quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Obama discorda de Jimmy Carter por comentário racial

Obama discorda de Jimmy Carter por comentário racial

16/09 - 18:00 - Reuters

Por Steve Holland WASHINGTON (Reuters) - O porta-voz do presidente dos EUA, Barack Obama, discordou publicamente nesta quarta-feira do ex-presidente Jimmy Carter por ter declarado que Obama é vítima de críticas racistas da oposição conservadora.

"O presidente não acha que isso se baseie na cor da sua pele", disse Robert Gibbs aos jornalistas.

Carter injetou um componente racial no debate sobre a reforma da saúde pública, depois de o deputado republicano Joe Wilson ter interrompido um discurso de Obama no Congresso, na semana passada, para chamá-lo de mentiroso, e de milhares de conservadores participarem de passeatas contra o presidente em Washington.

"Acho que uma esmagadora parcela da animosidade intensamente demonstrada contra o presidente Barack Obama se baseia no fato de que ele é um homem negro", disse Carter ao NBC News.

De acordo com ele, "a inclinação racista ainda existe" e "borbulha à superfície por causa da crença de muitos brancos, não só no Sul, mas em todo o país, de que os afro-americanos não estão qualificados para liderar este grande país." "É uma circunstância lamentável, que me entristece e preocupa muito profundamente."

A declaração de Carter foi criticada por Michael Steele, primeiro afro-americano a se tornar presidente do Comitê Nacional Republicano.

"O presidente Carter está redondamente enganado. Não se trata de raça. Trata-se de políticas", disse ele em nota. "Essa é uma distração patética dos democratas para desviar a atenção do plano amplamente impopular do presidente para a saúde administrada pelo Estado, ao qual o povo norte-americano simplesmente se opõe."

Obama, primeiro presidente negro da história dos EUA, tentou evitar a questão, semanas depois de ter ele próprio se envolvido em uma polêmica racial ao sair em defesa de um professor negro de Harvard que foi preso sob a suspeita de invadir a sua própria casa.

A primeira reação de Obama foi dizer que o policial agiu de forma estúpida no caso. Depois, ele pediu desculpas, moderou o tom das suas declarações e convidou o professor e o policial envolvidos para tomarem uma cerveja na Casa Branca.

Gibbs disse que a reação entre os adversários de Obama provavelmente se deve mais a decisões que ele tomou para ajudar na recuperação econômica dos EUA, com pacotes de estímulo aos setores bancário e automobilístico.

"Entendemos que as pessoas tenham discordâncias quanto a algumas das decisões que tomamos", disse ele.

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/09/16/obama+discorda+de+jimmy+carter+por+comentario+racial+8485926.html

Dono de hotel é condenado por racismo

Dono de hotel é condenado por racismo

SOS Racismo - Notícias

Fonte: Diário de Cuiabá

A Justiça Federal condenou a 3 anos e meio de prisão o proprietário do City Palace Hotel, Nidal Saleh Ali, pelo crime de racismo contra índios e negou a substituição da sanção por penas alternativas. O empresário é acusado de proibir a hospedagem de cinco pessoas - três mulheres e duas crianças - no hotel em Barra do Garças (a 516 quilômetros de Cuiabá) pelo fato de serem indígenas.

A sentença é fruto de uma denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2004. O fato aconteceu em outubro de 2003 e foi presenciado por servidores da Universidade Federal de São Paulo, que estavam na área prestando serviços de saúde às etnias e foram ao estabelecimento a fim de hospedar uma funcionária e as vítimas.

O recepcionista do hotel, Anthony Jean, confirmou a existência das vagas e entregou a chave de dois quartos. Contudo, no momento em que os indígenas entraram no estabelecimento foram impedidos de acessar as dependências, sob a argumentação de que o proprietário não permitia a hospedagem de índios. Após um telefonema do funcionário, Nidal teria ratificado a proibição.

Apenas o proprietário foi condenado pelo crime de racismo pelo fato do recepcionista ter apenas atendido à determinações do patrão, já que estava vinculado a ele por contrato empregatício e não tinha autonomia. O condenado tentou reverter a pena em prestação de serviços comunitários, mas a Justiça negou para que o réu "aprenda a tratar os outros seres humanos com respeito". (Com assessoria)


http://www.geledes.org.br/sos-racismo/dono-de-hotel-e-condenado-por-racismo.html

É o racismo, estúpidos

É o racismo, estúpidos

Em Debate

Por Edson Lopes Cardoso

O repórter Bernardo Mello Franco, de "O Globo", escreveu que a "Câmara dos Deputados aprovou ontem uma versão esvaziada do Estatuto da Igualdade Racial". Na mesma reportagem, o ministro Edson Santos afirmou que "o grande avanço é que ele não vai gerar conflito". (O Globo, p. 11.)

O Dep. Luiz Alberto (PT-BA) por sua vez afirmou, em pronunciamento da tribuna da Câmara, que o texto aprovado era "o possível". E acrescentou: "Em caráter conclusivo, a matéria vai ao Senado Federal, onde também há um acordo para imediatamente se constituir uma Comissão Especial para aprovar o Estatuto, a fim de que o Presidente Lula, ainda este ano, possa sancioná-lo e dar ao Brasil uma oportunidade de se criar uma verdadeira democracia."

Segundo ainda a reportagem de Bernardo Franco, "o DEM elogiou as mudanças". Quem conduziu as negociações pelos Democratas foi o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e já se pode bem avaliar a profundidade (e a realidade) da "verdadeira democracia" para a qual se abrem agora todas as oportunidades.

Johanna Nublat, repórter da "Folha de S. Paulo", escreveu que a oposição, comandada por Lorenzoni, afirmou "ter tirado todos os pontos com os quais não concordava". (FSP, p. C9.) Ao "Correio Braziliense", o deputado fez declarações mais incisivas: "Tiramos qualquer tentativa de racialização do projeto". (CB, p. 11.)

Nublat, aliás, é autora da pérola mais preciosa escrita sobre a versão do Estatuto aprovada ontem na Câmara dos Deputados: "Há também pontos mais práticos, como a possibilidade de o governo criar incentivos fiscais para empresas com mais de 20 empregados e pelo menos 20% de negros."

Quando o ponto mais prático é uma possibilidade, o leitor pode bem dimensionar o que representa a proposta aprovada para a superação das desigualdades raciais. Nem falo de racismo, porque a Comissão Especial, a rigor, nunca tratou do tema. Mas é fato que, sem falar de racismo, não alcançamos as motivações fundamentais.

Há algumas semanas, a mídia divulgou a discriminação sofrida por Januário Alves de Santana, agredido por seguranças do supermercado Carrefour numa cidade da Grande São Paulo. Todos conhecem a história do homem negro, técnico em eletrônica, que foi acusado de tentar roubar seu próprio veículo, um EcoSport. Acusado e violentamente espancado nas dependências do Carrefour.

Segundo ainda o noticiário, Januário viveu tantos constrangimentos após a compra do veículo, que decidiu se livrar dele. Creio que deveríamos fazer uma reflexão sobre como essas imposições violentas de limites têm afetado a população negra. Inclusive entidades e parlamentares.

Por causa de seus traços fisionômicos, seu fenótipo, e de um conjunto de injunções decorrentes da hierarquização do humano vigente entre nós, Januário vê-se obrigado a rever seu projeto, reduzindo suas dimensões, buscando adequar-se aos limites impostos pelo racismo.

Um modelo mais modesto de veículo talvez lhe permitisse acomodar-se aos limites rígidos preestabelecidos, seguramente é o que pensa Januário.

Segundo os seguranças do Carrefour citados na revista Carta Capital, tudo, toda a informação estava na cara de Januário. Sua cara não nega, teriam dito os seguranças. E mais: "Você deve ter pelo menos três passagens pela polícia". Sendo assim, não admiraria que Januário, renunciando a seu projeto legítimo de possuir um EcoSport, fosse preso ou assassinado conduzindo uma bicicleta.(Carta Capital, nº 560,25/08/09 p.16.)

O fato é que os negros vivem em um mundo em que se sabe de antemão muita coisa sobre eles. Impressiona a quantidade de informação que o olhar racista pode colher em um rosto negro. Os negros são no Brasil a evidência pública de um conjunto de delitos.

Apoiado por muitos outros autores, Umberto Eco afirma que é o outro, é o seu olhar, que nos define e nos forma. E não se trata aqui, diz ele, de nenhuma propensão sentimental, mas de uma condição fundadora (ver Cinco escritos morais. Editora Record, 1997, p. 95.)

Já sabemos como somos vistos e, a partir desse olhar, como devemos nos definir e conformar nossos projetos. Seria melhor dizer como devemos amesquinhar e reduzir nossos projetos. Sonhos não realizados, esperanças frustradas reafirmando e reforçando a ideologia que previamente nos classificou a todos.

Os parlamentares negros que ontem cantaram e ergueram os punhos fechados e se abraçaram ao DEM, o ministro Edson Santos, a Seppir, a Conen, a Unegro, todos comemoravam no fundo a redução e o amesquinhamento do projeto de Estatuto. Conformaram-se ao "possível". Confiam que na redução ainda se podem projetar ganhos eleitorais. Vão colher, seguramente, o que plantaram.


http://www.geledes.org.br/em-debate/e-o-racismo-estupidos.html


Ex-presidente Carter diz que racismo está por trás dos ataques a Obama

Ex-presidente Carter diz que racismo está por trás dos ataques a Obama

16/09 - 06:37 -

EFE - v1

Washington - O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter assegura que o racismo está por trás do ataque do legislador republicano Joe Wilson ao atual presidente, Barack Obama, ao que chamou mentiroso, assim como de outras muitas críticas da oposição que recebeu nos últimos dias.

"Acho que uma arrasador maioria da grande animosidade demonstrada contra o presidente Barack Obama se baseia no fato de que é um homem negro", disse Carter em entrevista emitida ontem à noite pela cadeia "NBC".

Em referência às palavras de Wilson, Carter assegurou que se tratou de um comentário "ruim" que faz parte de um "sentimento inerente" que têm muitos americanos, particularmente do sul, que os afro-americanos "não estão qualificados para dirigir este grande país".

Wilson, republicano pela Carolina do Sul, gritou "O senhor mente!" a Obama durante seu discurso sobre a reforma do sistema saúde perante uma sessão conjunta do Congresso na quarta-feira passada, quando o líder assegurava que a reforma não cobriria aos imigrantes ilegais.

"Essa inclinação pelo racismo ainda existe", assegurou o ex-presidente Carter, que qualificou esse fato de "abominável" antes de assegurar que se sentia "triste" e "profundamente preocupado".

Em qualquer caso, Obama será capaz de "triunfar sobre as atitudes racistas, que são a base do negativo ambiente que vimos nos últimos dias", acrescentou Carter sobre as numerosas críticas recebidas pelo atual presidente, que se encontra imerso na reforma do sistema sanitário dos EUA.

A Câmara de Representantes aprovou ontem uma resolução que condena a conduta de Wilson, que se negou a pedir desculpas perante o Legislativo.

Por 240 votos a favor e 179 contra, os legisladores aprovaram a resolução, que é o castigo mais leve que a Câmara Baixa pode dar a um de seus membros.

O congressista se negou a pedir perdão por sua conduta no plenário da Câmara Baixa por considerar que bastava a desculpa que ofereceu em privado à Casa Branca.



http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/09/16/ex+presidente+carter+diz+que+racismo+esta+por+tras+dos+ataques+a+obama+8468922.html

Ex-presidente Carter diz que racismo está por trás dos ataques a Obama

Ex-presidente Carter diz que racismo está por trás dos ataques a Obama

16/09 - 06:37 - EFE

EFE - v1

Washington - O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter assegura que o racismo está por trás do ataque do legislador republicano Joe Wilson ao atual presidente, Barack Obama, ao que chamou mentiroso, assim como de outras muitas críticas da oposição que recebeu nos últimos dias.

"Acho que uma arrasador maioria da grande animosidade demonstrada contra o presidente Barack Obama se baseia no fato de que é um homem negro", disse Carter em entrevista emitida ontem à noite pela cadeia "NBC".

Em referência às palavras de Wilson, Carter assegurou que se tratou de um comentário "ruim" que faz parte de um "sentimento inerente" que têm muitos americanos, particularmente do sul, que os afro-americanos "não estão qualificados para dirigir este grande país".

Wilson, republicano pela Carolina do Sul, gritou "O senhor mente!" a Obama durante seu discurso sobre a reforma do sistema saúde perante uma sessão conjunta do Congresso na quarta-feira passada, quando o líder assegurava que a reforma não cobriria aos imigrantes ilegais.

"Essa inclinação pelo racismo ainda existe", assegurou o ex-presidente Carter, que qualificou esse fato de "abominável" antes de assegurar que se sentia "triste" e "profundamente preocupado".

Em qualquer caso, Obama será capaz de "triunfar sobre as atitudes racistas, que são a base do negativo ambiente que vimos nos últimos dias", acrescentou Carter sobre as numerosas críticas recebidas pelo atual presidente, que se encontra imerso na reforma do sistema sanitário dos EUA.

A Câmara de Representantes aprovou ontem uma resolução que condena a conduta de Wilson, que se negou a pedir desculpas perante o Legislativo.

Por 240 votos a favor e 179 contra, os legisladores aprovaram a resolução, que é o castigo mais leve que a Câmara Baixa pode dar a um de seus membros.

O congressista se negou a pedir perdão por sua conduta no plenário da Câmara Baixa por considerar que bastava a desculpa que ofereceu em privado à Casa Branca.