terça-feira, 25 de agosto de 2009

Supremacista e 2 adolescentes são acusados de atacar negro nos EUA


21/08 - 11:53 - EFE

Washington, 21 ago (EFE).- Um homem de 28 anos que diz ser um supremacista branco e dois adolescentes foram acusados de atacar um negro de 76 anos e deixá-lo em estado grave no estado de Maryland, informou hoje o jornal "The Baltimore Sun". Calvin Lockner, que tem ficha na Polícia por crimes sexuais e o nome de Adolf Hitler tatuado no corpo, foi detido na terça-feira.Aos investigadores do caso, ele disse que, junto com dois adolescentes, atacou James Privott por este ser negro.Os jovens envolvidos na agressão, acusados de tentativa de homicídio e outros delitos, foram identificados como Zachary Watson, de 17 anos, e Emmanuel Miller, de 16.Segundo os documentos da Promotoria, os dois menores declararam que Lockner começou o ataque, agrediu Privott e depois roubou o veículo da vítima.A vítima do ataque, um servidor aposentado, permanece internado com dois dentes quebrados e fraturas nos ossos da órbita ocular.Em seu depoimento, Miller contou que ele e os dois companheiros se aproximaram de Privott e da mulher deste para pedir água e cigarros ao casal, que pescava no Parque Fort Armistead.Lockner, enfurecido por Privott ter dito que não tinha nem água nem cigarros, insultou-o com um comentário racista.A agressão a Privott aconteceu depois que a mulher dele foi embora. Enquanto insultava o negro com novos xingamentos, Lockner agrediu-o pelo menos 10 vezes.Watson disse que o supremacista branco usou uma barra de ferro.Já Miller declarou que Lockner tinha um taco de beisebol nas mãos.De acordo com as autoridades, o principal agressor roubou a carteira de Privott, na qual havia US$ 19, e as chaves de sua caminhonete, usada na fuga do trio e depois localizada pela Polícia.EFE jab/sc

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Mesquita é profanada com suásticas na França

Mesquita é profanada com suásticas na França

TOUL, França — Uma mesquita foi profanada em Toul, no nordeste da França, com inscrições racistas, suásticas e uma cabeça de porco pregada na porta, informou nesta quarta-feira uma fonte envolvida na investigação.

A polícia prendeu rapidamente dois jovens suspeitos de cerca de 20 anos, anunciou a secretária de Estado para a Família e a Solidariedade, Nadine Morano, que "condenou firmemente estas violências inaceitáveis".

Segundo uma fonte envolvida na investigação, os dois teriam sido flagrados poucas horas depois em Liverdun (nordeste) pintando suásticas nazistas na entrada de um restaurante árabe.

O local de culto, que tem uma sala de orações e salas de aula, foi inaugurado há cerca de 20 anos. "Nunca tivemos problemas até então", declarou Ichou Amzil, tesoureiro da associação socio-cultural dos magrebinos de Toul, uma cidade perto de Nancy.

Para Morano e a prefeita de Toul, Nicole Feidt, a profanação pode ser uma ação de represálias: o apartamento de um padre foi apedrejado recentemente no mesmo bairro.

O Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) expressou "sua forte indignação frente a esta nova agressão racista e xenófoba", e conclamou as autoridades a "fazer de tudo para prender os autores" da profanação.

“Tintim no Congo” retirado da biblioteca de Brooklyn por ser considerado racista



Livro está numa sala fechada à chave
“Tintim no Congo” retirado da biblioteca de Brooklyn por ser considerado racista
20.08.2009 - 12h28 Simão Martins
Uma petição dos sócios da biblioteca fez com que segundo livro das aventuras de Tintim fosse relegado para uma secção que não é de livre acesso ao público. A partir de agora, quem quiser consultar “Tintim no Congo”, terá mais dificuldade em fazê-lo do que em relação a “Mein Kampf”, de Adolf Hitler, revela o “The New York Times”.

O sócio da biblioteca que fez a reclamação queixa-se de que “o livro é racialmente ofensivo para as pessoas negras; a representação de negros que parecem macacos é ofensiva; culturalmente, já evoluímos bastante mais para além dessa representação”. Outra justificação apresentada para o perigo conteúdo subliminar das aventuras do jovem repórter foi a de que “o maior problema com Tintim é precisamente a sua cara amável e a sua vertente infantil, que é o que torna os seus conteúdos equívocos mais perigosos”.

O procedimento? Muito simples. Preenche-se um formulário, justifica-se e argumenta-se a origem da reclamação e o livro é retirado do acesso ao público. Para o consultar, é necessário preencher uma ficha e aguardar alguns dias, já que o livro se encontra numa sala fechada à chave.

Segundo o jornal americano, o livro já teve, no entanto, algumas alterações relativamente à sua edição original, de 1931. Nessa edição, refere o espanhol “ABC”, os nativos congoleses falavam uma variante de francês, o patois, “com sérias limitações linguísticas, apresentando-os como pessoas quase sem sofisticação e requinte praticamente impossível". Na versão a cores, editada posteriormente, os nativos já estavam familiarizados com a matemática e falavam mais fluentemente, o que significava uma atenuação das características apresentadas na primeira versão.

Qual é, afinal, o critério para a exclusão?
Num país em que a liberdade de expressão é um dos valores inquebráveis da sociedade, também as questões raciais levantam, frequentemente, discussões deste género. No entanto, “Mein Kampf” ("A Minha Luta", em português), de Hitler, está colocado à disposição do público para leitura. Este livro, considerado a base de toda a acção de Hitler e do nazismo, tenta provar a existência de uma raça superior a todas as outras e, por isso, perfeita (ariana).

Na prática, a queixa deste leitor da biblioteca de Brooklyn fez com que um livro cuja ideologia levou ao extermínio de milhões de judeus seja mais facilmente consultável do que “Tintim no Congo”, de Hergé. Até agora, ninguém apresentou qualquer queixa sobre o livro de Hitler, editado em 1926. A American Library Association afirma, no seu site, que não “podem excluir-se materiais e recursos mesmo que sejam considerados ofensivos para a biblioteca ou para os leitores”. E acrescenta: “a tolerância é insignificante se não houver tolerância perante o que muitos possam considerar detestável”.


http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1396957

Obra de Nina Rodrigues é tema de palestra


Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009 H

:: Bahia ::
Memória
Obra de Nina Rodrigues é tema de palestra
Domingo, 23/08/2009 - 12:39

Salvador - A trajetória do médico e antropólogo Raimundo Nina Rodrigues será o tema da próxima aula do Conversando com sua História, do Centro de Memória da Fundação Pedro Calmon/Secretaria da Cultura (Secult), nesta terça-feira (25), às 17h, com o professor Lamartine Lima. O curso é gratuito, realizado às terças-feiras, no auditório da Biblioteca Pública do Estado, nos Barris.

“Nina Rodrigues foi um homem que teve a antevisão dos tempos atuais. Foi um dos primeiros a chamar a atenção para a cultura negra. Hoje, pouca gente conhece sua obra”, defende o palestrante. Especialista em Medicina Legal pela Sociedade Brasileira de Medicina Legal, Lamartine Lima é também professor honorário da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e presidente emérito do Instituto Bahiano de História da Medicina e Ciências Afins.

“Querem olhar Nina Rodrigues com os conceitos de hoje. Querem dizer que ele era racista. Isso é uma distorção”, ressalta Lamartine, referindo-se ao que se costuma afirmar sobre o trabalho do cientista. Na ocasião, o professor abordará também outros aspectos de Nina Rodrigues, como o pioneirismo nos estudos sobre o negro e a compreensão da Antropologia Criminal para desmistificar a visão racista.




http://www.jornaldamidia.com.br/noticias/2009/08/23/Bahia/Obra_de_Nina_Rodrigues_e_tema_de_.shtml

Criada há 20 anos, lei que criminaliza racismo é ignorada, dizem especialistas


23/08/09 - 07h43 - Atualizado em 23/08/09 - 07h43
Lei tipifica racismo como crime e pune com prisão de até cinco anos.Maioria dos casos é classificada como injúria, que dá prisão de 6 meses.
Mariana Oliveira Do G1, em São Paulo


Apesar de vigorar há 20 anos, a Lei 7.719/1989, conhecida como Lei Caó, que classifica o racismo como crime inafiançável, punível com prisão de até cinco anos e multa, é pouco aplicada, afirmaram especialistas consultados pelo G1.
O tema preconceito racial voltou à tona nesta semana após o caso de um vigia, que disse ter apanhado dos seguranças do estacionamento de um supermercado, em Osasco, na Grande São Paulo, depois de ter sido confundido com um ladrão. O segurança achou que o técnico em eletrônica Januário Alves de Santana queria roubar um carro EcoSport, que era do próprio Januário - veja vídeo ao lado.

Segundo especialistas, a maior parte dos casos de discriminação racial é tipificada pelo artigo 140 do Código Penal, como injúria, que prevê punição mais branda: de um a seis meses de prisão e multa. Não há um levantamento oficial sobre as punições pela lei, mas, segundo o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, são poucos os casos enquadrados pela Lei Caó. Para o presidente da Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios da Ordem dos Advogados de Brasil, Marco Antônio Zito Alvarenga, muitos policiais, promotores e juízes consideram que a pena para crime de racismo é mais alta do que o delito. "Há um grau de dificuldade em tipificar o crime de racismo pelas autoridades policiais, por parte de alguns integrantes do Ministério Público e pela magistratura. Porque é um crime que se entende que a pena é alta pelo delito e que suas repercussões podem ser excessivas para quem cometeu. Então, muitas vezes, se entende por tipificar como delito de injúria", diz Alvarenga. Considerando o caso de Osasco, o presidente da comissão do negro da OAB afirma. "Ali para mim foi racismo e, na verdade, acho que os policiais que compareceram deveriam lavrar o auto de prisão em flagrante." Para ele, o preconceito racial é uma questão cultural. "O Brasil, na verdade, é um país racista e não está preparado para ver o negro em uma situação boa. Seja para andar em carro bom ou ter um cargo de destaque. O Brasil não assimilou que o negro luta pela sua condição." O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, aponta a falta de qualificação dos envolvidos nos processos investigativos e judiciais como principal fator para baixa utilização da lei.

"O que ocorre é que o agente, o funcionário de segurança, quando faz o registro da ocorrência, ele acaba recorrendo ao ato de injúria, quando na verdade a qualificação como racismo tem uma penalidade mais dura. Então o que falta, a meu ver, é uma qualificação dos agentes públicos para tratar de atos de racismo." Para o ministro, isso "estimula" casos de preconceito.

Presidente do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de São Paulo, Elisa Lucas Rodrigues avalia que a lei não é utilizada pela falta de divulgação. "A lei é eficaz, existe sim. Falta é divulgação maior da lei, aos advogados e delegados de polícia, que geralmente colocam como injúria." Elisa defende uma reformulação na Lei Caó. " Precisaria ser reformulada. Como vai punir, por exemplo, um médico que acha que não discriminou o paciente? O correto seria rediscutir a lei entrando por um detalhamento grande [sobre quais atos caracterizam racismo]."

Ajuste de conduta
A promotora Déborah Kelly Affonso afirmou que o Ministério Público do estado de São Paulo não lida com a discriminação racial como crime. Esses casos, segundo ela, são repassados para a Polícia. Na esfera civil, no entanto, a Promotoria já firmou três acordos neste ano para inibir o preconceito racial. Um deles foi com a
organização do evento de moda São Paulo Fashion Week, garantindo espaço para modelos negras.

Trabalho
No ambiente de trabalho a discriminação racial é comum, segundo o Ministério Público do Trabalho. A procuradora Valdirene Silva de Assis, vice-coordenadora nacional de combate à discriminação do órgão, afirmou que a grande dificuldade para os casos seguirem em frente na Justiça trabalhista é a falta de denúncias."As denúncias não são muitas, mas isso não significa que são poucos os casos que efetivamente ocorrem. As pessoas têm [vivem] momento tão sofrido, de dor, que não desejam denunciar para não se expor."

Como denunciar
Quem for vítima de discriminação racial, de acordo com os especialistas consultados pelo G1, deve procurar uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência. Em seguida, pode procurar um advogado ou defensor público para dar andamento em um processo judicial. No caso de uma discriminação genérica contra a raça não atingir diretamente uma pessoa, o caminho é procurar o Ministério Público do estado. Se ocorrer no ambiente de trabalho, o Ministério Público do Trabalho.