quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Origens reveladas

18/11/2009 13:30


Um filme de 30 segundos desenvolvido a partir de uma obra do poeta e pesquisador Oliveira Silveira (1941-2009) será a homenagem da Caixa aos seus 14 mil funcionários afrodescendentes pelo Dia da Consciência Negra, celebrado neste 20 de novembro. A mensagem foi criada pela agência de publicidade NovaS/B e será veiculada em todo o País, a partir de hoje, 19 de novembro.

Na comercial, um narrador declama em “off” o poema Encontrei minhas origens (leia a íntegra no fim deste texto), que conta a história dos negros na nossa nação, bem como sua trajetória rumo ao encontro de uma vida brasileira e de uma identidade nacional. A direção é do cineasta Heitor Dhalia (O cheiro do ralo e À deriva).

O diretor de criação da NovaS/B, Antonio Batista, informa que a idéia do filme foi “mostrar o negro como agente de sua libertação”, e não como beneficiário da Lei Áurea, de 13 de maio de 1888. “A liberdade do negro não foi doada, mas sim conquistada. O filme é afirmativo e mostra o orgulho do negro por suas origens”, enfatiza, em comunicado ao Portal da Propaganda.

Um homem negro de pés descalços, numa praia, olha o mar na primeira cena do filme, quando o locutor dá início à declamação do poema. Nas seqüências seguintes, ao som de tambores e cantos africanos, são mostrados homens negros e símbolos da suas trajetórias no País, como o mar que os trouxe da África, fotos e documentos que remontam suas histórias, os objetos de tortura à qual foram submetidos.

Os cantos se suavizam quando um personagem rompe a corrente que prendia seus punhos e impedia sua liberdade. A idéia de força, tradição e orgulho dos negros “explode” no filme. A narração prossegue, ilustrada, então, por imagens de alegria, dança, capoeira, tambores e belos personagens de pele negra sorrindo e cantando.

O narrador termina o poema, de forma entusiasmada, com a frase “Encontrei; encontrei-as enfim; encontrei-me” e, por último, revela sua identidade: “Sou Délio Martins, um dos 14 mil empregados afrodescendentes da Caixa”.

Segundo o diretor de criação Batista, a homenagem aos funcionários afrodescendentes está alinhada à postura da Caixa de estar sempre atenta à diversidade em todas as suas nuances: religiosa, cultural, étnica e de gênero.

Encontrei minhas origens
Oliveira Silveira (*)

Encontrei minhas origens
Em velhos arquivos
Livros

Encontrei
Em malditos objetos
Troncos e grilhetas

Encontrei minhas origens
No leste
No mar em imundos tumbeiros

Encontrei
Em doces palavras
Cantos

Em furiosos tambores
Ritos

Encontrei minhas origens
Na cor de minha pele
Nos lanhos de minha alma

Em mim
Em minha gente escura
Em meus heróis altivos

Encontrei
Encontrei-as, enfim
Me encontrei.

(*) O professor, poeta e pesquisador gaúcho Oliveira Ferreira da Silveira foi o idealizador do Dia da Consciência Negra.

Informações enviadas por assessoria de imprensa (NovaS/B) e postadas, sob adaptação, por Gisele Centenaro.


PARA ASSISTIR AO FILME:

http://www.portaldapropaganda.com/vitrine/tvportal/2009/11/0020

Elza Soares celebrará negritude em show na Sé

18/11 - 14:04

Augusto Gomes, iG São Paulo

Cantora será principal atração da programação do Dia da Consciência Negra em São Paulo
Uma celebração da negritude. É o que promete Elza Soares para o show que ela faz nesta sexta-feira na Praça da Sé, em São Paulo, para comemorar o Dia da Consciência Negra. Ela será responsável pelo encerramento da festa, que também terá a presença de Luiz Melodia e do Quinteto em Branco e Preto, entre outros.

Elza só não quis adiantar qual será o repertório da apresentação. "Eu gosto de fazer surpresa", contou a cantora, em entrevista por telefone. "Mas posso dizer que será um show para cima, bem animado. E que as músicas que eu escolhi têm a ver com a data", explica, referindo-se ao Dia da Consciência Negra.

Essa celebração da negritude, ela faz questão de dizer, não significa qualquer tipo de separação. "Eu quero integração, não gosto de divisão", explica. "Só acho que o negro tem que ter sua vez também. A gente tem que lutar, mas lutar como o Gandhi. Temos que ser Mahatma Gandhi (risos). Lutar sem sangue", completa.

A apresentação contará com a participação especial do saxofonista Thiago França. Figura carimbada do novo samba paulista, ele nunca tocou com Elza antes. "Nós já ensaiamos bastante, eu gostei muito dele", afirma. Ela também garante estar sempre aberta a novas colaborações. "Estou aí para todo mundo", brinca.

Enquanto se prepara para o show, Elza também continua as gravações de seu novo álbum. O trabalho praticamente teve que recomeçar do zero, depois que o laptop da cantora foi furtado no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em setembro. No computador, estavam todas as músicas de seu próximo álbum.

Ela chegou a oferecer uma recompensa de R$ 5 mil pelo aparelho, mas nada aconteceu. "Os ladrões não devem aguentar mais ouvir a minha voz. Quando eles enjoarem, talvez me devolvam", diz com bom humor. "Mas não conseguimos recuperar absolutamente nada. Estamos gravando tudo de novo", lamenta.

A cantora fará o show de encerramento da festa, a partir das 20h. Antes dela, apresentam-se nomes como Luiz Melodia (18h), Quinteto em Branco e Preto com Dona Inah e Germano Mathias (16h) e os rappers Kamau e GOG (14h), entre outros. Todos os shows são gratuitos e acontecem na Praça da Sé, no centro de São Paulo.



http://musica.ig.com.br/noticias/2009/11/18/elza+soares+promete+celebrar+negritude+em+show+na+se+9125244.html