quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Nos últimos cinco anos, desemprego aumentou entre mais pobres, diz Ipea


10/02/2011 15h01 - Atualizado em 10/02/2011 15h36

Nos últimos cinco anos, desemprego aumentou entre mais pobres, diz Ipea

Entre os 10% mais pobres, taxa subiu de 23,1% para 33,3% desde 2005.
Tempo médio de procura por trabalho diminuiu. 

Do G1, em São Paulo
Desemprego entre mais ricos e mais pobres (Foto: Editoria de Arte/G1)Desemprego entre mais ricos e mais pobres
(Foto: Editoria de Arte/G1)
A forte criação de vagas formais e aqueda da taxa de desemprego à mínima recorde de 5,3% em dezembro de 2010 não se refletiu em redução da desigualdade entre os desocupados nos últimos anos, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De acordo com o levantamento, a taxa de desemprego entre os 10% da população com menor rendimento nas regiões metropolitanas passou de 23,1% em dezembro de 2005 para 33,3% no final do ano passado – uma alta de 44,2%. Já entre os 10% com maior renda, o desemprego, que já era de apenas 2,1%, recuou para 0,9% no mesmo período, numa queda de 57,1%.
Com isso, a taxa de desemprego dos mais pobres passou a ser 37 vezes superior à dos mais ricos no ano passado.
“Em função disso, o decréscimo no número de desempregados nas seis principais regiões metropolitanas do país foi acompanhado pela ampliação do peso relativo dos trabalhadores de menor rendimento. Entre 2005 e 2010, a quantidade de desempregados foi reduzida em 590 mil trabalhadores, sendo que a participação relativa dos 20% de maior rendimento diminuiu de 7,8% para 6,0% (queda de 23,1%)”, diz o Ipea em nota.
Tempo de procura por trabalho
De acordo com o Ipea, o tempo médio de procura por trabalho entre os 10% com renda menor caiu de 341,4 dias em 2005 para 248,3 dias em 2010. O movimento foi contrário entre os 10% de maior renda: o tempo médio de procura cresceu de 277 dias para 320,6 dias no mesmo período.
“O aumento do tempo de procura entre os desempregados de maior rendimento familiar per capita sugere que estes podem estar sendo mais seletivos em relação à aceitação de novos empregos. Por outro lado, a diminuição do tempo de procura entre os mais pobres também é indicativo de que estes acessam principalmente trabalhos precários e de curta duração, retornando rapidamente à condição de desemprego. Ou mesmo, a expressão direta da intensa rotatividade na ocupação de baixa renda”, avalia o instituto

Plenário do Senado aprova indicação de Fux para o Supremo


09/02/2011 19h16 - Atualizado em 09/02/2011 20h27

Plenário do Senado aprova indicação de Fux para o Supremo

Ministro vai ocupar 11ª vaga no STF, aberta com aposentadoria de Eros Grau.
Indicado por Dilma, Fux foi sabatinado na CCJ do Senado por quatro horas



Robson BoninDo G1, em Brasília



O ministro Luiz Fux durante sabatina no Senado que aprovou sua indicação para o STF (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)O ministro Luiz Fux durante sabatina no Senado
que aprovou sua indicação para o STF
(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado


O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (9), por 68 votos a favor e 2 contra, a indicação do ministro Luiz Fux para a 11ª vaga do Supremo Tribunal Federal (STF), aberta em agosto com a aposentadoria do ministro Eros Grau. A posse do novo magistrado do Supremo não está marcada, mas a expectativa é de que ocorra nos próximos dias.
Mais cedo, os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já haviam aprovado, por unanimidade, o nome de Fux. A sabatina do magistrado na comissão durou cerca de quatro horas e foi marcada por elogios dos parlamentares.
Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde 2001, Fux nasceu no Rio de Janeiro em 1953, é casado e tem dois filhos. Ele se formou em direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1976.



Com sua aprovação, Fux deverá decidir no Supremo o desempate do julgamento da lei da Ficha Limpa, que terminou em 5 a 5 nos dois julgamentos feitos pelos ministros, no ano passado. Outro caso que aguarda julgamento no STF é o do mensalão, suposto esquema de compra de votos de parlamentares.
O tribunal também se prepara para decidir o futuro do italiano Cesare Battisti. O julgamento ainda não tem data marcada. Os ministros terão de se manifestar sobre a decisão do ex-presidente Lula, que no último dia de mandato negou o pedido de extradição do ex-ativista. Do lado de fora do Supremo, manifestantes pediram que o italiano permaneça no Brasil.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Entrevista: Nova classe média é propaganda de governo", diz ex-aliado de Lula - Chico de Oliveira: 'Reforma política é perfumaria'

Chico de Oliveira: 'Reforma política é perfumaria'
Ao iG, sociólogo e ex-petista diz haver crise de representatividade dos partidos em todo o mundo, mas diz que reforma não resolve
Nara Alves e Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 09/02/2011 08:00

Compartilhar: Ex-petista e ex-colaborador direto do então candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva, o sociólogo Chico Oliveira, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), foi um dos primeiros intelectuais de esquerda a se desencantar com o governo petista, ainda nos primeiros meses de 2003.

Agora Oliveira, que disse usar o pessimismo como metodologia de trabalho, demonstra o mesmo desalento com uma das principais bandeiras deste início de governo Dilma Rousseff, a reforma política. “É perfumaria, coisa de quem não tem o que fazer”, disse. Para Oliveira, não há como consertar com um pacote de leis a cultura política forjada em séculos de desmandos e corrupção. “É preciso uma longa sedimentação”, afirmou.

Leia os principais trechos da entrevista concedida por Oliveira ao iG no hall do prédio onde mora, no bairro da Lapa, na capital paulista.

iG – O senhor acha que a reforma política vai resolver alguma coisa?
Chico de Oliveira – Reforma política é perfumaria, é assunto de quem não tem o que fazer. A única coisa de política que precisaria ser recuperada é a representatividade dos partidos, mas isso não depende de uma reforma. As experiências que existem de voto distrital em países do tamanho do Brasil são um desastre. Você perde representatividade porque o Brasil é um país que você tem que envolver a política pelos grandes temas, não pelos pequenos. Para os pequenos você já tem o vereador, deputado estadual.

iG – E como recuperar a representatividade dos partidos?
Chico - Essa representatividade está em crise no mundo todo. No Brasil, isso é evidente. O que é o PMDB? É um partido da burguesia? Não, não é. A não ser que essa burguesia seja tão vagabunda que seu representante seja o Sarney. Mas isso não é verdade. O PSDB tentou ser um partido diferente. Era uma promessa de um partido laico, não ideológico, republicano. Deu em nada. O PT é uma mistura hoje muito mal definida porque o poder faz isso com todos os partidos de esquerda que chegam ao poder.

iG – Essa onda conservadora que surgiu no final do primeiro turno da campanha presidencial é um sintoma de que os partidos hoje perderam representatividade?
Chico – Sim, mas isso não tem conserto por reforma política. Há um movimento das classes sociais que desestruturou os partidos. O PSDB pensava que ia surgir uma nova burguesia e que seria o melhor representante delas. Surgiu? Não. Surgiram grupos econômicos muito fortes, mas isso não se transporta para a política. O PSDB é um personagem em busca de autor. O FHC é um quadro excelente, um dos mais preparados, mas é trágico hoje.




Foto: Agência Estado
Para Chico de Oliveira, tese de que há nova classe média no Brasil é apenas



iG – O surgimento dessa nova classe média tende a aprofundar o abismo entre os partidos e a sociedade?
Chico – Isso não é uma nova classe média, é propaganda do governo em que vocês da imprensa acreditam. Uma classe social não é isso, é uma coisa muito mais complexa. O que você tem é um movimento de crescimento capitalista num ciclo muito favorável. Não virou classe média nenhuma. Tem signos do consumo que todo mundo atribui à classe média, mas é falso.


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iG – E o que falta para essas pessoas que agora têm acesso a esses 'signos de consumo' para se transformarem nessa nova classe média?
Chico – Muita coisa. Você está lidando com estratificações econômicas, e não políticas. Uma classe social é um longo processo. Exige uma mesma situação econômica, quadros, ideologia – que não precisa ser radical. Você se sente parte, com uma experiência comum de classe, ou seja, passar pelas mesmas situações.

iG – Primeiro a sociedade deve se reestruturar em classes políticas para depois resolver a questão da representatividade dos partidos?
Chico – É preciso uma longa sedimentação. Isso você não assenta nem por decreto, nem por reforma política. É um longo processo, se houver. Provavelmente não haverá essa reconfiguração da sociedade de forma que se transporte para a política. Em outras palavras, o sistema partidário tende a ser cada vez mais um sistema que alguns chamam de “partido ônibus”, que é uma tentativa de sair à disputa de voto como um mercado.

iG – E a questão ética?
Chico - Ética você não injeta em ninguém como penicilina. Na nossa formação histórica o Estado veio antes da sociedade. Portugal transplantou para cá os instrumentos jurídicos de um país semi-feudal. Para reconhecer qualquer coisa você precisa ir a um cartório. As regulações vêm de cima. É muito difícil numa cultura desse tipo criar o sentimento cívico de que o Estado é você que faz.

iG – O senhor é favorável ao financiamento público de campanha?
Chico – É uma das únicas coisas da reforma política que é necessária, para democratizar a disputa política. Mas é a única. Por exemplo, reduzir o número de partidos é brincadeira, é antidemocrático. Tem muito partido de aluguel, e haverá outros. As coisas da sociedade se reproduzem no interior do partido.

iG – O voto em lista fechada tem sido defendido pelo PT como uma forma de possibilitar o financiamento público.
Chico - Acho a lista profundamente antidemocrática. Será um instrumento para fechar de vez o sistema político porque transforma os que estão eleitos numa oligarquia. Não dá para você penetrar num sistema desses.

iG – Então é melhor manter o sistema como está?
Chico – É melhor. Não tem como quebrar essa cadeia da eleição. Todos os sistemas políticos são corruptos. Isso não é conformismo. Quando você tenta cercar o sistema com regras, pode dar num autoritarismo miserável, que é a experiência da ditadura militar, ou pode dar numa oligarquizarão total dos partidos. Deixa o sistema correr.

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/chico+de+oliveira+reforma+politica+e+perfumaria/n1237994025119.html

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Independência do Sudão do Sul é aprovada com 98,83% dos votos


07/02/2011 14h39 - Atualizado em 07/02/2011 14h43

Independência do Sudão do Sul é aprovada com 98,83% dos votos

Separação do país africano foi definida em referendo em 9 de janeiro.
Mais cedo, o presidente do Sudão havia anunciado que acataria a decisão.

Do G1, com agências internacionais
A independência do Sudão do Sul foi aprovada em referendo com 98,83% dos votos, informou nesta segunda-feira (7) a Comissão Eleitoral.
Mais cedo, o presidente do Sudão, Omar Hassan al Bashir, disse que acataria a decisão de independência do sul.
A votação ocorrida em 9 de janeiro estava prevista em um acordo de 2005 que encerrou décadas de guerra civil entre o norte e o sul do país.
As declarações de Bashir aplacaram temores de que o norte estaria relutante em permitir a independência do sul, uma região rica em petróleo.
Sudaneses do sul da etnia Toposa celebram neste sábado (5) a decisão de separar o país em dois, na cidade de Kapoeta. (Foto: AFP)Sudaneses do sul da etnia Toposa celebram neste sábado (5) a decisão de separar o país em dois, na cidade de Kapoeta. (Foto: AFP)
A maior parte das reservas petrolíferas sudanesas fica no sul, mas a infraestrutura está no norte, o que obrigará a uma cooperação econômica entre os dois países e deve tornar um conflito armado prejudicial para ambos os lados.
Depois do anúncio oficial do resultado do referendo, governos de todo o mundo e entidades multilaterais como a União Africana e a ONU devem reconhecer a independência do sul do Sudão, a qual deve ser formalizada em 9 de julho.
Bashir deixou claro que ninguém terá dupla nacionalidade (do norte e do sul), apesar de esse princípio estar permitido na Constituição - o que mostra a relação desconfortável que os dois países terão após a separação.
Ainda há disputas bilaterais a respeito da demarcação da fronteira - área na qual há grandes reservas de petróleo -, de concessão de cidadania, de divisão dos preciosos recursos hídricos do Nilo e das reservas de petróleo, e da posse da região de Abyei, reivindicada por ambas as partes.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Secretário do Tesouro dos EUA participou de encontro na FGV - Desafios do Brasil serão parecidos com os dos EUA, diz Geithner

07/02/2011 11h50 - Atualizado em 07/02/2011 13h05


Desafios do Brasil serão parecidos com os dos EUA, diz Geithner

Secretário do Tesouro dos EUA participou de encontro na FGV, em SP.

Para ele, economia brasileira tem mais força que a de outros países.



Do G1, em São Paulo


 O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, afirmou nesta segunda-feira (7), em evento em São Paulo, que a intenção dos EUA é preparar as bases para uma relação mais forte com o Brasil. Geithner participou de encontro com estudantes da Fundação Getulio Vargas, em visita preparatória à chegada do presidente Barack Obama ao Brasil, em março.





Secretário do Tesouro dos Estados Unidos participa de evento na manhã desta segunda-feira (7) em São Paulo. (Foto: Hélvio Romero/Agência Estado)



“A economia do Brasil tem mais força e é mais diversificada do que em qualquer outro país. Vocês já passaram por vários desafios e agora estão mais preparados para enfrentar novos desafios no futuro. Os desafios que vocês deverão enfrentar são parecidos com os nossos”, afirmou.



Entre os pontos fundamentais para que as economias mundiais cresçam, em especial Brasil e Estados Unidos, estão o fortalecimento do setor privado, a manutenção de um comércio justo e e aberto e a atenção voltada a investimentos em inovação, educação e infraestrutura.



"Temos interesses comuns, alinhados. Somos dois países com grande dinamismo econômico, equilíbrio entre mercado e participação do governo", disse. Em discurso, o secretário relembrou que, quando a crise financeira eclodiu, os dois países trabalharam juntos para defender uma estratégia internacional organizada para recuperar o crescimento econômico e reduzir o risco de futuras crises.



"Já superamos em muitas coisas a crise econômica, embora ainda tenhamos desafios. Mas estamos em uma posição favorável e queremos aproveitar esse histórico de cooperação entre os dois países. Temos agora mais otimismo no front econômico."



Durante a palestra, Geithner afirmou que o crescimento econômico tem sido puxado por demanda interna, consumo e investimento e que, para que esse equilíbrio seja sustentável, o Brasil e os Estados Unidos precisam de equiilíbrio da economia global. Geithner elogiu a "liderança excepcional" na condução da economia brasileira pelo último governo e pela gestão do Banco Central, feita pelo ex-presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, que foi mediador do encontro na FGV. “É bom estar aqui numa época de tanta confiança no país”, afirmou.



Quanto à participação do Brasil nos fóruns econômicos mundias, o secretário disse ser de interesse dos Estados Unidos que o país siga desempenhando um "papel importante". "É importante reconhecer essa grande mudança no equilíbrio entre forças. O Brasil agora tem voz forte." Geithner afirmou que os Estados Unidos ainda trabalham para incluir o Brasil no Conselho de Estabilidade Financeira.



Falando sobre a valorização da moeda brasileira frente ao dólar, Geithner afirmou que “gerenciar fluxo de capital não é uma tarefa fácil. O fato é que é muito difícil usar somente ferramentas de política monetária para combater a inflação, sem colocar mais pressão no câmbio”.



"Se países com grandes superávits agirem para fortalecer a demanda doméstica em suas economias, abrir seus mercados de capital e permitir que suas moedas reflitam fundamentos, conseguiremos veremos mais equilíbrio no fluxo de capital, menos pressão de alta na moeda brasileira e um crescimento mais robusto nas exportações do Brasil", disse ele.



Os compromissos

Antes de participar da plaestra na FGV nesta manhã, o secretário se reuniu com empresários brasileiros. No grupo, estavam executivos de bancos, como André Esteves, do BTG Pactual e Carlos Alberto Vieira, do Safra, e de grandes empresas como Ford, Marcos Oliveira, e Embraer, Frederico Curado.



De acordo com a Embaixada dos EUA, Geithner seguirá nesta tarde para Brasília, onde deverá reunir-se com a presidente Dilma Rousseff e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em nota, a embaixada informou que o secretário terá consultas sobre questões bilaterais e objetivos comuns do G-20, "incluindo os esforços contínuos para promover o crescimento global equilibrado e a reforma da governança dos organismos financeiros internacionais".

http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/02/desafios-do-brasil-serao-parecidos-com-os-dos-eua-diz-geithner.html