segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Lula homologará 5 milhões de hectares de terras indígenas

10/12/2009 - 11h12

Por Gilberto Costa, da Agência Brasil




O presidente Luís Inácio Lula da Silva deve homologar 5 milhões de hectares de terra indígena na próxima semana. O anúncio foi feito pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante a apresentação dos projetos a serem financiados pelo Fundo Amazônia.

A notícia, que circulou no terceiro dia da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (em Copenhague, Dinamarca), deverá ter impacto positivo entre os ambientalistas e os indigenistas no Brasil e no exterior. Segundo o Atlas de Pressões e Ameaças às Terras Indígenas na Amazônia Brasileira, divulgado ontem (09/12) pelo Instituto Socioambiental (ISA), as terras indígenas podem ser mais eficientes que as unidades de conservação na preservação ambiental.

O ISA mapeou os riscos de desmatamento que as reservas indígenas sofrem pelo avanço efetivo e potencial da pecuária, agricultura, extração de madeira, das rodovias, da mineração e da produção de energia na região amazônica.

De acordo com o geógrafo Arnaldo Carneiro Filho, um dos autores do estudo, a dinâmica de desmatamento “sem governança” na Amazônia não mudou desde a política de ocupação de terras promovida pelo regime militar (a partir da década de 1970), mas a construção de hidrelétricas é uma das novidades nessa pressão.

“O Brasil está integrando à Amazônia ao sistema elétrico nacional, e com isso está construindo uma infraestrutura nova, linhas de transmissão novas: uma que vai conectar Santo Antônio e Jirau [em Rondônia] e outra que vai conectar Belo Monte [no Pará]. No caminho dessas linhas de transmissão, em particular no sul da Amazônia, na região das cabeceiras do Rio Tapajós e do Rio Xingu, tem uma enorme coleção de interesses hidroenergéticos em planejamento”, afirmou Carneiro Filho.

O geógrafo concorda com os argumentos dos chamados “desenvolvimentistas” de que as hidrelétricas produzem energia limpa, sem emissão de gás carbônico como as termoelétricas a gás que abastecem inclusive cidades na Amazônia, mas reclama que o interesse social não está sendo atendido por empreendimentos como as hidrelétricas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, e que os povos indígenas não são ouvidos devidamente nos processos de licenciamento.

“Todas essas obras são geradoras de problemas sociais que começa com os canteiros; as cidades que recebem essas obras acabam tendo enormes desequilíbrios populacionais, crises de serviço etc. Num quadro ideal, tudo isso poderia ser consertado e acordado com os indígenas e com as populações locais”, disse Arnaldo Carneiro Filho. “Os empreendimentos hidroenergéticos estão servindo muito mais aos interesses do negócio com energia e dos negócios minerais do que a um interesse mais social”, completou.

Quatro audiências públicas foram realizadas em setembro deste ano para o licenciamento da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. As audiências públicas para Jirau e Santo Antônio foram realizadas em novembro de 2006. Na opinião do geógrafo, essas audiências foram mal formuladas. “Para as populações indígenas que benefícios essas obras trarão? Acredito que tenham benefícios, mas eles são mal negociados”, disse.(*Com Luana Lourenço/Edição: Aécio Amado)



(Envolverde/ABr)

http://envolverde.ig.com.br/materia.php?cod=67159&edt=1

sábado, 12 de dezembro de 2009

"Distrito 9" mostra racismo contra alienígenas no futuro
15/10 - 16:34 - Reuters



SÃO PAULO – A invasão da Terra por alienígenas é tema eterno nos filmes de ficção científica, quase sempre com os aliens como vilões. Imagine-se agora o contrário: uma nave com alienígenas doentes e subnutridos chega
por acaso à Terra, em 2012, sem nenhuma intenção belicosa. São resgatados numa operação humanitária. No final, acabam segregados em campos de concentração, na África do Sul, onde passam a viver isolados e sem poder se integrar à sociedade.

Os seres extra-terrestres são alimentados com restos de comida e mantidos sob um controle precário com a distribuição de latas de ração para gatos, disputadas no mercado negro e que servem de moeda em troca de armas e drogas.

Em "Distrito 9", de Neill Blomkamp, essa história é contada em tom de falso documentário, numa África do Sul que parece não ter se livrado totalmente do estigma do apartheid, já que usa as políticas do antigo regime que segregava os negros, agora para isolar os alienígenas.

Depois do sucesso estrondoso nos Estados Unidos, "Distrito 9", feito com apenas 30 milhões de dólares, chega aos cinemas brasileiros com a expectativa de carreira semelhante e com uma continuação já em estudo pelos produtores.

Esse apartheid contemporâneo, que prende a atenção pela história e pelos efeitos especiais, faz lembrar o brasileiro "Tropa de Elite", já que nessa África do Sul futurista a tropa de choque chamada para conter as rebeliões dos ETs usa métodos semelhantes aos utilizados
pelos comandados do capitão Nascimento.

Blomkamp, que também é sul-africano, cria uma fábula moderna e inquietante ao eleger os seres humanos como os grandes vilões da história. E não faltam referências, nada sutis, aos programas de eugenia da Alemanha nazista e aos métodos empregados pelos governos racistas sul-africanos, antes da abolição do apartheid, para privar a população negra das conquistas do regime.

O Distrito 9, onde os ETs vivem isolados, é semelhante às imensas favelas de Soweto, em Johanesburgo, onde vivia e ainda vive a população negra e pobre do país.

No filme, o controle dos alienígenas é cada dia mais difícil, em face do aumento populacional e das condições precárias em que vivem, clima favorável para a deflagração de constantes rebeliões e atos de vandalismo.

A saída encontrada é transferi-los para um local maior e mais seguro (para a população humana) e à
prova de fugas. A coordenação do programa de transferência, criado para parecer pacífico e voluntário, é entregue a Wikus (Sharlto Copley, amigo de infância do diretor), burocrata do departamento responsável pelo controle dos extra-terrestres.

Bonachão e desastrado, Wikus encara a tarefa como uma grande oportunidade de promoção, conseguida pelo pai de sua noiva, chefe do departamento.

Wikus demora a perceber que ele é apenas um "laranja", que fará figuração para que os agentes executem a tarefa de remoção a ferro e fogo. Sua função é apenas dar a aparência de legalidade aos atos de brutalidade.

O funcionário é seguido por um cinegrafista que acompanha seu trabalho e acaba, involuntariamente, sendo testemunha de um grave incidente. Ao revistar o barraco de um dos alienígenas, à procura de armas e materiais proibidos, ele entra em contato com uma estranha substância química que derrama sobre uma de suas mãos.

Os efeitos do produto logo serão conhecidos e tornarão Wikus uma outra pessoa, agora perigosa para a continuidade de todo o programa que, em seus bastidores, revela ser muito diferente do que é propagado por seus criadores.

(Por Luiz Vita, do Cineweb)


http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2009/10/15/estreia+distrito+9+mostra+
racismo+contra+alienigenas+no+futuro+8841976.html

Governo cubano rejeita acusações de racismo de líderes negros dos EUA

4/12 - 16:28 - EFE



Havana, 4 dez (EFE).- O Governo de Cuba afirmou hoje que são "falaciosas" as acusações de racismo feitas nesta semana por aproximadamente 60 líderes e intelectuais americanos negros contra a ilha
.

Um comunicado distribuído por veículos de comunicação oficiais afirma que as acusações são "delirantes". Os dirigentes negros disseram que, em Cuba, ainda persiste um "insensível desprezo" e que há restrição das liberdades civis "por razões de raça".

O comunicado, assinado por oito funcionários e intelectuais ligados ao Governo de Havana, afirma que os críticos americanos tentaram impor "uma imagem distorcida da sociedade cubana contemporânea", apoiados pelos "círculos políticos mais intolerantes e pelos veículos de comunicação mais poderosos".

O documento destaca ainda que, com as acusações, "fica evidente a intenção de somar respeitáveis vozes da comunidade afro-americana à campanha anticubana, que pretende destruir nossa soberania e identidade".

Para negar que exista racismo hoje na ilha, as autoridades lembram que "mais de 350 mil voluntários cubanos combateram junto a seus irmãos africanos contra o colonialismo" há décadas, e que "mais de dois mil combatentes de Cuba morreram naquele continente".

"Uma personalidade de indiscutível destaque no contexto internacional, (o líder sul-africano) Nelson Mandela, reconheceu o papel desses voluntários na quebra definitiva do regime do apartheid", destaca o documento.

Entre os americanos que denunciaram que há racismo em Cuba estão o ex-pastor Jeremiah Wright, da Igreja que Barack Obama frequentava em Chicago, e Cornell West, professor da Universidade de Princeton.

A réplica de Havana foi assinada, entre outros, pelo escritor Miguel Barnet, presidente da União de Escritores e Artistas (ligada ao governo), e a poetisa negra Nancy Morejón, presidente da Associação de Escritores de Cuba. EFE am/fm


http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/12/04/governo+cubano+rejeita+acusacoes+de+racismo+de+lideres+negros+dos+eua+9199424.html

Polícia prende estudantes por racismo em Ribeirão Preto


12/12 - 15:01 - Agência Estado



Três estudantes de medicina de uma universidade de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, foram presos no início da manhã deste sábado, após terem agredido um homem de 55 anos numa das principais avenidas da cidade.

Os jovens atingiram um auxiliar de serviços gerais com um tapete de carro enrolado, enquanto o chamavam de "negro", aos gritos. Por isso, foram presos em flagrante por racismo e lesão corporal.

O auxiliar de serviços gerais foi abordado por volta das 6h, quando estava em uma bicicleta a caminho do trabalho. Um dos rapazes, com o tapete enrolado, desferiu um golpe nas costas do homem e gritou "negro". Segundo testemunhas, os três vibraram com a ação. Pouco depois, dois vigilantes, que saíam de um evento e testemunharam a agressão, conseguiram deter os estudantes e levá-los à polícia.

O crime de racismo é inafiançável no
Brasil e prevê pena de um a três anos de prisão. Os advogados dos jovens, no entanto, tentam obter a liberdade provisória dos rapazes. Segundo o delegado Mauro Coraucci, que estava de plantão, os três seguiriam para a cadeia de Santa Rosa de Viterbo, pois o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Ribeirão Preto não recebe presos no fim de semana.

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/12/12/policia+prende+estudantes+por+racismo+em+ribeirao+preto+9232210.html

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Acusado de racismo, Antônio Carlos é rejeitado por vascaínos
09 de Dezembro de 2009 19:52 .
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[imagem=9340#alinhamento=dir#legenda=Comunidade do Orkut não quer Antônio Carlos de técnico para a temporada 2010#credito=454]

Parte dos torcedores do Vasco reagiu mal à confirmação do interesse pelo técnico Antônio Carlos Zago, do São Caetano, dada pelo presidente Roberto Dinamite no início da semana. Em comunidade da rede social Orkut, os cruzmaltinos revelaram sua desaprovação, chamando o treinador de "Racista".

A inscrição "Racista, Não!" aparece ao lado da foto do ex-jogador na capa da comunidade 'Vasco da Gama', que tem mais de 370 mil membros. A acusação faz menção ao episódio com o volante Jeovânio, do Grêmio, em março de 2006, pelo Campeonato Gaúcho.

Então zagueiro do Juventude, Antônio Carlos desferiu uma cotovelada, foi expulso e deixou o gramado esfregando o braço com os dedos, em referência à cor da pele do rival. Pelo caso, o ex-jogador chegou a ser suspenso por 60 dias. Por isso, a torcida não vê com bons olhos a possível chegada do treinador ao Vasco, clube historicamente ligado à luta contra o racismo.

Em 1904, o Vasco elegeu o primeiro presidente de origens negras da história dos clubes esportivos no Rio de Janeiro, o mulato Cândido José de Araújo. E foi com o elenco recheado de negros e operários, vindos dos subúrbios cariocas, que o time conquistou seu primeiro título, em 1923, no ano de estreia na elite carioca. Depois disso, passou a sofrer resistência na temporada seguinte.

Assim, em 1924, a recém-criada Associação Metropolitana dos Esportes Atléticos (Amea), que passou a organizar as competições no Rio de Janeiro, recusou a inscrição do Vasco. Na 'contraproposta' feita pela entidade, estava a exclusão de 12 atletas cruzmaltinos, negros e operários. O presidente do clube, José Augusto Prestes, anunciou a desistência da filiação por meia de carta.

A polêmica chamou a atenção para a discriminação racial e social vigente no futebol carioca e brasileiro. Depois de passar a temporada atuando em campeonatos menores, o Vasco acabou admitido pela Amea. O lastro permanece até hoje. A torcida não quer um treinador com passado ligado a acusações de racismo.


http://br.esportes.yahoo.com/noticias/d-sport-acusado-racismo-antonio-carlos-rejeitado-09122009-82.html