sexta-feira, 20 de maio de 2011

Pajé poderá atender índios em hospital

Pajé poderá atender índios em hospital
Foi decisão do Ministério Público Federal, após entender que a medicina do homem branco é insuficiente para livrar os espíritos
Pajé poderá atender índios em hospital
RS - Em São Miguel das Missões, a união da medicina ocidental com as tradições indígenas se converterá em benefício a pacientes de uma comunidade especial. Por decisão do Ministério Público Federal (MPF), os 110 integrantes da aldeia Alvorecer ganharam o direito de receber atendimento médico e tratamento do líder espiritual nas dependências de um hospital.
Em fevereiro, o procurador da República em Santo Ângelo, Felipe Müller, recebeu a reivindicação para que os índios possam ser atendidos por médicos e também pelo pajé da tribo mbyá-guarani. Dois meses depois, foi celebrado acordo entre a Associação Hospitalar São Miguel Arcanjo e o cacique Ariel Ortega. Agora, uma estrutura física está à disposição da comunidade “Tekoa Koenjú” para que o profissional da saúde e o representante da comunidade trabalhem em harmonia.
O MPF entendeu que, segundo a crença indígena, a medicina do homem branco é insuficiente para livrar os espíritos. Mas no hospital, um ambiente onde o fumo é proibido (os guarani utilizam cachimbos nesses tratamentos) e onde deve predominar o silêncio, o tratamento pelas tradições indígenas ficava prejudicado. Agora, os índios têm uma sala privativa, com espaço para até três leitos e banheiro.
No local, após os médicos examinarem os índios e fazerem o tratamento necessário, se o pajé desejar, poderão ser feitos rituais de cura com cachimbo, orações e ervas. A ideia é que, com a união da medicina e da fé, o reestabelecimento do paciente ocorra de forma plena. – Já atendíamos os índios. Agora, terão um local separado para cultuar as tradições. No local, serão livres para exercer o ritual de cura que aprenderam com os antepassados – diz o diretor da associação, Inácio Müller.
A conquista foi recebida com alegria pelo cacique Ariel Ortega, já que os cerimoniais de cura próprios da cultura guarani não poderiam ser exercidos, não fosse a intermediação do MPF e acordo com o hospital. – Quando temos febre, gripe e outras doenças vamos ao hospital, mas o homem branco cuida do corpo, nós da alma – diz Ortega. Segundo o chefe da Secretaria da Saúde Indígena (Sesai) Jair Pereira Martins, não há precedentes de acordo semelhante.
Para o presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremers), Fernando Weber Matos, o apoio espiritual e emocional do povo indígena pode ser um complemento à medicina tradicional. No ano de 2009, um indiozinho doente chegou a São Paulo. Os pais, desesperados, decidiram chamar um pajé para salvar a vida de um menino em um ritual indígena de cura. Em um hospital público de São Paulo, o pajé, líder espiritual da tribo, rezou e cantou. Apático, o menino não queria comer e nem sair da cama. A família pediu, então, a ajuda de um pajé. Yawa Mi U foi trazido pelo projeto Xingu, da Universidade Federal de São Paulo, que há mais de 40 anos trabalha com índios
Fonte: Zero Hora
Imagens: Zero Hora e Vó Benedita

 

Informe do Dia: Pesquisa mostra que 69% dos pais são a favor das aulas de religião

Informe do Dia: Pesquisa mostra que 69% dos pais são a favor das aulas de religião

POR FERNANDO MOLICA
Rio - Pesquisa feita pela Secretaria Municipal de Educação  com pais de alunos de seteescolas da rede mostrou que a maioria (69%) quer que os filhos tenham aulas de religião — 31% preferem que, no horário, eles recebam lições sobre valores ligados à cidadania. 

O levantamento, porém, só levou em conta a opinião de pouco mais da metade dos responsáveis. A Secretaria entregou para os alunos cerca de 5.600 questionários, todos deveriam ser preenchidos por seus pais e devolvidos à escola. Do total, apenas 51,5% foram respondidos. 

Quem não quer

A adesão às lições religiosas é bem menor entre responsáveis por alunos dos últimos quatro anos do ensino fundamental — apenas 14% deles as aprovam. Entre todos os pais que querem essas aulas, 61,5% se disseram católicos; 35%, evangélicos.

Kit anti-homofobia: Bancada evangélica ameaça ir à Justiça

Kit anti-homofobia: Bancada evangélica ameaça ir à Justiça

Ministro volta atrás e distribuirá nas escolas vídeos sobre homossexualidade

POR CELSO OLIVEIRA
Rio - Após ser pressionado pela Frente Parlamentar Evangélica e admitir que poderia revisar o ‘kit anti-homofobia’, que será distribuído nas escolas públicas, o ministro da Educação, Fernando Haddad, voltou atrás e disse ontem que vai manter o conteúdo dos três vídeos sobre transexualidade, bissexualidade e lesbianismo, que vazaram na Internet. No entanto, estão sendo avaliadas alterações técnicas sobre as quais ele prefere não falar até serem executadas.

Membro da Frente Parlamentar, o deputado federal Arolde de Oliveira (DEM-RJ) disse que os parlamentares contrários ao material vão recorrer à Justiça e até cobrar posição da presidenta Dilma Rousseff para impedir sua distribuição, prevista para o próximo semestre em seis mil escolas do País. Segundo a bancada evangélica, os vídeos estimulam o homossexualismo em vez de combater a homofobia.
MEC deve distribuir kit anti-homofobia nas escolas públicas de ensino médio?

Sim
Não


“A Frente não vai parar de agir contra esse atentado à moral, aos bons costumes e àfamília brasileira. Se for preciso, vamos ao Supremo Tribunal Federal. A presidenta precisa tomar alguma medida. Vamos cobrar as promessas que ela fez na campanha às lideranças evangélicas”, afirmou Arolde.

Produzidos pela Pathfinder, ONG ligada ao movimento LGBT, os vídeos foram divulgados terça-feira no blog do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) e ontem estavam no site da Agência Brasil, órgão de comunicação do governo federal. O vídeo ‘Encontrando Bianca’ mostra as dificuldades de um jovem transexual, ‘Torpedo’ fala do amor entre duas meninas e ‘Probabilidade’ conta a história de um garoto que se descobre bissexual. As tramas se desenrolam no ambiente escolar.

Ministro afirma que uso do kit ficará a critério do diretor
 

Durante o programa de rádio ‘Bom Dia, Ministro’, na manhã de ontem, Fernando Haddad voltou a defender o ‘kit anti-homofobia’. Ele também afirmou que os parlamentares da bancada evangélica estão livres para manifestar sua opinião, mas as sugestões deles poderão ou não ser acatadas pelo ministério.

“O material visa a combater a violência, que é muito grande, contra homossexuais nas escolas públicas do País. Os estabelecimentos públicos têm que estar preparados para receber essas pessoas”, defendeu o ministro.
Conforme Haddad, o kit não será distribuído aos alunos, e sim aos diretores das escolas. O material de apoio, dirigido a jovens com mais de 15 anos, também não é imposição; caberá ao diretor decidir se quer usá-lo, seguindo acordo com professores e alunos.


Governo federal também age contra ato de racismo

Governo federal também age contra ato de racismo

Secretaria da Igualdade Racial manda investigar empresa de recursos humanos paulista

Rio - A Secretaria Especial de Políticas de Promoção  da Igualdade Racial (Seppir), do governo federal, vai acionar o Ministério Público do Trabalho paulista para que a empresade recursos humanos Resilar seja investigada por discriminação racial. Conforme O DIA denunciou na quarta-feira, a agência — especializada em empregados domésticos — dava aos clientes a opção de escolher um candidato pela cor da pele: a empresa tinha em seu site um cadastro com o campo “cútis”, removido depois que a reportagem foi publicada.
A Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena da Secretaria de Justiça de São Paulo também agiu ontem: foi aberto processo administrativo para investigar aagência, que poderá ser obrigada a pagar multa a ser definida. Pela manhã, dois assessores da deputada estadual Leci Brandão (PC do B-SP) estiveram no prédio da Vila Mariana, onde fica a sede da Resilar, mas não conseguiram falar com nenhum responsável pela empresa. Manuel Júlio Vieira e Eliane Aparecida Dias chegaram por volta das 11h30 e foram recebidos pela secretária, que informou que a dona da agência, identificada apenas como Íris, estaria a caminho.
Após cerca de 20 minutos, a funcionária avisou que Íris não apareceria, seguindo orientação de seus advogados. O DIA tentou contato com os defensores, mas ninguém retornou as ligações.
No plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo, Leci fez pronunciamento sobre o episódio: “Quero destacar episódio em que uma empresa usou o critério da cor da pele para apresentar candidatos a empregadores. Nosso mandato repudia veementemente qualquer ato de discriminação”, discursou a parlamentar.
E-ministro da Igualdade Racial, o deputado federal Edson Santos (PT-RJ) enviou ao Ministério da Justiça, à Procuradoria Geral da República, à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República denúncia contra a Resilar.
Informação sobre cor só para estatísticas
Para a ministra da Seppir, Luiza Bairros, o episódio prejudica os esforços da secretaria pela diversidade racial. Segundo ela, a prática de indagar a cor do candidato a emprego é antiga, mas antes vinha disfarçada sob a expressão “boa aparência” dos anúncios. A secretaria reivindica que a informação sobre a cor da pele conste nos registros de órgãos públicos e empresas privadas, como política de ação afirmativa. “Com esse dado, podemos mensurar o acesso das minorias aos serviços públicos e às oportunidades de emprego, por exemplo. Mesmo essa empresa poderia usar esses dados para avaliar quantos negros conseguiram empregos”, explicou a ministra.
Reportagem de Alessandro Ferreira e Daniel Carmona

Restrição à gratuidade no transporte para idosos é inconstitucional

Notícias STFImprimir
Quinta-feira, 19 de maio de 2011
Restrição à gratuidade no transporte para idosos é inconstitucional
A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou seguimento ao Agravo em Recurso Extraordinário (ARE 639088) proposto pela Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça (TJ) estadual, que declarou inconstitucional uma lei do município gaúcho de Canguçu que limitava a gratuidade da tarifa de transporte coletivo para maiores de 65 anos a quatro utilizações mensais não cumulativas.
A corte estadual entendeu que a norma, que criava restrição ao direito, afrontava o artigo 230, parágrafo 2º, da Constituição Federal, que proclama a gratuidade dos transportes coletivos aos maiores de 65 anos, sem qualquer tipo de restrição.
Ao analisar o ARE, a ministra explicou que a decisão do TJ-RS está em perfeita harmonia com a jurisprudência do STF, “pelo que nada a aprove quanto às alegações da agravante”, concluiu a ministra.
MB/CG