quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"História do Cinema Brasileiro - Panorama"

História do Cinema Brasileiro - Panorama

ODUN Formação & Produção abre inscrições para o curso

"História do Cinema Brasileiro - Panorama"

Conheça o Cinema Nacional de Humberto Mauro à Retomada do Cinema Brasileiro. TOTALMENTE À DISTÂNCIA

Professor : Renato Candido de Lima
Bacharel em Cinema, Rádio e TV pela ECA/USP
Mestrando em Ciências da Comunicação pela ECA/USP

Inscrições de: 20/10/09 a 30/10/09
Inicio do curso 03/11/09
Termino do curso 26/11/09

Valor do curso: R$ 95,00 ( noventa e cinco reais)

VAGAS LIMITADAS
SOLICITE SUA FICHA DE INSCRIÇÃO - Clique aqui

Venha compreender esse nosso legado cinematográfico diante das circunstâncias históricas de representação de cada fase abordada pelo curso História do Cinema Brasileiro -Panorama.
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Odun Formação & Produção
Rua Jardim Francisco Marcos, nª180
São Paulo, SP 01319-050
11 3105 7247

Acesso a recursos públicos por ONGs e movimentos sociais e sua importância para a democracia

Acesso a recursos públicos por ONGs e movimentos sociais e sua importância para a democracia Imprimir E-mail
Em Debate

Fonte: Abong -

Há tempos assistimos nos noticiários denúncias quanto à má versação de recursos públicos por parte das ONGs, de políticos, de governos, enfim, desvios realizados por uma gama diversificada de sujeitos de toda natureza.

Há tempos lê-se posicionamentos da ABONG quanto à importância de se construir um marco regulatório para as organizações sem fins lucrativos, que de fato respeite a diversidade de formatos organizativos da sociedade que a democracia permite. Ao mesmo tempo, objetivamos que a relação entre Estado e sociedade civil, particularmente no que se refere ao financiamento de suas ações de caráter público e explicitamente voltadas para a defesa de direitos e promoção da cidadania, seja regulamentada de acordo com os preceitos constitucionais de universalidade, equidade e justiça social.

Voltamos a insistir na importância da sociedade conhecer melhor o diverso e vasto universo das organizações sem fins lucrativos e debater, profundamente, sobre a legitimidade de apoio público, ou seja, de toda sociedade, às ações dessas organizações, assim como de movimentos sociais. Esse conjunto de organizações, aliados a tantos outros, são fundamentais à democracia brasileira, às lutas pela afirmação de direitos e às denúncias sobre desigualdades e injustiças sociais.

Existem no Brasil aproximadamente 350 mil Fundações e Associações Privadas Sem Fins Lucrativos, segundo pesquisa realizada pelo IBGE, em parceria com a ABONG e o IPEA, em 2005 (FASFIL, 2005 - IBGE/IPEA/ABONG/GIFE). Apesar desse significativo número de organizações e da complexidade desse universo, é bastante restrito o conhecimento da sociedade e de governos sobre esses sujeitos sociais. Tal desconhecimento explicita-se, entre outras questões, na dificuldade de se construir um debate amplo e profundo em torno da regulamentação do setor.

A denominação genérica de ONG também pouco ajuda a esclarecer sobre o que se fala. E o termo terceiro setor emerge mais para pasteurizar universo tão distinto, do que para explicitar suas diferenças, particularidades e projetos societários em disputa.

Assim, a urgência de um sério debate em torno da legitimidade dessas entidades de existir e de sua importância para o fortalecimento da esfera pública e da democracia são elementos que devem ser cada vez mais explicitados por todos e todas, sem falsos pudores ou moralismos quanto ao acesso a recursos públicos, isto é, de toda a sociedade, para a concretização de ações públicas, as quais necessariamente incidem em mudanças de qualidade de vida para a população, em garantias de direitos. Ou seja, gastos públicos sempre contribuem para a construção de um determinado tipo de sociedade, de uma forma de partilha da riqueza produzida por todos e todas.

Como exemplo, o governo, recentemente e a pretexto de lançar estratégias de enfrentamento da crise mundial e atacar preventivamente a estagnação do consumo, isentou o Imposto sobre Produtos Industrializados - o IPI dos automóveis. Sabemos dos graves problemas desse modelo de desenvolvimento, do colapso das grandes cidades, relacionado à excessiva presença de automóveis. Sabemos também da estreita relação entre automóveis, sua relação com a produção de poluentes, com o efeito estufa e com o aquecimento global. Lembrando que não foi exigida nenhuma contrapartida dos principais beneficiárias desta medida, a indústria automobilística.

Porém, pouco se manifestou contra essa medida, quase que explicitando-se um consenso quanto à importância do consumo para o desenvolvimento. Consideramos que a construção de uma nação com direitos não deve se subordinar à dinamização da economia, sempre marcada pela inclusão pelo consumo, pelo aumento de práticas predatórias dos recursos naturais, mas deve estar a serviço do bem estar de todos os segmentos da população, na perspectiva de construção de um outro modelo de consumo e para isso o diálogo entre política econômica e política social deve ser permanente.

Há, claramente, uma contraposição de projetos. Por um lado, a população aceita, de forma tão natural e, até mesmo, positiva, que o Estado isente, financie a aquisição individual de um bem de consumo, e, por outro lado, manifesta posições altamente críticas e preconceituosas quanto à destinação de recursos para organizações que atuam no campo da defesa de direitos e do aprofundamento da democracia.

Portanto, é fundamental que a sociedade brasileira e os representantes públicos manifestem preocupação sobre como e onde são investidos recursos públicos, e exijam transparência quanto a esse investimento. Mas, antes de tudo, é fundamental que essa preocupação norteie-se pelo tipo de sociedade que se quer construir - ou seja, que acompanhemos todas as formas de investimentos públicos, diretos e indiretos, analisando seu sentido e propósito. E é nesse sentido que defendemos o fortalecimento da sociedade civil, a legitimidade de acesso a recursos públicos por parte das organizações não governamentais (ONGs), como já ocorre em diferentes países que compreendem que a democracia advém de sociedades fortes e autônomas e por isso constituem fundos próprios de apoio a tais formas de organização da sociedade.

Acreditamos que o acesso a recursos públicos deve ser uma das formas de financiamento das atividades de organizações sérias e comprometidas com um modelo de sociedade diferente da que temos atualmente. Como forma de enfrentar a pouca reflexão e os preconceitos que rondam este assunto, além de dar consequência às ações que visam a regulamentação da atividade das ONGs no Brasil, a ABONG formulou uma proposta de Projeto de Lei para ser levada para debate no Congresso Nacional. Nossa proposta está disponível para consulta na página da ABONG na Internet: www.abong.org.br.



http://www.geledes.org.br/em-debate/acesso-a-recursos-publicos-por-ongs-e-movimentos-sociais-e-sua-importancia-para-a-democracia.html

Edson Cardoso fala da imprensa negra e da luta pela consciência negra


Edson Cardoso fala da imprensa negra e da luta pela consciência negra

Em Debate

Dentro da ideologia vigente, que oculta as desigualdades raciais, não há negros, não há racismo. É necessário furar o bloqueio imposto pelos grandes jornais e revistas, redes de rádio e TV.

Causa Operária entrevista o professor de Comunicação Social na Universidade de Brasília (UnB)*, militante do movimento negro e editor do jornal Ìrohìn, Edson Lopes Cardoso. Ele nasceu em 1949, em Salvador, cidade que é referência na cultura negra. É uma importante personalidade do movimento negro no Brasil. Neste momento em que a direita ataca o direito democrático às cotas para negros nas universidades, acaba com o Estatuto da Igualdade Racial, fala de uma igualdade racial inexistente não para rejeitar o racismo, mas nega a causa e a opressão do negro, Edson Cardoso denuncia esta política criminosa.


Causa Operária – Você poderia falar um pouco de sua história, quando começou a militar no movimento negro?

edson-cardosoEdson Cardoso - Meu primeiro contato com ativismo se deu no Colégio da Bahia, em 1968. Fiz parte de um grupo de estudos, ligado até onde sei à AP (Ação Popular), e comecei a ler livros de divulgação do materialismo histórico. Recordo-me ainda hoje como foi importante para minha cabeça de secundarista ler "Alienação e Humanismo", de Leôncio Basbaum. Fazia parte do grupo Roberto Santos, jovem intelectual negro, que me apresentou a Luiz Orlando, ambos responsáveis pela minha primeira aproximação com idéias de movimento negro. Em 1974, eles criaram um núcleo de estudos afro-brasileiros, que se reunia no Instituto Goethe, do qual fazia parte também Manoel de Almeida Cruz e um outro rapaz que estudava Geografia de que não me recordo o nome. Participei de uma reunião (a minha primeira reunião formal de MN) e aleguei mil razões para não assumir a parte de literatura. Fiz movimento estudantil, levado pela força das circunstâncias, em 1975 e 1976 e, em 1977, fui morar em Porto Alegre (participei lá do Qorpo Insano, um grupo de jovens escritores que publicou uma antologia). Vou ter contato efetivo e produtivo com o MN a partir de 1981, 1982, em Brasília.


Causa Operária – Como foi sua militância no PT, a experiência no jornal Raça & Classe, em 1987?

Edson Cardoso - Tive um vínculo curto e intenso com o Partido dos Trabalhadores, de 1984 a 1987. Entrei para construir a Comissão do Negro do PT, um grupo de grande fecundidade, responsável por propor e construir o I Encontro do Negro do PT, editar o jornal Raça & Classe, articular mais de uma centena de negros e negras no DF e participar com dignidade do processo eleitoral constituinte. Talvez seja importante frisar que, como fiz assessoria para parlamentares do PT (Florestan Fernandes, Paulo Paim e Ben-Hur Ferreira), muita gente associou meu nome ao PT ainda por muitos anos após meu rompimento formal em 1987. O jornal (com tiragem de 3.000 exemplares) era a prova de que, ao menos em Brasília, os negros do PT se dedicavam, com independência, a fazer agitação e propaganda de algumas idéias fundamentais, recusando-se a babar ovo de dirigente partidário, como era (e é) prática nacional bastante difundida. Aliás, fui membro da Executiva Regional, frise-se, com direito a voz e voto.

Causa Operária – Em 1989, você edita o jornal do MNU. Como foi a experiência?

Edson Cardoso - Esgotada a experiência partidária, o que propúnhamos então era a construção de uma organização política negra. No diálogo com lideranças do MNU e outras (chegamos a realizar três reuniões de relativa clandestinidade no final de 1987), acabamos cedendo ao argumento que insistia em não desprezar os 10 anos do MNU, alegando ser possível a construção da organização com amplo debate no interior da principal entidade política de MN. Na coordenação de imprensa da executiva nacional transformei o informativo da entidade em um jornal tablóide que, como o Raça & Classe, teve alguma sobrevida após meu desligamento. Os pesquisadores, aliás, saberão separar o joio do trigo, como convém à verdade histórica. Deixei o MNU após a Marcha de 1995, uma proposta que coordenei sob intenso tiroteio dentro e fora da entidade.

Causa Operária – Qual a avaliação que você faz do Estatuto da Igualdade Racial, que esperava aprovação desde 1998, e agora é aprovado pelo governo Lula?


Edson Cardoso - Que avaliação se pode fazer de uma proposta de legislação que, a rigor, não muda nada na vida das pessoas? Se DEM, PMDB, PSDB, etc., estão felizes com a proposta é razoável nada esperar dela que possa efetiva e concretamente beneficiar a população negra. O ministro da Seppir disse que o projeto era bom porque não causava conflito. Ao contrário, o projeto é ruim porque, na explicitação dos conflitos, os negros foram derrotados.


Causa Operária – Você acompanhou a votação do estatuto. Quais os interesses por detrás das alterações feitas?

Edson Cardoso - O principal interesse é nada alterar da dominação racial, preservando privilégios. Os intelectuais brasileiros mais progressistas andam escrevendo sobre a reação branca racista ao governo de Evo Morales. Assim, nesses termos. Impressiona a acuidade de visão demonstrada por esses intelectuais quando se trata de avaliar relações raciais que não mexem com seus privilégios.

Causa Operária - Partes relativamente positivas do projeto, como o sistema de cotas, apareceram muito desfiguradas na lei final, estão completamente abaixo em importância de medidas profundamente reacionárias como o processo de registro racial que está colocado no projeto. Qual sua opinião sobre isso?

Edson Cardoso - As cotas são medidas especiais que atuam sobre os efeitos das desigualdades. Não se pode exigir das cotas o que elas não podem dar, ou seja, elas não podem atuar sobre as causas estruturais das desigualdades. No entanto, elas são fundamentais para desnudar o conflito e fazer avançar a consciência social. Foram rechaçadas porque, além de ser uma indicação de ação prática do Estatuto, significam o desmascaramento da ideologia da democracia racial.

Quanto à declaração da cor, na minha certidão de nascimento e no meu certificado militar fui classificado como pardo. Tenho irmãos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe, pretos e pardos. No momento em que somos, de novo, maioria da população, com crescente consciência de que a afirmação de nossa identidade no campo da política é fundamental para alterarmos relações de dominação, surgem sensibilidades refratárias a qualquer registro de cor/raça. O que exatamente se teme perder com o fortalecimento da identidade política dos dominados?

Causa Operária – Numa enorme demonstração de racismo, em julho deste ano, o DEM contestou legalmente a constitucionalidade do sistema de cotas para negros instituído em diversas universidades públicas do país. Isso marca o início de uma campanha racista, feita cinicamente em nome da "não discriminação". Quais medidas você considera necessárias contra este ataque?

Edson Cardoso - O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, já manifestou seu voto, quando declarou que no Brasil ninguém é discriminado por ser negro. Há iniciativas em curso, dezenas delas, que incluem negros e índios em universidades federais e estaduais em diferentes regiões do país. Mas os debates nos meios de comunicação costumam dar as costas ao factual, recusando-se a avaliar objetivamente as diferentes modalidades de ação afirmativa. A questão é ideológica e o debate midiático costuma inverter a realidade. Dentro da ideologia vigente, que oculta as desigualdades raciais, não há negros, não há racismo. É necessário então furar o bloqueio imposto pelos grandes jornais e revistas, redes de rádio e TV. Precisamos de mais agitação e propaganda para que possamos mobilizar amplamente em defesa da constitucionalidade das ações afirmativas. Os cotistas me parecem especialmente amedrontados.


Causa Operária – Sendo um dos setores mais explorados, os negros sofrem mais com a crise capitalista. Em sua opinião, qual o peso da crise sobre os negros?

Edson Cardoso - O que singulariza o Brasil é, a meu ver, o zelo com que instituições do Estado colhem e analisam indicadores sociais e econômicos das desigualdades raciais. Saúde, educação, habitação, mercado de trabalho, saneamento básico, temos uma requintada base de dados, uma sólida série histórica, com as quais se divertem as inteligências pervertidas de alguns pesquisadores institucionais. Todo ano tem carnaval, todo ano tem divulgação de dados sobre as desigualdades raciais – e nada muda. Uma celebração macabra, um componente sui generis da ideologia racial brasileira. Os negros continuam expostos à discriminação racial e ao racismo, antes da crise, depois da crise.


Causa Operária – Há uma intensificação da repressão policial nos morros nas favelas do Rio de Janeiro e São Paulo. Isso é uma maneira de aumentar a repressão à população negra?

Edson Cardoso - Em 1949, Abdias Nascimento fez uma carta aberta ao chefe de Polícia do Rio de Janeiro dizendo que pelo tratamento diferenciado com que distinguia a população negra se poderia dizer que a polícia considerava o negro um delinqüente nato e estava criando o "delito de ser negro". Em 1983, já deputado federal, Abdias encaminhou projeto de lei em que incluía o tratamento policial nos campos em que reivindicava a implementação do princípio da isonomia. O título do editorial do jornal Raça & Classe nº 2, de 1987, é "Furor genocida", não só o editorial, mas toda a edição é dedicada a denunciar a violência extrema contra a população negra. São práticas repressivas de longa duração no tempo, práticas incorporadas ao cotidiano de uma sociedade profundamente discriminatória, que renega a humanidade do negro. O que há de mais novo e promissor no movimento social neste momento é a reação organizada de mulheres negras e jovens negros às práticas de execução sumária nos bairros populares da maioria das cidades brasileiras.

Causa Operária – Você poderia falar um pouco sobre seu trabalho no jornal Ìrohìn, fundado por você em 1996?

Edson Cardoso - Estou fazendo imprensa negra há mais de vinte anos, com as limitações conhecidas. Atacamos uma importante deformação ideológica, que reafirma sempre a incapacidade intelectual do negro. Ao contrário, há negros e negras produzindo, pensando, participando de manifestações, escrevendo panfletos, artigos, dissertações e teses. No Ìrohìn pudemos acompanhar o adensamento da reflexão que deve desembocar mais à frente nas construções teóricas que darão sustentação a um projeto político libertador.


Causa Operária – Gostaria de fazer alguma consideração final?

Edson Cardoso - Vêm-se multiplicando iniciativas de comunicação no campo das relações raciais, conduzidas por jovens em todo o país, enfrentando todo tipo de dificuldade para fazer circular informações, avaliações, denúncias. Tudo vai sendo feito com muita energia militante e pouco dinheiro. Os recursos do FAT e do FGTS servem entre nós, via BNDES, para financiar o papel e as iniciativas da grande imprensa. A Rede Globo e suas Xuxas em Angola são também uma evidência de que a ideologia nunca erra seu alvo. Mas cheguei aos sessenta anos podendo dizer, com coerência, que a luta continua.

http://www.geledes.org.br/em-debate/edson-cardoso-fala-da-imprensa-negra-e-da-luta-pela-consciencia-negra.html


101 Anos da Umbanda

101 Anos da Umbanda
solenidade oficial comemorativa

16 de novembro, segunda feira, às 18h
no centenário Plenário do Palácio Tiradentes
na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro,
Praça Quinze, no Centro do Rio

III Marcha Estadual Zumbi dos Palmares 20 de novembro de 2009 Porto Alegre/RS.

III Marcha Estadual Zumbi dos Palmares

20 de novembro de 2009

Porto Alegre/RS.


Porto Alegre, 29 de outubro de 2009.

Estimado (a) Companheiro (a)

O lançamento oficial da retomada das atividades de rua do movimento negro gaucho se deu após o lançamento do Congresso Nacional de Negras e Negras do Brasil – CONNEB, que aconteceu 20 de Abril de 2007, no auditório do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), na cidade de Belo Horizonte, com a presença massiva da militância negra oriunda de diversos Estados da Federação, personalidades, representantes de Governos, a parlamentares e representantes dos movimentos sociais brasileiro. No RS em outubro do mesmo ano se retomou a mobilização da Marcha do 20 de Novembro, onde naquele ano se colocou mais de 05 mil homens e mulheres a nas ruas da capital do Estado.

A Marcha Estadual Zumbi dos Palmares constitui–se em um instrumento estimulador da luta anti-racista contemporânea, que se dá com a organização dos negros e negras em todo o estado através de seminários locais e plenárias regionais. Formulando propostas e projetos dos seguintes temas: relações internacionais, soberania nacional e resistência do povo negro, mulher negra, juventude negra, intolerância religiosa, saude, educação, LGBT, mercado de trabalho entre tantas outros bandeiras de luta. Todos esses temas e parte de um conjunto temático discutido e aprovado em nossas atividades nas mais diversas regiões do Estado.

O movimento social afro gaúcho, ao longo de sua historia tem conquistado aliados, multiplicando e reforçando o peso da denúncia contra o racismo e o combate às desigualdades sócio raciais, colocando na pauta de discussões das políticas públicas do estado e do país propostas antidiscriminatórias e de ação compensatória e afirmativas para a efetiva promoção da igualdade e inclusão, de fato e de direito, da comunidade negra na sociedade brasileira.

Nesse momento estamos nos organizando para nossa III Marcha Estadual Zumbi dos Palmares em unidade com a XII Marcha dos Sem, que acontecerá em 20 de novembro vindouro, na cidade de Porto Alegre.

Por tanto vimos por meio desta convidá-lo (a) a se somar em todas as atividades que estiverem acontecendo em nosso Estado durante a Semana de Consciência Negra, de forma a que possamos estar todos juntos em 20 de novembro, na cidade de Porto Alegre, construindo a maior manifestação pública de luta contra todas as formas de discriminação.

Para isto solicitamos que os Companheiros (as) nos repassem as agendas de atividades que estiverem acontecendo em suas regiões e os que tiverem interesse de estar participando da Marcha Estadual Zumbi dos Palmares, entrem em contato para que possamos articular juntos as condições de mobilização de nosso povo.

Esperamos poder contar com o Vossos apoio, no objetivo de repassarem para suas Listas de contato esta mensagem.

Atenciosamente,


COORDENAÇÃO ESTADUAL

MARCHA ZUMBI DOS PALMARES

Escritorio Operativo da Marcha Estadual Zumbi dos Palmares:

Contatos:

1. Vera Rosa: (51) 81135796 ou (51) 32286872

2. Micheline Freitas: (51) 93478028

3. E-mail: 3marchazumiRS@gmail.com

4. Blog: www.3marchazumbiRS.blogspot.com

5. Grupo: 3marchazumbiRS@yahoogrupos.com.br

Articulação:

6. José Antonio dos Santos da Silva: (51)91792404 – (53)99491618

7. Luiz Osmar Mendes: (51)92053287

8. Vera Rosane: (51)96438505

Obs.: Os demais contatos das Comissões formadas para Coordenar, Mobilizar e criar as estruturas da Marcha, poderão ser conseguidos através do Escritorio Operativo.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Histórias infantis de princesas africanas ganham vida em trailer gratuito na internet

Histórias infantis de princesas africanas ganham vida em trailer gratuito na internet

LivroClip “Omo-Obaâ€�é baseado na obra homônima da escritora Kiusam de Oliveira, que traz as curiosidades de Oiá, Oxum, Iemanjá,

Olocum, Oduduá e Ajê Xalugá

Histórias de princesas costumam fascinar as crianças. Imagine, agora, ter a chance de conhecer um pouco mais sobre a cultura africana por meio de princesas que se tornaram, mais tarde, rainhas. O LivroClip “Omo-Obaâ€�, baseado na obra homônima da escritora Kiusam de Oliveira, com ilustrações de Josias Marinho, dá vida às aventuras da menina Oiá, e promete encantar jovens e adultos. Veja: http://www.livroclip.com.br/index.php?acao=hotsite&cod=209

Além da princesa Oiá, que tinha o poder de se transformar em animais, o livro revela as histórias, particularidades e aventuras de outras cinco princesas africanas: Oxum, Iemanjá, Olocum, Ajê Xalugá e Oduduá. De forma divertida, os leitores vão desvendar os costumes e valores. O trailer é fruto de uma parceria entre o LivroClip e a Mazza Edições, com objetivo de estimular a leitura e levar o melhor da cultura brasileira e afro-brasileira aos leitores.

Os internautas também têm acesso à um hot site exclusivo com mais informações sobre a obra, o autor e o “Espaço do Professorâ€�, com dicas de como usar a obra em sala de aula. O trailer faz parte do acervo digital do portal LivroClip (www.livroclip.com.br), que reúne mais de 150 animações multimídia baseadas em obras de literatura nacional e mundial.

Sobre o LivroClip

O LivroClip é uma mídia gratuita e interativa para incentivo à leitura e apoio ao professor na internet e na sala de aula. Premiado pela Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o LivroClip foi selecionado pelo Ministério da Educação para integrar o Banco Internacional de Objetos Educacionais, que está em desenvolvimento em cinco universidades brasileiras.

Para mais informações:

DeNegrir
Coletivo de Estudantes Negros/as da UERJ.
http://br.groups.yahoo.com/group/denegrir_uerj2005/

AL discute saúde da população negra nesta terça-feira

08h18 Terça-Feira, 27 de Outubro de 2009

AL discute saúde da população negra nesta terça-feira
AL discute saúde da população negra nesta terça-feira


No Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra (27/10), a Assembléia Legislativa da Paraíba realiza uma sessão Especial para discutir a saúde da população negra no Estado. A sessão, de propositura do deputado Rodrigo Soares, acontecerá no Plenário deputado José Mariz a partir das 10 h.

O deputado Rodrigo Soares disse que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado. “Todo cidadão e cidadã têm direito a um tratamento de qualidade, humanizado e sem nenhuma discriminação”, enfatizou o deputado.

De acordo com o membro do Movimento Negro da Paraíba, Felipe Santos, a participação da sociedade no controle social das políticas públicas é essencial para a garantia do direito humano à saúde e outros direitos. “É preciso cada um faça a sua parte para todos juntos fazerem a diferença na construção do Sistema Único de Saúde que atenda a necessidade de todos e sem discriminação”, explicou Felipe.

Segundo Rede Saúde da População Negra durante todo o dia de hoje (27), acontecem várias atividades para a promoção e defesa do direito à saúde da população negra em todo o Brasil.

Enfrentar o racismo e suas conseqüências sobre a saúde das pessoas, garantir a atenção aos problemas que mais afetam a população negra

e lutar pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde são as principais bandeiras de luta do Movimento Negro em todo o Brasil.

DESIGUALDADES RACIAIS NA SAÚDE

Mais de metade das mulheres grávidas referiram ter feito sete ou mais consultas de pré-natal, contudo mães indígenas, negras e adolescentes apresentam um menor percentual de consultas de pré-natal quando comparadas às mães brancas ou àquelas com 20 anos ou mais de idade.

O risco de morte por tuberculose foi 63% maior entre pretos e pardos (negros), quando comparados aos brancos. Para as crianças pretas e pardas (negras) com menos de um ano de idade, o risco de morte por doenças infecciosas foi 43% maior que o apresentado para as crianças brancas.

Independente da região do país, o risco de um homem negro de 15 a 49 anos ser vítima de homicídio é 2,18% vezes superior àquele apresentado por um homem branco na mesma faixa etária.
http://www.clickpb.com.br/artigo.php?id=20091027092047

Rio fiscalizará disciplina obrigatória sobre cultura negra

Rio fiscalizará disciplina obrigatória sobre cultura negra
28 de outubro de 2009 02h11

A 'guerra santa' entre evangélicos e umbandistas causada pela leitura em sala de aula do livro Lendas de Exu, de Adilson Martins, está longe do fim. Medida cautelar na 2ª Vara de Fazenda Pública exige perícia no currículo das escolas públicas e privadas do Estado do Rio para saber como a disciplina História e Cultura Afro-Brasileira, obrigatória nas redes de ensino desde 2003, está sendo aplicada.

O DiaQuatro ONGs do movimento negro impetraram a ação, há um ano e quatro meses, por desconfiar que os colégios desrespeitam a Lei 10.690/03, que incluiu a matéria no currículo escolar oficial. O Centro de Articulação de Populações Marginalizadas e a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa estimam que menos de 50% das escolas no Estado do Rio seguem a determinação.

A discussão sobre a inclusão da disciplina voltou depois que a professora Maria Cristina Marques usou o livro Lendas de Exu com alunos do 7º ano da Escola Municipal Pedro Adami, em Macaé. A leitura provocou desentendimento com os diretores da escola Mery Lice da Silva Oliveira e Sebastião Carlos Menezes. Segundo a professora, ela foi impedida de dar aula.

Os vereadores Luís Sérgio (PMDB) e Ronaldo Gomes (PT do B) repudiaram, ontem, a atitude dos diretores no plenário da Câmara de Macaé. Hoje, eles se encontram com a secretária municipal de Educação, Marilene Garcia.

"Quando a cultura afro-brasileira invadir as escolas, nós teremos a redescoberta da República Brasileira, encontrando personagens que sequer foram citados em livros e não tiveram suas histórias contadas", analisou Humberto Adami, ouvidor do Ministério da Igualdade Racial e ex-presidente da ONG Instituto Iara, uma das que impetraram a ação.

"Intolerância religiosa é inaceitável! Não vamos manter esta postura em nossas escolas", comentou a secretária municipal de Educação do Rio, Cláudia Costin. Sua pasta informou que as 1.063 escolas da rede carioca são orientadas a abordar História e Cultura Afro-Brasileira nas aulas de História, Língua Portuguesa e Artes.

Autor do livro lamenta intolerância
Autor do livro recomendado pelo MEC Lendas de Exu, o escritor Adilson Martins, 70 anos, lamentou que a publicação esteja envolvida em questão religiosa. "Qualquer tipo de intolerância é desagradável. É apenas um trabalho infanto-juvenil que busca propagar a cultura afro-brasileira e romper a imagem de demônio de Exu", explicou. Adilson tem mais dois livros com o aval do MEC: O papagaio que não gostava de mentiras e Erinlé, o caçador publicações voltadas para o público infantil.


http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4066648-EI8266,00-Rio+fiscalizara+disciplina+obrigatoria+sobre+cultura+negra.html

Sarney promete agilizar votação do Estatuto da Igualdade Racial

PRESIDÊNCIA
28/10/2009 - 13h34
Sarney promete agilizar votação do Estatuto da Igualdade Racial
[Foto: presidente do Senado, José Sarney]

Ao receber, na manhã desta quarta-feira (28), representantes do Movimento Negro Nacional do PMDB, o presidente do Senado, José Sarney, prometeu que colocará em votação o mais rápido possível o projeto que cria o Estatuto da Igualdade Racial (PLS 213/03). Mediante a mobilização de 60 deputados, o texto foi votado no último dia 15 por comissão especial da Câmara, a fim de ser imediatamente enviado ao Senado.

Dirigente do Movimento Negro do PMDB, Ernesto Luiz Pereira Filho, deixou a audiência com Sarney certo de que o Senado aprovará a matéria antes do fim do ano. Em sua opinião, Sarney é particularmente comprometido com os avanços conseguidos pelos movimentos negros existentes no país e vai lutar pela votação imediata do projeto.

- Nosso objetivo é que, no mês de novembro, o Congresso Nacional dê de presente aos negros brasileiros o Estatuto da Igualdade Racial. Com isso, teremos Estado brasileiro e Congresso Nacional unidos na promoção da igualdade racial - disse ele.

Nessa entrevista, Ernesto Pereira lembrou que, quando presidente da República, Sarney criou a Fundação Palmares, no propósito de incentivar ações de integração da comunidade negra na sociedade brasileira.

- Ele sempre apoiou as causas da comunidade negra e dos negros brasileiros. Foi ele quem botou o primeiro projeto de ações afirmativas dentro do Congresso Nacional, texto que gerou a defesa das cotas e que originou o Estatuto da Igualdade Racial.

A proposta de estatuto, de autoria do senador Paulo Paim, vem sendo discutido no Legislativo desde 2003. A intenção dos seus defensores é que o Senado o vote rapidamente, para que ele receba a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 20 de novembro - Dia da Consciência Negra.

Teresa Cardoso / Agência Senado

Sarney: quem não se recadastrar corre risco de demissão

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=96818&codAplicativo=2&codEditoria=1

Prefeitura apóia I Seminário Municipal de Saúde da População Negra

Prefeitura apóia I Seminário Municipal de Saúde da População Negra

O I Seminário Municipal de Saúde da População Negra

ascom - 2009-10-28 - 08:00:00 -

O I Seminário Municipal de Saúde da População Negra, promovido pela Rede de Saúde da População de Religiosidade de Matrizes Africanas, em alusão ao 27 de Outubro, Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, contou com apóio da Prefeitura de Porto Velho. O evento foi realizado no espaço Vrena, sede da Associação Cultural Cuniã, dividido em painéis temáticos direcionados aos avanços e conquistas das políticas públicas de igualdade racial.

Segundo destacou o prefeito, Roberto Sobrinho, ainda em 2007, Porto Velho assinou o termo de adesão ao Fórum Intergovernamental de Promoção da Igualdade Racial, o Fipir, se tornando o único município do estado a sensibilizar-se pelas políticas públicas de igualdade racial. “A adesão ao Fipir foi apenas o primeiro passo. Em 2008, promovemos a I Conferência Municipal da Igualdade Racial e neste ano, a Prefeitura deu posse ao Conselho do Negro (Conegro)”, explicou o prefeito.

De acordo com a coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Mara Regina, que inclusive ministrou uma das palestras do seminário abordando o tema “Avanços e conquistas após a implantação do Fipir”, o olhar da administração municipal para as políticas públicas de igualdade racial vão além. “A Prefeitura tem trabalhado na inclusão social da população negra, criando políticas voltadas para geração de emprego, melhorias na assistência a saúde, por reconhecer a existência de racismo e doenças que por razões sociais ou genéticas acometem com mais freqüência à população negra”, afirmou Mara Regina.

O Seminário Municipal de Saúde da População Negra é parte da programação nacional e aconteceu simultaneamente em mais 25 estados brasileiros. O objetivo é divulgar a portaria 992 que instituiu a Política Nacional de Saúde da População Negra. “Além das doenças que acometem com mais freqüência a população negra, existe também as mortes causadas pela violência”, destacou Valéria de Oliveira, sub-secretária de Ações Afirmativas da Secretária Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), ligada a Presidência da República.


http://rondoniadinamica.com/ler.php?id=10329&edi=3&sub=13

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Almirante Negro volta às livrarias

Domingo, 25 de Outubro de 2009 | Versão Impressa

Almirante Negro volta às livrarias

Livro deu nome à ''revolta da chibata''

"Há muito tempo nas águas da Guanabara/o Dragão do Mar reapareceu." Foi necessário meio século para que esse episódio, a rebelião de 1910 dos marinheiros contra os castigos físicos, descrita metaforicamente no samba iniciado por esses versos - O Mestre-Sala dos Mares, de João Bosco e Aldir Blanc -, ganhasse nome e livro definitivos e mais 50 anos para chegar à quinta edição.

Editado pela primeira vez em 1959, A Revolta da Chibata, do jornalista Edmar Morel (1912-1989), será relançado amanhã, no Rio, pela Editora Paz e Terra, com 384 páginas e organizado pelo neto do autor, o jornalista e pós-doutor em história Marco Morel, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O trabalho traz novidades, como as memórias do líder João Cândido, que estavam perdidas.

"As memórias tinham sido publicadas em 1912 e 1913 na Gazeta de Notícias, mas, na coleção da Biblioteca Nacional, faltavam esses exemplares. Localizamos os jornais na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo", relata Marco. A nova edição - as anteriores foram em 1959, 1963, 1979 e 1986 - incorpora a ficha de João Cândido na Marinha, revelada em 2008, e notas, que ajudam na contextualização dos fatos, além de fotos dos rebelados.

O movimento envolveu mais de 2,3 mil marinheiros, a maioria negros e mulatos pobres, nos navios Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Deodoro, na Baía de Guanabara, de 22 a 27 de novembro de 1910. Edmar o batizou de Revolta da Chibata. A frota naval do Brasil, na época, era a terceira maior do mundo, o que ajudou a dar peso à rebelião.

Alguns marujos, como o próprio João Cândido, tinham acompanhado a construção de um dos navios, o Minas Gerais, no estaleiro Vickers-Armstrong, em New Castle, na Inglaterra, aprendendo a manobrá-lo. Isso foi fundamental para o sucesso inicial.

A rebelião foi desencadeada pelo castigo imposto ao marinheiro Marcelino Rodrigues Meneses: 250 chibatadas no Minas Gerais, cujo comandante, capitão-de-mar-e-guerra Batista da Neves, foi morto, assim como outros oficiais e alguns marujos.

No primeiro dia, os marinheiros enviaram manifesto ao presidente Hermes da Fonseca reivindicando o fim do chicote, aumento de soldo e demissão dos oficiais "indignos". Uma anistia encerrou a revolta, mas, dias depois, foi revogada. Muitos revoltosos foram expulsos, presos, torturados, fuzilados. João Cândido foi parar no Hospital de Alienados.

"As pessoas sofriam perseguições por escrever sobre a revolta", conta Morel. Após o golpe de 64, ele próprio teve direitos cassados. "Meu avô não conseguia emprego nas redações dos grandes jornais e recebia ameaças por telefone e por carta", conta Marco.

Em 2008, o presidente Lula sancionou a anistia a João Cândido e os companheiros.Uma estátua do líder da rebelião saiu dos jardins do Museu da República, no Rio, e foi para a Praça XV. Uma proposta da indenização aos descendentes, contudo, foi vetada e, na Marinha, ainda há animosidade. Quase 40 anos após a morte de João Cândido (1969), o Almirante Negro permanece maldito.




http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091025/not_imp456027,0.php

Pode o britânico Nick Griffin imitar Le Pen?

Líder da extrema-direita esteve pela primeira vez num programa de grande audiência

Pode o britânico Nick Griffin imitar Le Pen?

24.10.2009 - 11:49 Por Ana Fonseca Pereira


Um em cada sete britânicos ligou a televisão quinta-feira à noite para ver o líder da extrema-direita garantir que teria o apoio de Winston Churchill, se o antigo primeiro-ministro fosse vivo. Na mais vista (e também mais polémica) edição de sempre do Question Time, Nick Griffin esteve sob o fogo cerrado da plateia, do moderador e dos restantes convidados do conhecido programa da BBC e ontem a imprensa foi unânime a destacar o seu fraco desempenho. Mas opositores e analistas dizem que o partido só tem a ganhar com a exposição mediática, à semelhança do que aconteceu com a extrema-direita francesa.

Kieran Doherty/Reuters





Com o Television Center da BBC, em Londres, sitiado por centenas de manifestantes antifascistas, o líder do Partido Nacional Britânico (BNP) teve de entrar pelas traseiras do edifício e o apupo que ouviu ao chegar ao estúdio foi suficiente para perceber que continuava em ambiente hostil.

Mas na sua primeira participação num programa de grande audiência, Griffin esteve igual a si mesmo. Durante 60 minutos acusou o islão de "não se enquadrar nos valores fundamentais da sociedade britânica", disse ser "assustador" que dois homens se beijem na rua e elogiou o antigo líder do Ku Klux Klan David Duke, que definiu como um homem "quase totalmente não violento" - gerando gargalhadas na plateia e a indignação da escritora afro-americana Bonnie Greer, sentada a seu lado.

"Não sou nazi"
Na mesa estavam também dirigentes dos três principais partidos, incluindo o ministro da Justiça, Jack Straw, mas toda a atenção esteve centrada no BNP, que se opõe a "qualquer forma de integração racial entre britânicos e não europeus". "Não sou nazi, nem nunca fui", reagiu Griffin, apostado em descolar o partido da imagem de violência. Esforços que lhe valeram um milhão de votos nas eleições de Junho e a eleição de dois eurodeputados.

Recusou, por isso, explicar declarações antigas sobre o Holocausto e disse que Churchill - várias vezes citado na propaganda do partido - foi o primeiro a alertar para "os perigos do fundamentalismo islâmico" e da "imigração em massa". Acusou ainda a "elite política" de, a pretexto do multiculturalismo, "prejudicar a população branca" britânica. "Aqui os aborígenes somos nós", sublinhou.

"A grande maioria desta plateia considera aquilo que o senhor defende completamente repugnante", lançou um jovem negro, muito aplaudido, enquanto outro de origem asiática o acusou de querer expulsar todos os que não sejam brancos: "Ficaria surpreendido com a quantidade de pessoas que participariam numa "vaquinha" para lhe comprar um bilhete sem regresso para o Pólo Sul."

Mudo às provocações, o líder do BNP só ontem reagiu, acusando a BBC de o ter colocado perante uma "multidão de linchamento". "Aquela plateia foi tirada de uma cidade que já não é britânica", argumentou, dizendo que Londres foi sujeita a uma "limpeza étnica" e é hoje "dominada por minorias".

Questionado sobre a avaliação que os jornais fizeram do seu desempenho - o "Times" escreveu que o líder do BNP "mostrou que, mais do que ser um nazi temível, é um maluquinho" -, Griffin disse que "o julgamento cabe aos britânicos".

Já a BBC, acusada pela esquerda de dar voz a um racista, argumentou que os oito milhões de telespectadores (a maior audiência em 30 anos de programa, visto semanalmente por dois a três milhões de pessoas) "mostra claramente o interesse do público em ver políticos eleitos serem escrutinados pelo próprio público".

Efeitos de longo prazo
Mal acabou o programa, Straw disse que esta "foi uma semana catastrófica para o BNP" e Chris Huhne, que representou os liberais-democratas, afirmou que a credibilidade de Griffin "ficou seriamente afectada".

Mas há quem discorde. Peter Hain, ministro para o País de Gales, acusou a BBC de ter dado ao BNP "o maior presente da sua lamentável história" e Diane Abbott, a primeira mulher negra eleita para o Parlamento, avisou que "as pessoas que se sentem atraídas pelo BNP vão dizer que ele foi uma vítima". Também Ivor Gaber, professor de Ciência Política na City University de Londres, acredita que o formato do programa "despertou a tradicional simpatia pelos perdedores" e isso beneficiará o BNP a longo prazo.

E vários comentadores compararam o polémico Question Time à entrevista que, em 1984, Jean Marie Le Pen deu ao programa L"Heure de la Vérité, da televisão francesa. Logo após a difusão, as intenções de voto na Frente Nacional (FN) duplicaram e nas eleições europeias seguintes a extrema-direita conseguiu 11 por cento das preferências.

Le Pen, segundo mais votado nas presidenciais de 2002, recorda que aquele foi um "marco" na implantação da FN e ontem, em declarações ao "London Evening Standard", disse acreditar que o BNP sairá reforçado com a exposição mediática: "Todos os partidos políticos são marginais antes de se tornarem importantes."






http://www.publico.clix.pt/Mundo/pode-o-britanico-nick-griffin-imitar-le-pen_1406680

Lobato, eterno Lobato Monteiro Lobato não tinha obras preconceituosas

As qualidades de Lobato

Para a professora da Unicamp Marisa Lajolo, Monteiro Lobato não tinha obras preconceituosas. E mais: o autor é pouco explorado em outras mídias, como TV e web

Mais sobre "Literatura"

O Diário - As obras de Lobato ainda atraem os jovens leitores, principalmente aqueles dos grandes centros urbanos que não estão acostumados com o ambiente rural das histórias de Lobato?

Marisa Lajolo - Acho que sim. Não podemos esquecer que está na moda o turismo rural, está na moda a música country, o rodeio... Por outro lado, a obra infantil do Lobato não é só o ambiente rural. O sítio é só ponto de partida para as mais desvairadas aventuras. Eles vão para o espaço sideral, eles vão para Saturno, eles vão para a Lua visitar São Jorge, vão para a Grécia Antiga. A obra de Lobato, por um lado, tem cenários que são rurais e, por outro lado, tem cenários que são contemporâneos. “A Chave do Tamanho”, que é um dos meus preferidos dele, é uma obra que fala de um mundo no pós-guerra, então é uma obra que discute, com uma competência muito grande e feito para crianças, a questão da violência, a questão da paz, da reconstrução do mundo. Eu acho que ele tem diálogo com as crianças de hoje.


O Diário - Quais são as maiores qualidades da obra do Monteiro Lobato?

Marisa Lajolo - Acho que a maior qualidade da obra do Monteiro Lobato é o respeito que ele tem pelo leitor dele. Ele é um escritor que trata a criança como um ser inteligente e é por isso que a obra dele não é só para criança, é para leitores inteligentes, interessados em discutir o Brasil, em discutir o mundo em que vivem. Lobato é um escritor que renovou a linguagem literária, um escritor muito coloquial, muito irônico.


O Diário - Uma crítica muito frequente à obra de Lobato é a presença de racismo em seus livros e personagens. Como você vê essas críticas?

Marisa Lajolo - Lobato nunca endossa a linguagem racista e preconceituosa dos personagens quando os personagens manifestam esse comportamento. O narrador é sempre crítico dessa atitude. Eu acho que, hoje em dia, as pessoas discutem um pouco isso pela moda de ser politicamente correto. Mas eu acho que Lobato é um homem de seu tempo. Se toda a obra que manifesta e que registra atitudes racistas fosse banida, toda literatura brasileira estaria banida. Em toda literatura, existem escravos, existem senhores, negros maltratados. Eu acho que a questão é o ponto de vista do narrador frente a isso e Lobato é irrepreensível neste ponto.


O Diário - Existe também a maneira como o leitor interpreta o livro.

Marisa Lajolo - Eu acho que a função do narrador é mais ou menos pilotar o leitor. Em última análise o leitor é senhor de sua leitura, mas o bom narrador sabe encaminhar a discussão e Lobato sabia encaminhar sempre em termos de igualdade, de respeito ao próximo.


O Diário - Os livros de Lobato já sofreram muitas adaptações para outras mídias. Como você vê a qualidade dessas adaptações?

Marisa Lajolo - Uma das coisas interessantes nesse livro “Monteiro Lobato Livro a Livro” é que mostra que Lobato mexia em sua obra o tempo todo. Se você ler a primeira edição de “O Saci”, lê uma versão diferente da segunda edição. Eu quero dizer com isso que todas as transcrições da obra de Lobato para outras mídias seriam extremamente bem vistas por ele. Eu vejo com muita simpatia essas transcrições de Lobato para outras linguagens. O quadrinho, a televisão, o cinema. Acho até que ele foi pouco explorado. Talvez existam outras linguagem em que o Lobato ainda possa encontrar novos leitores, como blogs, ciber fictons e por aí vai.


O Diário - A senhora acha que essas adaptações para outras mídias, como teve “O Sítio do Pica Pau Amarelo” para a TV (Rede Globo), podem atrair novos leitores
para a obra de Lobato ou justamente o contrário: fazer com que eles se afastem, por já conhecerem a história?

Marisa Lajolo - Eu acho que não tem muita resposta para essa pergunta. Eu acho que a leitura não ocorre nesse ambiente do leitor que lê e diz “já li e não vou ler mais”. Eu acho que a leitura é um gesto mais coletivo e você tem os mediadores de leitura. E acho até que a obra do Lobato, por ter sempre um mesmo grupo de personagens, cria uma fidelidade do leitor. Nesse sentido, os quadrinhos, as séries criam essa fidelidade do leitor. Atualmente, todo mundo está discutindo um livro do Pedro Bandeira que vai passar para o cinema, feito pela Xuxa, “O incrível mistério de Feiurinha”, e isso alavanca as vendas dos livros da Feiurinha. Eu acho que, atualmente, as diferentes mídias se alimentam mutuamente de uma forma bastante interessante de uma perspectiva de mercado.


O Diário - Falando em mercado, a literatura infantil é um dos setores com maior número de lançamentos na indústria livreira e muitos com qualidade literária, mas somente 54% dos brasileiros são leitores. A senhora acha que esse índice tende a crescer com esse investimento na literatura infantil?

Marisa Lajolo - Acho que tende a crescer, porque tem um investimento governamental muito grande na compra de livros. O governo é o grande consumidor de livros infantis no Brasil. O mercado de livros infantis só perde para o de didáticos e o de auto-ajuda, mas o consumo desses livros é um consumo imediato para as escolas. Então, acho que a indústria livreira vai bem, obrigada.


O Diário - E a família tem a concepção de que é importante incentivar a leitura junto aos filhos?

Marisa Lajolo - Existem famílias e famílias. As famílias que têm uma familiaridade com a cultura letrada têm essa preocupação. Agora, a grande maioria da população brasileira é uma população que só nos últimos dez ou quinze anos chegou a ter uma escolarização. Eu acho que a família é parceira da escola, mas a grande responsável pelas condições de leitura, nas condições brasileiras atuais, é a escola.


http://www.odiariomaringa.com.br/noticia/228561

OJB - ONGs acusam Dobbs de racista e tentam retirá-lo do ar

OJB - ONGs acusam Dobbs de racista e tentam retirá-lo do ar

BOSTON - Organizações civis latinas que defendem as causas imigrantes fizeram na terça-feira, 20, nas escadarias da State House, em Boston, um ato público chamado de 'Basta Dobbs', reivindicando a retirada do ar dos programas de rádio e TV do apresentador da CNN Lou Dobbs. As ONGs alegam que os comentários anti-imigrantes veiculados por ele, sobretudo contra os hispânicos, podem desencadear uma onda de discriminação em massa no país.
O movimento está sendo realizado por todo os Estados Unidos e em Massachusetts capitaneado por seis organizações hispânicas. O diretor-executivo da ONG Assistência Total, Carlos da Silva, foi a única representação brasileira no local.
"A gente não pode virar as costas para o que uma pessoa está fazendo contra imigrantes como nós. Temos que saber dividir essa responsabilidade porque amanhã o ataque pode ser contra nós, brasileiros", disse Silva. "Não há mais espaço para pessoas como Dobbs nas TVs, assim como não podemos ficar calados a ataques que vão desde a venda de uma fantasia anti-imigrante numa rede de lojas como a Target até um apresentador de televisão e rádio que se julga acima ou melhor que os outros", concluiu o dirigente da Assistência Total.
O escritor e ativista de Nova York Roberto Lovato, um dos organizadores do movimento, disse que 'o objetivo é convencer a CNN a retirar do ar o programa Lou Dobbs Tonight'. O movimento Basta Dobbs reúne aproximadamente 40 organizações latinas de 25 cidades, incluindo Nova York, Los Angeles e Boston.
"Nos concentramos em Dobbs porque ele, mais que qualquer outra pessoa nos meios de comunicação, tem perseguido com mais violência os imigrantes, principalmente os latinos", disse Lovato, lembrando que o apresentador de 68 anos se refere aos imigrantes como invasores. "Ele é o homem mais perigoso para os latinos em todo os Estados Unidos", concluiu o escritor.
Os comentários de Dobbs são baseados em fortes opiniões pessoais e seus alvos são os mais diversos. Em julho deste ano chegou a questionar a legitimidade da cidadania do presidente Barack Obama.
Em 2005, Dobbs assegurou no ar "que a invasão dos imigrantes ilegais seria prejudicial à saúde dos americanos", citando casos de lepra no país como exemplos. Em outra ocasião, falou sobre um suposto plano mexicano de retomar o sul dos Estados Unidos.
"Ele pode está desencadeando um grande movimento de discriminação com esses depoimentos descabidos", disse Silva.
E Lovato completou: "As mensagens de Dobbs incitam muitos seres humanos contra os latinos. Não podemos permitir este tipo de sentimento. É hora de dizer 'basta'."

http://www.ojornal.com/site/news.cfm?BRD=2677&dept_id=543384&newsid=20381761&PAG=461&rfi=9

Terceiro Mundo, quando convém

domingo, 25 de outubro de 2009, 01:14 | Versão Impressa

Terceiro Mundo, quando convém

Mas autoimagem favorita deixa o Brasil profundamente confuso

Hans Ulrich Gumbrecht*

Pouquíssimos lugares no mundo, imagino, não ficaram felizes com a eleição do Brasil para sede dos dois próximos megaeventos atléticos, a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Acredito até que as nações que foram rivais do Brasil nessas competições possam facilmente viver com suas derrotas - pois parece ser o sintoma de um altíssimo grau de desenvolvimento social que segmentos crescentes da população prefiram calma e segurança à excitação, à visibilidade internacional e ao orgulho nacional proporcionados pela Copa do Mundo e a Olimpíada. Visto dessa perspectiva, o Brasil é muito mais patriótico à moda antiga que Estados Unidos, Japão e até mesmo Espanha. E isso me agrada bastante.


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No fogo cruzado da guerra alheia
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De que serve esta onda que quebra

Mas embora amplos segmentos das sociedades americana, japonesa ou espanhola possam estar aliviados por evitar o estresse diário decorrente desses megaeventos, muitas outras nações ficaram num ânimo comemorativo quando o Brasil, aparente azarão, foi escolhido: não foi novamente uma cidade europeia (após Londres em 2012 e Barcelona em 1992); não a muito rica e aparentemente consumista Tóquio; e, sobretudo, não foi Chicago e os Estados Unidos, que, a despeito de seu presidente afro-americano internacionalmente muito popular, continuam fazendo o papel de bode expiatório do pacifismo internacional e de qualquer outro tipo de autocrítica ocidental. Quem, por contraste, não adoraria o Brasil, lar do samba e do mais exuberante carnaval; o Brasil, a nação dos mais habilidosos e elegantes jogadores de futebol; o Brasil que afirma nunca ter sido racista e cujo "rei" secular é, aliás, um astro negro do futebol do passado; o outrora conflagrado Brasil, a nação que reconquistou a liberdade e valores democráticos das trevas de um governo militar repressivo.

Todos no planeta capazes de ler ou ao menos assistir TV, incluindo os que não estão muito seguros de encontrar o Brasil num mapa do mundo, estão apaixonados por essa imagem do Brasil - que, é claro, é a imagem de um país do Terceiro Mundo. Os problemas só surgem do fato de que ninguém fica mais contente de se fingir de país do Terceiro Mundo que a própria classe média brasileira e os próprios políticos brasileiros. Ou, mais precisamente: embora os intelectuais brasileiros e a classe média à qual pertencem cultivem uma pretensão apaixonada por se apresentarem como pobres e subdesenvolvidos, rejeitam enfaticamente, ao mesmo tempo, todo estrangeiro que queira vê-los dessa mesma perspectiva.

Felizmente o Brasil está profundamente confuso sobre sua autoimagem favorita, pelo menos de uma maneira. Pois se o país fosse terceiro-mundista de fato, ele não teria o poder financeiro e a infraestrutura tecnológica requeridas para gerir o Campeonato Mundial de Futebol e a Olimpíada com um intervalo de dois anos. Mas qual é o problema, então, dessa confusão - além de sua notável estranheza? O problema é a complacência. Durante as últimas décadas, o Brasil e muitos brasileiros desenvolveram um duplo padrão sobre o próprio status dentro da comunidade internacional. Sempre que for conveniente, para obter vantagens econômicas ou políticas, o Brasil insiste justamente em seu papel como país desenvolvido e altamente industrializado; mas, se for conveniente permanecer cego ante certos problemas internos, os brasileiros e seus políticos são perfeitamente capazes de condescender num tipo de identidade terceiro-mundista.

Não há hoje nada de mais terceiro-mundista certamente que a tolerância do Estado ao crime organizado - e os eventos no Rio de Janeiro, há apenas uma semana, mostraram que, em condições normais, a tolerância ao crime organizado ainda é em muito o padrão no Brasil. Pois a violência que explodiu nas favelas da zona norte do Rio não foi uma violência contra o Estado, para não falar de uma violência como reação a um Estado opressor; foi uma violência respingando de uma guerra civil em curso entre duas grandes organizações criminosas, uma guerra civil que está sendo ativamente ignorada pelo governo e pela mídia enquanto permanecer confinada a certas fronteiras territoriais. Em outras palavras: o Executivo e o Judiciário do Brasil - e, nesse sentido foi irônico que o presidente brasileiro reagisse aos eventos do Rio na presença de seu congênere colombiano. O Estado brasileiro efetivamente cedeu parte do território nacional a organizações criminosas com as quais mantém relações extraoficiais baseadas em negociações similares aos acordos e negociações entre Estados soberanos.

Para um país de Terceiro Mundo essa é uma situação bastante normal, e por essa mesma razão a autoimagem favorita dos brasileiros permite que o eleitorado e o governo permaneçam deliberadamente cegos quando se trata da violência interna factualmente tolerada. Essa situação será um perigo real que impedirá centenas de milhares de espectadores de virem ao Brasil para os megaeventos atléticos? Não creio. Prevejo e espero que a indústria de turismo nacional consiga efetivamente produzir a enorme receita que já está prevendo. Isso porque o presidente Lula e seus ministros estão provavelmente corretos quando apontam para os Jogos Pan-Americanos no Rio, há dois anos, quando essas favelas de alto risco foram temporariamente ocupadas - mantidas calmas com sucesso - por forças militares. Ninguém perguntou, é claro, o que a ocupação significava para a grande maioria daqueles habitantes de favela que não estão envolvidos no crime organizado.

Além dessa questão, a de quem está realmente pagando o preço existencial para o Brasil estar na berlinda internacional, há uma outra questão mais simbólica. Durante os séculos da Antiguidade grega e romana, os dias dos Jogos Pan-Helênicos - sobretudo, os dias dos Jogos de Olímpia - eram dias sagrados, dias de trégua geral. A comunidade internacional retornou a essa antiga condição quando suspendeu os Jogos Olímpicos durante a 1ª Guerra Mundial e a 2ª Guerra Mundial, isto é, em 1916, 1940 e 1944. Hoje, essas guerras entre nações se tornaram muito improváveis, por mais que ainda possamos temê-las. Imaginar guerras entre Rússia e Estados Unidos, Estados Unidos e República Popular da China, ou, mais realisticamente, entre Irã e Israel, ainda podem ser pesadelos para nós - mas há instituições poderosas, razões poderosas e, sobretudo, transformações poderosas nos enquadramentos políticos de nossa mente que tornam esses confrontos improváveis. As guerras constantes de hoje não são guerras entre nações, não são guerras que podem ser "declaradas" a um inimigo visível. Elas são antes conflitos permanentes ou entre organizações terroristas e a comunidade internacional de nações ou entre o crime organizado e autoridades de Estados individuais. Se levássemos a sério essa mudança profunda da "guerra" como um fenômeno, a possibilidade de realizar Jogos Olímpicos seria suspensa permanentemente.

Assim, embora o Brasil, de conformidade com sua autoimagem preferida de país do Terceiro Mundo, seja perfeitamente capaz de organizar megaeventos atléticos altamente lucrativos - paralisando temporariamente a guerra interna com o crime organizado -, o verdadeiro desafio seria essa nação tentar e conseguir um autêntico status de Primeiro Mundo mediante o abandono de qualquer política de tolerância. Mais do que à comunidade internacional de turistas de classe média, os políticos brasileiros (em especial aqueles que se afirmam "de esquerda") e a classe média brasileira devem esse esforço à maioria daqueles concidadãos cumpridores da lei que ainda vivem em favelas.

*Professor de literatura na Universidade de Stanford e autor de Elogio da Beleza Atlética (Cia. das Letras)


http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,terceiro-mundo-quando-convem,456051,0.htm