sábado, 30 de julho de 2011

Black In Latin America - Henry Louis Gates, Jr.

Black In Latin America

Posted: 7/28/11 08:40 AM ET

I first learned that there were black people living in some place called other than the United States in the western hemisphere when I was a very little boy, and my father told me that when he was a boy about my age, he wanted to be an Episcopal priest, because he so admired his priest, a black man from someplace called Haiti. I knew that there were black people in Africa, of course, unfortunately because of movies such as Tarzan. And then, when I was 9-years-old in 1960, our fifth grade class studied "Current Affairs," and we learned about the 17 African nations that gained their independence that year. I did my best to memorize the names of these countries and their leaders, though I wasn't quite sure why I found these facts so very appealing.
But it wouldn't be until I was an undergraduate at Yale, and was enrolled in my sophomore year, 1969, in Robert Farris Thompson's art history class, "The Trans-Atlantic Tradition: From Africa to the Black Americas," that I began to understand how "black" the New World really was. Professor Thompson used a methodology that he called the "tri-continental approach" -- complete with three slide projectors -- to trace visual leitmotifs that recurred among African, African American, and Afro-descended artistic traditions and artifacts in the Caribbean and Latin America, to show, a la Melville Herskovits, the retention of what he called "Africanisms" in the New World. So in a very real sense, I would have to say, my fascination with Afro-descendants in this hemisphere, south of the United States, began in 1969, in Professor Thompson's very popular, and extremely entertaining and rich, art history lecture course. In addition, Sidney Mintz's anthropology courses and his scholarly focus on the history of the role of sugar and plantation slavery in the Caribbean and Latin America also served to awaken my curiosity about another black world, a world south of our borders. And I owe so much of what I know about Pan-Africanism in the Old World and the New World to these two wise and generous professors.
But the full weight of the African presence in the Caribbean and Latin America didn't hit me until I became familiar with "The Trans-Atlantic Slave Trade Database," started by the great historian, David Eltis, and his colleagues. Between 1502 and 1866, 11.2 million Africans survived the dreadful Middle Passage and landed as slaves in the New World. And here is where these statistics became riveting to me: of these 11.2 million Africans, according to Eltis and his colleagues, only 450,000 arrived in the United States. That is the mind-boggling part, to me, and I think to most Americans. All the rest arrived in places south of our border. About 4.8 million Africans went to Brazil alone. So, in one sense, the major "African American Experience," as it were, unfolded not in the United States, as those of us caught in the embrace of what we might think of as"African American Exceptionalism," but throughout the Caribbean and South America, if we are thinking of this phenomenon in terms of sheer numbers alone.
About a decade ago, I decided that I would try to make a documentary series about these Afro-descendants, a four hour series about race and black culture in the western hemisphere outside of the United States and Canada. And I filmed this series this past summer, focusing on six countries, including Brazil, Cuba, the Dominican Republic, Haiti, Mexico, and Peru, choosing each country as representative of a larger phenomenon. This series is the third in a trilogy that began with Wonders of the African World, a six-part series that aired in 1998. This was followed by America Behind the Color Line, a four-part series that aired in 2004. In a sense, I wanted to replicate the points in Robert Farris Thompson's "Tri-Continental" approach to what some scholars called African retentions; another way to think of it is that I wanted to replicate the points of the Atlantic triangular trade among Africa, the European colonies of the Caribbean and South America, and Black America. Black in Latin America, another four hour series, is the third part of this trilogy, and this book expands considerably upon what I was able to include in that series. You might say that I have been fortunate enough to find myself over the past decade in a most curious position: to be able to make films about subjects about which I am curious, and about which I know nothing, or very little, with the generous assistance of many scholars in these fields.
The most important question that this book attempts to explore is this: what does it mean to be "black" in these countries? Who is considered "black," and under what circumstances, and by whom in these societies, the answers to which vary widely across Latin America in ways that will surprise most people in the United States. As my former colleague, the Duke anthropologist Randy Matory, recently put this to me: "Are words for various shades of African descent in Brazil, such as mulattoes, cafusos, pardos, morenos, pretos, negros, etc., types of 'Black people," or are pretos and negros just the most African-looking people in a multi-directional cline of skin-color-facial feature-hair texture combinations?" And how does wealth or class enter the picture? Matory asks.
"And suppose two people with highly familiar phenotypes are classified differently according to how wealthy and educated they are, on the same person is described differently depending upon how polite, how intimate, or how nationalistic the speaker wants to be? In what contexts does the same word have a pejorative connotation, justifying the translation of 'nigger,' and in another context connote affection, such as the word 'negrito?'"

You can read an excerpt from Black In Latin America here.
Henry Louis Gates, Jr.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

Ateus fazem campanha para mostrar que são vítimas de preconceito

Ateus fazem campanha para mostrar que são vítimas de preconceito

“Somos a encarnação do mal para grande parte da sociedade”, diz presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA)

Danielle Nordi, iG São Paulo 29/07/2011 06:03








A campanha era para ser veiculada na parte traseira dos ônibus, mas empresas de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre se recusaram a fazê-lo. A saída foi utilizar outdoors. Pelo menos em Porto Alegre, que desde o começo do mês é a primeira cidade brasileira a exibir uma campanha que defende o ateísmo.



Originalmente, a associação pretendia usar as peças em ônibus, mas as empresas não aceitaram - Foto: Divulgação1/5
Afinal, o que há de tão problemático com os anúncios? De acordo com Daniel Sottomaior, presidente da organização responsável pela campanha, o que incomoda é o conteúdo. Ele diz que as mensagens foram feitas com o objetivo de conscientizar a população de que o ateísmo pode conviver com outras religiões e não deve ser encarado como uma deficiência moral. “Todos os grupos que sofrem algum tipo de preconceito procuram fazer campanhas educativas para tentar minimizar o problema. Foi o que fizemos”, afirma.

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Diante das mensagens veiculadas nos outdoors, as reações foram variadas. “Foram interpretadas como provocação por alguns grupos religiosos. Além disso, muitos acharam de mau gosto ou preconceituoso. Acho que isso foi coisa de quem não entendeu ou não quis entender”, diz. Daniel diz que seu objetivo é mostrar que ser ateu é difícil. “As pessoas ficam chocadas quando você revela que não acredita em um deus. Muitos chegam a perder emprego e, principalmente, amigos”.

Punição
Para o sociólogo americano e estudioso das religiões Phil Zuckerman o ateísmo ainda é fonte de muito preconceito. Segundo ele, ateus sofrem até mesmo perseguições. “Mesmo atualmente, em algumas nações, ser ateu é passível de punição com pena de morte. Nos Estados Unidos existe um forte estigma em ser ateu, principalmente no sul, onde a religiosidade é mais forte”, conta.

No Brasil, um país laico, a intolerância pode aparecer nas situações mais improváveis. A professora da Universidade Federal de Minas Gerais Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva perdeu um filho de dois anos, atropelado. Diante do sofrimento da família no velório da criança, Vera escutou uma frase que a deixou bastante magoada. “Uma amiga me disse: ‘Quem sabe isso não aconteceu para você aprender a ter fé?’. Isso apenas reforçou minha convicção de que eu não queria acreditar em nenhum deus que pudesse levar o meu filho inocente”, revela.

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Apesar de tudo, Vera afirma que não se perturba com comentários acerca de sua escolha. “Acho natural que uma pessoa religiosa queira demonstrar sua fé. Entendo e convivo com pessoas bastante religiosas sem problema algum. Só não gosto quando ficam argumentando sobre o quanto é maravilhoso acreditar em Deus. Tenho direito a ter minha crença pessoal.Ou a falta dela.”

Daniel diz que atitudes como estas, vindas de amigos e familiares, fazem com que ateus não “saiam do armário”. Ele afirma que esta expressão, usada inicialmente para descrever homossexuais que ainda não se assumiram, encaixa-se perfeitamente no momento pelo qual o ateísmo vem passando. “Estamos atrasados uns 30 anos em relação à luta contra o preconceito, se compararmos com homossexuais ou negros. Sou bastante cético, mas tenho a esperança de que possamos alcançar o mesmo patamar daqui a algumas décadas”, revela.

Exagero
Há quem veja afirmações como as dada por Daniel como exagero. O filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), considera ações como as desenvolvidas pela ATEA como marketing. “O preconceito diminuiu muito, principalmente nos meios universitários e empresariais. Acho a comparação de ateus com negros e homossexuais um exagero. Tem um pouco de marketing aí.”

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Pondé admite que muitas pessoas ainda têm dificuldade em enxergar a possibilidade de uma vida sem um deus. “Muitos associam moral pública à religião. Isso também é um absurdo. Pessoas matam umas as outras acreditando ou não em deus. O que acontece é que muitos ateus ficam alardeando coisas assim, mas acho que hoje o cenário já é bem diferente. Sofrer preconceito ficou chique”, afirma.

Apesar de não ser tão enfático, Zuckerman admite que em alguns lugares do mundo o ateísmo não é mais visto como algo depreciativo. “Em muitas sociedades, como no Canadá e na Suíça, ser ateu não tem nada de mais. A Austrália, por exemplo, tem um primeiro-ministro ateu. Cada país tem uma dinâmica diferente.”

http://delas.ig.com.br/comportamento/ateus+fazem+campanha+para+mostrar+que+sao+vitimas+de+preconceito/n1597105763135.html

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mistura de raças do Brasil é catastrófica, escreveu atirador da Noruega


25/07/2011 17h42 - Atualizado em 25/07/2011 19h42


Texto publicado na internet liga mistura de raças a desigualdade social.
Brasil seria exemplo de 'alto nível de corrupção e falta de produtividade'.

Do G1, em São Paulo


Documento tem o nome de Andrew Berwick na capa (Foto: Reuters)
A política de estabelecer uma mistura de raças europeias, asiáticas e africanas em países como o Brasil se provou “catastrófica” e resultou em altos níveis de corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas.
A teoria sobre o país está numa das páginas do manifesto atribuído a Andrew Behring Breivik, o norueguês de 32 anos que assumiu a autoria dos atentados que mataram ao menos 76 pessoas em Oslo, na última sexta (22).

Para o autor do documento, que tem ligações com a extrema-direita norueguesa, o “Brasil vem se estabelecendo como o segundo país do mundo com o menor nível de igualdade social". O texto não cita qual seria o primeiro.

“Os resultados são evidentes e se manifestam num alto nível de corrupção, falta de produtividade e um eterno conflito entre várias ‘culturas’ competindo, enquanto a miríade de ‘sub-tribos’ criadas (preto, mulato, mestiço, branco) paralisa qualquer esperança de sequer alcançar o mesmo nível de produtividade e igualdade de, por exemplo, Escandinávia, Alemanha, Coreia do Sul e Japão”, diz o texto do terrorista de extrema-direita na página 1.153.
Observando a falta de igualdade social no Brasil e a média de produtividade do brasileiro, continua o texto, “é evidente que uma abordagem similar na Europa seria devastadora e um atraso para as nações (...)”.
Intitulado “A European Delaration of Independence - 2083" (Uma declaração de Independência Europeia - 2083), o manifesto, que leva a assinatura "Andrew Berwick" na capa, foi publicado na internet apenas horas antes do massacre no país. Com várias referências históricas, o manifesto inclui numerosos detalhes da personalidade do agressor, seu modus operandi para fabricar bombas e seu treinamento de tiro, além de um minucioso diário dos três meses que precederam o ataque.
Anders Behring Breivik, à esquerda, é transportado em carro da polícia nesta segunda-feira (25) em Oslo, capital da Noruega (Foto: Reuters)Anders Behring Breivik, à esquerda, é transportado em carro da polícia nesta segunda-feira (25) em Oslo, capital da Noruega (Foto: Reuters)


As afirmações que relacionam raça e produtividades estão no trecho em que o autor trata das “razões por trás da oposição conservador à mistura de raças e adoção de não-europeus”. Em outro trecho, na página 1.161, o texto volta a citar o Brasil como exemplo de desigualdade social.

“(...) Um país que tem culturas que competem entre si vai acabar se dividindo internamente ou, a longo prazo, vai terminar como um lugar permanentemente disfuncional como o Brasil e outros países semelhantes”, diz. “Quando você acrescenta o Islã a esta mistura, o pior cenário muda de um país disfuncional para o fracasso total; a sharia [lei islâmica] e disputa entre povos”.

Acidente em GoiâniaHá pelo menos 12 referências aos termos “Brasil” ou “brasileiro” no documento, nem todas com o mesmo teor. No trecho em que trata sobre a fabricação de bombas, o autor cita o acidente radioativo com o césio 137 em Goiânia, que deixou centenas de mortos em 1987. “Seja extremamente cuidadoso quando lidar com material radiológico”, alerta na página 1.060.

Na página 1.287, o texto cita o Brasil em meio a países que se tornaram independentes com “golpes de estado sem sangue”. “Em 1889, o Brasil se tornou uma república via um golpe de estado sem sangue.” Em outra menção, o país está numa lista de nações que sofreram intervenções dos Estados Unidos. A anotação cita o ano de 1964 ao lado de “Acesso do comunismo a recursos e trabalhadores pobres”.
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2011/07/mistura-de-racas-do-brasil-e-catastrofica-diz-texto-de-atirador-da-noruega.html


Lei de Cotas para deficientes completa 20 anos e divide especialistas.

Lei de Cotas para deficientes completa 20 anos e divide especialistas.

  A Lei de Cotas (Lei 8.213/1991), que completa 20 anos neste domingo (24/07), divide a opinião dos especialistas ouvidos pelo Última Instância. Enquanto alguns celebram o fato de que a lei garante a presença de pessoas com deficiência no mercado, outros dizem que a norma exclui tais pessoas do ambiente de trabalho. Todos, entretanto, são unânimes ao afirmar que a visão da sociedade em relação às pessoas com deficiência precisa mudar.

A norma estabelece o número de profissionais portadores de deficiência ou em reabilitação no quadro das empresas, de acordo com a quantidade de funcionários que possui. Entretanto, para Maria Lúcia Benhame, advogada especializada em Direito Trabalhista, mesmo com duas décadas de vigência, a lei não melhorou o panorama de trabalho destes profissionais.

"O cenário hoje é pior do que em 1990, pois inclui menos pessoas no mercado do trabalho e as deixa à margem da sociedade. Algumas pessoas às vezes não entram na Lei de Cotas, mas não são aprovadas num exame médico admissional", afirmou, em entrevista a Última Instância.

Para Maria Lúcia, um decreto de 2005 que alterou a Lei de Cotas é um dos principais responsáveis pelo atual cenário que, segundo ela, limita a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

"Ficou uma definição mais drástica. As pessoas com deficiência que antes eram inseridos na década de 1990, a partir de 2005, não seriam inseridos mais. Passou-se a inserir apenas aqueles que antes já eram considerados completamente incapacitados e, dessa forma, recebiam o auxílio do Governo", completou.

A opinião da advogada é crítica em relação ao cenário atual da legislação para pessoas com deficiência ou profissionais em reabilitação. Quem discorda, entretanto, afirma que a Lei de Cotas garante a participação destes profissionais no mercado de trabalho e permite que a sociedade passe a vê-los de outra forma. Segundo informações do último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 14,5% da população brasileira possui algum tipo de deficiência.

"Hoje o que acontece é que existe uma demanda muito grande para as contratações. Logicamente existem problemas. Nem todas as empresas cumprem e nem todas as pessoas com deficiência abrem mão de seus benefícios para entrar no mercado de trabalho. Mas a lei funciona sim, ela tem um significado muito importante", avalia Edson Defendi, coordenador de empregabilidade e projetos especiais da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma das instituições que buscam preparar as pessoas com alguma deficiência física para ingressar no mercado de trabalho. Segundo Defendi, é falsa a ideia de que há uma falta de profissionais qualificados para atender à Lei das Cotas.

"Isso (falta de profissionais) é um problema geral. O Brasil está num crescimento econômico e tem vagas que não são preenchidas porque não há pessoas capacitadas. Hoje há mecanismos para capacitar essas pessoas com deficiência. Até mesmo as empresas estão desenvolvendo esses cursos", completou.

A Lei das Cotas determina que o número de pessoas com deficiência no quadro de empregados irá variar de acordo com o número de funcionários da empresa. A cota foi fixada em 2% para quem tem entre 100 e 200 funcionários, 3% para 201 a 500 funcionários, 4% para aqueles que possuem entre 501 e 1000 e 5% para as empresas cujo quadro supera os mil empregados.

De acordo com a advogada Simone Varanelli Lopes, especializada em Direito Trabalhista, a própria punição imposta a algumas empresas fez com que a questão fosse mais bem assimilada e cumprida pelo setor empresarial. Para ela, a demanda por profissionais com alguma deficiência tende a aumentar, já que as empresas precisam se adequar às cotas.

"As empresas tem cada vez mais buscado esses profissionais. Acho que elas, no geral, já sofreram algumas punições. As próprias punições que as outras empresas já sofreram foram divulgadas. Então, para evitar esse tipo de problema, as empresas têm buscado esses profissionais no mercado", concluiu.

Punição às empresas

Para Simone, um dos maiores desafios das empresas atualmente é preencher a cota reservada a elas. "O maior problema é a empresa conseguir mão de obra qualificada para conseguir respeitar a cota. Hoje você ainda tem muitas empresas autuadas. O maior problema nem é as empresas quererem burlar a lei e sim a dificuldade em conseguir profissionais com esse perfil no mercado de trabalho", analisou.

Os dados recém-divulgados pelo MPT-SP (Ministério Público do Trabalho do Estado de São Paulo) comprovam o aumento no número de denúncias em relação à Lei das Cotas. No primeiro semestre deste ano, o órgão registrou aumento de 83,3% nas denúncias em relação ao mesmo período de 2010. As reclamações dizem respeito às humilhações no ambiente de trabalho, além de empresas que não cumprem a cota exigida e profissionais que são dispensados logo após a cota ser cumprida. Para Maria Lúcia, no entanto, falta vontade política para se resolver a questão.

"Esse é um assunto que não se discute porque as pessoas têm medo de não ser politicamente corretas. O deficiente não é um 'coitadinho'. Ele é um ser humano, uma pessoa como outra qualquer. Com direitos, obrigações, defeitos e qualidades. É necessário discutir tudo isso. Não há vontade política para se resolver a questão", afirmou a advogada que seguiu sua crítica em relação ao cenário atual da lei.

"Há um quadro muito complexo. Nem todo deficiente é bonzinho e nem todo empresário é ruim. Tenho clientes que ouvem de trabalhadores com deficiência que faltam ou chegam atrasado algo como: ‘se você não está contente eu vou embora, mas cuidado com as cotas’.
Como também há empresas que ficam calculando quanto é a multa para não inserir nenhum deficiente. Há os dois lados. Há pessoas com deficiência que não querem ser inseridos, pois tem um trabalho informal onde ganham mais ou até pelo LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social), que tem um valor baixo, mas é garantido", explicou.

O benefício citado pela advogada é destinado às pessoas que não tem condições de trabalhar e não contribuíram com a previdência social. No valor de um salário mínimo, o benefício atende aqueles cuja renda per capita da família é igual ou inferior a um quarto do salário mínimo. Muitas vezes, o deficiente prefere a garantia do benefício ao invés de ingressar no mercado de trabalho. Caso seja admitido por alguma empresa, o deficiente para de receber o LOAS. No entanto, se for demitido, nunca mais poderá recebê-lo.

"Se inserido, o deficiente vai passar a angústia que todo trabalhador passa. Ou seja, se continuará empregado ou não, por exemplo. Ele será inserido na sociedade para o bem e para o mal. Essas questões são abordadas desde que a lei foi criada e agora, por conta do aniversário, volta à tona, mas nunca são discutidas", completou Maria Lúcia.

Mudança de tratamento

As avaliações da advogada Maria Lúcia e da Fundação diferem quanto ao desempenho da lei. No entanto, todos os entrevistados foram unânimes ao dizer que a sociedade precisa mudar o modo como trata e enxerga o deficiente no mercado de trabalho.

"As pessoas precisam compreender que o deficiente é uma pessoa como qualquer outra. O ingresso maior de pessoas com deficiência no mercado faz com que todas as outras percebam que ela é tão competente quanto às outras", avaliou Defendi. Para ele, ainda existe a ideia de que o deficiente é menos capaz do que os outros funcionários.

"Muitos ainda têm uma crença e uma ideia muito distorcida de que a pessoa com deficiência não é capaz, não pode produzir, que precisa ser tutelada no trabalho. Quando ela vai para um ambiente de trabalho que está preparado para acolhê-la e as pessoas entendem que ela é tão capaz quanto qualquer outra pessoa, cai por terra essa imagem do deficiente coitadinho, ou daquele superpoderoso que pode fazer tudo", complementa.

Ainda segundo o coordenador, o deficiente precisa ser encarado como os outros funcionários da empresa. "O deficiente é uma pessoa que está ingressando, tem expectativas, anseios e quer ser produtivo como qualquer outra pessoa", avaliou Defendi.

Para Maria Lúcia, a discussão sobre o assunto está atrasada e precisa evoluir o quanto antes. "O primeiro passo é você enxergar o deficiente como uma pessoa. Sem preconceito. Esse trabalho deveria ser feito desde a década de 1990, mas virou um jogo de empurra. O Governo joga para a empresa a obrigação de incluir, a empresa não consegue incluir porque não tem pessoas com capacitação", completou.


Fonte: Última Instância, por Thassio Borges, 25.07.2011

Lucy Ramos: "Ainda existe um pouco de preconceito sim"

Lucy Ramos: "Ainda existe um pouco de preconceito sim"

Vivendo sua primeira protagonista em "Cordel Encantado", a atriz abriu o jogo sobre a carreira e preconceito

Foto: TV Globo/Divulgação
Lucy Ramos
Lucy Ramos, 28 anos, que tem encantado o público com a sua primeira protagonista, Maria Cesária, de “Cordel Encantado”, já é velha conhecida das telinhas: desde 2004 passeia por várias produções da Globo, mas pela primeira vez encara um dos papeis do núcleo central de uma trama. Talentosa, Lucy fez com que sua personagem conquistasse o coração do público, que se apaixonou pela quituteira encantada do Reino de Seráfia.
Foto: TV Globo/DivulgaçãoAmpliar
Lucy Ramos como Maria Cesária
O papel, a princípio, não seria de Lucy, e sim deTaís Araújo, que se afastou da trama por conta da maternidade. Escolhida pelas autoras Duca Rachid e Thelma Guedes depois de uma série de testes com várias atrizes, Lucy diz sentir que o papel era para ser seu. "Em nenhum momento senti essa responsabilidade de substituir a Taís, não adianta ficar carregando esse peso...".
Desde sua primeira personagem na Globo, uma uma empregada doméstica em “Começar de Novo”, de 2004, até sua primeira protagonista, mais de sete anos se passaram. Vivendo o primeiro auge de sua carreira, Lucy revela que ela nunca sentiu preconceito, mas não descarta que ele exista nos bastidores.
“Eu nunca passei por nada nesse sentido. Em 'Sinhá Moça' por exemplo, que a minha personagem (Adelaide) iria se casar com um branco, não sabia se o pai iria aceitar, se o bebê iria nascer branco, o público torcia para que minha personagem desse certo. Agora com a Maria Cesária, que ela pode ficar com o rei, se tornar uma rainha, o público tem aceitado isso muito bem também”.
Apesar e se sentir sempre bem-recebida pelo público, Lucy diz que a situação muda um pouco nos bastidores das produções, dentro das próprias emissoras.
“A gente sabe que ainda existe um pouco de preconceito sim, e tem poucos personagens direcionados aos negros, mas graças a Deus isso nunca chegou até mim. Acredito que até tem atores, mas faltam oportunidades. Às vezes o ator é excelente, mas depende de uma oportunidade para mostrar, ou ele nem é tão bom, mas quanto mais ele trabalha, mais experiência vão adquirindo e melhorando, mas precisam dessa oportunidade”, opina. “Mas isso não é uma coisa que me move, não fico pensando nisso, como existe isso também com gordo, ruivo, japonês...".
Foto: Alex Carvalho/TV GloboAmpliar
Lucy em cena como Maria Cesária, beijando o Rei de Seráfia, Augusto, interpretado por Carmo Della Vecchia


A SUBSTITUTA
“Para mim está sendo incrível e isso está sendo refletido muito para quem está vendo a novela. Fiquei afastada um tempo depois de "Paraíso", e esse retorno, essa volta, estou fazendo com muito amor. Eu tenho trabalhado com muito prazer, com amor, e está sendo muito gostoso”.
Lucy Ramos passou por dois testes antes de ser chamada para fazer parte da trama. Ela só soube quando conseguiu o papel que iria substituir Taís Araújo. Apesar do peso e da responsabilidade, Lucy conta que isso não a intimidou em momento algum.
“No início eu não sabia que era para substituir a Taís, quando soube fiquei feliz, porque só pensei que se o papel era dela, então seria um personagem ótimo. Fiquei muito feliz de terem me dado a personagem, fico encantada cada vez que leio o roteito, assim como li pela primeira vez. Às vezes saio chateada da cena, quando acho que poderia ter feito melhor do que fiz”, revela a atriz, que diz ser "bem detalhista".
SONHO DE PROTAGONISTA
Foto: Divulgação/TV GloboAmpliar
Lucy Ramos e Carmo Dalla Vecchia
O sonho da maioria dos atores normalmente é chegar um dia a ser protagonista, mas com Lucy não é bem por ai. Ela diz que independente de estar no segundo elenco ou no principal, o que mais sente falta é participar assiduamente das gravações.
“A diferença de fazer uma protagonista é que a gente grava mais e eu gosto muito mais de estar aqui sempre, receber o roteiro, ter essa rotina... Essa que é a diferença de quando você tem um personagem com menos participação na trama. Já fiz personagens que não tiveram uma participação grande na trama, então passei muito tempo sem encontrar várias pessoas do elenco. Com a Maria Cesária está sendo diferente. Me sinto realizada de gravar com todo mudo, de estar ali com todos”.
Já sobre o sucesso da novela, que tem encantado o público, Lucy responsabiliza o clima nos bastidores pelo o ótimo trabalho realizado nas cenas. “Todo mundo do elenco são queridos e parceiros, presentes em tudo, quando tem uma cena legal, todos vem comentar... Por isso é o resultado da novela, esse sucesso todo