, não é o caso), tanto a comparação com o “vigor da soja” como o “vigor do inço” em relação ao “vigor da raça negra” lembra prática corrente entre intelectuais brasileiros pelo menos até a década de 1930. Afinal, no início do século XX, vários trabalhos (ditos científicos à época) foram publicados tendo como premissa a idéia de que "brancos" seriam intelectualmente mais desenvolvidos (mais inteligentes), "negros" seriam fisicamente mais fortes (mais “vigorosos”) e "índios" seriam emotivamente mais sensíveis (mais sentimentais), reforçando a idéia de que, na sociedade brasileira, seria cada macaco no seu galho, ou seja, cada um deveria exercer o seu papel vocacional. Bom, pelo menos nosso saudosista José Antônio Costa poderia, se tivesse pesquisado a literatura desta época, ter achado alguns autores e "artigos científicos" para “embasar” e respaldar sua defesa. Pena suas referências serem, caso assim tivesse procedido, demasiado centenárias.
Quarto ponto.Outra emboscada textual pode ser vista depois do trecho citado no parágrafo anterior. Diz a reportagem, após apresentar a defesa do acusado de que as frases "("os negrinhos da favela só tinham dentes brancos porque a água que bebiam possuía fluor" e "soja [inço] é que nem negro, uma vez que nasce é difícil de matar") teriam sido ditas “sem intenção pejorativa” e com “um conteúdo positivo”: “entretanto, conforme alunos que testemunharam o fato, ele teria se retratado ao final da aula e em aulas posteriores tentado intimidar o aluno ofendido”. Em primeiro lugar, não foi apenas um aluno que se "ofendeu"; vários colegas ficaram indignados. Mas, ora, o que este “entretanto” está fazendo na frase? Reparem: apesar da alusão à intimidação posterior que teria sido feita pelo vivaz especialista José Antônio Costa, parte do argumento que vem depois da referida conjunção "entretanto" não contrapõe o que é dito na frase anterior. Como resultado, o contraditório (função deste operador argumentativo em uma frase qualquer) fica comprometido. O que segue é um reforço inicial ao que foi dito ("entretanto, ele teria se retratado ao final da aula") seguido da conjunção aditiva "e". Bom, em termos lingüísticos esta última teria, em princípio, a função de somar uma idéia a outra que a complementa. Só que o "e", no caso, liga uma frase cujo sentido, paradoxalmente, contradiz a primeira ("e em aulas posteriores tentado intimidar o aluno ofendido"), indo, portanto, na direção contrária do argumento anterior. Quer dizer, além das frases iniciais (que trazem as afirmações “sem intenção pejorativa” e com “um conteúdo positivo”) possuírem uma conotação favorável ao gracejador José Antônio Costa, a frase posterior, em que esperaríamos o contraditório, defende, ainda que parcialmente, o suposto injustiçado mais uma vez. Para o leitor desavisado, o efeito é, no mínimo, produzir um embaralhamento de idéias. Da mesma forma, dificulta a compreensão de que é dito, pois torna fraco o efeito (no leitor, pois retira visibilidade textual) da afirmação de que o criativo José Antônio Costa teria "tentado intimidar o aluno". Aliás, efeito este reforçado pelo fato do que não há nenhum parágrafo trazendo argumentos dos promotores da acusação (o que se faz no início é lançar, a partir do tempo verbal apropriado, um fato apenas, no caso, duas frases soltas). Tal aspecto torna-se ainda mais grave se considerarmos que, a partir do portal do tribunal de justiça, o que este publicou foi praticamente copiado pela mídia em geral sem uma discussão ou aprofundamento maior sobre o caso.
Para terminar, creio que este caso particular ilustra como a simples (mas imprescindível) presença negra em salas de aula universitárias pode contribuir para a visualização de inúmeras situações de discriminação negativa que ocorrem cotidianamente nos meios acadêmicos. Reparem, na época em que se passou o ocorrido, o aluno que entrou com o processo contra José Antônio Costa não era só o único estudante negro presente na sala de aula do eminente professor, ele foi, durante os 7 anos em que durou minha graduação, o ÚNICO aluno negro da faculdade de agronomia. Ora, arrisco dizer que, caso este último não estivesse presente naquela desastrosa aula, muito provavelmente as frases de nosso infeliz José Antônio Costa seguiriam por um bom tempo sendo ditas e reditas. Abraços, Cleyton Gerhardt
Site do portal do Tribunal Regional Federal da 4ª Região sobre o ocorrido: http://www.trf4.jus.br/trf4/noticias/noticia_detalhes.php?id=6086Site da nota publicada pelo jornal Zero Hora:http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&channel=13&tipo=1&section=Geral&newsID=a2492975.xml Outros sites e blogs que divulgaram a nota do “portal do Trib. Regional Fed. da 4ª Região”: http://www.contextojuridico.com.br/2009/05/02/condenacao-de-racismo-para-professor-da-ufrgs/http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0105200919.htmhttp://praiadexangrila.com.br/?p=16850&cpage=1; http://luizfernandoadv.blogspot.com/2009/05/professor-da-ufrgs-e-condenado-por.htmlhttp://www.tribunaimpressa.com.br/Conteudo/Professor-da-UFRGS-e-condenado-a-pagar-multa-por-racismo,135037,60038http://e-paulopes.blogspot.com/2009/05/professor-diz-em-aula-que-soja-e-como.html Plantão do jornal Zero Hora" (29/04/2009 - 23:38): Professor da UFRGS é condenado a pagar multa por racismo MPF denunciou o docente por comentários racistas feitos em aula. Ele pode recorrer da decisãoA 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) condenou na terça-feira um professor da faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) a pagar multa civil por ato de racismo. O professor foi denunciado em ação civil pública pelo Ministério Público Federal (MPF) por ter feito em aula comentários racistas.
Conforme a denúncia do MPF, o acusado teria dito durante o primeiro dia de aula da disciplina "Leguminosas de Grãos Alimentícios", em março de 2000, as frases: "os negrinhos da favela só tinham os dentes brancos porque a água que bebiam possuía fluor" e "soja é que nem negro, uma vez que nasce é difícil de matar".
À época, foi aberta uma comissão de sindicância na faculdade, que concluiu que não havia uma conotação racista nas afirmativas do professor e que este tinha "o intuito de criar um ambiente mais descontraído no primeiro dia de aula", e ainda, que teria feito uso de expressões informais usuais no meio rural relacionadas à raça negra.
O MPF então ajuizou a ação, julgada pela 6ª Vara Federal de Porto Alegre, que foi considerada improcedente. A Procuradoria recorreu ao tribunal alegando que houve ação discriminatória e racista e que esta teria provocado constrangimento e indignação em todos os presentes e principalmente no único aluno negro presente.
O acusado defendeu-se alegando ter dito as frases sem intenção pejorativa e que valera-se de ditado corrente na zona rural, costumeiro em agricultores de origem italiana, que teria um conteúdo positivo, relativo ao vigor da raça negra. Entretanto, conforme alunos que testemunharam o fato, ele teria se retratado ao final da aula e em aulas posteriores tentado intimidar o aluno ofendido.
O relator do processo, juiz federal Roger Raupp Rios, convocado para atuar na corte, entendeu que "é inequívoca a violação dos princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade". Segundo o magistrado, um professor com o grau de intelectualidade do réu não teria como ignorar o conteúdo racista nas expressões utilizadas.
O professor foi condenado a pagar multa civil no valor de uma remuneração mensal do seu cargo universitário, que será destinada ao fundo da ação civil pública, incluídas todas as vantagens e adicionais que recebia quando ocorreu o fato. Ele poderá recorrer da decisão junto ao Superiro Tribunal de Justiça.
A Justiça do RS preferiu não revelar o nome do professor.
As informações são da assessoria de imprensa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região

CULTURA NEGRA LATINO-AMERICANA É DESTAQUE EM MOSTRA DE CINEMA

Mostra de Cinema Raízes Negras Latino-Americanas IIestará em cartaz na CAIXA Cultural RJ de 12 a 17 de maio. Entrada franca.

Retratar uma América latina negra - suas especificidades e riquezas culturais - num mosaico composto pela exibição de longas, médias e curtas-metragens; debates, palestras, mesas-redondas e a presença de cineastas, pesquisadores, produtores e artistas de países como Chile, Venezuela e Brasil.
Essa é a proposta da Mostra de Cinema Raízes Negras Latino-Americanas II que ocupará de 12 a 17 de maio de 2009 duas salas da CAIXA Cultural RJ (Avenida Almirante Barroso, 25, Centro) e também no Instituto Cervantes. Entrada franca.
A Mostra foi idealizada pela produtora peruana Rocío Salazar, que vive no Brasil há 13 anos e tem no currículo a produção de três documentários afro-peruanos.
Rocío criou no país o Encontros Latino-Americanos – projeto através do qual busca fomentar o intercâmbio de todas as manifestações artísticas latino-americanas. “A partir da minha experiência na produção desses documentários, percebi um leque de possibilidades muito interessante. Existe uma rica produção cultural nos países de raízes negras da América Latina focada nas questões afrodescendentes, mas ainda pouco difundida.
Precisamos romper com essa barreira, abrir o diálogo e interagir profissionalmente para que esse intercâmbio cultural aconteça com mais freqüência” explica Rocío.Oro Negro (Chile), Negro Ché (Argentina) e O Pecado da Intolerância (inédito de Joel Zito) são alguns dos filmes que integram a MostraA Mostra de Cinema Raízes Negras Latino-Americanas II estará reunindo 20 produções (7 filmes de película e 13 vídeos) a maioria documentários - alguns deles inéditos - oriundos de países como Peru, Equador, Chile, Bolívia, Argentina e Brasil, em exibição entre os 12 e 17 de maio nas salas de cinema da CAIXA Cultural assim divididos: Sala 1 (filmes) às 14h e 17h e Sala 2 (vídeos) às 16h e 19h.
Um dos destaques é o chileno Oro Negro que narra como vivem os descendentes de africanos que foram levados ao Chile como escravos e o desafio para serem reconhecidos em um país que está começando a tomar consciência de sua interculturalidade.Outro filme que intrega a mostra – Negro Ché - mostra a organização de um reencontro na velha Casa Suíça (Argentina), onde a comunidade afroargentina se reunia, e a luta que hoje em dia travam para sobreviver ao isolamento e assimilação que se pretende para esse grupo social naquele país.
Joel Zito Araujo exibirá na mostra o inédito O Pecado da Intolerância – filme que não passou pelo circuito comercial e que faz parte de uma série de vídeos que o cineasta dirigiu para o CEERT – Centro de Estudo das Relações de Trabalho e Desigualdades como parte de uma campanha contra a intolerância religiosa no Brasil.
Outra obra que estará em exibição na mostra é Abolição, filme emblemático de Zózimo Bulbul. O longa, que será exibido no dia 14 de maio, marcou (na época de sua produção) o centenário da Abolição da Escravatura no Brasil, descrevendo várias situações enfrentadas pelos afrodescedentes brasileiros até hoje. Após a exibição do filme, Zózimo Bulbul participará de um debate com o público.Palestras e debates reúnem Jesús Garcia - Ministro Venezuelano, Pedro Lapera, Jeferson De e Hernani Heffner
Também na CAIXA Cultural, as palestras e mesas de debates – nos dias 13, 14 e 15 de maio - terão como convidados pesquisadores, produtores e cineastas com trabalhos voltados à questão dos afrodescendentes na América Latina.
Abrindo a programação, no dia 12 na sala de Cinema 1, Pedro Lapera conduz o debate Um Olhar Sobre as Relações Raciais em Quanto Vale ou é Por Quilo? - título do estudo de Pedro sobre o filme Quanto vale ou é por quilo? de Sérgio Bianchi. Esse estudo foi publicado pela SOCINE – Sociedade de Estudos de Cinema.
Entre as mesas-redondas, destaque para o bate-papo que reúne o atual Ministro Conselheiro da Missão da Embaixada da República Bolivariana (Venezuela) em Angola, Jesús García – que juntamente com Joel Zito Araújo e uma mãe de santo brasileira – debatendo o tema Cultura Negra – a afirmação de suas expressões entre a diversidade e a intolerância.
Outros temas em debate são O Negro nas Narrativas Audiovisuais Contemporâneas reunindo nomes como Antonio Molina (Cuba), Jéferson De, Hernani Heffner, Guilherme Coelho e Tales Moreira; e Afro-descendentes na América Latina: Identidade e Identificação reunindo Pedro Amaral, Maria Cristina Prates e Claudia Serrano.No Instituto Cervantes, atores hispânicos fazem inédita leitura dramatizada da obra de Antonio Callado
No dia 15 de maio, como parte integrante da Mostra de Cinema Raízes Negras Latino-Americanas II, haverá no Instituto Cervantes a exibição do filme Oro Negro de Bruno Serrano, seguido de debate e a leitura dramatizada da obra de Antônio Callado, Pedro Mico.
O texto teatral, que está sendo traduzido para espanhol, será interpretado pelos atores hispânicos Carolina Virguez (Colômbia),Rosana Reátegui (Peru), Alvaro Pilares (Peru) , Edison Mego (Peru) e Miguel Angel Zamorano (Espanha) – este ultimo, também diretor da leitura.“A versão em espanhol de “Pedro Mico” é inédita no Rio e sua leitura ressalta a aproximação dessa peça brasileiríssima e a língua hispânica” comenta Rocío Salazar.
Quem apóia essa iniciativa A Mostra de Cinema Raízes Negras Latino-americanas II está sendo patrocinado pela CAIXA Cultural e conta ainda com apoiadores e parceiros institucionais, como o Instituto Cervantes, Casa de Criação, Restaurante Intihuasi, Hotel Payssandú, Secretaria Estadual de Educação do Governo do Rio de Janeiro, CTAv, Cinemateca do museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Centro Cultural Afro-equatoriano, Casa da América Latina, TV Comunitária do Rio de Janeiro, ITV – Instituto Tocando em Você, Lidador, Apeerj – Associação de Professores de Espanhol do Estado do Rio de Janeiro, Terra Firme Digital, entre outros.
SERVIÇO Mostra de Cinema Raízes Negras Latino-Americanas IIMostra de filmes e debates enfocando a produção audiovisual latino-americana dedicada a cultura afro-descendente. Países participantes: Peru, Equador, Chile, Bolívia, Argentina e Brasil. Período: de 12 a 17 de maio em horários diversosCAIXA Cultural RJAvenida Almirante Barroso, 25 – Centro. Sala de vídeo e cinemaInformações: (21) 2544-4080 / 1099 /7666Capacidade: sala de cinema - 85 pessoas e sala de vídeo - 83 pessoas.
Instituto CervantesExibição do filme Oro Negro, debate e leitura dramatizada da obra Pedro Mico, de Antônio CalladoRua do Carmo, 27 – Centro. Informações: 3231-6566
TODA A PROGRAMAÇÃO TEM ENTRADA FRANCA
Informações para a imprensaTarget Assessoria de ComunicaçãoMárcia Vilella / Hayla Leite – target@target.inf.brTels.: 21 2284 2475 /8158 9692 /8884 1337
Serviço: CAIXA CULTURAL RIO DE JANEIRO 12 a 17 de maio Av. Almirante Barroso, 25 - Centro Próximo à Estação Carioca do Metrô
INSTITUTO CERVANTES 15 de maio. Rua do Carmo, 27, 2o andar - CentroTel: 3231-6567
Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

GUANTÁNAMO

Justiça dos EUA ordena soltura de preso da base

DA ASSOCIATED PRESS
Um juiz federal dos EUA ordenou ontem a libertação de um prisioneiro iemenita da base militar de Guantánamo, em Cuba, preso há sete anos.Segundo o juiz Gladys Kessler, o governo americano deve tomar os passos diplomáticos para encontrar um país que receba Alla Ali bin Ali Ahmed, que foi detido no Paquistão.Kessler deu prazo até o dia 15 de junho para os EUA informarem a condição de Ahmed. Há outros presos na mesma situação.Após assumir, o presidente Barack Obama ordenou o fechamento da base até janeiro de 2010. Os EUA procuram agora países que aceitem receber os presos que correm risco de perseguição em seus países de origem.Na Câmara dos Representantes (Deputados), democratas rejeitaram ontem pedido de US$ 50 milhões do também democrata Obama para realocar os presos da base, símbolo da "guerra ao terror" de George W. Bush.Eles temem que suspeitos, muitos dos quais sem acusações formais, sejam levados para os EUA.

São Paulo, terça-feira, 05 de maio de 2009. Folha de São Paulo. Mundo

Ações afirmativas

TARGINO DE ARAÚJO FILHO e PETRONILHA BEATRIZ GONÇALVES E SILVA

Como se vê na UFSCar, o compromisso social não impede a excelência acadêmica; ao contrário, incentiva avanços


EM SEUS 39 anos de existência, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tem estabelecido metas com vistas a orientar seus talentos e suas potencialidades para a construção de qualidade acadêmica aliada a compromisso social.Esse compromisso social que a instituição se atribui tem feito com que integrantes seus, oriundos de grupos que a sociedade historicamente marginaliza, busquem compreender e apoiar demandas e iniciativas de movimentos e ações sociais.Como universidade pública, a UFSCar busca ter representada a diversidade social e étnico-racial da sociedade, e não apenas atender grupos que detêm historicamente o poder econômico, usufruem dos instrumentos mais sofisticados para se educarem, selecionam as informações a serem divulgadas pelos meios de comunicação e criam estratégias para excluir cidadãos que não pertencem a seus grupos. Dessa forma, tais grupos mantêm desigualdades e emperram iniciativas para que todos sejam iguais em direitos.Em dezembro de 2006, os conselhos Universitário e de Ensino, Pesquisa e Extensão aprovaram o Programa de Ações Afirmativas (PAA) da UFSCar. A aprovação ocorreu após debates e estudos pela comunidade acadêmica, iniciados em 2005.O PAA operacionaliza o previsto no Plano de Desenvolvimento Institucional da UFSCar, com a finalidade de promover o acesso ao ensino superior de grupos que têm sofrido perdas provocadas por discriminações, marginalização, desigualdades.Ao adotar o ingresso por reserva de vagas para egressos do ensino médio público e, dentre estes, para negros (pretos e pardos) e indígenas, a UFSCar busca coerência com sua missão de instituição pública.A reserva de vagas para negros, que vem causando tanta indignação da parte de alguns, foi adotada pela UFSCar com a finalidade de corrigir desigualdades que têm mantido os negros marginalizados dos direitos devidos a todos os cidadãos, entre eles o de educação em todos os níveis de ensino.E por que reparação? Estudos divulgados a partir de 2001, notadamente pelo Ipea, mostram constante defasagem de escolaridade, ao longo dos séculos 20 e 21, entre homens e mulheres negros e brancos, com acentuada desvantagem para os negros. Além disso, no século 20, coube principalmente às famílias negras e ao movimento negro criar oportunidades de educação para suas crianças, adolescentes, jovens e adultos.Julgamentos precipitados, relações étnico-raciais muito tensas, atitudes geradas por racismo e falsa convivência cordial impedem medidas para a real democratização da educação.É importante salientar que se classificar preto ou pardo, no Brasil, é escolha política, uma vez que ser, parecer e dizer-se branco pode trazer reconhecimento, acolhimento fácil em muitas instâncias da sociedade.Diante desse quadro, a portaria que dispõe sobre a implantação do ingresso por reserva de vagas na UFSCar institui como forma de identificação de cor/raça (preto ou pardo) a autoidentificação. No caso de contestação, solicita-se ao candidato que apresente documento próprio, dotado de fé pública, que faça alusão à sua cor/raça preta ou parda, ou que apresente documento de um de seus ascendentes diretos (pai ou mãe) em que conste ser, ele, preto ou pardo.Cabe esclarecer que raça, na categoria cor/raça, não se refere, é claro, a um conceito biológico -este, aliás, desde há muito superado. Está se referindo à construção social de raça que, por meio de atitudes agressivas, desqualifica pessoas negras. Mas também se refere à afirmação do pertencimento étnico-racial que permite às pessoas negras enfrentar as consequências do racismo.É bom lembrar que, no cotidiano, o termo raça é utilizado para indicar características físicas -entre outras, cor da pele, tipo de cabelo, feições do rosto. A utilização estereotipada do termo influencia, interfere e até mesmo determina o lugar social dos sujeitos no Brasil.É importante, para concluir, destacar que, ao final do primeiro ano de implantação da reserva de vagas na UFSCar, constatou-se, por meio de análises estatísticas rigorosas, que o rendimento acadêmico dos ingressantes pela reserva de vagas foi igual ao dos demais estudantes -e em três cursos o rendimento foi superior.Como se vê, o compromisso social não impede a excelência acadêmica; ao contrário, incentiva avanços.

TARGINO DE ARAÚJO FILHO é docente do Departamento de Engenharia de Produção e reitor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). Foi pró-reitor de extensão da universidade (1997 a 2004).

PETRONILHA BEATRIZ GONÇALVES E SILVA é professora titular de ensino-aprendizagem - relações étnico-raciais da UFSCar, pesquisadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e coordenadora do grupo gestor do Programa de Ações Afirmativas da universidade.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

TENDÊNCIAS/DEBATES. São Paulo, terça-feira, 05 de maio de 2009. Folha de São Paulo.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0505200908.htm

Filme de Spike Lee responde ao racismo de Clint Eastwood

da Folha Online

Baseado no romance homônimo de James McBride, também encarregado pela elaboração do roteiro, chegou às telas do Brasil no último fim de semana o longa-metragem "Milagre em Santa Anna", do cineasta Spike Lee. Trata-se de um épico que narra a história de quatro soldados, membros de uma divisão do Exército americano formada apenas por negros, que passam por situação delicada depois que um deles arrisca sua vida para salvar uma criança italiana.
A produção é uma resposta do cineasta ao patriotismo de Clint Eastwood em suas obras sobre a Segunda Guerra Mundial. Em junho de 2008, Lee havia criticado Eastwood por ele não ter usado um único ator negro em "A Conquista da Honra" e "Cartas de Iwo Jima".

Com a produção, Lee continua mostrando as injustiças raciais na telona, como já fez em "Faça a Coisa Certa" (1989), "Malcom X" (1992), "Todos a Bordo" (1996) e "A Hora do Show" (2000).


veja trailer:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u557471.shtml

Terça-feira, 05 de maio de 2009 . Folha On Line. Videocasts

Fé sem os limites da religião

Assim como o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, muitos cariocas também ‘flexibilizam’ suas crenças

POR NATALIA VON KORSCH , RIO DE JANEIRO
Rio - Em busca do conforto proporcionado pela religião, vale tudo: de tocar tambor a se curvar às leis do Corão, até conciliar a Torá ao livro de Kardec. Num país onde 73,6% dos brasileiros ainda se declaram católicos, o sincretismo é cada vez mais comum. No início do ano, o presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Luiz Zveiter, provocou polêmica ao mandar tirar o crucifixo do plenário e definir sua religiosidade: “Sou maçom, judeu e kardecista”. O Rio tem centros espíritas frequentados por judeus, assim como uma sinagoga messiânica onde a palavra de Jesus é propagada por novos evangélicos que mantêm a fé na Torá. “Sou judeu por tradição, mas nunca frequentei sinagoga. Meu pai, minha mãe e meu irmão são kardecistas, apesar de judeus. Nasci do ventre de mãe judia e de pai judeu, não é questão de escolha”, diz Zveiter. No gabinete, ele mantém imagens do seu guia espiritual e de um rabino. Na mesa, copo d’água cheio contra energias negativas. Segundo ele, além do berço, o que o faz judeu é guardar as tradições e praticar o bem: “Eu me considero mais judeu do que muitos judeus”. Fundadora da Sinagoga Judaico-Messiânica, no Humaitá, a pedagoga Ângela Mizhari Homfani também não se considera menos judia, apesar da fé no Evangelho: “A gente não muda de religião, apenas se completa. Celebramos todas as datas judaicas, mas cremos na Palavra de Jesus”.Trajetória familiar liberalZveiter diz que seu perfil religioso se explica pela própria trajetória familiar. “Nunca frequentei sinagoga, mas me considero mais judeu que muitos judeus. Não é questão de escolha. Quando fiz 13 anos, idade em que pela tradição o jovem comemora sua entrada no mundo adulto, não comemorei”, lembra. Ele, então, recebeu carta do pai que dizia: “Não praticamos a religião dos nossos ancestrais, o que não nos impede de ser judeus’”.Triplicou o número de não-católicos, diz IBGESegundo o IBGE, o número de brasileiros que declaram não praticar a fé católica triplicou em seis décadas. Em 1940, apenas 5% diziam ter outra ou nenhuma religião. Hoje, 15,4% declaram-se evangélicos e 1,4% kardecistas, entre outros.O pastor da Igreja Presbiteriana de Jacarepaguá Marcos Amaral, 47, é filho de umbandista e único membro da família evangélico. Por isso, defende a eterna busca pela fé: “A gente desaguou numa sociedade desalmada, sem espírito. E essa é a solução para o novo século, a retomada do sacro, onde o homem vai reencontrar seu equilíbrio. Qualquer experiência religiosa que colabore para isso é válida”. Ex-católica, ex-evangélica, ex-kardecista e atualmente umbandista, a recepcionista Cristiane Carvalho, 45, encontrou-se com o pastor Marcos em sua igreja, numa prova de que, religião à parte, a fé ainda move montanhas. “Religião é uma busca. Se eu quiser, vou continuar mudando até morrer”, garante.

02.05.09 às 22h29. O Dia. Rio
http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2009/5/fe_sem_os_limites_da_religiao_9854.html

Cia Rubens Barbot convida:

Cia Rubens Barbot te ha invitado al convidou para o evento '2ª Temporada do espetáculo "Oreino do outro mundo- Orixás"' el em movimiento.org movimento.org!

Aos amigos da Cia Rubens Barbot A Cia Rubens Barbot Teatro de Dança, convida a todos para a segunda encenação do espetáculo que emocionou o Ria de Janeiro.Cia RB

Hora: junio 11, 2009 de 8am às 9:15amUbicación Locação: Casa Alto Lapa SantaOrganizado por: Cia Rubens Barbot Teatro de Dança

Descripción del evento:A Cia Rubens Barbot Teatro de Dança, tem o prazer de convidar a todos para 2ª encenação do espetáculo "O reino do outro mundo- Orixás, eleito o melhor espetáculo de 2008, pelo Jornal do Brasil.
Acontecerá na mata da sala de ensaios da cia no bairro de Santa Teresa. A temporada começa no dia 11 de Junho e vai até o dia 02 do mês Agosto.
Ingressos: R$20,00 inteira e R$10,00 meia
Ver más detalles y enviar RSVP el Ver mais detalhes e RSVP em movimiento.org movimento.org:http://movimientolaredsd.ning.com/events/event/show?id=2358986%3AEvent%3A26911&xgi=bSXfE8H
Sobre movimiento.org movimento.org
Danza y cultura en red. Dança e cultura em rede.

Jovem é denunciado por racismo no Orkut

Um rapaz de 21 anos foi denunciado à Justiça paulista na semana passada por ser membro da comunidade do Orkut "Mate um negro e ganhe um brinde". Nela, eram divulgadas mensagens racistas e nazistas. Para o Ministério Público Federal (MPF), ele pode ter praticado, induzido e incitado a discriminação e o preconceito. O órgão não revelou o nome do acusado, cujas iniciais são R.C.. Segundo o MPF, 16 pessoas participavam da comunidade. Com exceção de R.C., todos são de fora de São Paulo. Num tópico da comunidade no qual era discutido o "brinde", R.C. teria afirmado: "Deveria ser a eliminação de todos eles e proibir a internet gratis sei la como eh neh siegheil camaradas." O Google identificou o internauta e a Justiça autorizou busca e apreensão na casa dele. Foram recolhidos materiais de cunho nazista, imagens de Hitler, o DVD Skinheads - Força Branca e o livro Diário de um Skinhead.

Terça-Feira, 05 de Maio de 2009. Estadão de Hoje. Metrópole

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090505/not_imp365555,0.php

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Relatório do Ipea revela 'racismo institucional'

O relatório "Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça", divulgado nesta terça-feira (9) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou que quase metade das mulheres negras com 25 anos ou mais nunca fizeram um exame clínico de mama (46,3%). Entre as brancas, a proporção é de 28,7%. Do total de mulheres nessa faixa etária, 36,4% nunca realizaram o teste. Na mesma faixa de idade, 25% das mulheres negras nunca se submeteram ao exame de colo de útero, enquanto entre as brancas o índice é de 17%. No País, 21% da população feminina nessa idade nunca realizaram o exame. Na avaliação dos pesquisadores, a discrepância reflete comportamentos discriminatórios dos serviços de saúde, "resultantes de preconceitos e estereótipos racistas".Para o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, esses dados mostram o menosprezo do sistema de saúde pelos que vivem em situação de pobreza, "que atinge de forma mais profunda e dura a população negra". Para combater o que chama de "racismo institucional", ele informa que o Ministério da Saúde tem R$ 3 milhões no orçamento para elaborar políticas voltadas especificamente à população negra.Na opinião da deputada Cida Diogo, é fundamental educar as mulheres para terem melhor consciência de seu corpo e da necessidade de cuidar da própria saúde. Já o deputado Carlos Santana (PT-RJ), coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Igualdade Racial, defende a realização de uma campanha nacional contra o racismo. O parlamentar também propõe políticas compensatórias, como a adoção de cotas pelas universidades.Reflexos do racismo Outro reflexo da situação de dependência da população negra são os índices relativos ao recebimento de benefícios assistenciais. Pela pesquisa, 69% das famílias que recebem Bolsa Família são chefiadas por negros. Além disso, 60% das pessoas que recebem o BPC-Loas e 68% das que recebem bolsas do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil são negras.Essas informações tornam-se mais compreensíveis quando se observa que, em 2006, enquanto 14,5% da população branca encontravam-se abaixo da linha de pobreza (renda per capita inferior a 1/2 salário mínimo), entre os negros o índice era de 33,2%. Dos brancos, 4,5% viviam abaixo da linha de indigência (renda per capita inferior a 1/4 de salário mínimo), enquanto 11,8% dos negros viviam nessa situação.Devido a condições de trabalho mais precárias, os negros também têm mais dificuldade para se aposentar, apesar de começarem a trabalhar mais cedo. Entre a população negra com 60 anos ou mais, 34,7% ainda trabalhavam em 2006, comparados a 29,3% entre brancos. Na faixa de 10 a 15 anos, no mesmo período, 15% dos negros trabalhavam, enquanto apenas 11,6% de brancos nessa idade já estavam trabalhando.O ministro Edson Santos acredita que essa situação só irá se alterar com a adoção de políticas específicas. "Precisamos de programas voltados à educação, à saúde e aos salários. Estudantes atendidos por cotas devem receber um outro olhar das empresas, que precisam saber que tiveram condições diferentes de um jovem de classe média", afirma.Ele recomenda que as empresas públicas dêem o exemplo, oferecendo oportunidades de trabalho ou de estágio a esses profissionais. De acordo com o ministro, pesquisa anterior do Ipea mostrou que sem ações específicas de compensação para os negros, só em 65 anos o País será menos desigual.

Mais - 10/09/2008 12h09. Reportagem - Maria NevesEdição - Natalia Doederlein. Camara dos Deputados
http://www2.camara.gov.br/homeagencia/materias.html?pk=126326

Ministra apoia projeto de criminalização do preconceito de gênero

A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, defendeu nesta quarta-feira, em audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, o Projeto de Lei 4857/09, que criminaliza a discriminação contra a mulher, principalmente no ambiente de trabalho.
Para a ministra, o texto apresentado pelo deputado Valtenir Pereira (PSB-MT) vai ao encontro do Segundo Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, lançado pelo governo no ano passado, e pode ser o embrião de um estatuto contra a desigualdade de gênero no País, que abarque também o preconceito contra gays, lésbicas e transsexuais, entre outros. Caso espanhol"O projeto pode ser um grande guarda-chuva para trabalhar a igualdade no País nas suas mais diferentes manifestações", disse a ministra. Segundo ela, o Congresso também pode usar a proposta como plataforma para uma norma similar à Lei Orgânica para a Igualdade Efetiva entre Homens e Mulheres, aprovada na Espanha em 2007.Essa lei instituiu o chamado "princípio da presença equilibrada" de mulheres e homens em todas as instâncias da sociedade, como no ambiente de trabalho e em cargos políticos.O projeto do deputado Valtenir Pereira é baseado em um trabalho desenvolvido em Mato Grosso pela juíza Amini Haddad Campos, que participou da audiência. Ele lista nove formas de discriminação contra a mulher e impõe uma pena de detenção de 6 meses a três anos, além de multa, para acusados de preconceito de gênero. A pena pode ser aumentada em 2/3 se a discriminação for acompanhada de violência física.SugestõesO debate na CCJ foi marcado pelo apoio de representantes do Judiciário e do Ministério Público à proposta. Também foram apresentadas sugestões ao texto. Entre elas estão a inclusão de dispositivos que limitem de ofertas de vagas de trabalho baseadas no sexo, a sanção aos partidos políticos que não respeitarem a cota mínima de candidatas (30%) e salvaguardas para as mulheres que usarem a lei para abrir um processo judicial.Para a promotora de Justiça no Mato Grosso Lindinalva Rodrigues Corrêa, a proposta torna mais efetivos os mecanismos de combate à desigualdade entre homens e mulheres. "A lei é importante para combater a subalternização das mulheres", disse.Já a procuradora de Justiça Fânia Helena Amorim, do Ministério Público mato-grossense, lembrou que somente a existência de um preceito constitucional não garante o cumprimento de um direito. O PL 4857, segundo ela, faria um trabalho similar ao Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03) e da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90).Legislação insuficientePara o deputado Valtenir Pereira, o Brasil possui uma legislação moderna de combate ao preconceito de gênero, mas ela ainda não é suficiente para garantir a igualdade de condições entre homens e mulheres no mercado de trabalho e precisa ser aperfeiçoada para dotar o Judiciário de meios de condenar os responsáveis pela discriminação. "O projeto vai acelerar o movimento que existe hoje de respeito aos direitos das mulheres", disse Pereira, que chama a proposta de "Lei da Igualdade". O debate foi acompanhado pela deputada Thelma de Oliveira (PSDB-MT), relatora do PL 4857 na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. O projeto também será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família e Constituição e Justiça e de Cidadania; antes de seguir para o Plenário.
Leia a íntegra da proposta:- PL-4857/2009.
Aconteceu - 29/04/2009 20h05. Camara dos Deputados. Reportagem - Janary Júnior Edição - Regina Céli Assumpção.

Uma família em um país, mas dois mundos diferentes

Muitos imigrantes ilegais têm filhos que são cidadãos americanos
Por DAVID GONZALEZ
Para o pai, a escolha era evidente: um engenheiro com vários empregos mas pouco dinheiro, ele não via futuro para sua filha e seu filho no Equador. Oito anos atrás ele pagou para que traficantes o levassem até o Texas, EUA, então seguiu para Nova York, onde sua mulher e seus filhos chegaram como turistas e ficaram. Mas as consequências dessa decisão não foram nada simples. A filha se saiu muito bem no colégio no Queens e se formou na faculdade com honras, mas, aos 22 anos, continua vivendo ilegalmente nos EUA. Ela faz contabilidade para uma pequena empresa dirigida por imigrantes, tem medo de sair da cidade e não pode ter uma carteira de motorista no país que passou a amar. Enquanto isso, seu irmão de 17 anos, que nasceu nos Estados Unidos durante uma estada anterior, e portanto é cidadão americano, goza de privilégios que sua família não possui, como passar as férias de verão no Equador com seus primos. Mas, entediado e solitário na maior parte das tardes, ele declarou no último outono que quer voltar ao antigo país. "Como ele pode pensar nisso?", disse sua mãe, surpresa. "Estamos nos sacrificando para que ele possa ter uma educação melhor e um bom emprego. Depois de abandonar tudo para vir para cá, ele -o único que tem documentos- quer voltar?" Esses quatro -que não quiseram ser identificados por medo da deportação- fazem parte de um grupo crescente do que muitas vezes é chamado de famílias de situação mista. Quase 2,3 milhões de famílias sem documentos, cerca de 75% das quais estão nos Estados Unidos clandestinamente, têm pelo menos um filho que é cidadão americano, segundo o Centro Hispânico Pew. Essa família de Queens ilustra como as crescentes disparidades nas famílias imigrantes estão levando seus membros em direções opostas e complicando os esforços para planejar um futuro comum. A mãe, de 47 anos, que abandonou sua carreira promissora no Equador como analista de informática e hoje trabalha como babá, não prevê as mesmas oportunidades nos EUA que o pai, da mesma idade, que encontrou um trabalho rentável como designer gráfico. Os pais estão entre uma proporção crescente de imigrantes ilegais com bom nível educacional -pelo menos um em cada quatro teriam feito parte do colegial. O pai foi primeiro para Nova York em 1986, depois de se formar entre os melhores de sua classe na Universidade Politécnica de Quito. Ele foi legalmente, com visto de estudante, para estudos de graduação em engenharia no City College, e pretendia voltar para sua mulher. Mas, quando soube que ela estava grávida da primeira filha, abandonou o curso e conseguiu emprego em uma fábrica -violando os termos de seu visto-, depois arranjou para que sua mulher e a bebê fossem levadas clandestinamente para o Texas e depois para Nova York, onde ele achava que poderia ganhar uma vida melhor para elas. "Eu sabia que estava entrando na clandestinidade", disse o pai, um homem jovial e bem posto. "Foi uma decisão muito difícil. Mas eu tinha de sustentá-las." Eles se mudaram para Miami e tiveram um filho, nascido cidadão americano. Mas suas esperanças de uma vida próspera nos Estados Unidos fracassaram, e em 1992 eles voltaram para Ambato, o pólo agrícola no Equador onde o pai havia crescido. Quando sua filha estudava no colégio lá, superando seus colegas, o pai se preocupou com a qualidade do ensino no Equador. Ele decidiu dar a ela e a seu irmão a educação americana que ele não havia concluído. Voltaram para Nova York em 2001. O pai encontrou trabalho em uma construtora no Queens, fazendo medições precisas em canteiros de obras e transformando-as em desenhos computadorizados. Ele ganha mais do que ganharia no Equador. A mãe, enquanto isso, cuida de crianças em apartamentos lotados, não tão bonitos quanto a casa moderna onde ela cresceu. As discrepâncias entre suas vidas abalaram um relacionamento já tenso; eles se separaram quatro anos atrás. Os filhos passam a maior parte dos dias de semana com o pai, no sótão estreito de uma casa escura no bairro de Elmhurst, no Queens. Nos fins de semana eles pegam o metrô e um ônibus até o apartamento que sua mãe aluga em Bayside, outra parte de Queens. Felizmente para a filha, ela mora em Nova York, um dos dez estados que permitem que imigrantes ilegais paguem impostos e se matriculem em universidades públicas. Frequenta uma faculdade na Cidade Universitária de Nova York. Mas ainda não tem o registro de seguro social necessário para se candidatar a um emprego ou a um estágio de verão. Por isso, enquanto suas amigas conseguiram empregos de US$ 70 mil por ano, ela procura em quadros de avisos na faculdade pequenas empresas que queiram se arriscar a contratá-la pela metade desse valor. "Às vezes eu tenho vontade de chorar e gritar", ela disse. O filho está muito ligado ao Equador. Como único membro da família que pode viajar livremente, ele passou três verões lá, jogando futebol e indo a parques de diversão com seus primos. Ele parece muito menos envolvido emocionalmente com Nova York. Mas a família insiste que ele fique nos EUA. "Como cidadão, todas as portas estão abertas para ele", disse a mãe. "Ele sabe que há uma diferença, que pode fazer o que nós não podemos." A meio mundo de distância, o ensolarado apartamento dúplex que a família construiu em sua última estada em Ambato está vazio. Os parentes os chamam para voltar. Os pais resistem. Eles não vieram tão longe, sacrificando suas carreiras e seu conforto, para não ver os filhos terem sucesso nos EUA. Se chegar esse dia, os dois pais dizem que voltarão alegremente para sua terra -inclusive ele, cuja firme decisão trouxe todos para os EUA. "Entrei em uma festa para a qual não fui convidado, e um dia me pedirão para sair", ele disse. "Eu sei. Este é um lugar para trabalhar, e não para morrer."
São Paulo, segunda-feira, 04 de maio de 2009. Folha de São Paulo e The NeW York Times

Ataques a ciganos crescem em meio à turbulência econômica

TISZALOK, Hungria - Jeno Koka era um trabalhador dedicado e avô amoroso que recentemente estava a caminho de seu trabalho em uma fábrica química quando foi morto a tiros diante da porta de sua casa. Para seu assassino, ele não passava de um cigano, e parece que isso foi motivo suficiente para que fosse morto. O preconceito contra os rom -conhecidos amplamente como ciganos e que há muito tempo estão entre os grupos minoritários mais oprimidos da Europa- vem aumentando e assumindo a forma de uma onda de violência. Pelo menos sete rom foram mortos na Hungria nos últimos 12 meses, e líderes rom contabilizam cerca de 30 ataques com coquetéis Molotov contra casas de ciganos, em vários casos acompanhados por saraivadas de balas. Mas a polícia vem focando sua atenção em três ataques fatais ocorridos desde novembro, que afirma estarem interligados. Em função da precisão com que as vítimas foram mortas, as autoridades dizem que os ataques podem ter sido lançados por policiais ou militares. Além da morte da Jeno Koka, 54, houve os assassinatos de um homem e de uma mulher rom a tiros depois de sua casa ter sido incendiada em novembro passado em Nagycsecs, nordeste da Hungria. E, em fevereiro, um homem rom e seu filho de quatro anos foram mortos a tiros quando tentavam escapar de um incêndio em sua casa em Tatarszentgyorgy, uma pequena cidade ao sul de Budapeste. Em entrevista ao jornal "Nepszabadsag", em 24 de abril, o chefe nacional de polícia da Hungria, Jozsef Bencze, disse que os responsáveis pelos crimes, que se acredita formarem um grupo de quatro ou mais homens na casa dos 40 anos, vêm matando "com confiança excessiva". A rádio húngara informou que a contrainteligência militar húngara está auxiliando na investigação, e Bencze revelou que os suspeitos incluem veteranos das guerras dos Bálcãs e membros húngaros da Legião Estrangeira francesa. Especialistas em questões rom descrevem um ambiente cada vez mais agressivo em relação aos ciganos na Hungria e em outras partes da Europa central e oriental, onde partidos de extrema direita cujos líderes jogam com os velhos estereótipos dos rom como pequenos criminosos e do ônus que supostamente impõem aos sistemas de bem-estar social, num período de turbulência econômica e política crescente. Autoridades e especialistas temem que os ataques só se intensifiquem à medida que o desemprego aumentar. "Vale lembrar que o Holocausto não começou com as câmaras de gás", disse Lajos Korozs, secretário-sênior de Estado do Ministério de Assuntos Sociais e do Trabalho. Na República Tcheca, onde manifestantes radicais de direita entraram em choque com a polícia quando tentaram fazer uma marcha passando por bairros de rom, uma menina pequena e seus pais sofreram queimaduras graves após agressores lançarem coquetéis Molotov contra a casa deles na cidade de Vitkov, em abril. E policiais na Eslováquia foram captados em vídeo recentemente atormentando seis rapazes rom que tinham prendido, forçando-os a tirar a roupa e a bater e beijar uns aos outros. Mas em nenhum lugar a violência atingiu os níveis a que chegou na Hungria, espalhando medo e intimidação por uma população rom de 600 mil pessoas. Viktoria Mohacsi, deputada rom no Parlamento Europeu, disse que a polícia -que ainda se nega a citar explicitamente a questão étnica como motivação nas agressões- hesita em reconhecer o aumento da violência dirigida contra a comunidade cigana. "No início, disseram que eram agiotas ou que eram rom que estavam matando outros rom", disse Mohacsi. Michael Stewart, coordenador da Rede de Pesquisas sobre os Rom, ativa em toda a Europa, explicou: "Nos últimos cinco anos, as atitudes em relação aos rom em muitas partes da Europa oriental endureceram, e novos extremistas começaram a explorar a questão dos rom de maneira que não ousavam fazer antes ou que não era divulgada até agora". O partido de extrema direita Jobbik aproveitou o que seus líderes dizem ser a "criminalidade dos ciganos" para avançar nas pesquisas, chegando a quase o limiar mínimo de 5% para conseguir vagas no Parlamento húngaro na eleição do próximo ano, pela primeira vez. Adversários acusam a Guarda Húngara, o grupo paramilitar associado ao partido, de promover passeatas e reuniões públicas para incitar o sentimento popular contrário aos rom e intimidar a população cigana. "Estamos vivendo no medo. Todos os rom estão", disse Csaba Csorba, 48, que teve um filho e um neto mortos a tiros de espingarda pouco após a meia-noite no ataque de fevereiro. As mortes abalaram os rom de Tiszalok. "Isso prova que não importa se somos pessoas boas ou más", refletiu Agnes Koka, 32, sobrinha e afilhada de Jeno Koka. "Importa apenas o fato de sermos ciganos."
Por NICHOLAS KULISH; São Paulo, segunda-feira, 04 de maio de 2009 . folha de São Paulo e The New York Times.

Reitores de universidades federais defendem cota para alunos locais

Com a criação do novo Enem, reitores de universidades federais querem criar cotas regionais para evitar que as faculdades sejam "invadidas" por alunos de outros Estados, já que os candidatos poderão concorrer em várias instituições fazendo uma única prova. A proposta deverá ser discutida pela Associação Nacional de Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior.
O objetivo, segundo o presidente da entidade e reitor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), Amaro Pessoa Lins, é fortalecer o ensino regional e manter o cenário atual, no qual a maioria dos matriculados é oriunda do ensino médio do próprio Estado.
"Há uma grande diferença entre o ensino nas diversas regiões do país. Não é justo, principalmente nos cursos com demanda alta, como medicina, termos estudantes concorrendo no mesmo nível", diz Lins. "Somos uma universidade no meio do sertão. Se você coloca em situação de igualdade o [nosso] estudante com um paulista ou do Sul, isso poderá ser um problema", diz o reitor da Universidade Federal do Vale do São Francisco, José Weber, que defende a reserva de vagas.
Sem salvaguardas, os reitores acreditam que haverá distorções, já que o aluno escolherá a universidade sabendo sua nota do Enem. Isso permitirá que ele opte por uma federal de outro Estado se achar que não terá chance em uma mais disputada de seu local de origem.
Os dados do Enem 2008 mostram que esse temor é procedente. Na prova deste ano, os alunos do Sudeste obtiveram o melhor desempenho: 51,21 pontos, em escala de zero a cem, na nota que une a prova objetiva e a redação. Em segundo lugar ficou o Sul, com 50,86.Norte e Nordeste tiveram média cinco pontos menor -45,89 e 46,2, respectivamente. A comparação tem ressalvas, já que as notas médias não mostram nem os melhores alunos do interior do Norte e Nordeste nem os piores das capitais do Sul e Sudeste. De toda forma, são indicadores do nível educacional de cada localidade.
Reitor da UFBA, Naomar de Almeida Filho, é uma das poucas vozes dissonantes. "A mobilidade que se está esperando irá contribuir com o desenvolvimento regional", afirma.
AFONSO BENITES e PABLO SOLANO, da Agência Folha. 01/05/2009 - 11h00

Judeus e homossexuais protestam contra vinda de presidente do Irã

Manifestação reuniu cerca de 400 pessoas na região central de SP.Mahmoud Ahmadinejad deve chegar ao Brasil na quarta-feira (6).
A iminente visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil, marcada para a próxima quarta-feira (6) em Brasília, continua causando protestos. Integrantes da comunidade judaica, em conjunto com líderes de movimentos homossexuais, promoveram neste domingo (3) pela manhã, na Praça dos Arcos, região central de São Paulo, uma manifestação contra a vinda do polêmico dirigente do Oriente Médio
Cerca de 400 pessoas, segundo cálculos da Polícia Militar, estiveram presentes no protesto iniciado às 11h e que durou cerca de 1h30. Líderes judeus e homossexuais discursaram contra Ahmadinejad, afirmando que a vinda dele é um desserviço para o Brasil, além de ser uma afronta às duas comunidades e a qualquer cidadão brasileiro.
“É inacreditável que o Brasil tenha convidado uma pessoa tão preconceituosa e sem escrúpulos para vir para cá, em nome de acordos comerciais”, afirmou Michel Fried. “O
que vai mudar para nós, fazer ou não negócios com o Irã?”

Outro que não se conformava com o convite era José Marcelo. “Estou aqui porque repudio qualquer forma de preconceito e terrorismo. Levá-lo para Brasília é ainda mais grave que chamar o traficante Fernandinho Beira-Mar para fazer negócios”, afirmou. “O Lula errou feio, espero que ainda dê tempo para desconvidá-lo”.
Denis Freire de Almeida Do G1, em São Paulo . 03/05/09 - 13h58 - Atualizado em 03/05/09 - 22h18

domingo, 3 de maio de 2009

Presos suspeitos de matar casal em Curitiba

As investigações mostram que o crime foi motivado pela disputa num grupo de neonazistas.
Em Curitiba, a polícia apresentou, neste sábado, seis acusados de envolvimento no assassinato de um casal de namorados. As investigações mostram que o crime foi motivado pela disputa num grupo de neonazistas. São todos jovens de classe média e com formação universitária. Um deles, soldado do exército, foi preso dentro do quartel em Curitiba. Também houve prisões em São Paulo e no Rio Grande do Sul. Na casa dos acusados foi encontrado material que segundo a polícia faz apologia ao nazismo. As investigações começaram, depois do assassinato de um casal na região de Curitiba, que teria sido motivado por uma disputa pela liderança do movimento no Paraná. Bernardo Deyrel pedroso, de 24 anos e Renata Waeschter Ferreira, de 21 anos, foram mortos a tiros na saída de uma festa, no dia 21 de abril. As imagens feitas por um integrante do grupo mostram a festa, uma comemoração pelo aniversário do ditador nazista, Adolf Hitler. As investigações apontam que a arma do crime foi trazida da argentina. A polícia afirma que o administrador de empresas, Ricardo Barlolo, preso em São Paulo, é o mandante do assassinato dos dois estudantes. Ele negou. Para a polícia, Ricardo encomendou o crime para acabar com a formação de uma facção paralela do grupo no Paraná.
02/05/09 - 21h52 - Atualizado em 02/05/09 - 21h5. GLOBO.COM

Afrocentricidade

Afrocentricidade

400 págs., R$ 69,90

de Elisa Larkin Nascimento (org.). Trad. Carlos Alberto Medeiros e Elisa L. Nascimento. Selo Negro (r. Itapicuru, 613, 7º andar, CEP 05006-000, São Paulo, SP, tel. 0/ xx/ 11/ 3872-3322).O quarto livro da coleção Sankofa discute a abordagem historiográfica do ponto de vista africano e mostra suas aplicações teóricas em temas como identidade da mulher negra e o papel histórico dos descendentes de escravos fugidos.

Conferência contra o racismo

Apesar de décadas de mobilização, a verdade é que o racismo persiste. Nenhuma sociedade, rica ou pobre, está imune

NAVI PILLAY

A CONFERÊNCIA de Revisão de Durban aconteceu em Genebra na semana passada e o mundo não parou de girar, como os detratores da conferência queriam que pensássemos que aconteceria. De fato, é possível que o mundo tenha se tornado um lugar melhor, agora que a conferência adotou por consenso um documento que se inspira no compromisso, assumido em Durban (África do Sul) há oito anos, de combater a discriminação racial e a intolerância em todo o mundo. Apesar de décadas de mobilização, dos esforços de muitos grupos e de muitas nações e das inúmeras provas de suas terríveis consequências, a verdade é que o racismo persiste. Nenhuma sociedade, grande ou pequena, rica ou pobre, está imune. A conferência de Genebra (Suíça) foi uma oportunidade para os países chegarem a um acordo sobre um documento comum que consagrasse uma aspiração comum: a de rejeitar o racismo em todas as suas manifestações e trabalhar para eliminá-lo. No entanto, durante mais de um ano, algumas vozes apelaram ao boicote da conferência. Essa oposição se baseava, em grande medida, no receio de que o encontro desencadeasse a repetição das virulentas atividades antissemitas que algumas ONGs levaram a cabo em 2001, à margem da conferência em Durban. Os atos deploráveis de uns quantos mancharam a reputação de todo o processo, desde 2001 até este ano. Dez Estados-membros da ONU, incluindo Canadá, Israel, EUA, Austrália e Nova Zelândia, e 5 dos 27 países da União Europeia decidiram não participar do encontro de Genebra, que foi convocado pela Assembleia Geral da ONU para analisar a aplicação da Declaração e Programa de Ação de Durban, o documento final da conferência de 2001. A ausência desses países revelou-se preocupante quando, no primeiro dia da conferência, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pronunciou um discurso em que atacava Israel, os EUA e outros Estados ocidentais, utilizando o fórum da ONU para uma retórica política facciosa. Contudo, essa atitude foi rotundamente rejeitada no dia seguinte com a adoção, por consenso, de um documento que constitui a última palavra da conferência. Os Estados demonstraram determinação, espírito de compromisso e respeito pela diversidade ao se mobilizarem, unidos, em prol de uma causa comum e urgente. Esperamos que o acordo gere efeitos benéficos duradouros para as inúmeras vítimas do racismo, da discriminação e da intolerância. No documento, os Estados se comprometeram a impedir manifestações de racismo, discriminação racial e xenofobia, sobretudo em relação a migrantes, refugiados e requerentes de asilo. Eles também acordaram em promover maior participação e oportunidades para as pessoas de origem africana e asiática, os povos indígenas e os indivíduos pertencentes a minorias étnicas, religiosas e linguísticas. Comprometeram-se a assegurar que a discriminação não afete aberta ou dissimuladamente o acesso a emprego, serviços sociais, cuidados de saúde e participação em outras esferas. O documento reafirma a importância fundamental da liberdade de expressão e sublinha sua compatibilidade com a legislação internacional em vigor que proíbe a incitação ao ódio. Isso deveria ajudar a superar a divisão artificial em torno de certos assuntos sensíveis relacionados com a religião, que, à força de ser tão falada, poderia tornar-se uma realidade, desencadeando um conflito de civilizações. Além disso, o documento final representa o importante reconhecimento das injustiças e atrocidades do passado e propõe medidas para evitar que voltem a acontecer. Entre elas figura o compromisso de proibir atividades violentas, racistas e xenófobas de grupos que adiram a ideologias baseadas na supremacia. A conferência proporcionou uma plataforma para um novo começo. Os poucos Estados que decidiram manter-se à margem deveriam avaliar agora o documento final em razão do seu mérito e conteúdo. Muitos desses Estados participaram da sua elaboração e fizeram parte do consenso que foi se estabelecendo até a véspera da conferência. É por isso que tenho esperança de que se associarão aos esforços internacionais para combater o racismo e a intolerância formulados nesse importante documento. Não devemos ceder espaço àqueles que pretendem alimentar uma controvérsia que contribui para a intolerância. É mais importante para não permitir que nos façam esquecer nosso objetivo principal: fomentar sociedades em que não haja discriminação e um mundo em que haja igualdade de tratamento e de oportunidades para todos nós ou, pelo menos, para nossos filhos e os filhos dos nossos filhos. NAVI PILLAY, mestre e doutora em direito pela Universidade Harvard, é a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Foi a primeira mulher não branca a atuar na Suprema Corte da África do Sul.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
São Paulo, domingo, 03 de maio de 2009. Folha de São Paulo, Opinião.

Jovens afro-brasileiros participam de Conferência em Washington D.C.

Os empreendedores afro-brasileiros que integram o intercâmbio Jovens nos Negócios da Organização Levantamos chegaram a Washington D.C., capital administrativa dos Estados Unidos, em um momento importante para o país. Nesta quarta-feira, 29 de abril, completam os cem primeiros dias do Governo do presidente Barack Obama, motivo de balanços e avaliações.
Enquanto dezenas de jornalistas e profissionais de imprensa se aglomeravam em frente à Casa Branca, sob frio e fina chuva que caía, em busca de um anúncio oficial, bem perto dali, no Departamento de Estado Americano, os jovens baianos e cariocas participavam, como prestigiados convidados, da Conferência sobre o Plano de Ação para a Promoção da Igualdade Étnica e Racial. 0 Plano foi assinado entre os governos brasileiro e americano, em 2008, e esta foi a segunda reunião de gestores, ocorrida nos dias 29 e 30 de abril. São diversas ações adotadas nos dois países que mobilizarão recursos em torno de U$5 milhões de dólares.
O encontro reuniu militantes, pesquisadores e autoridades do Brasil e dos Estados Unidos, como o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Edson Santos, e o secretário de Estado adjunto para a América Latina (EUA), Thomas Shannon. Entre os temas debatidos: ações afirmativas na educação, intercâmbios culturais, manutenção de centros de memórias da presença negra na Diáspora (como o Museu Afro Brasil de São Paulo), a contribuição dos meios de comunicação no combate às desigualdades e os direitos civis conquistados por afrodescendentes no Brasil e nos Estados Unidos.
Intervenções - As jovens empresárias baianas marcaram presença com intervenções e questionamentos pertinentes. A primeira a falar foi Samadá Kinté, proprietária da marca Flor da Pele, que reúne manicures que prestam serviços de pinturas, decoração e alongamento de unhas e atendem em domicílios. A jovem empresária ressaltou a importância do conhecimento da história negra para a elevação da auto-estima e afirmação dos jovens. Ela aproveitou a presença de Howard Dodson, diretor do Museu Schomburg, localizado no Harlem, Nova Iorque, para elogiar o rico acervo mantido pelo museu, que foi visitado pelos jovens no início do intercâmbio.
Na terceira mesa, que teve como tema as leis de combate às desigualdades, foi a vez de Elísia de Jesus Santos chamar a atenção para a resistência apresentada pelo povo negro para sobreviver ao racismo. Essa força foi comparada, pela empreendedora, à garra do alpinista frente ao Monte Everest (maior montanha do mundo). Elísia é socióloga e cabeleireira e, junto com duas sócias, gerencia o Rosas Negras, serviço especializado em cabelos crespos.
Educação - Ativista do movimento social e artesã de produtos feitos com materiais recicláveis, a jovem Ceide Crisarte focou na educação como ferramenta de transformação social. A jovem destacou a experiência de visitar duas escolas públicas americanas, graças ao intercâmbio, onde viu de perto o ensino do empreendedorismo e da responsabilidade social na sala de aula, para jovens a partir dos níveis iniciais. Para Ceide, que une responsabilidade social e ambiental em seu negócio, essa experiência deveria ser adotada nas escolas públicas brasileiras, para a formação de jovens com espírito empreendedor.
O Grupo recebeu importantes incentivos dos presentes, inclusive de políticos negros norte-americanos, como o embaixador Larry Palmar, da Comissão Interamericana para o Desenvolvimento e o deputado do Congresso Americano, Gregory Mieks, que fez três pedidos aos jovens: "não desistir", "acreditar em seu próprio potencial" e "não esquecer de onde vieram". Após as palestras, houve troca de experiências e contatos com empreendedores sociais e executivos de grandes empresas como as multinacionais: Nike e Mac Donald´s.
Califórnia - Nesta quinta-feira, 30, os jovens chegaram à cidade de São Francisco, na Califórnia, última cidade a ser visitada pelo intercâmbio. Na programação, visita ao Museu da Diáspora Africana, ao Centro de Direitos Humanos Ella Baker, além de reuniões e capacitações. Os empreendedores voltam à Salvador no dia 06 de maio.
Para mais informações sobre este intercâmbio e o acompanhamento da viagem dos jovens, acessem:
http//jovensnosn
osnegocios.blogspot .com

sábado, 2 de maio de 2009

Briga entre evangélica e umbandista vai parar na delegacia

Confusão entre patroa e empregada doméstica foi na segunda (27).Doméstica é acusada de lesão corporal e roubo, entre outros crimes.

Uma empregada doméstica, evangélica, está sendo acusada pela patroa, umbandista, de lesão corporal, roubo, cárcere privado e tentativa de incêndio. Segundo o delegado Antônio Ricardo Nunes, da 24ª DP (Piedade), as duas brigaram na casa da patroa na segunda-feira (27), que fica em Piedade, no subúrbio do Rio.

De acordo com o delegado, a vítima disse na delegacia que a empregada teria ficado nervosa quando viu a patroa pendurando roupas no varal, pois aquilo seria um trabalho dela. Na ocasião, a acusada teria dito ainda que sabia que seria demitida, já que tinha “recebido uma mensagem de Deus”.
As duas começaram a discutir e brigar. Segundo o registro feito na delegacia, durante a discussão, a empregada teria ofendido a patroa chamando ela de “macumbeira safada”. A acusada teria usado uma tesoura para agredir a vítima, e ainda teria tentado botar fogo em algumas roupas.

A patroa disse na delegacia que ficou presa em um quarto, mas conseguiu sair da casa com a chegada de seu genro. Segundo o delegado, a mulher está com hematomas e cortes nas mãos. Segundo ele, a empregada doméstica foi encontrada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e vai prestar depoimento na delegacia.

Do G1, no Rio . 30/04/09 - 16h35 - Atualizado em 30/04/09 - 16h35
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1104585-5606,00.html

[Ant-Bra] Vaga Admin: Latin America Program Coordinator - Univ.


Institution:
University of North Texas
Location:
Denton, TX
Category:
Admin - International Programs
Posted:
04/30/2009
Type:
Full Time
Department Overview:UNT International is a multi-faceted department which maintains six constituent units to serve UNT students, faculty and staff in all departments, working cooperatively with all departments to develop international activity and exchanges with universities around the world. UNT International supports the university's international mission to promote teaching, research and creative activities, partnerships and service. Job Summary: The Latin America Program Coordinator will help build UNT-International's focus in Latin America with special emphasis in Mexico. The coordinator will build and maintain relationships with universities, agencies, industry and former students in Latin America. The Latin America Program Coordinator will work with the Assistant Vice-Provost on development, coordination, and administration of programs and activities that serve faculty, students, and academic student service units in support of the university's international education mission. Job Description: * Staying informed and up to date on information and trends in international education as they relate to the fiscal and administrative management of the unit and to UNT policies and procedures. * Coordinating and implementing programs and events of the center; organizing and hosting visits of distinguished visitors/scholars. * Planning and implementing conferences, symposiums, meetings, banquets, etc. * Writing funding proposals for the Center for Mexico-US Partnerships.* Assisting with programming and resource development activities.* Traveling off-campus and abroad to fulfill business responsibilities, as required, as part of regular duties.* Directing, planning, and implementing programs and educational, social, cultural and recreational activities. * Counseling individuals and student groups. * Informing immediate supervisor of the general status of student services programs and any unique problem developments. * Supervises student workers and graduate assistants.Minimum Qualifications:Master's degree in college student affairs, counseling, higher education or closely related field and two years experience working with college students or community groups in an advisory, administrative, or educational capacity; or a Bachelor's degree and three years of related experience; if necessary for position, valid Texas driver's license with good driving record; or any equivalent combination of experience, education, and training. Knowledge, Skills and Abilities: * Extensive knowledge of special student programs and activities related to assigned area. * Spanish language fluency.* Thorough knowledge of University rules and policies related to the area of responsibility. * Marked ability to communicate effectively orally and in writing with students, faculty, and staff. * Ability to deal tactfully with students, individually and in group situations. * Excellent organizational and supervisory skills. * Knowledge of safety and security precautions appropriate to work performed. Preferred Qualifications: * Prior international living or learning experience in Latin American countries.* Skilled in organization of conferences, seminars, and training programs.* Understanding of Hispanic culture.* Good interpersonal skills.* Ability to work on teams.* Ability to work under pressure and meet deadlines.* Solid knowledge and use of Microsoft Office, Outlook and internet research.* Superior English language writing skills.* Funding proposal development experience.* Available to travel and to work evening and weekend events.Special Instructions to Applicants: Please provide a writing sample written in Spanish. (i.e. Thank you letter to the head of a Latin American organization)
Application Information
Contact:
Human Resources DepartmentUniversity of North Texas
Phone:
(940)565-2000
TDD:
(800)RELAY TX
Online App. Form:
https://jobs.unt.edu

II Conferencia Municipal de Promoção da Igualdade Racial em São Gonçalo

II CONFERENCIA MUNICIPAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL de SÃO GONÇALO.

Dias: 08 e 09 de maio de 2009.
Local: FFP-UERJ São Gonçalo
Inscreva sua casa religiosa no site da Prefeitura Municipal de São Gonçalo: http://www.saogoncalo.rj.gov.br/ (1 representante por casa)
E acesse o destaque, lado direito do site, onde está o link para a pré-inscrição:
http://www.saogoncalo.rj.gov.br/conf_racial/
Houngbono Marco de Yemojá
XWE TO VODUN NAE
ACÈ DJEDJE MAXI

[cen_br] Consulta a religiosos para a II CONAPIR

Prezados(as), (Encaminhem para outras listas)
A benção a todas e todos, É com prazer que encaminho ATA de Reunião do encontro de entidades religiosas com a SEPPIR para tratar da consulta a terreiros, faço isto para reafirmar o nosso compromisso democrático e em tempo informar que aqui na Bahia o CEN reuniu religiosos de diversas entidades e dialogou na noite de ontem para a retirada dos representantes do estado.
Os critérios foram a história de luta, a formação adequada ao processo, o histórico do representante e seu ativismo em nível nacional, sua importância nas pautas e debates do movimento, além de tudo ter sido definido com muita tranquilidade e respeito, como cabe ao nosso povo do axé.Convidamos entidades diversas, a exemplo do NAFRO, ACBANTU, AFA, Associação das Baianas de Acarajé e Mingau (ABAM), diversos terreiros e autoridades religiosas e passamos a pauta.
Ficando definido o nome de Makota Valdina e o meu para fazer parte da reunião em Brasília.Sabemos inclusive do compromisso e seriedade institucional da ACBANTU, CENARAB, INTECAB, CETRAB, MONABANTU, dos forúns religiosos que alguns estados possuem e de personalidades religiosas que farão deste momento em Brasília um momento único e com uma pauta representativa e iluminada em nome dos Orixás, Inquisses, Voduns e Encantados.
Nós, os religiosos de Matrizes Africanas estamos em uníssono e entendemos a importância, lisura e compromisso como foi conduzido este processo tanto na instância governamental como na sociedade civil.
Enfim, ficamos no anseio do diálogo com a SEPPIR e com os estados parceiros para ver a possibilidade do surgimento de novas vagas pela importância de Mãe Jaciara (que está no exterior) mas que desejamos levar conosco para este processo devido a sua luta que resultou no Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa, Babá PC do Oxumarê que idealizou a Caminhada Nacional do Povo de Santo e dos nossos irmão importantes do NAFRO.Foi nesta reunião representativa que inclusive montamos o Fórum Permanente de Religiosos de Matrizes Africanas. Que em breve todas(os) terão notícias.Espero que coordenadores do CEN e de outras entidades que fazem parte desta construção e que são nossos parceiros se manifestem informando como foi feito o processo de diálogo nos seus estados. Vimos uma convocatória feito pelo ogan Silvestre em Tocantins, o que foi lindo, e queremos receber mais informações dos estados.Relembrando que a data limite para o repasse dos dados dos representantes de cada estado é dia 04 de maio. E qualquer dúvida e apoio estamos ao dispor.Segue abaixo o extrato da reunião dos representantes das religiões de matrizes africanas com a SEPPIR.
Extrato de Reunião com representantes das Entidades Religiosas para Consulta Pública a Religio sos de Matrizes Africanas para participarem do processo de construção temática da II CONAPIR, assim como para a tirada de delegadas(os) e convidadas(os)

A convite da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial/SEPPIR, ao dia 14 de abril de 2009, reuniu-se os representantes de entidades para serem informados acerca da metodologia da tirada de representantes de terreiros para a Consulta Pública voltada para a II Conferência Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. Para assim definir como seriam indicadas(os) as(os) convidadas(os) para a Consulta a ser realizada nos dias 16 e 17 de maio em Brasília, para nesta data, as pessoas convidadas contribuírem com o processo temático da Conferência, assim como definir quais seriam as(os) delegadas(os) e as(os) convidadas(os) para a II CONAPIR.
Discutiu-se pois a capilaridade e representatividade das entidades convidadas que foram: o Coletivo de Entidades Negras - CEN, o Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira - CENARAB, Associação de preservação do Patrimônio Bantu - ACBANTU, Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira - INTECAB.
Em tempo, cabe informar que o prazo máximo para a entrega dos dados para os representantes das entidades abaixo-assinadas repassarem para a SEPPIR, seja feito até a data limite do dia 04 de maio de 2009.
Os dados a serem repassados são os seguintes: NOME, IDENTIDADE/RG, CPF, CONTATO TELEFÔNICO, E-MAIL, DADOS BANCÁRIOS (banco, agência e conta em que a(o) pleiteante é a(o) titular da mesma), ENDEREÇO COMPLETO, NOME DO TEMPLO RELIGIOSO, ESTADO/CIDADE DE SAÍDA E RETORNO (para a viabilidade das passagens aéreas).
O entendimento dos representantes das entidades presentes é que como religiosos que somos e de maneira fraterna construiríamos o processo levando em consideração entidades com expressão e trabalhos relevantes para o povo de axé, mas que não estavam envolvidas diretamente no processo, a exemplo das entidades CETRAB e MONABANTU que foram citadas e referendadas, além de religiosos que possuem trabalhos e construções para além das entidades. Cabendo a cada entidade utilizar critérios de convocação ou consulta como convir devido ao curto espaço de tempo para mobilização, mas entendendo toda a história de tradição, serviços prestados e militância dos convidados.
Após diálogos com a SEPPIR ficou definido o convite para 81 autoridades religiosas de todos os estados do Brasil através de decisão coletiva dos representantes das entidades religiosas presentes.
Marcos Rezende. Coordenador Geral do CEN