domingo, 5 de julho de 2009

"Estilo muito tradicional derrotou Kirchner"

São Paulo, domingo, 05 de julho de 2009
Marqueteiro de adversário diz que ex-presidente argentino ficou preso a forma antiga de fazer política
THIAGO GUIMARÃES
DE BUENOS AIRES
O publicitário Jaime Durán Barba é o cérebro por trás da derrota do casal Cristina e Néstor Kirchner nas eleições legislativas de domingo passado na Argentina.Para o marqueteiro do empresário Francisco De Narváez, cuja chapa derrotou a comandada pelo ex-presidente Kirchner na disputa pela Câmara dos Deputados, o governo apostou em um estilo messiânico de política, que não mobiliza mais a população.Como o voto é dado aos partidos, Kirchner e De Narváez foram eleitos. Mas a derrota do governo nas cinco maiores Províncias -foram 3 milhões de votos a menos no país em relação à eleição de Cristina em 2007- evidenciou o fracasso do kirchnerismo no pleito.O revés eleitoral do casal Kirchner nas eleições legislativas foi associado a vários fatores: conflito com o setor rural, fim do ciclo virtuoso da economia, estilo confrontativo da presidente e do marido.O equatoriano Durán Barba acrescenta mais um a essa relação: a campanha de Kirchner, atada a discussões ideológicas e à liturgia peronista, não chegou aos jovens -público-alvo de De Narváez na eleição.Peronismo, partido do governo na Argentina, é o modo de fazer política criado pelo general Juan Perón (1895-1974).Responsável por "desperonizar" a campanha de De Narváez, um dissidente da ala governista da sigla, Durán Barba diz que, para os jovens, Perón é apenas uma "imagem antiga", e ganhou quem soube explorar essas mudanças.Consultor de campanha vitoriosa do presidente do México, Felipe Calderón, Durán Barba disse que, como Barack Obama nos EUA, De Narváez encarnou o sentimento da mudança na Argentina.

FOLHA - Por que o governo perdeu a eleição? JAIME DURÁN BARBA - Foi uma disputa entre duas formas diferentes de fazer política. A de Kirchner, muito tradicional, com a máquina partidária, os discursos. E a outra, uma forma nova, de aproximar o candidato das pessoas, de seus problemas.
FOLHA - Qual foi a influência sobre os eleitores da discussão sobre o papel do Estado na economia, levantada pelo governo? BARBA - Nenhuma. Não é um tema que move o eleitor comum. Foi algo debatido só no chamado "círculo vermelho", de votantes que discutem assuntos legais, constitucionais.
FOLHA - Então o discurso que associou De Narváez às privatizações dos anos 90 não pegou? BARBA - Os problemas dos anos 1970 ou 90 interessam aos cidadãos de mais de 50 anos. Os eleitores de 20 anos não se lembram dos anos 1990. O tempo passa rápido na política, as pessoas se esquecem de tudo.
FOLHA - Por que "desperonizar" a campanha? BARBA - Porque para os jovens Perón é como San Martín [general considerado o "pai da pátria"]. É uma imagem antiga, sem vigência. Seria o mesmo que, no Brasil, fazer campanha com foto de Getúlio Vargas.
FOLHA - De Narváez usou o slogan da mudança, que passou às mãos da oposição. BARBA - Ocorreu algo semelhante nos EUA. Obama era a mudança pela forma como agia, caminhava. De Narváez representava uma pessoa diferente, jovem, alegre. O ex-presidente Kirchner se mostrava como um político clássico, tradicional.
FOLHA - O estilo do governo está ultrapassado? BARBA - Antes, os líderes encabeçavam grupos socialistas, fascistas, capitalistas, que estavam dispostos a guerrear por essas coisas. Hoje as pessoas não querem morrer por ideologias, querem viver de modo confortável.
FOLHA - Como se deu essa virada na opinião pública? BARBA - Kirchner assumiu a Argentina em uma situação econômica muito ruim. O país melhorou, e por isso ele foi muito popular. Melhores economicamente, as pessoas dizem: "Já estou comendo, agora quero respeito e uma sociedade com democracia mais assentada". Então Kirchner perdeu seu contato com o povo, sobretudo após o conflito com o campo.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0507200912.htm

Eleição deve reviver histórica sigla mexicana


São Paulo, domingo, 05 de julho de 2009
Partido Revolucionário Institucional, que governou México por 71 anos, azeita máquina eleitoral de olho na sucessão de 2012Pleito nacional, o primeiro após contestada vitória de Felipe Calderón em 2006, torna clara crise do PRD, principal força esquerdista

FLÁVIA MARREIRO
DA REPORTAGEM LOCAL
Enquanto a campanha pelo voto nulo é a que faz mais barulho num México mergulhado na crise econômica, o tradicionalíssimo PRI (Partido da Revolução Institucional) prepara-se para agarrar a maioria da Câmara dos Deputados nas eleições de hoje, superando o PAN (Partido da Ação Nacional) do presidente Felipe Calderón.O PRI, que governou o México por 71 anos, deve dobrar de bancada, de 105 para mais de 200 das 500 cadeiras da câmara baixa, apontam as principais projeções. Mesmo que não consiga a maioria absoluta, o salto será suficiente para ameaçar a relativa paz legislativa do conservador Calderón, cujo mandato se encerra em 2012 -no México não há reeleição.O PRI estará, a partir de agora, menos disposto a colaborar, apostam os analistas. Desde que perdeu a Presidência para o PAN de Vicente Fox em 2000, o partido fez pacto tático com os oponentes no Legislativo. Com seu estatismo nacionalista já convertido a uma agenda liberal, trocou apoio pela manutenção de seus feudos, como o controle sobre sindicatos.Em 2006, os priistas ficaram apenas em terceiro lugar nas presidenciais. Agora, porém, exibem candidato claro à Presidência, o governador do Estado do México, Enrique Peña Nieto (leia texto nesta página)."As segundas metades de mandato são sempre contaminadas no México. E essa campanha foi especialmente dura entre o PAN e o PRI. O presidente Calderón envolveu-se diretamente na campanha", afirma Salvador García Soto, colunista político do jornal mexicano "El Universal".Calderón, com 60% de aprovação popular, foi o principal cabo eleitoral do seu partido e contribuiu para encurtar a vantagem do PRI, que chegou a ser de 15 pontos percentuais. O PAN deve obter entre 25% e 29% dos votos, contra entre 31% e 34% do PRI.Para García Soto, o governo Calderón soube fazer das eleições legislativas um plebiscito sobre sua "guerra contra o narcotráfico", deixando a crise econômica mais grave desde 1994 em segundo plano.Calderón tem apoio popular para usar o Exército contra os cartéis, apesar das denúncias de violações de direitos humanos e do número recorde de homicídios ligados às drogas no ano passado. São os soldados, aliás, que patrulharão as ruas durante a votação hoje."Não deixe o México cair nas mãos do crime", diz a propaganda do PAN protagonizada por Místico, estrela da luta livre, uma paixão mexicana.Mas o fortalecimento do PRI e a recuperação do governo Calderón ficam mais evidentes ainda se comparados à crise cada vez mais profunda pela qual passa o esquerdista PRD (Partido da Revolução Democrática), que só deve obter entre 11% e 15% dos votos depois de quase levar a Presidência na contestada eleição de 2006.A divisão entre as alas do partido -algo como as tendências do brasileiro PT- tornaram-se dramáticas desde que Andrés Manuel López Obrador, o Amlo, perdeu para Calderón por apenas 0,54% dos votos.Desde então, o carismático Amlo, da esquerda do partido, segue em caravana pelo país reivindicando sua vitória -nunca houve recontagem- e denunciando acordos no Legislativo entre a ala moderada do PRD e o governo Calderón.Nestas eleições, ele radicalizou ainda mais e apoia o pequeno PT (Partido Trabalhista) na eleição para representante de Iztapalapa, a mais populosa das divisões que formam o Distrito Federal e bastião do PRD.Apatia e voto nuloOs analistas dizem que essa larga ressaca de 2006, além dos altos níveis de corrupção que não mudaram com a saída do PRI, contribuíram para outro aspecto dessas eleições: a apatia dos eleitores e o fôlego da campanha pelo voto nulo.Estão inscritos para votar 77 milhões de mexicanos, mas espera-se que menos da metade apareça, aumentando a taxa de abstenção já alta nas eleições nacionais apenas legislativas.Vários sites e até mesmo intelectuais fizeram campanha pelo voto nulo para demonstrar rejeição aos políticos, enquanto uma outra ala alerta para os perigos de pregar contra a democracia. Pesquisas dizem que os nulos podem perfazer entre 5% e 10% dos votos. Geralmente, são 2,5%.

Pyongyang dispara mais sete mísseis, contrariando ONU


São Paulo, domingo, 05 de julho de 2009

COREIA DO NORTE
DA REUTERS
A Coreia do Norte disparou ontem mais sete mísseis balísticos de sua costa leste em direção ao mar, em um ato de desafio à comunidade internacional. Segundo a agência de notícias sul-coreana Yonhap, eram mísseis "Scud", tipo de armamento que o país foi proibido de lançar por uma resolução da ONU.Para um membro do Ministério da Defesa sul-coreano, mais disparos podem acontecer em breve. Há dois dias, a Coreia do Norte havia disparado quatro mísseis de curto alcance como parte de exercícios militares.O Conselho de Segurança da ONU aprovou, em 12 de junho, sanções contra a Coreia do Norte por causa do teste nuclear realizado em 25 de maio. A punição prevê a proibição da compra de todo tipo de armamento norte-coreano, importante fonte de receita para o governo do ditador Kim Jong-il.Um funcionário sul-coreano ouvido pela Yonhap afirmou que os disparos podem ter a intenção de mandar uma mensagem a Washington, que há anos pressiona Pyongyang a encerrar suas atividades atômicas que ameaçam seus aliados, como a Coreia do Sul e o Japão."Os mísseis de hoje parecem ter um objetivo político, pois foram disparados um dia antes do dia da Independência dos EUA [4 de Julho]", disse o funcionário.ProvocaçãoA Chancelaria do Japão declarou que o país "protesta fortemente e lamenta os mísseis disparados pela Coreia do Norte, pois são uma provocação contra a segurança dos países vizinhos".Rússia e China pediram calma e disseram que todos os lados deveriam evitar qualquer ato que possa desestabilizar a região. Os EUA disseram monitorar a situação e instaram Pyongyang a não exacerbar as tensões.
Com agências internacionais

Obama vai à Rússia buscando "recomeço"


São Paulo, domingo, 05 de julho de 2009
Em visita amanhã a Moscou, líder dos EUA vai discutir questões de segurança com presidente russo Dmitri Medvedev
Entre os temas da pauta estão a redução dos arsenais nucleares dos dois países, o escudo antimísseis dos EUA no Leste Europeu e o Irã
DE NOVA YORK
O presidente Barack Obama inicia amanhã viagem à Rússia com o desafio de renovar um programa de desarmamento nuclear assinado no fim da Guerra Fria, que limita os arsenais de cada país. A vigência do Start (iniciais em inglês para Tratado sobre Redução de Armas Estratégicas) acaba no dia 5 de dezembro.A negociação reflete a estratégia adotada no governo Obama de buscar um "reset" (recomeço) nas relações com o governo russo.O tema é importante para Obama, que já afirmou ser "responsabilidade moral" dos EUA liderar os esforços para criar um mundo sem armas nucleares. Vencer as resistências culturais, políticas e as diferenças estratégicas no diálogo entre Washington e Moscou não deverá ser tarefa fácil.No governo Bush, o relacionamento entre os dois países ficou bastante desgastado, especialmente durante o conflito entre Rússia e Geórgia, em agosto de 2008, quando Washington se alinhou a Tbilisi.Além do presidente Dmitri Medvedev, Obama se reunirá com o premiê Vladimir Putin, com o ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchov e com líderes políticos e econômicos.A agenda comum aos dois países deve explorar temas como combate ao terrorismo, eficiência energética, mudanças climáticas e o relacionamento com o Irã. Os dois deverão assinar uma declaração de cooperação sobre o uso pacífico da energia nuclear e de cooperação militar e de trânsito de mercadorias militares dos EUA ao Afeganistão.Em abril, Obama e Medvedev já haviam sinalizado a intenção de avançar as negociações, na reunião do G20 em Londres.Em entrevista à Associated Press, Obama afirmou que mantém uma relação muito boa com Medvedev, mas que Putin "tem um pé na velha maneira de fazer negócios e um pé na nova forma". Já Putin disse que "está firmemente parado sobre as duas pernas e sempre olhando para o futuro".Apesar da disposição declarada dos presidentes, as negociações podem esbarrar em divergências como o estímulo dos EUA para a entrada da Ucrânia e da Geórgia na Otan (aliança militar ocidental) e o projeto de um escudo antimísseis dos EUA baseado na República Tcheca e na Polônia.Segundo Serguei Prijodko, assessor do Kremlin para Assuntos Internacionais, o governo russo pretende vincular o fechamento de um novo acordo a um recuo nos planos de construir o escudo antimíssil.Mas Michael McFaul, assessor de Obama e diretor do National Security Council para assuntos russos, afirmou que os EUA não vão fazer concessões em relação ao escudo antimísseis e nem abrir mão do apoio dado à Ucrânia e Geórgia em prol do "reset" com os russos.Stephen Sestanovich, especialista em Rússia do Council on Foreign Relations, afirmou em teleconferência da qual a Folha participou, que desta vez o desempenho de Obama será submetido de forma mais rigorosa ao escrutínio público."Esta viagem envolve uma dimensão extra para ele, que é a negociação prática. E isso deve atrair mais atenção para a obtenção de resultados, se ele conseguirá ou não um acordo específico, principalmente para o controle de armas", disse.Os EUA querem rever as discussões em relação ao Tratado de Moscou, firmado em 2002 entre Bush e Putin. Esse tratado estabeleceu um limite de 1.700 a 2.200 ogivas nucleares para cada país. A ideia agora é reduzir o total de armas, mas especialistas se mostram céticos quanto a um corte mais drástico e avaliam que o novo número será de cerca de 1.500."O que está conduzindo o presidente Obama é a visão de que os EUA e a Rússia precisam mostrar liderança para obter reação maior em outros Estados para lidar com duas ameaças nucleares que nos preocupam muito mais -a proliferação nuclear em outros países e o acesso de terroristas a armas e materiais nucleares", disse Charles Ferguson, especialista em ciência e tecnologia do Council on Foreign Relations.
(JANAINA LAGE)

Obama vai à Rússia buscando "recomeço"


São Paulo, domingo, 05 de julho de 2009
Em visita amanhã a Moscou, líder dos EUA vai discutir questões de segurança com presidente russo Dmitri Medvedev
Entre os temas da pauta estão a redução dos arsenais nucleares dos dois países, o escudo antimísseis dos EUA no Leste Europeu e o Irã
DE NOVA YORK
O presidente Barack Obama inicia amanhã viagem à Rússia com o desafio de renovar um programa de desarmamento nuclear assinado no fim da Guerra Fria, que limita os arsenais de cada país. A vigência do Start (iniciais em inglês para Tratado sobre Redução de Armas Estratégicas) acaba no dia 5 de dezembro.A negociação reflete a estratégia adotada no governo Obama de buscar um "reset" (recomeço) nas relações com o governo russo.O tema é importante para Obama, que já afirmou ser "responsabilidade moral" dos EUA liderar os esforços para criar um mundo sem armas nucleares. Vencer as resistências culturais, políticas e as diferenças estratégicas no diálogo entre Washington e Moscou não deverá ser tarefa fácil.No governo Bush, o relacionamento entre os dois países ficou bastante desgastado, especialmente durante o conflito entre Rússia e Geórgia, em agosto de 2008, quando Washington se alinhou a Tbilisi.Além do presidente Dmitri Medvedev, Obama se reunirá com o premiê Vladimir Putin, com o ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchov e com líderes políticos e econômicos.A agenda comum aos dois países deve explorar temas como combate ao terrorismo, eficiência energética, mudanças climáticas e o relacionamento com o Irã. Os dois deverão assinar uma declaração de cooperação sobre o uso pacífico da energia nuclear e de cooperação militar e de trânsito de mercadorias militares dos EUA ao Afeganistão.Em abril, Obama e Medvedev já haviam sinalizado a intenção de avançar as negociações, na reunião do G20 em Londres.Em entrevista à Associated Press, Obama afirmou que mantém uma relação muito boa com Medvedev, mas que Putin "tem um pé na velha maneira de fazer negócios e um pé na nova forma". Já Putin disse que "está firmemente parado sobre as duas pernas e sempre olhando para o futuro".Apesar da disposição declarada dos presidentes, as negociações podem esbarrar em divergências como o estímulo dos EUA para a entrada da Ucrânia e da Geórgia na Otan (aliança militar ocidental) e o projeto de um escudo antimísseis dos EUA baseado na República Tcheca e na Polônia.Segundo Serguei Prijodko, assessor do Kremlin para Assuntos Internacionais, o governo russo pretende vincular o fechamento de um novo acordo a um recuo nos planos de construir o escudo antimíssil.Mas Michael McFaul, assessor de Obama e diretor do National Security Council para assuntos russos, afirmou que os EUA não vão fazer concessões em relação ao escudo antimísseis e nem abrir mão do apoio dado à Ucrânia e Geórgia em prol do "reset" com os russos.Stephen Sestanovich, especialista em Rússia do Council on Foreign Relations, afirmou em teleconferência da qual a Folha participou, que desta vez o desempenho de Obama será submetido de forma mais rigorosa ao escrutínio público."Esta viagem envolve uma dimensão extra para ele, que é a negociação prática. E isso deve atrair mais atenção para a obtenção de resultados, se ele conseguirá ou não um acordo específico, principalmente para o controle de armas", disse.Os EUA querem rever as discussões em relação ao Tratado de Moscou, firmado em 2002 entre Bush e Putin. Esse tratado estabeleceu um limite de 1.700 a 2.200 ogivas nucleares para cada país. A ideia agora é reduzir o total de armas, mas especialistas se mostram céticos quanto a um corte mais drástico e avaliam que o novo número será de cerca de 1.500."O que está conduzindo o presidente Obama é a visão de que os EUA e a Rússia precisam mostrar liderança para obter reação maior em outros Estados para lidar com duas ameaças nucleares que nos preocupam muito mais -a proliferação nuclear em outros países e o acesso de terroristas a armas e materiais nucleares", disse Charles Ferguson, especialista em ciência e tecnologia do Council on Foreign Relations.
(JANAINA LAGE)

sábado, 4 de julho de 2009

Cotista ganha prêmio de melhor aluno universitário

(23/06/2009 - 16:08)
"Fomento a alunos compromissados fazem não só a diferença entre permanecer e sair da Universidade, como entre se destacar ou ser mais um dentro da instituição".

Por Marcus Bennett

Numa época em que a discussão entre o mérito e a oportunidade de ingresso de alunos negros no ensino superior por meio de cotas tem tomado as pautas da mídia brasileira, um estudante negro, cotista, prova que o mérito de sua formação profissional não está ligado apenas ao modo de ingresso na instituição, mas que seu futuro também depende do esforço que se empreende durante todos os anos de faculdade. Assim pensou Gilberto da Silva Guizelin, vencedor do Prêmio de melhor aluno da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 2008.
Superintendente Regional da Caixa, Roberto Bachmann, e Reitor da UEL, Wilmar Marçal, entregam prêmio de 10 mil reais
Com uma nota média de 9,520 pontos, o agora historiador recebeu R$ 10 mil pelo feito, no final de abril deste ano. Segundo a pró-reitora de graduação da UEL, professora Maria Aparecida Vivian de Carvalho, "nós não tivemos nenhum aluno que se aproximou dessa média", o que valoriza ainda mais a conquista.

O prêmio é inédito na instituição e surgiu de uma parceria entre a Reitoria e a Caixa Econômica Federal para premiar aquele que teve um melhor desempenho entre os demais alunos no decorrer de toda a graduação.

Gilberto e Júlia Amabile, do Programa Afroatitude
A professora Maria Aparecida conta que para ser justo, o processo de seleção foi muito estudado, visando os projetos pedagógicos dos cursos e seus respectivos sistemas de avaliação. Para tanto, o critério é o estudante ter ingressado por concurso vestibular, não ter tido qualquer anotação ou registro em sua pasta acadêmica e também alcançado uma nota mínima em cada disciplina, igual ou superior a sete. Isso significa não ter tido nenhuma reprovação.

Feliz da vida, Gilberto nem pensa em parar. Quer, desde já, dar prosseguimento a seus estudos. "Este dinheiro vai me auxiliar no decorrer da minha pós-graduação que acabo de iniciar aqui mesmo na UEL, dentro do Programa de Mestrado em História Social. Mas, talvez, mais importante do que o valor financeiro do prêmio, seja o reconhecimento dele advindo, o que tem me ajudado a abrir inúmeras portas no caminho de minha formação," observou.
Banca examinadora que aprovou com louvor a monografia de Gilberto

Natural de Paraguaçu Paulista, interior de São Paulo, Gilberto Guizelin atribui parte de seu sucesso ao Programa Afroatitude, voltado para o fomento de bolsas de estudo para estudantes negros e oriundos de escola pública. Para ele, o Programa Afroatitude foi fundamental para o desenvolvimento de uma consciência mais cidadã e pelo amadurecimento nas questões acadêmicas, como estudos, pesquisas e artigos.

Veja seu depoimento:

"Penso que uma das principais razões de eu ter ganhado este prêmio foi, sem dúvida, a conjuntura favorável de minha formação ao longo dos últimos quatro anos. Quando ingressei na universidade, em 2005, no curso de História, logicamente que uma das minhas preocupações era com relação à minha capacidade de acompanhar as matérias, pois vindo de uma família de recursos financeiros escassos, desde a época do colégio pensava em me sustentar na Universidade por algum sistema de bolsa de estudo, assim a manutenção de uma boa média era uma preocupação constante desde o Ensino Fundamental e Médio. Assim que cheguei na UEL, conheci o Afroatitude e fiquei vinculado ao programa por dois anos e meio, entre 2005 e 2007. Minha experiência foi muito boa, pois, além de me inserir nas discussões recentes em relação às cotas para estudantes negros, o programa possibilitou-me sair na dianteira de meus colegas de curso, uma vez que desde o início de minha graduação passei a ter contato com um projeto de iniciação científica, capacitando-me a produzir diversos trabalhos científicos, o que, por sua vez refletiu na construção de um currículo Lates acima das expectativas de um aluno de graduação, e, ainda, me abriu um mundo novo ao me levar para congressos científicos em diversas partes do Paraná e do Brasil".

"Uma outra exigência do Programa, além de contemplar estudantes negros, era desenvolver pesquisas que abordassem o negro. O que para todos os alunos contemplados com o programa foi uma dificuldade tendo em vista a escassez de projetos acadêmicos que tenham a preocupação com este público tão esquecido na história institucional, social e econômica do Brasil. Contudo, para minha sorte, dentro do Departamento de História, o professor José Miguel Arias Neto encontrava-se desenvolvendo uma pesquisa em torno da formação da Marinha de Guerra do Brasil, e uma das finalidades da pesquisa era estudar a presença negra neste processo de constituição. Gostei muito de ter feito parte dessa pesquisa, pois não só criei vínculos de amizade e estabeleci uma relação de profissionalismo, como ainda publiquei meus primeiros artigos acadêmicos dentro da Revista Afroatitudeanas". (
http://www2.uel.br/revistas/afroatitudeanas/)
"O curso de História teve uma grande participação no Programa Afroatitude da UEL, pois quatro de seus estudantes faziam parte dele: Fernanda Charis, Júlia Amabile, Laércio e eu. Como fazíamos parte do mesmo curso e da mesma turma, nosso contato era diário, o que me permitiu tomar ciência do estado de suas pesquisas e de suas trajetórias no decorrer do curso. Aliás, tenho orgulho em dizer que, próximo ao encerramento do programa, em uma pesquisa interna da UEL, realizada para medir o desempenho dos alunos cotistas e membros do Programa, nós, os alunos de História, ficamos entre os primeiros. O que mais uma vez reforça que possibilidades de fomento a alunos compromissados fazem não só a diferença entre permanecer e sair da Universidade, como entre se destacar ou ser mais um dentro da instituição".
Gilberto e a amiga Fernanda, do Programa Afroatiutude
Projetos futuros

O objetivo profissional de Gilberto Guizelin é se tornar um professor universitário. Para tanto, busca, desde já, desenvolver uma boa dissertação de mestrado sobre um tema pouco conhecido e difundido que é a política externa imperial do Brasil e suas preocupações com relação à África. Ao mesmo tempo, já se adianta à construção de um projeto de doutoramento. "Uma viagem para Angola, tipo um intercâmbio com os pesquisadores de além-mar, assim como uma viagem para estudo nos centros de documentação de Portugal e Grã-Bretanha seriam também bem vindas, mas, quanto a isso, resta estabelecer algum convênio de pesquisa", aspira.

Turma de formandos do curso de História 2008, da UEL

Recém ingressado no Programa de mestrado em História Social da UEL, Guizelin desenvolve a pesquisa A Projeção Atlântico-Africana do Império Brasileiro (1822-1863): "Destino" ou "Fardo Atlântico" à Construção do Estado Nacional Brasileiro. O trabalho voltado à investigação da política externa do Império brasileiro com relação ao continente africano, mais especificamente com as colônias portuguesas. "Meu interesse por esta temática se deu pelo fato de as relações bilaterais entre a África e o Brasil, desenvolvidas a partir do comércio negreiro, desde meados do século XVI e consolidadas entre os séculos XVII e XVIII, formarem um caso sui generis na História: a constituição de um sólido, difuso e complexo circuito mercantil no Atlântico Sul, no qual as praças brasileiras ocuparam, por excelência, uma posição político, administrativa e comercial estratégica", revela.


Conheça mais sobre o Programa Afroatitude na UEL:
http://www2.uel.br/neaa/afroatitude/artigo-mec.html

http://www.palmares.gov.br/

Honduras rechaça ultimato dado pela OEA


São Paulo, sábado, 04 de julho de 2009

Secretário de organismo diz que "não encontrou disposição" de autoridades hondurenhas para volta do presidente depostoCom isso, entidade deve decidir hoje, em reunião em Washington, pela suspensão do país centro-americano, na sanção mais dura desde 62
Oswaldo Rivas/Reuters
Soldados protegem palácio presidencial de novos protestosFABIANO MAISONNAVEENVIADO ESPECIAL A TEGUCIGALPA (HONDURAS)
Em visita a Honduras, o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, disse ontem que não encontrou "disposição" para a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya."Lamento dizer que, nas minhas gestões, não se viu disposição para reverter essa situação", afirmou Insulza, pouco antes de deixar o país. "Ao contrário, recebi uma quantidade de documentos demonstrando que forma haveria acusações contra o presidente e que justificariam a medida".No encontro mais importante, Insulza ouviu da Corte Suprema de Justiça que Zelaya será preso e processado caso volte ao país.Insulza também se reuniu com os dois principais candidatos à Presidência para as eleições de 29 de novembro. Um deles é o ex-vice-presidente de Zelaya, Elvin Santos, que rompeu politicamente com o seu companheiro de chapa e ganhou as primárias do Partido Liberal (centro-direita).Com a irredutibilidade das autoridades hondurenhas, a OEA deve cumprir, em reunião hoje em Washington, o ultimato que deu há 3 dias e que previa a suspensão do país do organismo caso Zelaya não voltasse ao poder até hoje.O fracasso da missão de Insulza deixa mais remotas as possibilidades de retorno de Zelaya, que tem prometido regressar amanhã ao país, acompanhado dos presidentes Cristina Kirchner (Argentina) e Rafael Correa (Equador).A dificuldade de um acordo entre as partes ficou exposta desde a chegada de Insulza, que viajou num avião Legacy da FAB (Força Aérea Brasileira). Ao saber que o novo chanceler do país, Enrique Ortez, lhe esperava na pista com honras militares, o secretário-geral mandou avisar que não se encontraria com ninguém do governo interino de Roberto Micheletti.O impasse foi resolvido quando Ortez deixou a base aérea de Tegucigalpa pouco antes da chegada de Insulza.Micheletti organizou uma grande concentração diante da Casa Presidencial na mesma hora em que Insulza desembarcava. Falando a milhares de simpatizantes vestidos de branco, o presidente puxou o coro de "fora, Mel", como Zelaya é conhecido no país, e voltou a afirmar que não houve um golpe de Estado no último domingo (veja os argumentos do governo em quadro nesta página). Na entrevista coletiva de ontem à noite, Insulza voltou a qualificar o que houve no país de "golpe militar".Distante poucas quadras da manifestação pró-Micheletti, simpatizantes de Zelaya caminharam até a representação local da OEA para agradecer o "apoio" da organização e exigir a volta do presidente deposto.HistóricoConfirmada a suspensão de Honduras, será a decisão mais dura tomada pela OEA desde que Cuba sofreu uma punição semelhante, em 1962, três anos depois da revolução liderada por Fidel Castro que implantou uma ditadura no país.Se suspensa, Honduras perderá o direito de participar das sessões da Assembleia Geral e de qualquer outro corpo ou atividade da OEA. A medida, no entanto, não inclui nenhum tipo de sanção econômica contra o país. Os EUA, parceiro crucial de Honduras, prometeram no entanto reavaliar a ajuda financeira ao país após a decisão do organismo.A deposição de Zelaya também foi condenada pela ONU e por diversos líderes mundiais, como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Barack Obama e Hugo Chávez, este um aliado do ex-presidente e considerado por muitos no país como o pivô da crise.Por outro lado, a substituição de Zelaya por Micheletti, até domingo presidente do Congresso, contou com respaldo de todos os Poderes hondurenhos, da cúpula das Forças Armadas, da maior parte dos empresários e da maioria do Partido Liberal.Os opositores de Zelaya o acusam de tentar modificar a Constituição para permitir a sua reeleição, como ocorreu na Venezuela de Chávez. O presidente deposto afirma que deixaria o poder em janeiro, ao final de seu mandato.

Deputados articulam frente pela igualdade racial


Igualdade Racial



Escrito por Assessoria de Imprensa
03-Jul-2009
Os deputados estaduais Isaltino Nascimento (PT-PE), José Cândido (PT-SP) e Maria Tereza Lara (PT-MG), vereadores de vários partidos e municípios terão encontro em Brasília, no próximo dia 15, para articular a criação da Frente Parlamentar Nacional pela Promoção da Igualdade Racial. O ministro Edson Santos (Sepir) e o secretário-adjunto Eloi Ferreira de Araújo também participarão do encontro na capital federal.
Os deputados e os vereadores decidiram criar a Frente Parlamentar Nacional pela Promoção da Igualdade Racial durante a II Conapir. A intenção do grupo é a frente trabalhe pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e no projeto de lei de cotas. Ambos tramitam no Congresso.
"Precisamos tornar público o conteúdo do Estatuto da Igualdade Racial e mostrar a importância de sua aprovação para a sociedade, conquistando mais parceiros nesta mobilização" ressaltou Isaltino, que participou da II Conapir, entre os dias 25 e 28 de junho. No encontro, eles trataram da aplicação das políticas de promoção da igualdade racial em estados e municípios brasileiros.
http://isaltinopt.com.br/index.php?option=com_frontpage&Itemid=1

Fundado o NAFRO-PM/RJ


Direitos Humanos
NAFRO-PM/SP
Mais um recurso para se estabelecer o Estado Laico e Liberdade de Crença dentro das Polícias e também para o combate ao racismo, à discriminação, ao preconceito e à Intolerância Religiosa.
Foi formalmente fundado, dia 18 de Junho de 2009, o NÚCLEO DAS RELIGIÕES AFRO BRASILEIRAS DOS POLICIAIS MILITARES, só que agora, do ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Apoiado pelo QCG – Comandante Geral, CEL PM Gilson Pitta Lopes, Seção Estado Maior e com apoio da Major Márcia e Sargento Wellington, O NAFRO-PM/Rio integrará, o grupo já criado de PM’s de AXÉ, o do Estado da Bahia e de São Paulo. Agora totalizando 3 Estados brasileiros, o Projeto NAFRO, é um recurso para se estabelecer o Estado Laico e Liberdade de Crença dentro das Polícias e também para o combate ao racismo, à discriminação, ao preconceito e à Intolerância Religiosa. O NAFRO-BAHIA esteve lá, para dar apoio à criação do novo Projeto, que teve origem nos ideais do Sargento Eurico, da PM Baiana. O Lançamento oficial do NAFRO-PM/Rio ainda não está marcado, mas o Jornal A GAXÉTA, socializará a data.

Autor:
A Gaxéta

Alvará De Funcionamento é emitido para o Terreiro de Pai Flávio De Yansan


Religião
Intolerância Religiosa

A Casa de Axé está REGULAMENTADA!
Fechados? Nunca!
Impedidos, por um ato caracterizado com a mais violenta manifestação de Intolerância Religiosa, só perdendo para o Terreiro de Salvador, demolido por tratores, da Iyalorixá Rosinha de Oyá. Assim foi ‘o encerramento das atividades religiosas’ do Ilê Alaketú Axé Egbé Oyá Ogun: impedidos por estar inserido há, 24 anos, num bairro caracterizado estritamente residencial.
Num país, onde a desigualdade social, o descumprimento de Leis – através de interpretações manipuladas e dentenciosas-, e a injustiça imperam de forma impiedosa, não há dúvida que a “qualidade, competência e a capacitação” de advogados sejam imprescindíveis para a sustentabilidade da democracia. Estamos falando do Brasil, uma imensa Pátria, onde poucos gozam de UMA JUSTIÇA CEGA E IMPARCIAL.
Em nosso caso especificamente, a ação e objetividade dos advogados Prof. Dr. Hédio Silva Junior (Ex- Secretário de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo) e Dr. Anivaldo dos Anjos Filho (Assessor Jurídico do NAFRO-PM/SP) foram determinantes para um resultado justo e recheado de legalidade. Para isso, a necessidade destes profissionais, promotores da justiça, em dominarem a Lei, através de cansativos estudos e precisa interpretação da legislação, demonstraram que o Poder Público não pode ser arbitrário e impiedoso com seus munícipes.
Nosso templo, depois de anos de embate, foi finalmente relugalarizado, conseguindo a exigência máxima: o ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO, que até então, era negado, pois o Terreiro – espaço sagrado e sacralizado para cultos africanos , tinha-o constantemente negado, sob a alegação de que o Bairro era estritamente residencial, a famosa ZER, estabelecida pela Lei Municipal nº13.885 de 25 de Agosto de 2004, portanto não permitia a existência de Templos. Isso sem falar nas inúmeras Igrejas de outros cultos existentes na região.
O atual Sub-Prefeito da Vila Mariana, Maurício de Oliveira Pinterich, que além de receptivo, colocou à disposição do processo, toda a sua equipe jurídica, que finalmente reconheceu o ERRO JURÍDICO cometido por administradores anteriores, pressionados por fanáticos da região e, por falsas denúncias (anônimas - o que é pior).
A participação do Vereador Paulistano José Luiz de França Penna (PV), através de sua assessoria, foi fundamental na articulação em aproximar PODER PÚBLICO X ADVOGADOS.
BINGO!
A COMUNIDADE DE ORIXÁ venceu!
A vitória emocionou a CASA DE OXUMARÊ, da qual Pai Flavio de Yansan é filho. Fez o Babalorixá Pecê de Oxumarê chorar e, também foi motivo de centenas de e-mails de parabenizações, vindos de todo Brasil, do Exterior, e inclusive de Políticos.
A alegria se deu, não só pela LEGALIZAÇÃO de um Terreiro, mas pela resistência ao esquema de perseguição, preconceito e discriminação contra o CULTO DOS DEUSES AFRICANOS, que em outras palavras, é caracterizado como RACISMO. É vitória sobre a INTOLERÃNCIA RELIGIOSA, que vem massacrando Terreiros em todo o País. É vitória do Negro e sua Cultura. É vitória do AXÉ. É vitória de Oyá/Yansan. São os “oxés” de Xangô, sobre a injustiça. É o veneno da Cobra de Oxumarê, contra os intolerantes. São as ÁGUAS DE OXALÁ lavando a sujeira humana dos preconceituosos.
E como mensagem fica que, TODAS AS PESSOAS, OU TERREIROS QUE ESTEJAM PASSANDO POR SITUAÇÕES SEMELHANTES, que primeiramente apelem para bons advogados, resistam à guerra moral e psicológica, ignorem as especulações e fofocas, persistam em suas ideologias e que creiam em seus Orixás. É como se tem dito: ATÉ OXALÁ VAI À GUERRA, desta vez junto com Oyá. Epahey!
Autor:
A Gaxéta

MUSEU AFRO-BRASIL - Fechado


Religião Afro-Brasileiras - Matriz Africana
Às vésperas da II CONFERENCIA DA PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL , que será realizada em Brasília nos dias 25/26/27/28 desse mês, nós aqui da terra dos eternos emboabas, soubemos que o Museu Afro Brasil, que vive liberto e andando às margens da sociedade, como nos dias pós-abolição e que conta parte de nossa riquíssima história, teve sua energia elétrica cortada pela Eletropaulo, COMO SE FOSSE A CHICOTADA FINAL.
Depois de muitas batalhas para se edificar, conseguiu tal fato em 2004, uma data histórica(?) (comemoração dos quatrocentos e cinqüenta anos de São Paulo). No inicio, através da Petrobras, o governo federal patrocinou sua manutenção, com exposições de alto nível para todos. Quando acabou o patrocínio, o museu que estava na fase de implantação, ao invés de se tornar INSTITUCIONALMENTE UM MUSEU virou apenas uma associação, chamada ASSOCIAÇÃO MUSEU AFRO BRASIL. Sua subsistência se deu com recursos próprios e de receitas de exposições temporárias.
Afim de se institucionalizar desde o final de 2008, houve um processo junto ao governo do Estado para transformar o museu em O.S. (Organização Social), porém o processo foi arquivado e o MUSEU AFRO BRASIL, hoje se encontra sem recursos, funcionários com salários atrasados, acervo fechado para visitação, funcionando em horário reduzido para diminuir as despesas e finalmente, tendo a luz cortada. É bom lembrar que na II Conferencia da Promoção da Igualdade Racial Estadual ocorridos nas Arcadas, o então secretário da Justiça de São Paulo, Luiz Antonio Marrey, lendo o compromisso do governo do estado com as políticas afirmativas entre outras coisas, disse que a manutenção do Museu Afro Brasil seria de responsabilidade do governo estadual.
Para muitos de nós não é surpresa, que em um governo que em seu alto escalão não tem um cidadão negro, que um de seus secretários diga que “políticas afirmativas só daqui a 500 anos” e que o próprio governador diga que vivemos em perfeita harmonia na sociedade brasileira, é possível afirmar que lidamos com a miopia da razão e com um inimigo do povo negro!
“Há duas formas de revolução:- Uma com as armas e o povo nas ruas, outra através dos votos...”
“Nzambi ye bakulu etu kakala yeto”
(Deus e os nossos ancestrais estão conosco!!!)
Waldir Britto (Dicá)/Maria Helena
Embaixadores do Samba de São Paulo

Cinthia Gomes
Jornalista
Rádio Eldorado e Site Afroeducação
+ 55 11 2108-6711
+ 55 11 8163-4687
www.territorioeldorado.com.br
www.afroeducacao.com.br
Autor:
A Gaxéta

NOTA DE ESCLARECIMENTO - ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL



Com o objetivo de esclarecer a posição do Governo Federal junto a entidades do movimento negro que, durante a II Conferência Nacional de Igualdade Racial, lançaram manifesto em defesa da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, a SEPPIR divulga a seguinte nota:

Da Elaboração do Estatuto
O Estatuto da Igualdade Racial foi concebido para alcançar direitos essenciais à população negra brasileira em sua totalidade e, portanto, crianças, adolescentes, jovens e idosos são destinatários e beneficiários da norma. O Projeto tem caráter compensatório e, sobretudo reparatório, o que impõe a transversalização do público alvo nas ações nele contidas.

Tramita na Câmara dos Deputados, no âmbito de Comissão Especial, o Projeto de Lei 6264 de 2005, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, resultado da aprovação, em 25 de novembro de 2005, do PLS nº 213/20031 no Senado Federal, em caráter terminativo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O referido Projeto veicula normas com finalidades de combater a discriminação racial incidentes sobre a população negra com a implementação de políticas públicas pelo Estado contemplando os seguintes eixos de atuação: saúde, educação, cultura, esporte, lazer, liberdade de consciência, de crença e livre exercício dos cultos religiosos, financiamento das iniciativas de promoção da igualdade racial, e moradia adequada, direito dos remanescentes das comunidades dos quilombos às suas terras, mercado de trabalho, sistema de cotas, meios de comunicação, ouvidorias permanentes nas casas legislativas e acesso à justiça.

A Casa Civil e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR), com intuito de esclarecer o tema, iniciaram em 2003, debate mais sistemático sobre o Estatuto no âmbito do Governo Federal com a participação de diversos ministérios e outros órgãos diretamente envolvidos com os temas contemplados no PL.

O Estatuto da Igualdade Racial refletiu até o ano de 2005, o alcance do debate havido entre movimento negro, governo e Congresso Nacional, sobre a realidade da discriminação racial experimentada pela população negra brasileira.

Contudo, desde sua proposição até este ano, houve avanços significativos na implementação de novos instrumentos garantidores da promoção da igualdade racial pelo Governo Federal. Para tanto, na adequação dos dispositivos contidos no PL 6.264/2005, foram consultados importantes segmentos do movimento negro, parlamentares de amplo espectro partidário e órgãos do governo, a propiciar maior participação dos interessados no assunto.

Do texto substitutivo
A atual disposição dos artigos no substitutivo ao PL 6.264/2005, visa melhorar os eixos de atuação do instrumento normativo e, os assuntos que tratavam de assuntos específicos inseridos em outros capítulos foram remanejados para a área pertinente havendo apenas adequação estrutural, sem ferir o sentido original do projeto.

Da classificação das normas
Na construção do substitutivo ao nº PL 6.264/2005, as normas autorizativas foram substituídas por normas impositivas, permissivas, substantivas, de eficácia restringível, as quais ordenam a realização de ações pelo Poder Público, bem como regulam relações jurídicas, criam direitos e impõe deveres.

Das cotas
O Projeto de Lei n.º 6.264 de 2005 prevê nos artigos 18, 19 e 20 a adoção de programa que assegure a ocupação de vagas nos cursos oferecidos pelas instituições públicas federais. Garantindo a inserção dos estudantes negros nas instituições públicas de ensino médio e superior.

Das políticas de ações afirmativas
Desde o projeto de lei originário n.º 6.264/2005 constava indicativos de prioridade de atendimento as pessoas auto declaradas de cor preta/parda e se situem abaixo da linha de pobreza, vejamos:

"Art. 34. Entre os beneficiários das iniciativas de promoção da igualdade racial terão prioridade os que sejam identificados como pretos, negros ou pardos no registro de nascimento e que, de acordo com os critérios que presidem a formulação do Índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, se situem abaixo da linha de pobreza."

Substitutivo ao Projeto de Lei nº 6.264, de 2005 (publicado em 2008):

"Art. 78. Entre os beneficiários das iniciativas de promoção da igualdade racial terão prioridade os autodeclarados de cor preta ou parda e os que sejam identificados como negros ou pardos no registro de nascimento e que, de acordo com os critérios que presidem a formulação dos índices indicativos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, se situem abaixo da linha de pobreza."

O dispositivo supra, foi reestruturado no substitutivo ao PL 6.264/2005, mantendo a premissa apontada segundo os índices do IBGE. Contudo, o Estatuto da Igualdade Racial contempla toda a população negra, garantindo condições de igualdade e oportunidade, econômica, social, política e cultural.

Do direito dos remanescentes das Comunidades dos Quilombos às suas terras
O Estatuto da Igualdade Racial, PL 6.264/05 resguarda o direito dos remanescentes dos quilombos as suas terras.
No mais, o que tange os procedimentos garantidores da regularização fundiária das áreas de remanescentes de quilombolas é o Decreto n.º 4.887 de 2003. Instrumento legal específico à questão das terras quilombolas.

Financiamento das políticas públicas
A supressão do fundo deu-se em virtude da crescente destinação de recursos para implementação de políticas afirmativas.

Manifesto durante a CONAPIR para a provação do Estatuto
Durante a Plenária Nacional da II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (II CONAPIR), o excelentíssimo senador Paulo Paim em discurso fez referência à necessidade de aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, ocorrendo à aclamação por vários participantes (delegados e convidados) no anseio de aprovação do Estatuto.

Ressalta-se que durante a realização da II CONAPIR, em nenhum outro momento foi evidenciada a discussão acerca do Estatuto da Igualdade da Igualdade Racial, haja vista que o objetivo do evento visa ampliar o diálogo e a cooperação entre órgãos e entidades governamentais e não governamentais de promoção da igualdade racial, na qual foram apontados possíveis ajustes nas políticas de igualdade ora em curso, e fortalecidas as relações das mesmas com as políticas sociais e econômicas em vigor. Sendo ainda um momento de consolidação da promoção da igualdade racial enquanto política permanente de Estado, na busca do equilíbrio nas relações étnicas em nossa sociedade.


Mais informações:
Coordenação de Comunicação SocialSecretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade RacialPresidência da RepúblicaEsplanada dos Ministérios, Bloco A, 9º andar - 70.054-906 - Brasília (DF)Telefone: (61) 3411-3659 / 4977

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Manifestação do professor Kabengele Munanga acerca da matéria “Monstros tristonhos”

publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 14 maio de 2009, de autoria de Demétrio Magnoli



Em matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 14 maio de 2009 (http://arquivoetc.blogspot.com/2009/05/demetrio-magnoli-monstros-tristonhos.html), intitulada “Monstros tristonhos”, o geógrafo Demétrio Magnoli critica e acusa agressivamente as Universidades Federais de Santa Maria (UFSM) e de São Carlos (UFSCAR) e também a mim, Kabengele Munanga, Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

As duas universidades são criticadas e acusadas por terem, segundo o geógrafo, criado ”tribunais raciais” que rejeitam as matrículas de jovens mestiços que optam pelas cotas raciais. No caso da Universidade Federal de Santa Maria, trata-se apenas de Tatiana de Oliveira, cuja matrícula foi cancelada menos de um mês após o início do curso de Pedagogia.. No caso da Universidade Federal de São Carlos, trata-se do estudante Juan Felipe Gomes. O acusador acrescenta que um quarto dos candidatos aprovados na UFSCAR pelo sistema de cotas raciais neste ano de 2009 teve sua matrícula cancelada pelo “tribunal racial” dessa universidade.

A questão que se põe é saber se além desses estudantes, cujas matrículas foram canceladas, outros alunos mestiços ingressaram em cerca de 70 universidades públicas que aderiram à política de cotas. Se a resposta for afirmativa, os que tiveram sua matrícula cancelada constituem casos raros ou excepcionais que mereceriam a atenção não apenas de Demétrio Magnoli, mas também de todas as pessoas que defendem a justiça e a igualdade de tratamento.

Mas por que esses casos raros, que constituem uma exceção e não a regra, foram “injustiçados” pelas comissões de controle formadas nessas universidades para evitar fraudes, comissões que o sociólogo Demétrio rotula de “tribunais raciais”? Por que só eles? Por que não ocorreu o mesmo com os outros mestiços aprovados? Houve realmente injustiça racial ou erro humano na avaliação da identidade física dessas pessoas que foram simplesmente consideradas brancas e não mestiças apesar de sua autodeclaração? Os erros humanos, quando são detectados, devem ser corrigidos pelos próprios humanos, como o foi no caso dos estudantes gêmeos da UnB. As injustiças, flagrantes ou não, devem ser apuradas e julgadas pela própria justiça que, num estado democrático de direito como o Brasil, deverá prevalecer. Acho que os estudantes Tatiana de Oliveira e Juan Felipe Gomes, e tantos outros que o sociólogo menciona sem entretanto nomeá-los, devem procurar um advogado para defender seus direitos se estes tiverem sido efetivamente violados pelos chamados “tribunais raciais”. Entendo que o geógrafo Demétrio tenha pena deles, considerando a sua sensibilidade humana.

Se realmente houve erro humano na verificação da identidade desses estudantes, a explicação não está na citação intencionalmente deturpada de algumas linhas extraídas de um texto introdutório de três páginas ao livro de Eneida de Almeida dos Reis, intitulado MULATO: negro-não-negro e/ou branco-não-branco, publicado pela Editora Altara, na Coleção Identidades, São Paulo, em 2002.

Veja como é interessante a estratégia de ataque do geógrafo Demétrio Magnoli. Ele escondeu de seus leitores o título do livro de Eneida de Almeida dos Reis, assim como a casa editora e a data de sua publicação para evitar que possíveis interessados pudessem ter acesso à obra para averiguar direta e pessoalmente o fundamento das acusações. De fato, ele não disse absolutamente nada sobre o conteúdo desse livro, e passa a impressão de ter lido apenas vinte linhas do total de três páginas da introdução, a partir das quais constrói seu ensaio e sua acusação. Com sua inteligência genuína, acho que ele poderia ter feito uma pequena síntese desse livro para seus leitores; se ele o tivesse mesmo lido, entenderia que nada inventei sobre a ambivalência genética do mestiço que não estivesse presente no próprio título da obra “Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco”. Desde quando a palavra ambivalência é sinônimo de “monstro tristonho”? Estamos assistindo à invenção, pelo geógrafo, de novos verbetes dos dicionários da língua portuguesa?

O livro de Eneida de Almeida dos Reis resultou de uma pesquisa para dissertação de mestrado defendida na PUC de São Paulo sob a orientação de Antonio da Costa Ciampa, Professor do Programa de Estudos Pós-graduados em Psicologia da PUC São Paulo. Ele foi convidado a fazer a apresentação do livro, na qualidade de professor orientador, e eu para escrever a introdução, na qualidade de ex-professor na disciplina “Teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, ministrada no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da USP. O livro se debruça sobre as peripécias e dificuldades vividas pelos indivíduos mestiços de brancos e negros, pejorativamente chamados mulatos, no processo de construção de sua identidade coletiva e individual, a partir de um estudo de caso clínico. É uma pena que nosso crítico acusador não tenha tido a coragem de apresentar a seus leitores o verdadeiro conteúdo desse livro, resultado de uma meticulosa pesquisa acadêmica, e não da minha fabulação.

Para entender porque essas pessoas mestiças foram consideradas brancas, apesar de terem declarado sua afrodescendência, é preciso voltar ao clássico “Tanto preto quanto branco: estudos de relações raciais”, de Oracy Nogueira (São Paulo: T.A. Queiroz, 1985). Se o geógrafo Demétrio tivesse lido esse livro, acredito que teria entendido porque as pessoas brancas que possuem algumas gotas de sangue africano são consideradas pura e simplesmente negras nos Estados Unidos – apesar de exibirem uma fenotipia branca – e brancas no Brasil. Ensina Nogueira que a classificação racial brasileira é de marca ou de aparência, contrariamente à classificação anglo-saxônica que é de origem e se baseia na “pureza” do sangue. Do ponto de vista norteamericano, todos os brasileiros seriam, de acordo com as pesquisas do geneticista Sergio Danilo Pena, considerados negros ou ameríndios, pois todos possuem, em porcentagens variadas, marcadores genéticos africanos e ameríndios, além de europeus, sem dúvida. Quando essas pessoas fenotipicamente brancas e geneticamente mestiças se consideram ou são consideradas brancas no decorrer de suas vidas e assumem, repentinamente, a identidade afrodescendente para se beneficiar da política das cotas raciais, as suspeitas de fraude podem surgir. Creio que foi o que aconteceu com os alunos cujas matrículas foram canceladas na UFSM e na UFSCAR. Se não houver essa vigilância mínima, seria melhor não implementar a política de cotas raciais, porque qualquer brasileiro pode se declarar afrodescendente, partindo do pressuposto de que a África é o berço da humanidade..

Lembremo-nos de que no início dos debates sobre as cotas colocava-se a dificuldade de definir quem é negro no Brasil por causa da mestiçagem. Falsa dificuldade, porque a própria existência da discriminação racial antinegro é prova de que não é impossível identificá-lo. Senão, o policial de Guarulhos não teria assassinado o jovem dentista identificado como negro pelo cidadão branco assaltado, e os zeladores de todos os prédios do Brasil não teriam facilidade para orientar os visitantes negros a usar os elevadores de serviço. Por sua vez, as raras mulheres negras moradoras dos bairros de classe média não seriam constantemente convidadas pelas mulheres brancas, quando se encontram nos elevadores, para trabalhar como domésticas em suas casas. Existem casos duvidosos, como o dos alunos em questão, que mereceriam uma atenção desdobrada para não se cometer erros humanos, mas não houve dúvidas sobre a identidade da maioria dos estudantes negros e mestiços que ingressaram na universidade através das cotas.

Bem, o geógrafo Demétrio Magnoli leva ao extremo a acusação a mim dirigida quando me considera um dos “ícones do projeto da racialização oficial do Brasil”. Grave acusação! Infelizmente, ele não deu nomes a outros ícones. Nomeou apenas um deles, cuja obra não leu, ou melhor, demonstra não ter lido. Mas por que só o meu nome mencionado? Porque sou o mais fraco, pelo fato de ser brasileiro naturalizado, ou o mais importante, por ter chegado ao ponto mais alto da carreira acadêmica? Isso parece incomodá-lo bastante! Um negro que chegou lá, ao topo da carreira acadêmica, numa das melhores universidades do país, mas nem por isso esse negro deixou de ser solidário, pois milita intelectualmente para que outros negros, índios e brancos pobres tenham as mesmas oportunidades.

De acordo com as conclusões assinaladas no livro de Eneida de Almeida dos Reis, muitos mestiços têm dificuldades para construir sua identidade por causa da ambivalência (Mulato: negro-não-negro e/ou branco-não-branco), dificuldades que eles teriam superado se tivessem política e ideologicamente assumido uma de suas heranças, ou seja, a sua negritude, que é o ponto nevrálgico de seu sofrimento psicológico. Se o sociólogo acusador tivesse lido este livro e refletido serenamente sobre suas conclusões, ele teria percebido que não alimento nenhum projeto ou plano de ação para suprimir a mestiçagem no Brasil. Isto só pode ser chamado de masturbação ideológica, e não de análise sociológica, nem geográfica! Como seria possível suprimir a mestiçagem, que é um fato fundamental da história da humanidade, desafiando as leis da genética e a vontade dos homens e das mulheres que sempre terão intercursos interraciais? Nem o autor do ensaio sobre as desigualdades das raças humanas, Arthur de Gobineau, chegou a acreditar nessa possibilidade. Se as leis segregacionistas do Sistema Jim Crow no Sul dos Estados Unidos e do Apartheid na África do Sul não conseguiram fazê-lo, os ícones da racialização oficial do Brasil, entre os quais nosso colega me situa, terão esse poder mágico e milagroso que ele lhes atribui?

Entrando na vida privada, gostaria que o sociólogo soubesse que tenho um filho e uma neta mestiços que não são monstros tristonhos como ele pensa, pois são educados para assumir sua negritude e evitar assim os graves problemas psicológicos apontados na obra de Eneida de Almeida Dos Reis, através da indefinida personagem Maria, (ver p.39-100). Como se pode dizer que os mestiços são geneticamente ambivalentes e que política e ideologicamente não podem permanecer nessa ambivalência e ser por isso taxado de charlatão acadêmico? Creio que se trata apenas de uma reflexão que decorre das conclusões do próprio livro e que de per si não constituiria nenhum charlatanismo. Não seria um contra-senso e um grave insulto à USP que esse “charlatão acadêmico” tenha chegado ao topo da carreira acadêmica? E que tenha orientado dezenas de doutores hoje professores nas grandes universidades brasileiras, como a USP, UNICAMP, UNESP, UFMG, UFF, UFRJ, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de São Luiz do Maranhão, Universidade Estadual de Londrina, Universidade Candido Mendes, PUC de Campinas, etc. Creio que, salvo o geógrafo Demétrio, os que me conhecem através de textos que escrevi, de minhas aulas e de minhas participações nos debates sociais e intelectuais no país e no exterior, não me atribuiriam esse triste retrato.

Disse ainda o geógrafo Demétrio que “do ponto mais alto da carreira universitária, o antropólogo professa a crença do racismo científico, velha de mais de um século, na existência biológica de raças humanas, vestindo-a curiosamente numa linguagem decalcada da ciência genética”. Sinceramente, não entendo como Demétrio conseguiu tirar tanta água das pedras. Das 20 linhas extraídas, de maneira deturpada, de um texto de três páginas de introdução, ele conseguiu dizer coisas horríveis, como se tivesse lido tudo que escrevi durante minha trajetória intelectual sobre o racismo antinegro. A colonização da África, contrariamente às demais colonizações conhecidas na história da humanidade, foi justificada e legitimada por um corpus teórico-científico baseado nas idéias evolucionistas e racialistas produzidas na modernidade ocidental. Teria algum sentido para mim, que milito contra o racismo, professar o racismo científico para lutar contra o racismo à brasileira? Acho que nosso geógrafo quer me transformar num demente que não sou. As pessoas que leram seu texto no jornal O Estado de S. Paulo podem pensar que eu sou esse negro ex-colonizado que professa as mesmas idéias do racismo científico que postulou a inferioridade e a desumanidade dos africanos, incluída a dele mesmo. Como entender que meus alunos de Pós-graduação, a quem ensino há vinte anos “As teorias sobre o racismo e discursos antirracistas”, uma disciplina freqüentada por alunos da USP, de outras universidades e outros estados, têm a coragem de ocupar um semestre inteiro para escutar profissões de fé em favor do racismo científico?

Se o geógrafo Demétrio quer saber mais sobre mim, ingressei na Faculdade em 1964, aos vinte e dois anos de idade. Tive aulas de Antropologia Física com um dos melhores biólogos e geneticistas franceses, Jean Hiernaux. Uma das primeiras coisas que ele me ensinou era que a raça não existe biologicamente. Através de suas aulas, li François Jacob, Nobel de Fisiologia (1965) e um dos primeiros franceses a decretar que a raça pura não existe biologicamente; e J.Ruffie, Albert Jacquard e tantos outros geneticistas antirracistas dessa época. Portanto, sei muito bem, e bem antes de Demétrio que o racismo não pode ter mais sustentação científica com base na noção das raças superiores e inferiores, que não existem biologicamente. Sei muito bem que o conteúdo da raça enquanto construção é social e político. Ou seja, a realidade da raça é social e política porque tivemos na história da humanidade povos e milhões de seres humanos que foram mortos e dominados com justificativa nas pretensas diferenças biológicas. Temos em nosso cotidiano, pessoas discriminadas em diversos setores da vida nacional porque apresentam cor da pele diferente. Nosso sistema educativo é eurocêntrico e nossos livros didáticos são repletos de preconceitos por causa das diferenças. Não sou um novato que ingressou ontem na universidade brasileira. No Brasil, fui introduzido ao pensamento racial nacional por grandes mestres, como João Baptista Borges Pereira, que foi meu orientador no doutoramento, Florestan Fernandes, Octavio Ianni, Oracy Nogueira, entre outros. Não sei onde estava Demétrio nessa época e em que ano ele descobriu que a raça não existe. Acho um exagero querer me dar lição de moral sobre coisas que eu conheço muito antes dele. Isto não quer dizer que ele não possa me ensinar temas pertinentes à geografia, como por exemplo, o que se pode ler em seu livro sobre a África do Sul – “Capitalismo e Apartheid”, publicado pela Editora Contexto, São Paulo, 1998, que oferece algumas informações interessantes sobre a história do sistema do apartheid. Esse livro faz parte da bibliografia recomendada na disciplina ministrada na Graduação, não obstante algumas incorreções históricas nele contidas.

Um dos maiores problemas da nossa sociedade é o racismo, que, desde o fim do século passado, é construído com base em essencializações sócio-culturais e históricas, e não mais necessariamente com base na variante biológica ou na raça. Não se luta contra o racismo apenas com retórica e leis repressivas, não somente com políticas macrossociais ou universalistas, mas também, e, sobretudo, com políticas focadas ou específicas em benefício das vítimas do racismo numa sociedade onde este é ainda vivo. É neste sentido que faço parte do bloco dos intelectuais brancos e negros que defendem as políticas de ação afirmativa e de cotas para o acesso ao ensino superior e universitário. Na cabeça e no pensamento de Demétrio Magnoli, todos os que fazem parte desse bloco querem racializar o Brasil, e isso faz parte de um projeto e de um plano de ação. Que loucura!

Defendemos as cotas em busca da igualdade entre todos os brasileiros, brancos, índios e negros, como medidas corretivas às perdas acumuladas durante gerações e como políticas de inclusão numa sociedade onde as práticas racistas cotidianas presentes no sistema educativo e nas instituições aprofundam cada vez mais a fratura social. Cerca de 70 universidades públicas estaduais e federais que aderiram à política de cotas sem esperar a Lei ainda em tramitação no Senado entenderam a importância e a urgência dessa política. Acontece que essas universidades não são dirigidas por negros, mas por compatriotas brancos que entendem que não se trata do problema do negro, mas sim do problema da sociedade, do seu problema como cidadão brasileiro. Podemos dizer que todos esses brancos no comando das universidades querem também racializar o Brasil, suprimir os mestiços e incentivar os conflitos raciais? Afinal, podemos localizar os linchamentos e massacres raciais nos Estados onde se encontram as sedes das universidades que aderiram às cotas? Tudo não passa de fabulações dos que gostariam de manter o status quo e que inventam argumentos que horrorizam a sociedade. Quem está ganhando com as cotas? Apenas os alunos negros ou a sociedade como um todo? Quem ingressou através das cotas? Apenas os alunos negros e indígenas ou entraram também estudantes brancos da escola pública?

Concluindo, penso que existe um debate na sociedade que envolve pensamentos, filosofias e representações do mundo, ideologias e formações diferentes. Esse pluralismo é socialmente saudável, na medida em que pode contribuir para a conscientização de seus membros sobre seus problemas e auxiliar a quem de direito, o legislador e o executivo, na tomada de decisões esclarecidas. Este debate se resume a duas abordagens dualistas. A primeira compreende todos aqueles que se inscrevem na ótica essencialista, segundo a qual a humanidade é uma natureza ou uma essência e como tal possui uma identidade genérica que faz de todo ser humano um animal racional diferente dos demais animais. Eles afirmam que existe uma natureza comum a todos os seres humanos em virtude da qual todos têm os mesmos direitos, independentemente de suas diferenças de idade, sexo, raça, etnias, cultura, religião, etc. Trata-se de uma defesa clara do universalismo ou do humanismo abstrato, concebido como democrático. Considerando a categoria raça como uma ficção, eles advogam o abandono deste conceito e sua substituição pelos conceitos mais cômodos, como o de etnia. De fato, eles se opõem ao reconhecimento público das diferenças entre brancos e não brancos. Aqui temos um antirracismo de igualdade que defende os argumentos opostos ao antirracismo de diferença. As melhores políticas públicas, capazes de resolver as mazelas e as desigualdades da sociedade, deveriam ser somente macro-sociais ou universalistas. Qualquer proposta de ação afirmativa vinda do Estado que introduza as diferenças para lutar contra as desigualdades, é considerada, nessa abordagem, como um reconhecimento oficial das raças e, conseqüentemente, como uma racialização do Brasil, cuja característica dominante é a mestiçagem. Ou, em outras palavras, as políticas de reconhecimento das diferenças poderão incentivar os conflitos raciais que, segundo dizem, nunca existiram. Assim sendo, a política de cotas é uma ameaça à mistura racial, ao ideal da paz consolidada pelo mito de democracia racial, etc. Eu pergunto se alguém pode se tornar racista pelo simples fato de assumir sua branquitude, amarelitude ou negritude? Como se identifica então o geógrafo Demétrio: branco, negro, mestiço ou Demétrio indefinido? Pelo que me consta, ele se identifica como branco, mas não aceita que os negros e seus descendentes mestiços se identifiquem como tais e lutem por seus direitos num país onde são as grandes vítimas do racismo. A menos que ele negue a existência das práticas racistas no cotidiano brasileiro, e as diferenças de cor, sexo, classe e religiões que exigiriam políticas diferenciadas.

A segunda abordagem reúne todos aqueles que se inscrevem na postura nominalista ou construcionista, ou seja, os que se contrapõem ao humanismo abstrato e ao universalismo, rejeitando uma única visão do mundo em que não se integram as diferenças. Eles entendem o racismo como produção do imaginário destinado a funcionar como uma realidade a partir de uma dupla visão do outro diferente, isto é, do seu corpo mistificado e de sua cultura também mistificada. O outro existe primeiramente por seu corpo antes de se tornar uma realidade social. Neste sentido, se a raça não existe biologicamente, histórica e socialmente ela é dada, pois no passado e no presente ela produz e produziu vítimas. Apesar do racismo não ter mais fundamento científico, tal como no século XIX, e não se amparar hoje em nenhuma legitimidade racional, essa realidade social da raça que continua a passar pelos corpos das pessoas não pode ser ignorada.

Grosso modo, eis as duas abordagens essenciais que dividem intelectuais, estudiosos, midiáticos, ativistas e políticos, não apenas no Brasil, mas no mundo todo. Ambas produzem lógicas e argumentos inteligíveis e coerentes, numa visão que eu considero maniqueísta. Poderão as duas abordagens se cruzar em algum ponto em vez de se manter indefinidamente paralelas? Essa posição maniqueísta reflete a própria estrutura opressora do racismo, na medida em que os cidadãos se sentem forçados a escolher a todo momento entre a negação e a afirmação da diferença. A melhor abordagem seria aquela que combina a aceitação da identidade humana genérica com a aceitação da identidade da diferença. Para ser um cidadão do mundo, é preciso ser, antes de mais nada, um cidadão de algum lugar, observou Milton Santos num de seus textos. A cegueira para com a cor é uma estratégia falha para se lidar com a luta antirracista, pois não permite a autodefinição dos oprimidos e institui os valores do grupo dominante e, conseqüentemente, ignora a realidade da discriminação cotidiana. A estratégia que obriga a tornar as diferenças salientes em todas as circunstâncias obriga a negar as semelhanças e impõe expectativas restringentes.

Se a questão fundamental é como combinar a semelhança com a diferença para podermos viver harmoniosamente, sendo iguais e diferentes, por que não podemos também combinar as políticas universalistas com as políticas diferencialistas? Diante do abismo em matéria de educação superior, entre brancos e negros, brancos e índios, e levando-se em conta outros indicadores socioeconômicos provenientes dos estudos estatísticos do IBGE e do IPEA, os demais índices do Desenvolvimento Humano provenientes dos estudos do PNUD, as políticas de ação afirmativa se impõem com urgência, sem que se abra mão das políticas macrossociais.

Não conheço nenhum defensor das cotas que se oponha à melhoria do ensino público. Pelo contrário, os que criticam as cotas e as políticas diferencialistas se opõem categoricamente a qualquer política de diferença por considerá-las a favor da racialização do Brasil. As leis para a regularização dos territórios e das terras das comunidades quilombolas, de acordo com o artigo 68 da Constituição, as leis 10639/03 e 11645/08 que tornam obrigatório o ensino da história da África, do negro no Brasil e dos povos indígenas; as políticas de saúde para doenças específicas da população negra como a anemia falciforme, etc., tudo isso é considerado como racialização do Brasil, e virou motivo de piada.

Convido o geógrafo Demétrio Magnoli a ler o que escrevi sobre o negro no Brasil antes de se lançar desesperadamente em críticas insensatas e graves acusações. Se porventura ele identificar algum traço de defesa do racismo científico em meus textos, se encontrar algum projeto ou plano de ação para suprimir os mestiços e racializar o Brasil, já que ele me acusa de ícone desse projeto, ele poderia me processar na justiça brasileira, em vez de inventar fábulas que não condizem com minha tradicionalmente pública e costumeira postura.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

SENADO DEBATE REPARAÇÃO PARA AFRODESCENDENTE


Na próxima quarta-feira, 8 de julho, às 9 horas, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, em Brasília, começa a audiência pública para decidir sobre o formato de reparação histórica aos afrodescendentes a ser implementada pelo estado brasileiro em função da escravidão de africanos e seus descendentes que durou mais de 350 anos.

Dirigida pelo senador Cristovam Buarque, a audiência pública ouvirá depoimentos sobre escravidão/reparação a fim de, mais á frente, com base nestas declarações, seja produzido um projeto de lei que vai detalhar a forma de reparação histórica aos afrodescendentes.

Estão escalados para depor na audiência: Mário Nelson de Carvalho, diretor de Relações Institucionais da Associação dos Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros(Anceabra); Ivete Sacramento, reitora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb); José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares(Unipalmares), de São Paulo; Luciana de Barros Jaccoud, técnica do IPEA; Martius Antonio Alves das Chagas, Subsecretario de Políticas de Afirmativas da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Dora Lúcia Bertulio, diretora da Fundação Cultural Palmares e Ailton Ferreira, Secretario Municipal de Reparação de Salvador(BA).

A audiência foi uma resultante de um pedido feito ao senador Cristovam Buarque pelo publicitário Roberto de Carvalho, um dos fundadores do Afro-Liberal no Rio de Janeiro. Carvalho encaminhou cópia de uma petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), onde, em 2001, ele processava o estado brasileiro pelo crime de escravidão e pedia reparação histórica pelos danos causados a comunidade afro-brasileira.

A direção-executiva da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, na ocasião, elogiou o procedimento e abriu o processo no. P0363/2001. Em seguida, designou como relator do processo o jurista norte-americano Ariel E. Dulitky. Este encaminhou correspondência ao autor da petição, solicitando mais dados para dar continuidade ao processo, tais como, uma lista de vítimas (com nome, endereço etc).

No entanto, naquela ocasião, por estar sem capacidade de articulação, Carvalho não encaminhou os documentos necessários para o andamento do processo e este ficou paralisado.

Agora, com base na audiência pública da próxima quart-feira, no senado, os debates vão girar em torno da petição de Carvalho, e de forma como se deverá aperfeiçoá-la para torná-la um projeto de lei vigoroso em beneficio da comunidade negra.

Na época, além de políticas de ações afirmativas, monumentos e reconhecimento do crime de escravidão, Carvalho também solicitava a criação de um Fundo Nacional de Reparação, a ser arbitrado pelos juízes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA.

O fundo, na perspectiva de Carvalho, seria gerido por um pool de entidades e personalidades negras. O dinheiro do fundo deveria ser aplicado em políticas educacionais, sociais, de saúde e de fortalecimento de legislação jurídica de proteção ao afrodescendente.

Com os debates da quarta-feira, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, com certeza novas propostas deverão ser incorporadas e novos caminhos serão debatidos em função da atual conjuntura.

O gabinete de Cristovam Buarque acredita que a partir da primeira audiência eles deverão receber muitas sugestões vindas de todo o Brasil para fortalecer do projeto de lei de reparação a ser criado.

Na prática, como projeto de lei irá nascer mesmo, o Estatuto da Igualdade Racial, que tramita no congresso, numa iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS), deverá se esvaziar, em função de o projeto de lei de reparação vir com contribuições mais amplas e juridicamente mais consistentes. Além disso, a nova legislação está nascendo com debate público.

Em termos de impacto, dessa vez, provavelmente, o governo federal deverá olhar com mais simpatia para este projeto, pois, praticamente, ele nasce a partir de colaborações públicas de militantes e estudiosos da causa negra.

Os debates no congresso em relação a este projeto de lei deverão atrair militantes da causa negra de outras nações, principalmente das Américas, em função dele assumir este caráter de reparação histórica. Muitas comunidades negras internacionais debatem a reparação, mas ainda não encontraram o caminho jurídico para viabilizá-la.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Manifestações racistas serão apuradas


01/07/2009 - Geral
Por: Jorn. Ricardo Grecellé
Ministério Público recebeu denúncia sobre pronunciamento de conselheiro do Grêmio em programa de rádio A Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre instaurou inquérito civil para averiguar uma denúncia recebida na manhã desta quarta-feira, 1º, de que um conselheiro do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense teria proferido termos racistas durante um programa de rádio na última segunda-feira, 29. A manifestação teria como alvo o jogador Elicarlos, do Cruzeiro Esporte Clube, que amanhã decide vaga para a final da Copa Libertadores com o time gaúcho. No depoimento prestado nesta manhã, na sede do Ministério Público, o presidente da Associação Comunitária Rosa Osório Marques – Quilombo Morro Alto, Wilson Marques da Rosa, acompanhado pelo advogado do Movimento Negro Unificado, Onir de Araújo, relatou que, no programa, o conselheiro do Grêmio passou a incentivar que os ouvintes chamassem os afrodescendentes de “macacos”, dizendo, inclusive, que os próprios torcedores do Sport Club Internacional chamam-se de “macacos” entre si. Os depoentes revelaram que o conselheiro teria, inclusive, incentivado que quando Elicarlos estivesse com a posse da bola os torcedores o ofendessem. Conforme Wilson Marques da Rosa, com base nessa introdução de cunho racista, o denunciado teria passado a desferir ataques pouco qualificados às políticas de cotas. Os depoentes afirmaram ao Ministério Público que, no mesmo programa, o conselheiro do clube gaúcho teria incentivado o torcedor gremista a “se referir à mãe do jogador como se refere à mãe dos juízes”. Ele teria insinuado, igualmente, que um afrodescendente não ocuparia cargo de dirigente do Grêmio ou do Internacional. Wilson Rosa frisou que esta não é a primeira vez que o mesmo conselheiro do Grêmio se manifesta nos meios de comunicação de maneira racista. A promotora de Justiça Míriam Balestro Floriano informou que irá investigar o caso “sob a ótica dos direitos humanos”. Para isso, requisitou que a emissora de rádio encaminhe cópia do programa citado, onde será examinada a contextualização dos fatos. Além disso, solicitou a instauração de inquérito policial à Delegacia de Polícia e remessa de cópias à Promotoria de Justiça Criminal. O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense será oficiado para que preste esclarecimentos. Da mesma forma, será encaminhado ofício à Comissão de Ética da OAB/RS para conhecimento acerca das declarações prestadas perante o Ministério Público. “É preciso investigar-se com precisão qualquer denúncia que atente contra a dignidade da pessoa humana e, ainda, incite a transgressão da almejada paz nos estádios”, finalizou Míriam.
Agência de Notícias
imprensa@...(51) 3224-6938

Testamento de Michael Jackson exclui ex-mulher e cita Diana Ross

01/07/2009 - 13h34

da Folha Online
O testamento do cantor Michael Jackson excluiu a ex-mulher do cantor e mãe de seus dois filhos mais velhos, a enfermeira Debbie Rowe, da herança.
De acordo com site TMZ, o testamento afirma ainda que a guarda dos três filhos do cantor deve ficar com Katherine Jackson, mãe do artista.
Caso Katherine viesse a morrer antes de Michael, as crianças deveriam ficar sob a tutela da cantora Diana Ross, grande amiga do astro pop.
Os ativos do cantor -- cerca de US$ 500 milhões-- ficariam exclusivamente para a família, segundo a revista "People", que exclui as informações de que parte da herança seria doada a instituições de caridade.
Em entrevista ao tabloide "News of the World", Rowe negou que Michael Jackson fosse o pai legítimo dos dois filhos que tiveram quando casados.
Nesta terça-feira (1º), o TMZ noticiou que Prince, 12, e Paris, 11, teriam sido concebidos por meio de fecundação in-vitro, mas nem os óvulos de Rowe nem o sêmen de Michael foram usados.
com Associated Press

A segurança pública é setor que Estado precisa mais avançar, relatam ativistas

28 de Junho de 2009 - 12h28 - Última modificação em 28 de Junho de 2009 - 12h28



Juliana Cézar Nunes Repórter da Radioagência Nacional


Brasília - O debate sobre segurança pública tem envolvido boa parte dos delegados que participam da 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Representantes da sociedade civil e de governos consideram que é o setor onde o Estado precisa mais avançar a partir desta conferência. O presidente do bloco Olodum, João Jorge Rodrigues, denuncia o que chama de genocídio da juventude negra pela polícia e pelo crime organizado. Durante a Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, ele criticou a ausência do ministro da Justiça, Tarso Genro, para um debate específico sobre o assunto.“Um encontro como esse, importante para a sociedade brasileira, um ministro da Justiça não estar presente significa que essas demandas da população negra, homossexuais, travestis, ciganos, indígena não é relevante para o Estado brasileiro. Esse é um equívoco que a gente precisa corrigir urgente. Temos que dialogar mais. Queremos ser ouvidos.”A secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Luiza Bairros, também vê na segurança uma das áreas onde as políticas públicas ainda não garantem a proteção e o direito à vida da população negra.Ela acredita, no entanto, que a partir da conferência os municípios se sentirão pressionados a investir nessa área. “Se nós não conseguirmos sair da conferência com um caminho e uma resposta para a questão da segurança nós teremos falhado com um setor que representa o futuro da nossa sociedade, que é a juventude.”A 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial começou na quinta-feira e termina hoje (28), com a aprovação de um documento que deve avaliar as políticas públicas de promoção de igualdade racial e indicar novos caminhos para os governos federal, estaduais e municipais.
Edição: Lílian Beraldo

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/06/28/materia.2009-06-28.6790926610/view

Conferência reivindica mais avanços e abre debate sobre Estatuto da Igualdade Racial

Juliana Cézar Nunes Da Radioagência Nacional


Brasília - A 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial terminou neste domingo (28) com um intenso debate entre sociedade civil e governo sobre as áreas em que as políticas públicas necessitam avançar e, principalmente, a respeito do Estatuto da Igualdade Racial, em tramitação no Congresso Nacional.No que diz respeito às políticas em andamento, sob a coordenação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), representantes de movimentos sociais cobraram mais recursos para as ações e empenho na divulgação dos resultados já obtidos a partir dos programas em áreas como saúde, educação e trabalho.Os delegados sugeriram que seja garantido orçamento no Plano Plurianual para a execução de políticas de igualdade racial, especialmente no que diz respeito às ações com comunidades quilombolas e povos indígenas.O Movimento Negro Unificado (MNU), uma das entidades que defende a garantia de financiamento para as políticas, criticou o novo texto do Estatuto da Igualdade Racial (PL 6264/05) por considerar que não assegura os recursos necessários para as ações de reparação.O projeto original tramita há quase dez anos no Congresso e chegou a ser aprovado no Senado. Atualmente, um texto substitutivo está em fase de discussão e votação em comissão especial da Câmara dos Deputados. “O Estatuto da Igualdade Racial da forma como está no substitutivo retrocede. Somos favoráveis, mas não com essa configuração”, disse a coordenadora nacional do MNU, Vanda Pinedo, durante os debates na conferência.Na plenária final, após uma série de discussões, foi aprovada a defesa do Estatuto da Igualdade Racial e também de uma articulação para que o novo texto garanta os direitos à terra das comunidades quilombolas, a atenção à saúde, a liberdade religiosa e às cotas como instrumento de ação afirmativa.O ministro da Seppir, Edson Santos, considera que o diálogo com os movimentos sociais reunidos na conferência deve continuar, mas acredita que a plenária deu uma sinalização positiva em relação à aprovação do Estatuto da Igualdade Racial na forma como está no substitutivo.“Vamos trabalhar para a aprovação do Estatuto e da lei de cotas da forma como estão porque acreditamos que são os textos possíveis dentro da atual correlação de forças políticas”, destaca o ministro.Na avaliação dele, a posse de terra quilombola está garantida no Artigo 68 das Disposições Transitórias da Constituição e o esforço dos movimentos sociais deveria ser no sentido de defesa do decreto que regulamenta esse artigo, questionado pelo Democratas (DEM) em ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho que as comunidades quilombolas e o movimento negro devem cerrar fileiras para defender o decreto. O Artigo 68 é autoaplicável. Não precisa ter no estatuto uma regulamentação detalhada”, avalia Edson Santos.Segundo ele, como questão de fundo, alguns setores do movimento social negro pensam que a Seppir deveria ter um orçamento maior. Durante a conferência, a secretaria também teve sua força política questionada por alguns delegados, que reclamaram da ausência dos ministros convidados para painéis temáticos da conferência.“A política de promoção da igualdade racial é uma política de governo e é transversal no âmbito de governo. Todos os órgãos estão comprometidos. O Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Planapir) dá essa garantia”, defende o ministro. “A nossa questão, a meu ver, ela se resolve na medida em que a gente insere a agenda racial num projeto de desenvolvimento econômico para o nosso país. Enquanto ficar tratando a questão racial separada, nós vamos ficar fora da ordens de prioridade de governo”.
Edição: Tereza Barbosa

O Quilombo Sacopã, a ACQUILERJ e a UFF, convidam para

O Quilombo Sacopã, a ACQUILERJ e a UFF, convidam para
Encontros no Quilombo Sacopã: uma Cultura Quilombola Carioca

Organização: Quilombo Sacopã; INCT-InEAC/UFF; Nufep/UFF; CSAU/UFF; Nupij/UFF; PPGA/UFF; PPGSD/UFF.

Apoio: UNITV/UFF; Faculdade de Direito/UFF; Superintendência Regional INCRA; OAB/RJ
Data: 11 de julho de 2009, a partir das 10:00h

Local: Quilombo Sacopã ? Rua Sacopã, 250 ? Lagoa ? Rio de Janeiro
Inscrições e informações pelo endereço eletrônico:
eventosacopa@ yahoo.com. br (Inscrições e entrada gratuitas)

terça-feira, 30 de junho de 2009

novo site da Associação Brasileira de Pesquisadores (as) Negros (as) – ABPN.


Prezados e prezadas,
É com imenso prazer que apresento o novo site da Associação Brasileira de Pesquisadores (as) Negros (as) – ABPN. Este é um momento significativo para os pesquisadores e pesquisadoras que têm acompanhado o percurso de desenvolvimento da ABPN. Aos pesquisadores e pesquisadoras que agora se aproximam, minhas palavras são de boas-vindas nessa caminhada que se inicia.

O novo portal da ABPN é compreendido como instrumento de aprendizagem coletiva e de fortalecimento de nossa ação política e acadêmica. Aproveitamos para anunciar que, em um futuro breve, estaremos aqui inaugurando nossa Universidade Virtual Afro-Diaspórica que, em parceria com o Consórcio de NEABs e universidades públicas, trabalhará na perspectiva de socialização e produção de conhecimentos multi e interdisciplinares sobre os saberes afro-brasileiros, africanos e das diásporas africanas em geral. Nossa Universidade Virtual, mediante essa parceria, promoverá cursos para o desenvolvimento dos nossos associados e associadas, bem como desenvolverá projetos e programas de capacitação para diversos segmentos: escolas, empresas, órgãos públicos, sindicatos e demais entidades públicas e privadas.

No que tange ao fortalecimento da nossa ação política, reservamos um espaço para tratarmos do Programa de revitalização do
Processo de Filiação, pautado na persecução do Artigo 3º. de nosso Estatuto: “Congregar os Pesquisadores Negros Brasileiros, e Congregar os Pesquisadores que trabalham com temas de interesse direto das populações negras no Brasil”.

Ao considerar a dinâmica do racismo acadêmico na sociedade Brasileira, a atual diretoria da ABPN não só reconhece a relevância, a abrangência e as interseccionalidades do seu campo de estudo, como deseja expandir seu quadro associativo mediante a ampliação da representatividade do seu quadro social. Nosso intuito é dar a devida atenção aos pesquisadores (as) já formados (as), que atuam ou não na educação superior, sem perder o panorama e às especificidades dos jovens graduandos, pós-graduandos e também dos(as) pesquisadores(as) que atuam na educação básica. Consideramos também a necessidade de pensarmos o enfrentamento do racismo em nível mundial. Assim, convidamos você a participar da nossa
enquete sobre o relacionamento e parceria da ABPN com pesquisadores(as) internacionais.

Seguindo esses objetivos, a diretoria da ABPN, a partir desta data, para além da socialização da sua missão com as representações regionais, inaugura um trabalho descentralizado e colaborativo com os Coordenadores (as) de
Áreas do Conhecimento, bem como com os integrantes das Comissões Permanentes, na perspectiva de consecução de sua missão, objetivos e finalidades, por meio dos nossos Projetos Institucionais.
Acredito que a nossa experiência ancestral de luta e de resistência, percebida sobretudo no processo
Histórico de constituição da ABPN, nos guiará a uma trajetória futura de sucesso, companheirismo, amizade e respeito. Estou certa de que apenas o movimento maduro, de mobilização sólida de todos (as) nós associados (as), permitirá o sucesso da Instituição, o sucesso do nosso grupo enquanto pesquisadores (as) e, consequentemente, nosso sucesso individual. Ainda que pareça um atalho, a inversão dessa ordem nos colocará, penso, em rota de colisão com nossos objetivos.

Ocumprimento da missão institucional da ABPN depende de todos e de cada um de nós.

Aguardamos sua visita periódica ao nosso portal e esperamos encontrá-lo (la) em nossas reuniões presenciais, para que, juntos (as) possamos reconfirmar nossa participação efetiva na construção de um mundo anti-racista, anti-sexista e anti-homofóbico.


Saudações de Axé.
Eliane CavalleiroPresidente da ABPN

Maior atriz de Moçambique sofreu discriminação racial em SP Lucrécia

Paco veio ao Brasil a convite do Itaú Cultural e para apresentações da peça teatrais.
Fazia tempo que eu não sentia tanta vergonha. Terminava a entrevista com a bela Lucrécia Paco, a maior atriz moçambicana, no início da tarde desta sexta-feira, 19/6, quando fiz aquela pergunta clássica, que sempre parece obrigatória quando entrevistamos algum negro no Brasil ou fora dele. "Você já sofreu discriminação por ser negra?". Eu imaginava que sim. Afinal, Lucrécia nasceu antes da independência de Moçambique e viaja com suas peças teatrais pelo mundo inteiro. Eu só não imaginava a resposta: "Sim. Ontem".
Lucrécia falou com ênfase. E com dor. "Aqui?", eu perguntei, num tom mais alto que o habitual. "Sim, no Shopping Paulista, quando estava na fila da casa de câmbio trocando meus últimos dólares", contou. "Como assim?", perguntei, sentindo meu rosto ficar vermelho. Ela estava na fila da casa de câmbio, quando a mulher da frente, branca, loira, se virou para ela: "Ai, minha bolsa", apertando a bolsa contra o corpo. Lucrécia levou um susto. Ela estava longe, pensando na timbila, um instrumento tradicional moçambicano, semelhante a um xilofone, que a acompanha na peça que estreará nesta sexta-feira e ainda não havia chegado a São Paulo. Imaginou que havia encostado, sem querer, na bolsa da mulher. "Desculpa, eu nem percebi", disse. A mulher tornou-se ainda mais agressiva. "Ah, agora diz que tocou sem querer?", ironizou. "Pois eu vou chamar os seguranças, vou chamar a polícia de imigração." Lucrécia conta que se sentiu muito humilhada, que parecia que a estavam despindo diante de todos. Mas reagiu. "Pois a senhora saiba que eu não sou imigrante. Nem quero ser. E saiba também que os brasileiros estão chegando aos milhares para trabalhar nas obras de Moçambique e nós os recebemos de braços abertos." A mulher continuou resmungando. Um segurança apareceu na porta. Lucrécia trocou seus dólares e foi embora. Mal, muito mal. Seus colegas moçambicanos, que a esperavam do lado de fora, disseram que era para esquecer. Nenhum deles sabia que no Brasil o racismo é crime inafiançável. Como poderiam? Fiquei muito mal Lucrécia não consegue esquecer. "Não pude dormir à noite, fiquei muito mal", diz. "Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim." Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. "Eu nunca fui discriminada dessa maneira", diz. "Dá uma dor na gente. " Ela veio ao Brasil a convite do Itaú Cultural, que realiza até 26 de junho, em São Paulo, o Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito. Lucrécia apresentará de hoje a domingo (19 a 22/6), sempre às 20h, a peça Mulher Asfalto. Nela, interpreta uma prostituta que, diante de seu corpo violado de todas as formas, só tem a palavra para se manter viva. Lucrécia e o autor do texto, Alain-Kamal Martial, estavam em Madagáscar, em 2005, quando assistiram, impotentes, uma prostituta ser brutalmente espancada por um policial nas ruas da capital, Antananarivo. A mulher caía no chão e se levantava. Caía de novo e mais uma vez se levantava. Caía e se levantava sem deixar de falar. Isso se repetiu até que nem mesmo eles puderam continuar assistindo. "Era a palavra que a fazia levantar", diz Lucrécia. "Sua voz a manteve viva." Foi assim que surgiu o texto, como uma forma de romper a impotência e levar aquela voz simbólica para os palcos do mundo. Mais tarde, em 2007, Lucrécia montou o atual espetáculo quando uma quadrilha de traficantes de meninas foi desbaratada em Moçambique. Eles sequestravam crianças e as levavam à África do Sul. Uma menina morreu depois de ser violada de todas as maneiras com uma chave de fenda. Lucrécia sentiu-se novamente confrontada. E montou o Mulher Asfalto. Não poderia imaginar que também ela se sentiria violada e impotente, quase sem voz, diante da cliente de um shopping em um outro continente, na cidade mais rica e moderna do Brasil. Nesta manhã de sexta-feira, Lucrécia estava abatida, esquecendo palavras. Trocou o horário da entrevista, depois errou o local. Lucrécia não está bem. E vai precisar de toda a sua voz – e de todas as palavras – para encarnar sua personagem nesta noite de estréia. "Fiquei pensando", me disse. "Será que então é verdade? Que no Brasil é difícil ser negro? Que a vida é muito dura para um preto no Brasil?" Eu fiquei muda. A vergonha arrancou a minha voz. Escrito por Eliane Brum
Fonte: Estadão

REDE NACIONAL DE RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS E SAÚDE

REALIZA SEMINÁRIO PARA DISCUTIR A INCLUSÃO DOS TERREIROS NAS POLITICAS PÚBLICAS DE SAÚDE De 19 a 21 de agosto de 2009, a Rede Nacional de Religioes Afro-Brasileiras e Saúde realizará no Scorial Rio Hotel(Largo do Machado - Rio de Janeiro) o I Seminario Nacional Religioes Afro-Brasileiras e Saude com a finalidade de: instrumentalizar as lideranças das religiões de matrizes africanas para melhor compreensão do Sistema Único de Saúde e para o exercício mais qualificado da gestão participativa e controle social de políticas públicas de saúde, divulgar as politicas e programas de saúde governamentais para as comunidades de terreiro, ampliar a participação de lideranças dos terreiros nos espaços de controle social de políticas públicas de saúde e estabelecer um canal de comunicação entre as lideranças dos terreiros e os gestores/profissionais de saúde visando incentivar a realização de ações do SUS em parceria com os terreiros Atualmente a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde conta com mais de 36 núcleos espalhados pelo país e representações em 21 estados. Para atingir seus objetivos a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde vem realizando, desde a sua criação, uma série de capacitações, seminários e encontros nos estados e municípios com o objetivo de instrumentalizar e potencializar os saberes das lideranças de terreiros para o exercício do controle social de políticas públicas de saúde e a sensibilização de gestores e profissionais de saúde sobre os impactos do racismo e da intolerância religiosa no campo da saúde. Programação Dia 19 de agosto de 2009 15h - Presente as Deusas das Águas - cortejo afro-religioso 17h:30h – Mesa de Abertura 18:30h – Painel 1 - Religiões Afro-Brasileiras, Cultura e Saúde Dia 20 de agosto 08:30h - Cânticos de louvor a vida e a natureza 09:00h - Os terreiros e as Políticas Públicas de Saúde - Os modelos de saúde nos terreiros - Os terreiros e a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra 10:00h – Salas de Conversa: Dialogando com as Políticas Públicas de Saúde 12:30 - Almoço 14:00h - Os mecanismos de controle social de políticas públicas de saúde e a participação do povo de santo no controle social 16:30h – Apresentacão Cultural 17:00h - Lanche Dia 21 de agosto de 2009 09h – Salas de Conversa: Dialogando com as ações e programas de saúde 12:00h - Almoço 14:00h - Por uma agenda de saúde nos terreiros em parceria com o SUS: firmando compromissos Lideranças de Terreiros, Gestores e Conselheiros. 16:00h – Encerramento e apresentação cultural I Seminário Nacional Religiões Afro-Brasileiras e Controle Social de Políticas Públicas de Saúde Coordenaçao Geral: Jose Marmo da Silva Realização: Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde Data: 19, 20 e 21 de agosto de 2009 Local: Scorial Rio Hotel - Rio de Janeiro
Colaboraçao: Criola, Instituto Ori-Apere: Psicossomática Psicanalitica Apoio: Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Fundaçao Cultural Palmares, UNFPA,Ministério da Saúde(Aréa Tecnica de Saude da Mulher, Programa de Combate a Tuberculose, Programa Nacional de Aids)